Setembro 2019 - Devoção e Fé - Blog Católico

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Com Motu Proprio "Aperuit illis" Papa institui Domingo da Palavra de Deus

"Será importante que, na celebração eucarística, se possa entronizar o texto sagrado, de modo a tornar evidente aos olhos da assembleia o valor normativo que possui a Palavra de Deus."  (AFP or licensors)

"Portanto estabeleço que o III Domingo do Tempo Comum seja dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus. Este Domingo da Palavra de Deus colocar-se-á, assim, num momento propício daquele período do ano em que somos convidados a reforçar os laços com os judeus e a rezar pela unidade dos cristãos. Não se trata de mera coincidência temporal: a celebração do Domingo da Palavra de Deus expressa uma valência ecumênica, porque a Sagrada Escritura indica, a quantos se colocam à sua escuta, o caminho a seguir para se chegar a uma unidade autêntica e sólida.", escreve o Papa no n.3 do documento.

Cidade do Vaticano

Com a Carta Apostólica na forma de Motu Proprio Aperuit illis o Santo Padre instituiu o Domingo da Palavra de Deus. Eis o texto do documento na íntegra:

1.        «ABRIU-LHES o entendimento para compreenderem as Escrituras» (Lc 24, 45). Trata-se de um dos últimos gestos realizados pelo Senhor ressuscitado, antes da sua Ascensão. Encontrando-se os discípulos reunidos, Jesus aparece-lhes, parte o pão com eles e abre-lhes o entendimento à compreensão das sagradas Escrituras. Revela àqueles homens, temerosos e desiludidos, o sentido do mistério pascal, ou seja, que Ele, segundo os desígnios eternos do Pai, devia sofrer a paixão e ressuscitar dos mortos para oferecer a conversão e o perdão dos pecados (cf. Lc 24, 26.46-47); e promete o Espírito Santo que lhes dará a força para serem testemunhas deste mistério de salvação (cf. Lc 24, 49).

A relação entre o Ressuscitado, a comunidade dos crentes e a Sagrada Escritura é extremamente vital para a nossa identidade. Sem o Senhor que nos introduz na Sagrada Escritura, é impossível compreendê-la em profundidade; mas é verdade também o contrário, ou seja, que, sem a Sagrada Escritura, permanecem indecifráveis os acontecimentos da missão de Jesus e da sua Igreja no mundo. Como justamente escreve S. Jerónimo, «a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo» (Commentarii in Isaiam, Prologus: PL 24, 17).

2.        No termo do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, pedi que se pensasse num «domingo dedicado inteiramente à Palavra de Deus, para compreender a riqueza inesgotável que provém daquele diálogo constante de Deus com o seu povo» (Carta ap. Misericordia et misera, 7). A dedicação dum domingo do Ano Litúrgico particularmente à Palavra de Deus permite, antes de mais nada, fazer a Igreja reviver o gesto do Ressuscitado que abre, também para nós, o tesouro da sua Palavra, para podermos ser no mundo arautos desta riqueza inexaurível. A propósito, voltam à mente os ensinamentos de Santo Efrém: «Quem poderá compreender, Senhor, toda a riqueza duma só das tuas palavras? Como o sedento que bebe da fonte, muito mais é o que perdemos do que o que tomamos. A tua palavra apresenta muitos aspetos diversos, como diversas são as perspetivas daqueles que a estudam. O Senhor pintou a sua palavra com muitas belezas, para que aqueles que a perscrutam possam contemplar aquilo que preferirem. Escondeu na sua palavra todos os tesouros, para que cada um de nós se enriqueça em qualquer dos pontos que medita» (Comentários sobre o Diatessaron, 1, 18).

Assim, com esta Carta, pretendo dar resposta a muitos pedidos que me chegaram da parte do povo de Deus no sentido de se poder celebrar o Domingo da Palavra de Deus em toda a Igreja e com unidade de intenções. Já se tornou uma prática comum viver certos momentos em que a comunidade cristã se concentra sobre o grande valor que a Palavra de Deus ocupa na sua vida diária. Nas diversas Igrejas locais, há uma riqueza de iniciativas que torna a Sagrada Escritura cada vez mais acessível aos crentes para os fazerem sentir-se agradecidos por tão grande dom, comprometidos a vivê-lo no dia a dia e responsáveis por testemunhá-lo com coerência.

O Concílio Ecuménico Vaticano II deu um grande impulso à redescoberta da Palavra de Deus, com a constituição dogmática Dei Verbum. Das suas páginas que merecem ser sempre meditadas e vividas, emergem de forma clara a natureza da Sagrada Escritura, a sua transmissão de geração em geração (cap. II), a sua inspiração divina (cap. III) que abraça o Antigo e o Novo Testamento (caps. IV e V) e a sua importância para a vida da Igreja (cap. VI). Para incrementar esta doutrina, Bento XVI convocou em 2008 uma Assembleia do Sínodo dos Bispos sobre o tema «A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja» e, depois dela, publicou a exortação apostólica Verbum Domini, que constitui um ensinamento imprescindível para as nossas comunidades.[1] Neste Documento, aprofunda-se de modo particular o caráter performativo da Palavra de Deus, sobretudo quando, na ação litúrgica, emerge o seu caráter propriamente sacramental.[2]

Por isso, é bom que não venha jamais a faltar na vida do nosso povo esta relação decisiva com a Palavra viva, que o Senhor nunca Se cansa de dirigir à sua Esposa, para que esta possa crescer no amor e no testemunho da fé.

3.        Portanto estabeleço que o III Domingo do Tempo Comum seja dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus. Este Domingo da Palavra de Deus colocar-se-á, assim, num momento propício daquele período do ano em que somos convidados a reforçar os laços com os judeus e a rezar pela unidade dos cristãos. Não se trata de mera coincidência temporal: a celebração do Domingo da Palavra de Deus expressa uma valência ecuménica, porque a Sagrada Escritura indica, a quantos se colocam à sua escuta, o caminho a seguir para se chegar a uma unidade autêntica e sólida.

As comunidades encontrarão a forma de viver este Domingo como um dia solene. Entretanto será importante que, na celebração eucarística, se possa entronizar o texto sagrado, de modo a tornar evidente aos olhos da assembleia o valor normativo que possui a Palavra de Deus. Neste Domingo, em particular, será útil colocar em evidência a sua proclamação e adaptar a homilia para se pôr em destaque o serviço que se presta à Palavra do Senhor. Neste Domingo, os Bispos poderão celebrar o rito do Leitorado ou confiar um ministério semelhante, a fim de chamar a atenção para a importância da proclamação da Palavra de Deus na liturgia. De facto, é fundamental que se faça todo o esforço possível no sentido de preparar alguns fiéis para serem verdadeiros anunciadores da Palavra com uma preparação adequada, tal como já acontece habitualmente com os acólitos ou os ministros extraordinários da comunhão. Da mesma maneira, os párocos poderão encontrar formas de entregar a Bíblia, ou um dos seus livros, a toda a assembleia, de modo a fazer emergir a importância de continuar na vida diária a leitura, o aprofundamento e a oração com a Sagrada Escritura, com particular referência à lectio divina.

4.        O regresso do povo de Israel à pátria, depois do exílio de Babilónia, foi assinalado de modo significativo pela leitura do livro da Lei. A Bíblia dá-nos uma comovente descrição daquele momento, no livro de Neemias. O povo está reunido em Jerusalém, na praça da Porta das Águas, a escutar a Lei. Aquele povo dispersara-se com a deportação, mas agora encontra-se reunido à volta da Sagrada Escritura «como um só homem» (Ne 8, 1). Durante a leitura do Livro sagrado, o povo «escutava com atenção» (Ne 8, 3), ciente de encontrar naquela palavra o sentido para os acontecimentos vividos. Em reação à proclamação daquelas palavras, brotou a comoção e o pranto. Os levitas «liam, clara e distintamente, o livro da Lei de Deus e explicavam o seu sentido, de modo que se pudesse compreender a leitura. O governador Neemias, Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que instruíam o povo disseram a toda a multidão: “Este é um dia consagrado ao Senhor, vosso Deus; não vos entristeçais nem choreis”. Pois todo o povo chorava ao ouvir as palavras da Lei. (…) “Não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa força”» (Ne 8, 8-9.10).

Estas palavras encerram uma grande lição. A Bíblia não pode ser património só de alguns e, menos ainda, uma coletânea de livros para poucos privilegiados. Pertence, antes de mais nada, ao povo convocado para a escutar e se reconhecer nesta Palavra. Muitas vezes, surgem tendências que procuram monopolizar o texto sagrado, desterrando-o para alguns círculos ou grupos escolhidos. Não pode ser assim. A Bíblia é o livro do povo do Senhor que, escutando-a, passa da dispersão e divisão à unidade. A Palavra de Deus une os crentes e faz deles um só povo.

5.        Nesta unidade gerada pela escuta, primariamente os Pastores têm a grande responsabilidade de explicar e fazer compreender a todos a Sagrada Escritura. Uma vez que é o livro do povo, todos os que têm a vocação de ser ministros da Palavra devem sentir fortemente a exigência de a tornar acessível à sua comunidade.

De modo particular, a homilia desempenha uma função totalmente peculiar, porque possui «um caráter quase sacramental» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 142). Introduzir profundamente na Palavra de Deus, com uma linguagem simples e adaptada a quem escuta, requer do sacerdote que faça descobrir também «a beleza das imagens que o Senhor utilizava para incentivar a prática do bem» (Ibid., 142). Trata-se duma oportunidade pastoral a não perder!

Com efeito, para muitos dos nossos fiéis, esta é a única ocasião que têm para captar a beleza da Palavra de Deus e a ver referida à sua vida diária. Por isso, é preciso dedicar tempo conveniente à preparação da homilia. Não se pode improvisar o comentário às leituras sagradas. Sobretudo a nós, pregadores, pede-se o esforço de não nos alongarmos desmesuradamente com homilias enfatuadas ou sobre assuntos não atinentes. Se nos detivermos a meditar e rezar sobre o texto sagrado, então seremos capazes de falar com o coração para chegar ao coração das pessoas que escutam, de modo a expressar o essencial que é recebido e produz fruto. Nunca nos cansemos de dedicar tempo e oração à Sagrada Escritura, para que seja acolhida, «não como palavra de homens, mas como ela é realmente, palavra de Deus» (1 Ts 2, 13).

É bom também que os catequistas, atendendo ao ministério que desempenham de ajudar a crescer na fé, sintam a urgência de se renovar através da familiaridade e estudo das sagradas Escrituras, que lhes consintam promover um verdadeiro diálogo entre aqueles que os escutam e a Palavra de Deus.

6.        Antes de ir ter com os discípulos, que estavam fechados em casa, e de lhes abrir a mente ao entendimento da Sagrada Escritura (cf. Lc 24, 44-45), o Ressuscitado aparece a dois deles no caminho que vai de Jerusalém a Emaús (cf. Lc 24, 13-35). Na sua narração, o evangelista Lucas faz notar que se verificou no próprio dia da Ressurreição, ou seja, no domingo. Aqueles dois discípulos conversavam sobre os recentes acontecimentos da paixão e morte de Jesus. O seu caminho é marcado pela tristeza e a desilusão, devido ao trágico fim de Jesus. Esperaram n’Ele como Messias libertador, e agora embatem no escândalo do Crucificado. Discretamente, o Ressuscitado em pessoa aproxima-Se e caminha com os discípulos, mas eles não O reconhecem (cf. Lc 24, 16). Ao longo do caminho, o Senhor interpela-os, dando-Se conta de que não compreenderam o sentido da sua paixão e morte; chama-lhes «homens sem inteligência e lentos de espírito» (Lc 24, 25) e, «começando por Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que Lhe dizia respeito» (Lc 24, 27). Cristo é o primeiro exegeta! Não só as Escrituras antigas tinham predito aquilo que Jesus havia de realizar, mas Ele próprio quis ser fiel àquela Palavra para tornar evidente a única história da salvação, que n’Ele encontra a sua realização.

7.        Por isso a Bíblia, enquanto Escritura Sagrada, fala de Cristo e anuncia-O como Aquele que deve passar pelo sofrimento para entrar na glória (cf. Lc 24, 26). E d’Ele falam não só uma parte, mas todas as Escrituras. Sem estas, são indecifráveis a sua morte e ressurreição. Por isso, uma das mais antigas confissões de fé sublinha que Cristo «morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Cefas» (1 Cor 15, 3-5). Uma vez que as Escrituras falam de Cristo, consentem acreditar que a sua morte e ressurreição não pertencem à mitologia mas à história, e encontram-se no centro da fé dos seus discípulos.

É profundo o vínculo entre a Sagrada Escritura e a fé dos crentes. Sabendo que a fé vem da escuta, e a escuta centra-se na Palavra de Cristo (cf. Rm 10, 17), daí se vê a urgência e a importância que os crentes devem dar à escuta da Palavra do Senhor, tanto na ação litúrgica, como na oração e reflexão pessoais.

8.        A «viagem» do Ressuscitado com os discípulos de Emaús conclui com a ceia. O misterioso Viandante acede ao pedido insistente que os dois Lhe dirigem: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso» (Lc 24, 29). Sentam-se à mesa; Jesus toma o pão, pronuncia a bênção, parte-o e dá-o a eles. Naquele momento, abrem-se-lhes os olhos e reconhecem-No (cf. Lc 24, 31).

A partir desta cena, compreendemos como seja indivisível a relação entre a Sagrada Escritura e a Eucaristia. O Concílio Vaticano II ensina: «A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo» (Dei Verbum, 21).

A frequência assídua da Sagrada Escritura e a celebração da Eucaristia tornam possível o reconhecimento entre pessoas que são parte umas das outras. Como cristãos, somos um só povo que caminha na história, fortalecido pela presença no meio de nós do Senhor que nos fala e alimenta. O dia dedicado à Bíblia pretende ser, não «uma vez no ano», mas uma vez por todo o ano, porque temos urgente necessidade de nos tornar familiares e íntimos da Sagrada Escritura e do Ressuscitado, que não cessa de partir a Palavra e o Pão na comunidade dos crentes. Para tal, precisamos de entrar em confidência assídua com a Sagrada Escritura; caso contrário, o coração fica frio e os olhos permanecem fechados, atingidos, como somos, por inumeráveis formas de cegueira.

Sagrada Escritura e Sacramentos são inseparáveis entre si. Quando os Sacramentos são introduzidos e iluminados pela Palavra, manifestam-se mais claramente como a meta dum caminho onde o próprio Cristo abre a mente e o coração ao reconhecimento da sua ação salvífica. Neste contexto, é preciso não esquecer um ensinamento que vem do livro do Apocalipse; lá se ensina que o Senhor está à porta e bate. Se uma pessoa ouvir a sua voz e Lhe abrir a porta, Ele entra para cear junto com ela (cf. 3, 20). Cristo Jesus bate à nossa porta através da Sagrada Escritura; se ouvirmos e abrirmos a porta da mente e do coração, então Ele entra na nossa vida e permanece connosco.

9.        Na II Carta a Timóteo, que de certa forma constitui o testamento espiritual de Paulo, este recomenda ao seu fiel colaborador que frequente assiduamente a Sagrada Escritura. O Apóstolo está convencido de que «toda a Escritura é inspirada por Deus e adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça» (3, 16). Esta recomendação de Paulo a Timóteo constitui uma base sobre a qual a constituição conciliar Dei Verbum aborda o grande tema da inspiração da Sagrada Escritura, base essa donde emergem particularmente a finalidade salvífica, a dimensão espiritual e o princípio da encarnação para a Sagrada Escritura.

Apelando-se, antes de mais nada, à recomendação de Paulo a Timóteo, a Dei Verbum sublinha que «os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro a verdade que Deus, para nossa salvação, quis que fosse consignada nas sagradas Escrituras» (n. 11). Porque estas instruem tendo em vista a salvação pela fé em Cristo (cf. 2 Tm 3, 15), as verdades nelas contidas servem para a nossa salvação. A Bíblia não é uma coletânea de livros de história nem de crónicas, mas está orientada completamente para a salvação integral da pessoa. A inegável radicação histórica dos livros contidos no texto sagrado não deve fazer esquecer esta finalidade primordial: a nossa salvação. Tudo está orientado para esta finalidade inscrita na própria natureza da Bíblia, composta como história de salvação na qual Deus fala e age para ir ao encontro de todos os homens e salvá-los do mal e da morte.

Para alcançar esta finalidade salvífica, a Sagrada Escritura, sob a ação do Espírito Santo, transforma em Palavra de Deus a palavra dos homens escrita à maneira humana (cf. Dei Verbum, 12). O papel do Espírito Santo na Sagrada Escritura é fundamental. Sem a sua ação, estaria sempre iminente o risco de ficarmos fechados apenas no texto escrito, facilitando uma interpretação fundamentalista, da qual é necessário manter-se longe para não trair o caráter inspirado, dinâmico e espiritual que o texto possui. Como recorda o Apóstolo, «a letra mata, enquanto o Espírito dá a vida» (2 Cor 3, 6). Por conseguinte, o Espírito Santo transforma a Sagrada Escritura em Palavra viva de Deus, vivida e transmitida na fé do seu povo santo.

10.      A ação do Espírito Santo não diz respeito apenas à formação da Sagrada Escritura, mas atua também naqueles que se colocam à escuta da Palavra de Deus. É importante a afirmação dos padres conciliares, segundo a qual a Sagrada Escritura deve ser «lida e interpretada com o mesmo Espírito com que foi escrita» (Dei Verbum, 12). Com Jesus Cristo, a revelação de Deus alcança a sua realização e plenitude; e, todavia, o Espírito Santo continua a sua ação. De facto, seria redutivo limitar a ação do Espírito Santo apenas à natureza divinamente inspirada da Sagrada Escritura e aos seus diversos autores. Por isso, é necessário ter confiança na ação do Espírito Santo que continua a realizar uma sua peculiar forma de inspiração, quando a Igreja ensina a Sagrada Escritura, quando o Magistério a interpreta de forma autêntica (cf. ibid., 10) e quando cada crente faz dela a sua norma espiritual. Neste sentido, podemos compreender as palavras ditas por Jesus aos discípulos, depois que estes Lhe asseveraram ter compreendido o significado das suas parábolas: «Todo o doutor da lei instruído acerca do Reino do Céu é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro» (Mt 13, 52).

11.      Por fim, a Dei Verbum especifica que «as palavras de Deus, expressas por línguas humanas, tornaram-se intimamente semelhantes à linguagem humana, como outrora o Verbo do eterno Pai Se assemelhou aos homens, tomando a carne da fraqueza humana» (n. 13). Isto equivale a dizer que a encarnação do Verbo de Deus dá forma e sentido à relação entre a Palavra de Deus e a linguagem humana, com as suas condições históricas e culturais. É neste evento que ganha forma a Tradição, também ela Palavra de Deus (cf. ibid., 9). Muitas vezes corre-se o risco de separar Sagrada Escritura e Tradição, sem compreender que elas, juntas, constituem a única fonte da Revelação. O caráter escrito da primeira, nada tira ao facto de ela ser plenamente palavra viva; assim como a Tradição viva da Igreja, que no decurso dos séculos a transmite incessantemente de geração em geração, possui aquele livro sagrado como a «regra suprema da fé» (Ibid., 21). Além disso, antes de se tornar um texto escrito, a Sagrada Escritura foi transmitida oralmente e mantida viva pela fé dum povo que a reconhecia como sua história e princípio de identidade no meio de tantos outros povos. Por isso, a fé bíblica funda-se sobre a Palavra viva, não sobre um livro.

12.      Quando a Sagrada Escritura é lida com o mesmo Espírito com que foi escrita, permanece sempre nova. O Antigo Testamento nunca é velho, uma vez que é parte do Novo, pois tudo é transformado pelo único Espírito que o inspira. O texto sagrado inteiro possui uma função profética: esta não diz respeito ao futuro, mas ao hoje de quem se alimenta desta Palavra. Afirma-o claramente o próprio Jesus, no início do seu ministério: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir» (Lc 4, 21). Quem se alimenta dia a dia da Palavra de Deus torna-se, como Jesus, contemporâneo das pessoas que encontra; não se sente tentado a cair em nostalgias estéreis do passado, nem em utopias desencarnadas relativas ao futuro.

A Sagrada Escritura desempenha a sua ação profética, antes de mais nada, em relação a quem a escuta, provocando-lhe doçura e amargura. Vêm à mente as palavras do profeta Ezequiel, quando, convidado pelo Senhor a comer o rolo do livro, confessa: «Ele foi, na minha boca, doce como o mel» (3, 3). Também o evangelista João revive, na ilha de Patmos, a mesma experiência de Ezequiel de comer o livro, mas acrescenta algo de mais específico: «Na minha boca era doce como o mel; mas, depois de o comer, as minhas entranhas encheram-se de amargura» (Ap 10, 10).

A doçura da Palavra de Deus impele-nos a comunicá-la a quantos encontramos na nossa vida, expressando a certeza da esperança que ela contém (cf. 1 Ped 3, 15-16). Entretanto a amargura apresenta-se, muitas vezes, no facto de verificar como se torna difícil para nós termos de a viver com coerência, ou de constatar sensivelmente que é rejeitada, porque não se considera válida para dar sentido à vida. Por isso, é necessário que nunca nos abeiremos da Palavra de Deus por mero hábito, mas nos alimentemos dela para descobrir e viver em profundidade a nossa relação com Deus e com os irmãos.

13.      Outra provocação que nos vem da Sagrada Escritura tem a ver com a caridade. A Palavra de Deus apela constantemente para o amor misericordioso do Pai, que pede a seus filhos para viverem na caridade. A vida de Jesus é a expressão plena e perfeita deste amor divino, que nada guarda para si, mas a todos se oferece sem reservas. Na parábola do pobre Lázaro, encontramos uma indicação preciosa. Depois da morte de Lázaro e do rico, este vê o pobre no seio de Abraão e pede para Lázaro ser enviado a casa dos seus irmãos a fim de os advertir sobre a vivência do amor do próximo para evitar que venham sofrer os mesmos tormentos dele. A resposta de Abraão é incisiva: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam!» (Lc 16, 29). Escutar as sagradas Escrituras para praticar a misericórdia: este é um grande desafio lançado à nossa vida. A Palavra de Deus é capaz de abrir os nossos olhos, permitindo-nos sair do individualismo que leva à asfixia e à esterilidade enquanto abre a estrada da partilha e da solidariedade.

14.      Um dos episódios mais significativos desta relação entre Jesus e os discípulos é a Transfiguração. Acompanhado por Pedro, Tiago e João, Jesus sobe ao monte para rezar. Os evangelistas lembram como se tornaram resplandecentes o rosto e as vestes de Jesus, enquanto dois homens conversavam com Ele: Moisés e Elias, que personificam respetivamente a Lei e os Profetas, isto é, as sagradas Escrituras. A reação de Pedro a tal visão transborda de jubilosa maravilha: «Mestre, é bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e outra para Elias» (Lc 9, 33). Naquele momento, uma nuvem cobre-os com a sua sombra, e o medo apodera-se dos discípulos.

A Transfiguração faz pensar na Festa dos Tabernáculos, quando Esdras e Neemias liam o texto sagrado ao povo, depois do regresso do exílio. Ao mesmo tempo, antecipa a glória de Jesus como preparação para o escândalo da paixão; glória divina que é evocada também pela nuvem que envolve os discípulos, símbolo da presença do Senhor. Esta Transfiguração é semelhante à da Sagrada Escritura, que se transcende a si mesma, quando alimenta a vida dos crentes. Como nos recorda a Verbum Domini, «para se recuperar a articulação entre os diversos sentidos da Escritura, torna-se decisivo identificar a passagem entre letra e espírito. Não se trata duma passagem automática e espontânea; antes, é preciso transcender a letra» (n. 38).

15.      No caminho da receção da Palavra de Deus, acompanha-nos a Mãe do Senhor, reconhecida como bem-aventurada por ter acreditado no cumprimento daquilo que Lhe dissera o Senhor (cf. Lc 1, 45). A bem-aventurança de Maria antecede todas as bem-aventuranças pronunciadas por Jesus para os pobres, os aflitos, os mansos, os pacificadores e os que são perseguidos, porque é condição necessária para qualquer outra bem-aventurança. Nenhum pobre é bem-aventurado por ser pobre; mas passa a sê-lo, se, como Maria, acreditar no cumprimento da Palavra de Deus. Lembra-o um grande discípulo e mestre da Sagrada Escritura, Santo Agostinho: «Uma pessoa do meio da multidão, cheia de entusiasmo, exclamou: “Bem-aventurado o ventre que Te trouxe”. E Ele: “Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam”. Como que a dizer: também a minha mãe, a quem tu chamas bem-aventurada, é bem-aventurada justamente porque guarda a palavra de Deus, não porque n’Ela o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, mas porque guarda o próprio Verbo de Deus por meio do Qual foi feita, e que n’Ela Se fez carne» (Sobre o Evangelho de São João, 10, 3).

Possa o domingo dedicado à Palavra fazer crescer no povo de Deus uma religiosa e assídua familiaridade com as sagradas Escrituras, tal como ensinava o autor sagrado já nos tempos antigos: esta palavra «está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração, para a praticares» (Dt 30, 14).

Roma, em São João de Latrão, no dia 30 de setembro de 2019, Memória litúrgica de São Jerónimo e início do 1600º aniversário da sua morte.

[Franciscus]

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[1] Cf. AAS 102 (2010), 692-787.

[2] «Assim é possível compreender a sacramentalidade da Palavra através da analogia com a presença real de Cristo sob as espécies do pão e do vinho consagrados. Aproximando-nos do altar e participando no banquete eucarístico, comungamos realmente o corpo e o sangue de Cristo. A proclamação da Palavra de Deus na celebração comporta reconhecer que é o próprio Cristo que Se faz presente e Se dirige a nós para ser acolhido» (Verbum Domini, 56).

30 setembro 2019


Fonte: Vatican News



Papa Francisco institui Domingo da Palavra de Deus

Papa Francisco dedica o III Domingo do Tempo Comum à Palabra de Deus

Com o Motu Proprio “Aperuit illis", o Santo Padre estabelece que “o III Domingo do Tempo Comum seja dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus”.

Cidade do Vaticano

Foi divulgada, nesta segunda-feira (30/09), a Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio “Aperuit illis” do Papa Francisco com a qual se institui o Domingo da Palavra de Deus.

Com esse documento, o Santo Padre estabelece que “o III Domingo do Tempo Comum seja dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus”. O Motu Proprio foi publicado no dia em que a Igreja celebra a memória litúrgica de São Jerônimo, início dos 1.600 anos da morte do conhecido tradutor da Bíblia em latim que afirmava: “A ignorância das Escrituras é a ignorância de Cristo”.

Jesus abre as mentes para a compreensão das Escrituras

Francisco explica que com essa decisão quis responder aos muitos pedidos dos fiéis para que na Igreja se celebrasse o Domingo da Palavra de Deus. A carta começa com a seguinte passagem do Evangelho de Lucas (Lc 24,45): “Encontrando-se os discípulos reunidos, Jesus aparece-lhes, parte o pão com eles e abre-lhes o entendimento à compreensão das Sagradas Escrituras. Revela àqueles homens, temerosos e desiludidos, o sentido do mistério pascal, ou seja, que Ele, segundo os desígnios eternos do Pai, devia sofrer a paixão e ressuscitar dos mortos para oferecer a conversão e o perdão dos pecados; e promete o Espírito Santo que lhes dará a força para serem testemunhas deste mistério de salvação.”

Redescoberta da Palavra de Deus na Igreja

O Papa recorda o Concílio Vaticano II que “deu um grande impulso à redescoberta da Palavra de Deus com a Constituição Dogmática Dei Verbum”, e Bento XVI que convocou o Sínodo, em 2008, sobre o tema “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” e escreveu a Exortação Apostólica Verbum Domini, que “constitui um ensinamento imprescindível para as nossas comunidades”. Nesse documento, observa, “aprofunda-se o caráter performativo da Palavra de Deus, sobretudo quando o seu caráter sacramental emerge na ação litúrgica”.

Uma Palavra que impulsiona rumo à unidade

"O Domingo da Palavra de Deus", sublinha o Pontífice, "situa-se num período do ano que convida a reforçar os laços com os judeus e a rezar pela unidade dos cristãos": “Não é uma mera coincidência temporal: celebrar o Domingo da Palavra de Deus expressa um valor ecumênico, porque as Sagradas Escrituras indicam para aqueles que se colocam à escuta o caminho a ser percorrido para alcançar uma unidade autêntica e sólida”.

Como celebrar o Domingo da Palavra de Deus

Francisco exorta a viver esse domingo “como um dia solene. Entretanto será importante que, na celebração eucarística, se possa entronizar o texto sagrado, de modo a tornar evidente aos olhos da assembleia o valor normativo que possui a Palavra de Deus (...). Neste Domingo, os Bispos poderão celebrar o rito do Leitorado ou confiar um ministério semelhante, a fim de chamar a atenção para a importância da proclamação da Palavra de Deus na liturgia. De fato, é fundamental que se faça todo o esforço possível no sentido de preparar alguns fiéis para serem verdadeiros anunciadores da Palavra com uma preparação adequada (...). Os párocos poderão encontrar formas de entregar a Bíblia, ou um dos seus livros, a toda a assembleia, de modo a fazer emergir a importância de continuar na vida diária a leitura, o aprofundamento e a oração com a Sagrada Escritura, com particular referência à lectio divina.

Bíblia, livro do Povo de Deus não de poucos privilegiados

“A Bíblia”, escreve o Papa, “não pode ser patrimônio só de alguns e, menos ainda, uma coletânea de livros para poucos privilegiados (...). Muitas vezes, surgem tendências que procuram monopolizar o texto sagrado, desterrando-o para alguns círculos ou grupos escolhidos. Não pode ser assim. A Bíblia é o livro do povo do Senhor que, escutando-a, passa da dispersão e divisão à unidade. A Palavra de Deus une os fiéis e faz deles um só povo”.

Importância da homilia para explicar as Escrituras

Também nessa ocasião, o Papa reitera a importância da preparação da homilia: “Os Pastores têm a grande responsabilidade de explicar e fazer compreender a todos a Sagrada Escritura (...) com uma linguagem simples e adaptada a quem escuta (...). Para muitos dos nossos fiéis, esta é a única ocasião que têm para captar a beleza da Palavra de Deus e a ver referida à sua vida diária (...). Não se pode improvisar o comentário às leituras sagradas. Sobretudo a nós, pregadores, pede-se o esforço de não nos alongarmos desmesuradamente com homilias enfatuadas ou sobre assuntos não atinentes. Se nos detivermos a meditar e rezar sobre o texto sagrado, então seremos capazes de falar com o coração para chegar ao coração das pessoas que escutam”.

Natureza da Bíblia entre história e salvação

Recordando o episódio dos discípulos de Emaús, o Papa recorda também “como seja indivisível a relação entre a Sagrada Escritura e a Eucaristia”. Cita a Constituição Apostólica Dei Verbum que ilustra “a finalidade salvífica, a dimensão espiritual e o princípio da encarnação para a Sagrada Escritura”. “A Bíblia não é uma coletânea de livros de história nem de crônicas, mas está orientada completamente para a salvação integral da pessoa. A inegável radicação histórica dos livros contidos no texto sagrado não deve fazer esquecer esta finalidade primordial: a nossa salvação. Tudo está orientado para esta finalidade inscrita na própria natureza da Bíblia, composta como história de salvação na qual Deus fala e age para ir ao encontro de todos os homens e salvá-los do mal e da morte”.

Papel do Espírito Santo na Sagrada Escritura

“Para alcançar esta finalidade salvífica, a Sagrada Escritura, sob a ação do Espírito Santo, transforma em Palavra de Deus a palavra dos homens escrita à maneira humana. O papel do Espírito Santo na Sagrada Escritura é fundamental. Sem a sua ação, estaria sempre iminente o risco de ficarmos fechados apenas no texto escrito, facilitando uma interpretação fundamentalista, da qual é necessário manter-se longe para não trair o caráter inspirado, dinâmico e espiritual que o texto possui. Como recorda o Apóstolo, «a letra mata, enquanto o Espírito dá a vida».”

Magistério inspirado pelo Espírito Santo

O Papa recorda a afirmação importante dos Padres conciliares “segundo a qual a Sagrada Escritura deve ser «lida e interpretada com o mesmo Espírito com que foi escrita». Com Jesus Cristo, a revelação de Deus alcança a sua realização e plenitude; e, todavia, o Espírito Santo continua a sua ação. De facto, seria redutivo limitar a ação do Espírito Santo apenas à natureza divinamente inspirada da Sagrada Escritura e aos seus diversos autores. Por isso, é necessário ter confiança na ação do Espírito Santo que continua a realizar uma sua peculiar forma de inspiração, quando a Igreja ensina a Sagrada Escritura, quando o Magistério a interpreta de forma autêntica e quando cada fiel faz dela a sua norma espiritual.”

A fé bíblica funda-se na Palavra viva

Falando sobre a encarnação do Verbo de Deus que “dá forma e sentido à relação entre a Palavra de Deus e a linguagem humana, com as suas condições históricas e culturais”, o Papa ressalta que “muitas vezes corre-se o risco de separar Sagrada Escritura e Tradição, sem compreender que elas, juntas, constituem a única fonte da Revelação (...). A fé bíblica funda-se sobre a Palavra viva, não sobre um livro. Quando a Sagrada Escritura é lida com o mesmo Espírito com que foi escrita, permanece sempre nova”. Assim, “quem se alimenta dia a dia da Palavra de Deus torna-se, como Jesus, contemporâneo das pessoas que encontra; não se sente tentado a cair em nostalgias estéreis do passado, nem em utopias desencarnadas relativas ao futuro”.

Sair do individualismo e viver na caridade

“Por isso, é necessário que nunca nos abeiremos da Palavra de Deus por mero hábito, mas nos alimentemos dela para descobrir e viver em profundidade a nossa relação com Deus e com os irmãos. A Palavra de Deus apela constantemente para o amor misericordioso do Pai, que pede a seus filhos para viverem na caridade. A Palavra de Deus é capaz de abrir os nossos olhos, permitindo-nos sair do individualismo que leva à asfixia e à esterilidade enquanto abre a estrada da partilha e da solidariedade.

A carta se conclui com uma referência a Maria que nos acompanha “no caminho do acolhimento da Palavra de Deus”. “A bem-aventurança de Maria antecede todas as bem-aventuranças pronunciadas por Jesus para os pobres, os aflitos, os mansos, os pacificadores e os que são perseguidos, porque é condição necessária para qualquer outra bem-aventurança.”

30 setembro 2019


Fonte: Vatican News



Hoje é celebrado São Jerônimo, tradutor da Bíblia e doutor da Igreja (30 de setembro)


REDAÇÃO CENTRAL, 30 Set. 19 / 05:00 am (ACI).- “Ama a Sagrada Escritura e a sabedoria amar-te-á; ama-a ternamente e ela guardar-te-á; honra-a e receberás as suas carícias”. Assim costumava a dizer São Jerônimo, tradutor da Bíblia ao latim, cuja festa se celebra neste dia 30 de setembro. Ao recordar este santo, a Igreja celebra também o dia da Bíblia.

O nome Jerônimo significa “que tem um nome sagrado”. Este santo consagrou toda sua vida ao estudo das Sagradas Escrituras e é considerado um dos melhores, se não o melhor, neste ofício.

Nasceu na Dalmácia (Iugoslávia) por volta do ano 340. Em Roma, estudou latim sob a direção do mais famoso professor de seu tempo, Donato, que era pagão. Chegou a ser um grande latinista e muito bom conhecedor do grego e de outros idiomas, mas muito pouco conhecedor dos livros espirituais e religiosos. Passava horas e dias lendo e aprendendo de cor os grandes autores latinos, Cicero, Virgilio, Horácio e Tácito, e aos autores gregos, Homero e Platão, mas quase nunca dedicava tempo à leitura espiritual.

Jerônimo se dispôs ir ao deserto a fazer penitência por seus pecados (especialmente por sua sensualidade que era muito forte, por seu mau gênio e seu grande orgulho). Mas lá embora rezasse muito, jejuasse e passasse noites sem dormir, não conseguiu a paz, descobrindo que sua missão não era viver na solidão.

De volta à cidade, foi nomeado secretário do Papa Dâmaso, encarregado de redigir as cartas que o Pontífice enviava. Em seguida, foi designado para fazer a tradução da Bíblia.

As traduções que existiam naquela época tinham muitas imperfeições de linguagem e várias imprecisões ou traduções não muito exatas. Jerônimo, que escrevia com grande elegância o latim, traduziu a este idioma toda a Bíblia, e essa tradução chamada "Vulgata" (tradução feita para o povo ou vulgo) foi a Bíblia oficial para a Igreja Católica durante 15 séculos.

Por volta dos 40 anos, Jerônimo foi ordenado sacerdote. Mas seus altos cargos em Roma e a dureza com a qual corrigia certos defeitos da alta classe social lhe trouxeram invejas. Sentindo-se incompreendido e até caluniado em Roma, onde não aceitavam seu modo enérgico de correção, dispôs afastar-se daí para sempre e foi para a Terra Santa.

Passou seus últimos 35 anos em uma gruta, junto à Gruta de Belém. Várias das ricas matronas romanas que ele tinha convertido com suas pregações e conselhos venderam seus bens e  foram também a Belém a seguir sob sua direção espiritual. Com o dinheiro dessas senhoras, construiu naquela cidade um convento para homens, três para mulheres, e uma casa para atender os que chegavam de todas as partes do mundo para visitar o lugar onde nasceu Jesus.

Com tremenda energia, escrevia contra os hereges que se atreviam a negar as verdades da Santa religião.

A Santa Igreja Católica reconheceu sempre São Jerônimo como um homem eleito por Deus para explicar e fazer entender melhor a Bíblia. Por isso, foi nomeado patrono de todos os que no mundo se dedicam a fazer entender e amar mais as Sagradas Escrituras.

Morreu em 30 de setembro do ano 420, aos 80 anos.

O Papa Bento XVI, em sua audiência geral de 7 de novembro do 2007 disse: “Concluo com uma palavra de São Jerônimo a São Paulino de Nola. Nela o grande exegeta expressa precisamente esta realidade, isto é, que na Palavra de Deus recebemos a eternidade, a vida eterna. Diz São Jerônimo: ‘Procuremos aprender na terra aquelas verdades cuja consistência persistirá também no céu’”.

Fonte: ACI digital



Nasce o primeiro bebê no Barco-Hospital Papa Francisco

@associacaolarsaofrancisco

Adriano Francisco foi o primeiro bebê a nascer no Barco-Hospital

Redação da Aleteia | Set 27, 2019

Viva a Vida!

Adriano Francisco. Este é o nome do primeiro bebê que veio ao mundo no Barco-Hospital Papa Francisco. O primeiro nome é uma homenagem ao pai do menino, e o segundo, à embarcação que está atendendo comunidades ribeirinhas na região da Amazônia.

O nascimento aconteceu em Faro, no Pará, no dia 24 de setembro. Segundo os médicos, a mãe entrou em trabalho de parto, mas foi preciso recorrer à cesariana, pois o bebê estava sentado, o que impossibilitaria o parto normal.

Esta foi mais uma mostra da Providência Divina, pois, se a equipe não estivesse por perto e não agisse rápido, o parto poderia ter complicações, devido à dificuldade da população em ter acesso aos centros de saúde na região.

Mãe e filho passam bem, mas não poderão ficar no hospital flutuante, já que a embarcação irá fazer uma expedição por outras regiões. Por isso, eles foram encaminhados a um centro de saúde no município.

Atendimentos

O Barco-Hospital está preparado para fazer expedições de 10 dias, com base em Óbidos, PA, para realizar os atendimentos de atenção básica à saúde, além de ações e exames para prevenir e diagnosticar precocemente o câncer da população ribeirinha daquela região amazônica. Para tanto, a embarcação oferece consultórios, centro cirúrgico, laboratórios, leitos de enfermaria e salas especiais, como a de vacinação, além de equipamentos para realizar os exames.

A embarcação também conta com uma equipe de religiosos, que prestam ajuda espiritual para a população da região Norte do Brasil.

O Barco-Hospital

A embarcação atende comunidades longínquas no norte do Brasil, onde o acesso a hospitais e à rede de saúde é complicado. O barco tem 32 metros de comprimento e custou R$ 25 milhões. A ideia surgiu depois de uma conversa entre o presidente da Associação Lar São Francisco na Providência de Deus, Frei Francisco Belotti, e o Papa Francisco, quando o pontífice esteve no Brasil em razão da Jornada Mundial da Juventude, em 2013. O barco está preparado para atender mais de 700 mil pessoas em várias comunidades ao longo do rio Amazonas.

Fonte: Aleteia



Leitor questiona católicos e afirma que São Pedro nunca esteve em Roma: será?

Caravaggio | PD

Redação da Aleteia | Set 27, 2019

A "prova" seria um trecho isolado do Novo Testamento em que Paulo afirma que "apenas Lucas está comigo"

Volta e meia, (re)aparece a velha acusação anticatólica de que a Igreja mente ao afirmar que São Pedro esteve em Roma e foi lá martirizado. Alguns detratores se baseiam numa passagem isolada do Novo Testamento para alegarem que, “segundo a Bíblia”, Pedro “nunca esteve em Roma”. A passagem em questão é da Segunda Carta a Timóteo, 4, 11, na qual São Paulo, escrevendo de Roma, diz: “Apenas Lucas está comigo”.

Seria esta então a “prova” de que São Pedro nunca esteve em Roma?

Não é preciso muito além do mínimo de honestidade intelectual para constatar que esse versículo afirma apenas que Pedro não estava ao lado de Paulo no momento em que Paulo escrevia aquele versículo. A mesma linha de “raciocínio” que extrapola que Pedro “nunca esteve em Roma” por conta deste versículo também poderia servir para afirmar que nenhum outro cristão da época estava em Roma além de Paulo e Lucas…

O que diz São Pedro

O próprio São Pedro termina a sua primeira carta com uma saudação criptografada em que faz menção à “Babilônia”.

Era a senha da Igreja primitiva para identificar Roma. Pelo contexto, o termo certamente não pode aplicar-se literalmente à cidade da Babilônia tantas vezes citada no Antigo Testamento. Antigos cristãos escreviam em suas cartas “Estou na Babilônia” em vez de “Estou em Roma” porque as autoridades do Império os perseguiam e, portanto, era arriscado explicitar por escrito a própria localização.

O uso de mensagens em código era bastante comum entre os cristãos clandestinos: o próprio símbolo cristão do peixe, até hoje popular, era um código secreto para identificar os cristãos apenas entre eles mesmos.

O uso de “Babilônia” como código para “Roma” se devia ao que a antiga Babilônia tinha feito com os judeus, semelhante ao que Roma fazia então com os cristãos.

Outras evidências históricas

Estes dados históricos podem não ser suficientes para convencer alguns detratores da presença de São Pedro em Roma.

Outras evidências, porém, podem ser achadas em escritos primitivos e na arqueologia – e se alguém pretende acusar os católicos de mentirosos, deveria, por honestidade intelectual básica, examinar antes todas as evidências disponíveis. Algumas delas:

Santo Irineu, na sua obra “Contra as Heresias”, do ano 190 d.C., afirmou que São Mateus escreveu o seu Evangelho “enquanto Pedro e Paulo estavam evangelizando em Roma”.

Dionísio de Corinto, em 170 d.C., menciona explicitamente o “plantio feito por Pedro e Paulo em Roma”.

Em pleno século XX, arqueólogos escavaram sob a Basílica de São Pedro para checar se ela tinha mesmo sido construída sobre o túmulo de São Pedro. E o que eles encontraram nessa escavação? O túmulo de São Pedro! Até os túmulos próximos continham também inscrições que afirmavam: “Sepultado próximo de Pedro”.

Um interessante relato dessas escavações pode ser lido na obra “The Bones of St. Peter” (Os Ossos de São Pedro), do historiador, biógrafo e jornalista norte-americano John Evangelist Walsh (1927-2015).

A tradição

Segundo a tradição, São Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, em Roma, porque não se considerava digno de receber a mesma morte imposta a Jesus.

Public Domain

São Pedro Apóstolo pediu para ser crucificado de cabeça para baixo porque ele não se sentia digno de imitar a morte de Jesus.

Na cultura católica, uma obra literária se tornou mundialmente célebre ao relatar o contexto da permanência e morte de São Pedro em Roma: “Quo Vadis?“, do autor polonês Henryk Sienkiewicz.

Fonte: Aleteia



domingo, 29 de setembro de 2019

Hoje a Igreja celebra os santos arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael (29 de setembro)



REDAÇÃO CENTRAL, 29 Set. 19 / 05:00 am (ACI).- A Igreja celebra neste dia 29 de setembro a festa dos santos arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael, que aparecem na Bíblia com missões importantes dadas por Deus.

São Miguel em hebreu significa “Quem como Deus” e é um dos principais anjos. Seu nome era o grito de guerra dos anjos bons na batalha combatida no céu contra o inimigo e seus seguidores.

Segundo a Bíblia, ele é um dos sete espíritos assistentes ao Trono do Altíssimo, portanto, um dos grandes príncipes do Céu e ministro de Deus.  É chamado pelo profeta Daniel, no Antigo Testamento, de príncipe protetor dos judeus. No Novo Testamento, é citado na carta de São Judas e no Livro do Apocalipse. Aparece como protetor dos filhos de Deus e de Sua Igreja.

São Gabriel significa “Fortaleza de Deus”. Teve a missão muito importante de anunciar a Nossa Senhora que ela seria a Mãe do Salvador.

Segundo o profeta Daniel (IX, 21), foi Gabriel quem anunciou o tempo da vinda do Messias; quem apareceu a Zacarias “estando de pé à direita do altar do incenso” (Lc 1, 10-19), para lhe dar a conhecer o futuro nascimento do Precursor; e, finalmente, o arcanjo como embaixador de Deus, foi enviado a Maria, em Nazaré para proclamar o mistério da Encarnação. É ele o portador de uma das orações mais populares e queridas do cristianismo, a Ave Maria.

São Rafael quer dizer “Medicina de Deus” ou “Deus obrou a saúde”. É o arcanjo amigo dos caminhantes, médico dos doentes, auxílio dos perseguidos.

No Livro de Tobias é narrado o momento que quando Tobit, pai de Tobias e homem de grande caridade, passou pela provação da cegueira e todos lhe questionavam a fé, juntamente quando Sara era atormentada por um demônio que matava seus maridos nas núpcias. Então, ambos rezaram a Deus e foram ouvidos; e foi Rafael que foi enviado para lhes prestar socorro.

São Rafael tomou a forma humana, fez-se chamar Azarías e acompanhou Tobias em sua viagem, ajudando-o em suas dificuldades, guiando-o por todo o caminho e auxiliando-o a encontrar uma esposa da mesma linhagem. Então, o Arcanjo explicou ao jovem Tobias que poderia se casar com Sara sem perigo algum. E, por fim, ao retornarem esclareceu como ele poderia curar o pai da cegueira. No livro de Tobias o próprio arcanjo se descreve como “um dos sete que estão na presença do Senhor”.

Para celebrar esta data, recordamos a oração aos Santos Arcanjos:

Ajudai-nos, ó grandes santos, irmãos nossos, que sois servos como nós diante de Deus. Defendei-nos de nós mesmos, de nossa covardia e tibieza, de nosso egoísmo e de nossa ambição, de nossa inveja e desconfiança, de nossa avidez em procurar a saciedade, a boa vida e a estima.

Desatai as algemas do pecado e do apego a tudo o que passa. Desvendai os nossos olhos que nós mesmos fechamos para não precisar ver as necessidades de nosso próximos e poder, assim, ocupar-nos de nós mesmos numa tranquila autocomplacência. Colocai em nosso coração o espinho da santa ansiedade de Deus para que não deixemos de procurá-lo com ardor, contrição e amor.

Contemplai em nós o Sangue do Senhor, que Ele derramou por nossa causa.  Contemplai em nós as lágrimas de vossa Rainha, que ela derramou sobre nós.

Contemplai em nós a pobre, desbotada, arruinada imagem de Deus, comparando-a com a imagem íntegra que deveríamos ser Sua vontade e Seu amor.

Ajudai-nos a conhecer Deus, a adorá-Lo, a amá-Lo e a servir-Lhe. Ajudai-nos no combate contra os poderes das trevas que, traiçoeiramente, nos envolvem e nos afligem.

Ajudai-nos para que nenhum de nós se perca e para que, um dia, estejamos todos jubilosamente reunidos na eterna bem-aventurança. Amém.

São Miguel, assisti-nos com vossos santos anjos;
Ajudai-nos e rogai por nós.

São Rafael, assisti-nos com vossos santos anjos;
Ajudai-nos e rogai por nós.

São Gabriel, assisti-nos com vossos santos anjos;
Ajudai-nos e rogai por nós.

Fonte: ACI digital



7 coisas sobre os arcanjos Gabriel, Rafael e Miguel que talvez você não saiba

REDAÇÃO CENTRAL, 29 Set. 19 / 06:00 am (ACI).- A cada 29 de setembro, a Igreja Católica celebra a festa de três Santos Arcanjos: São Miguel, São Gabriel e São Rafael.

Confira a seguir sete coisas que talvez não conhecia sobre eles:

1. São os mais próximos aos humanos

Desde Pseudo-Dionísio, Padre da Igreja do século VI, está acostumado a se enumerar três hierarquias de anjos. Na primeira estão os Serafins, Querubins e Tronos. Depois vêm as Dominações, Virtudes e Potestades. Enquanto que na terceira hierarquia estão os Principados, Arcanjos e Anjos. Estes últimos são os que estão mais próximos às necessidades dos seres humanos.

2. São mensageiros de anúncios importantes

A palavra Arcanjo provém das palavras gregas “Arc” que significa “principal” e “anjo” que é “mensageiro de Deus”. Vejamos o que diz São Gregório Magno:

“Deveis saber que a palavra ‘Anjo’ designa uma função, não uma natureza. Na verdade, aqueles santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre se podem chamar Anjos. Só são Anjos quando exercem a função de mensageiros. Os que transmitem mensagens de menor importância chamam-se Anjos; os que transmitem mensagens de maior transcendência chamam-se Arcanjos.

3. Existem sete Arcanjos segundo a Bíblia

No livro do Tobias (12,15), São Rafael se apresenta como “um dos sete anjos que estão diante da glória do Senhor e têm acesso a sua presença”. Enquanto que no livro do Apocalipse (8,2), São João descreve: “vi os sete Anjos que estavam diante de Deus, e eles receberam sete trombetas”. Por estas duas citações bíblicas, afirma-se que são sete Arcanjos.

4. Conhecemos somente três nomes

A Bíblia menciona somente o nome de três Arcanjos: Miguel, Rafael e Gabriel. Os outros nomes (Uriel, Barachiel ou Baraquiel, Jehudiel, Saeltiel) aparecem em livros apócrifos de Enoc, o quarto livro de Esdras e em literatura rabínica. Entretanto, a Igreja reconhece apenas os três nomes que estão nas Sagradas Escrituras. Os outros podem servir como referência, mas não são doutrina.

5.  Gabriel significa “a força de Deus”

No Antigo Testamento, São Gabriel Arcanjo aparece no livro sagrado de Daniel explicando ao profeta uma visão do carneiro e do cabrito (Det 8), assim como instruindo-o nas coisas futuras (Det 9,21-27).  Nos Evangelhos, São Lucas (1,11-20) o menciona anunciando a Zacarias o nascimento de São João Batista e a Maria (1,26-38) que conceberia e daria a luz Jesus.

São Gabriel Arcanjo é conhecido como o “anjo mensageiro”, representado com uma vara perfumada de açucena e é padroeiro das comunicações e dos comunicadores, pois através da Anunciação trouxe ao mundo a mais bela notícia.

6. Rafael em hebreu é “Deus cura”

O único livro sagrado que menciona a São Rafael Arcanjo é o de Tobias e figura em vários capítulos. Ali se lê que Deus envia este Arcanjo para que acompanhe Tobias em uma viagem, na qual se casou com Sara.

Da mesma maneira, São Rafael indicou a Tobias como devolver a visão ao seu pai. Por esta razão é invocado para afastar doenças e conseguir terminar bem as viagens.

7. Miguel significa “Quem como Deus”
O nome do Arcanjo Miguel vem do hebreu “Mija-El” que significa “Quem como Deus ” e que, segundo a tradição, foi o grito de guerra em defesa dos direitos de Deus quando Lúcifer se opôs aos planos salvíficos e de amor do Criador.

A Igreja Católica teve sempre uma grande devoção ao Arcanjo São Miguel, especialmente a fim de pedir-lhe que nos liberte dos ataques do demônio e dos espíritos infernais. Costuma ser representado com a roupa de guerreiro ou soldado centurião pondo seu calcanhar sobre a cabeça do inimigo.

Fonte: ACI digital



Apelo à Conversão-26° Domingo do Tempo Comum(Ano C)


APELO À CONVERSÃO

26° Domingo do Tempo Comum
 – Ano C

Evangelho de Lucas 16,19-31

Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus: 19 “Havia um homem rico que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. 20 Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão à porta do rico. 21 Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas. 22 Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23 Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24 Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’. 25 Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26 E, além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’. 27 O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, 28 porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’. 29 Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem!’ 30 O rico insistiu: ‘Não, pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’. 31 Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés nem aos profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos'”.
Reflexão

APELO À CONVERSÃO

A parábola do rico e do pobre Lázaro comporta um apelo à conversão, especialmente dirigido a quem está tão preocupado com os prazeres desta vida, a ponto de se tornar insensível às carências de seus semelhantes, mormente, os mais pobres.

A primeira cena exibe o rico, cujo nome é omitido, gozando os prazeres da vida, vestindo roupas caras e banqueteando-se esplendidamente. À sua porta, jaz um mendigo doente, de nome Lázaro, que significa "Deus ajuda", coberto de feridas. Nada lhe chega da mesa do rico que possa saciar-lhe a fome. Suas chagas são lambidas por cães vagabundos, os quais Lázaro não tem força para afastar.

A morte, porém, inverte as posições. Lázaro recebe a ajuda de Deus, por quem é acolhido. O rico, porém, é brindado com um destino de tormentos indizíveis, no inferno. Só, então, dá-se conta do quanto fora insensato, despreocupando-se com a própria salvação. Era tarde demais! O rico havia desperdiçado o tempo posto à sua disposição, escolhendo um modo de vida egoísta e folgazão. Caminho igualmente escolhido por seus cinco irmãos. Também eles recusavam-se a dar ouvido às Escrituras. Nem mesmo um milagre espetacular, como a ressurreição de um morto, seria suficiente para chamá-los à sensatez. Logo, estavam escolhendo a mesma sorte do irmão defunto, se não se convertessem imediatamente.


Oração do Dia

Espírito de sensatez, ensina-me a aproveitar o tempo que me é concedido para viver o amor, solidário com os pobres, de forma a me preparar para o encontro com o Senhor.

O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE.




Despenalização do aborto na Austrália é "uma derrota para a humanidade", lamentam


Foto: Flickr de Jlhopgood (CC-BY-ND-2.0).

SYDNEY, 27 Set. 19 / 01:00 pm (ACI).- O Arcebispo de Sydney (Austrália), Dom Anthony Fisher, lamentou a nova lei que despenalizou o aborto em Nova Gales do Sul e enfatizou que a Igreja deve trabalhar para fornecer suporte às mulheres que enfrentam gravidezes de risco.

Em 26 de setembro, o Parlamento de Nova Gales do Sul despenalizou o aborto por qualquer motivo até a 22ª semana de gestação; após este período será permitido se houver a aprovação de dois obstetras.

Com esta decisão, o aborto está despenalizado em toda a Austrália.

Anteriormente, o aborto só era permitido em Gales se um médico determinasse que a saúde física ou mental da mulher estivesse em perigo. Incluindo em "saúde mental” o "estresse econômico e social".

Segundo os partidários do projeto de lei, essa mudança esclarece aqueles termos que ficavam ambíguos no Código Penal em relação ao aborto. Mas, para aqueles que se opõem a essa mudança, essa lei abre a possibilidade de abortar em qualquer momento, por qualquer motivo, desde que dois médicos o aprovem.

"Hoje é um dia escuro para Nova Gales", disse Dom Anthony Fisher, em sua declaração, em 26 de setembro, na qual qualifica a nova lei como "uma derrota para a humanidade".

“A ata de reforma da lei do aborto pode ser a pior lei aprovada em Nova Gales do Sul na atualidade, porque representa uma abdicação tão dramática da responsabilidade de proteger os membros mais vulneráveis ​​da nossa comunidade”, afirmou, assinalando que, “desde a abolição da pena de morte em Nova Gales do Sul, em 1955, é a única forma legalizada de assassinato em nosso estado. ”

O Arcebispo enfatizou que, embora o aborto agora seja legal em Nova Gales do Sul, "nosso compromisso com a vida continua".

"A preocupação pelas mulheres grávidas, mães e seus bebês ainda está presente em todas as agências da Igreja e organizações pró-vida", afirmou.

"A Igreja Católica, outras igrejas cristãs, as pessoas de diferentes crenças e homens e mulheres de boa fé continuarão trabalhando juntos para transformar nossa cultura, para que cada mulher ou criança vulnerável seja ajudada e o aborto seja inconcebível".

A legalização que gerou a oposição da Igreja Católica, da Igreja Ortodoxa Oriental, da Igreja Anglicana da Austrália e da Igreja Presbiteriana de Nova Gales do Sul, foi adiada durante o verão pelo Conselho Legislativo, devido à preocupação de uma avaliação precipitada. Finalmente, o projeto passou pela Assembleia Legislativa, em 8 de agosto, por 59 votos a 31.

Segundo a legislação, continuará sendo um crime penal que as pessoas realizem abortos sem as devidas autorizações, com uma pena máxima de sete anos de prisão. Os médicos também teriam que obter o "consentimento informado" dos pacientes antes de realizar um aborto.

Originalmente chamada de Reforma da Lei sobre o cuidado da Saúde Reprodutiva 2019, o projeto de lei passou por várias mudanças antes de chegar à sua forma final. Inicialmente, não exigia nenhum assessoramento ou período de consideração para a mulheres, segundo ‘The Catholic Weekly’, publicação da Arquidiocese de Sydney.

Depois, foi alterado para exigir que os médicos assessorem uma mulher que deseja fazer um aborto, se acreditarem que seria benéfico, informou ‘The Guardian’.

Os críticos do projeto de lei também rejeitaram que esta lei exigiria que médicos com objeções de consciência encaminhassem mulheres a outros provedores de serviços de aborto. Em vez disso, a legislação final exige que as mulheres sejam direcionadas ao site ou linha direta de NSW Health, que depois poderá conectá-las a um médico que realizará o aborto.

Outra emenda proíbe obrigar uma mulher a fazer um aborto ou evitar que o faça. O crime é punível com até dois anos de prisão, informou ‘ABC News’ da Austrália.

Além disso, esclareceu que os médicos são obrigados a cuidar dos bebês que sobrevivam a uma tentativa de aborto e proíbe o aborto com base apenas no sexo do bebê, de acordo com ‘ABC News’.

Em sua declaração, Dom Fisher agradeceu aos membros do Parlamento que se opuseram à lei e àqueles "que trabalham incansavelmente nas emendas para corrigir um pouco essa lei horrível". Além disso, agradeceu aos membros do público que rezaram e falaram contra a lei.

Ele encorajou os católicos a continuarem rezando e trabalhando pelos líderes pró-vida e a renovar seu compromisso de ajudar as mulheres grávidas.

"Ainda podemos acabar com o flagelo do aborto nesse estado, tornando-o desnecessário, não importa o que a lei diga", disse o Arcebispo.

Fonte: ACI digital



A belíssima devoção de Jesus das Santas Chagas


Padre Reginaldo Manzotti

Filhos e filhas,

Pelas suas Chagas fomos curados, pela sua cruz fomos libertados.

Eterno Pai, eu Vos ofereço as Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, as Santas Chagas da nossa redenção, para a nossa salvação e cura de nossas feridas.

Perceba filho, a profundidade dessa devoção: sobre o madeiro, Jesus levou nossos pecados, por isso ter um crucifixo dentro de casa não é idolatria, tanto que os santos quando passavam perto de um crucifixo beijavam as Santas Chagas.

Não por acaso que na Sexta-feira Santa, na Celebração da Paixão do Senhor, a Cruz é levantada por três vezes para ser adorada. Sim, eu não errei na palavra adoracion, e depois dessa apresentação à assembleia, o sacerdote se prostra no chão, para em seguida beijar as Santas Chagas do Crucificado.

O sentido não é adorar a cruz pela cruz, mas o madeiro onde esteve nosso Salvador, onde verteu Seu Sangue que nos purificou. Sobre o madeiro levou os nossos pecados, em Seu próprio corpo, a fim de que mortos para os nossos pecados, vivêssemos para a justiça.

“Carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça. Por fim, por suas chagas fomos curados”. (Is 53,5) A profecia de Isaías é citada por São Pedro com seu cumprimento em Jesus Cristo. Na sua Cruz Cristo levou tudo que nos impedia da vida de filhos de Deus.

Apesar de nossa inclinação original para o pecado, sempre estará presente o ato redentor de Cristo e nas Suas Chagas podemos nos refugiar, colocando nas Suas Chagas as nossas chagas e vergonhas, como maravilhosamente definiu São Bernardo de Claraval, em um de seus sermões: “Onde encontrar repouso tranquilo e firme segurança para os fracos, a não ser nas Chagas do Salvador? Ali permaneço tanto mais seguro, quanto mais poderoso é Ele para salvar. O mundo agita, o corpo dificulta, o demônio arma ciladas; não caio, porque estou fundado sobre rocha firme. Pequei e pequei muito; a consciência abala-se, mas não se perturba, pois me lembro das Chagas do Senhor.”

Jesus poderia ter ressuscitado sem nenhuma marca, mas quis manter as marcas da crucificação. Como escreve Santo Agostinho: “Cristo transpassado por nós e pregado com os cravos sobre a cruz, descido da cruz e sepultado, é a nossa salvação. Ele ressuscitou do sepulcro, curado dos ferimentos e mantendo as cicatrizes”.

Ainda nos diz Santo Agostinho: “Jesus quis de fato ajudar seus discípulos ao manter suas cicatrizes, para curar nos seus corações as feridas da incredulidade”. E, Santo Ambrósio escreveu: “Quem duvida que seja verdadeiro o corpo carnal de Jesus, apresentado aos apóstolos para ser tocado, no qual permaneceram os sinais dos ferimentos e os traços das flagelações? Com isso não só nossa fé é fortalecida, mas se exalta também a devoção. Ele ao invés de apagar dos seus membros os ferimentos que recebeu por nós, quis levá-los ao céu para mostrar ao Pai o preço da nossa libertação. E é neste estado que o Pai o entroniza à sua direita, enaltecendo o troféu da nossa salvação”. (340-397)

Por isso e muito mais que não me canso em propagar essa belíssima devoção de Jesus das Santas Chagas.

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti

Nota: Boletim semanal recebido por e-mail.

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sábado, 28 de setembro de 2019

Papa nomeia cardeal Raymundo D. Assis Comissário dos Arautos do Evangelho

Cardeal Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito de Aparecida

A decisão do Papa foi tomada após a investigação iniciada em 2017. O Comissário Pontifício que guiará a Associação fundada por Monsenhor Scognamiglio Clá Dias é o cardeal brasileiro Raymundo Damasceno Assis.

Cidade do Vaticano

Após a visita apostólica iniciada em 2017, a Associação internacional dos Arautos do Evangelho, juntamente com os dois ramos de vida consagrada masculina e feminina, serão guiados por um Comissário com a aprovação do Papa. A comunicação é da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, guiada pelo cardeal João Braz de Aviz.

Em 23 de junho de 2017 – lê-se na declaração divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé neste sábado - a Congregação, em acordo com o Dicastério para os Leigos, Família e Vida, havia anunciado "uma visita apostólica à instituição conhecida como Arautos do Evangelho, da qual fazem parte a Associação internacional pública de fiéis de direito pontifício dos Arautos do Evangelho, a Sociedade de Vida Apostólica clerical Virgo Flos Carmeli e a Sociedade de Vida Apostólica feminina Regina Virginum”.

"Depois de ter estudado atentamente as conclusões dos visitadores e obtida a aprovação do Santo Padre, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica nomeou um Comissário Pontifício" para a Associação internacional e as duas Sociedades de Vida Apostólica.

O Comissário é o cardeal Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito de Aparecida, que será coadjuvado por Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida, bispo auxiliar de Brasília e pela Irmã Marian Ambrosio I.D.P, superiora geral das Irmãs da Divina Providência, na qualidade de assistentes.

Os Arautos do Evangelho são uma Associação internacional de fiéis de direito pontifício, a primeira a ser ereta pela Santa Sé no novo milênio, em 22 de fevereiro de 2001. Eles estão presentes em diversos países do mundo e são reconhecidos pelo hábito marrom e branco, com uma grande cruz no peito, semelhante à de cavaleiros medievais. As duas Sociedades de Vida Apostólica dela derivadas obtiveram o reconhecimento pontifício em 2009.

Seu fundador é o monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, ex-membro da associação civil brasileira TFP (tradição, família e propriedade), que mais tarde se desmembrou, e de um de seus ramos que se tornou completamente autônomo nasceram os Arautos do Evangelho.

As motivações para a visita apostólica e agora a decisão de nomear um Comissário para os Arautos estão ligadas ao estilo de governo, à vida dos membros do Conselho, à pastoral vocacional, à formação de novas vocações, à administração, à gestão das obras e à captação de recursos.

Também neste caso, como em casos semelhantes, a decisão da Santa Sé não deve ser considerada como uma punição, mas como uma iniciativa destinada ao bem das instituições comissionadas para procurar resolver os problemas existentes.

28 setembro 2019


Fonte: Vatican News



Hoje começa a novena a Nossa Senhora do Rosário (28 de setembro)


REDAÇÃO CENTRAL, 28 Set. 19 / 06:00 am (ACI).- No dia 7 de outubro é a festa de Nossa Senhora do Rosário. Segundo a tradição, foi a própria Mãe de Deus que apareceu um dia a São Domingos de Gusmão (1170-1221), ensinou-lhe a rezar o Santo Rosário e lhe pediu que se propagasse esta prática, prometendo que muitos pecadores se converteriam e obteriam abundantes graças.

A poucos dias da grande celebração em honra a Nossa Senhora do Rosário, segue uma novena para pedir a sua intercessão:

Oração Inicial

Oh, Mãe e clementíssima Virgem do Rosário! Vós que plantastes na Igreja, por meio de vosso privilegiado filho Domingos, o místico remédio do Santo Rosário, fazei que abracemos todos tua santa devoção e obtenhamos seu verdadeiro espírito; De sorte que aquelas místicas rosas sejam em nossos lábios e coração, pelos pecadores, medicina, e pelos justos, aumento de graça. Amém.

Pedir aqui com confiança a graça que se deseja obter com esta novena.

Orações Finais

Rezar quatro Ave-Marias e Glórias em reverência às quatro ordens de mistérios do Santo Rosário.

Terminar com a seguinte oração:

Oh, Santíssima Virgem, Mãe de Deus, doce refúgio e esperança piedosa de todos os aflitos! Por aquela confiança e autoridade de Mãe com que podeis apresentar nossos rogos ao que é árbitro soberano de nosso bem, empenhai uma e outra em favor nosso. Consegui-nos o reformar com o Santo Rosário nossas vidas, estudando em tão doce livro a fiel imitação de vosso Filho Jesus, até que possamos adorá-Lo e amá-Lo por todos os séculos dos séculos. Amém.

Primeiro Dia

“Deus vos salve”

Quanto minha alma se alegra, amabilíssima Virgem, com as doces recordações que em mim desperta esta saudação! Enche-se de alegria meu coração ao dizer o “Ave-Maria”, para acompanhar a alegria que teve vosso Espírito ao escutar da boca do anjo, alegrando-me da eleição que de Vós fez o Onipotente para dar-nos o Senhor. Amém.

Segundo Dia

 “Maria” nome Santo!

Dignai-vos, amabilíssima Mãe, selar com vosso nome a memória das súplicas nossas, dai-nos a esperança de que nos atenda benignamente vosso Filho Jesus, para que alcancemos o aborrecimento a todas as vaidades do mundo, firme amor a virtude, e ânsias contínuas de nossa eterna salvação. Amém.

 Terceiro Dia

“Cheia sois de graça”

Doce Mãe! Deus Vos salve, Maria, sacrário riquíssimo em que descansou corporalmente a plenitude da Divindade: A vossos pés se apresenta desnuda minha pobre alma, pedindo a graça e o amor de Deus, com o que fostes enriquecida, fazendo-te cheia de virtude, cheia de santidade e cheia de graça. Amém.

Quarto Dia

 “O Senhor é contigo”

Oh, Santíssima Virgem! Aquele imenso Senhor, que por sua essência fez todas as coisas, está em Vós e convosco por modo muito superior. Mãe minha, venha a nós o Senhor através de Vós. Mas, como tende vir a um coração de tão pouca limpeza como o meu Aquele Senhor que, para fazer de Vós sua habitação, quis com tal prodígio, que não se perdesse vossa virgindade sendo Mãe? Oh! Mora em nós tanta impureza, para que habite em nossa alma o Senhor. Amém.

Quinto Dia

 “Bendita sois entre todas as mulheres”

Vós sois a glória de Jerusalém! Vós, a alegria de Israel! Vós, a honra do povo Santo de Deus! Obtende por vossa intercessão a nosso espírito a mais viva fé, para considerar e adorar com vosso Santo Rosário as misericórdias que em Vós e por Vós fez o Filho de Deus. Amém.

Sexto Dia

 “Bendito é o fruto do teu ventre Jesus”

Choro, oh Mãe minha, que tenho eu feito tantos pecados, sabendo que eles fizeram morrer na cruz a vosso Filho. Seja o fruto de minha oração, que não termine nunca de chorá-los, até poder bendizer eternamente aquele puríssimo fruto de vosso ventre. Amém.

 Sétimo Dia

 “Santa Maria, Mãe de Deus”

Não permitais que se perca minha alma comprada com o inestimável preço do sangue de Jesus. Dai-me um coração digno de Vós, para que amando-vos, sejam minhas delícias obsequiar-vos com o Santo Rosário, adorando com ele ao vosso Filho, pelo muito que fez para nossa redenção e pelo que desejou, fazendo-te sua Mãe. Amém.

Oitavo Dia

“Rogai por nós pecadores”

Mãe de piedade! A Vós peço, Mãe do Rei soberano da glória: Vós sois minha Mãe. Alcançai-me humildade e plena confiança, pois deste modo, com o auxílio de Deus, a receber os favores da Divina misericórdia, pelos méritos de vosso Filho e Redentor nosso. Amém.

Nono Dia

“Agora, e na hora de nossa morte”

Estamos sempre prestes a perder a graça de Deus. Fazei com que não se aparte de minha memória ao último momento da vida, que haverá de ser decisivo de minha eterna sorte. Oh, Mãe de piedade! Concedei-me a esperança de morrer sob vossa proteção e no amor de meu Jesus. Amém.

Fonte: ACI digital



Hoje é celebrado São Venceslau, mártir e padroeiro da República Tcheca (28 de setembro)


REDAÇÃO CENTRAL, 28 Set. 19 / 05:00 am (ACI).- São Venceslau foi um soberano tcheco que evangelizou seu povo, modificou o sistema judicial e reduziu as condenações relativas à pena de morte ou à tortura.

O santo foi filho de Vratislau e de sua esposa Draomira. Era neto de Santa Ludimila, esposa do primeiro cristão da Boêmia, que se encarregou de sua educação e o ensinou a amar e servir a Deus.

Quando jovem, o santo perdeu seu pai após uma guerra e, por isso, sua mãe assumiu o poder. Entretanto, ela instaurou uma política anticristã e secularista que converteu o povo em um caos total.

Diante dessa situação, sua avó tentou persuadir o príncipe a assumir o trono e proteger o cristianismo, o que fez com que os nobres a assassinassem por considerá-la uma ameaça latente aos seus interesses.

Entretanto, por circunstâncias desconhecidas, a rainha foi expulsa do trono e Venceslau foi proclamado rei pela vontade do povo.

Como primeira medida, anunciou que apoiaria decididamente à Igreja. Sempre governou com justiça e misericórdia.

Por interesses políticos obscuros, Boleslau – que desejava o trono de seu irmão – assassinou o santo rei a punhaladas durante uma festividade.

O povo proclamou o rei Venceslau como mártir da fé e logo a Igreja de São Vito – onde se encontram seus restos mortais – se tornou um centro de peregrinações.

Tempos depois, foi proclamado padroeiro do povo da Boêmia e hoje sua devoção é tão grande que também da República Tcheca.

Fonte: ACI digital

1 - Oração a São Venceslau

Ó Deus, que destes a São Venceslau a graça de seguir e viver vossa doutrina mesmo ocupando a posição de rei, dai a todos os que desempenham função de governo e liderança a mesma graça, para que o vosso povo possa viver em paz, praticando as virtudes cristãs e vivendo já neste mundo, a justiça do Reino dos Céus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo, amém. São Venceslau, rogai por nós.

2 - Oração a São Venceslau

Senhor, ajudai-nos a proceder com o mesmo amor que o Vosso que é intenso e que abraça. E, como São Venceslau, possamos aliviar, distribuir com justiça, misericórdia e alimentar os famintos de nosso tempo no corpo e no espírito. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!



Vaticano apresenta livro inédito de São João Paulo II


Por Miguel Pérez Pichel

Livro inédito de São João Paulo II. Foto: ACI Prensa

Vaticano, 27 Set. 19 / 09:30 am (ACI).- "Cristo, a Igreja e o Mundo" é o título de um livro de catequeses inéditas do Papa São João Paulo II, escritas quando era Arcebispo de Cracóvia e cuja tradução para o italiano acaba de ser apresentada pela Livraria Editora Vaticana, em Roma.

Trata-se de uma série de 13 catequeses escritas em 1965, em polonês, nas quais o bispo Karol Wojtyla reflete sobre a essência do cristianismo a partir do discurso de São Paulo no Areópago.

O conhecido como Discurso do Areópago "é um fragmento do Livro dos Atos dos Apóstolos, no qual São Paulo proclama a verdade sobre Cristo, sobre sua Ressurreição dos mortos e sua ascensão ao céu", explica-se no epílogo do livro.

Além disso, na introdução ao texto, o Arcebispo Emérito de Cracóvia, Cardeal Stanislaw Dziwisz, destaca o fato de que “a Divina Providência quis que este texto esquecido fosse redescoberto recentemente e fosse publicado precisamente neste momento histórico particular no qual novamente necessitamos de uma catequese profunda e geral sobre a verdade da fé”.

Os responsáveis ​​da edição explicam que "não se sabe a quem essas catequeses estão dirigidas, não se sabe se chegaram a ser pronunciadas e, se sim, quando, e também não se sabe se elas foram publicadas em algum momento".

"O fato é que foram preservadas na forma de manuscrito composto por 39 fólios escritos em ambos os lados em tinta preta e com uma bela caligrafia sem rasuras". Cada meditação está encabeçada por uma breve oração em latim.

Uma nova luz

Em declarações exclusivas a ACI Prensa, agência em espanhol do Grupo ACI, o Cardeal Luis Francisco Ladaria, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, enfatizou que essas catequeses "trazem uma nova luz".

“Não digo que seja uma luz completamente nova, mas é um aprofundamento neste discurso tão bonito de São Paulo no Areópago. Qualquer aproximação a esses grandes textos sempre nos enriquece e, quando essa aproximação é feita por uma pessoa que não tinha nada de banal ou insignificante, mas era Karol Wojtyla, é obviamente uma aproximação muito interessante”, afirmou.

Em sua opinião, não se trata de um texto "revolucionário", mas fornece uma boa explicação e um aprofundamento da ideia expressa por São Paulo do deus desconhecido "que é o Deus revelado em Cristo".

Ensinamentos do Concílio Vaticano II

Durante a apresentação do livro em Roma, o Prefeito Emérito da Congregação para os Bispos, Cardeal Giovanni Battista Re, destacou que nessas catequeses, São João Paulo II "tenta refletir os ensinamentos do Concílio Vaticano II", do qual havia participado como Arcebispo de Cracóvia. "Enfatiza que, sem Cristo, não se compreende o mundo, não se compreende o mistério do homem”.

Além disso, destacou o fato de que “cada catequese esteja precedida por uma frase em latim, uma oração. Uma frase que não está relacionada com o texto que encabeça”.

Trata-se, explicou, de um costume do Santo Papa que reflete sua profunda espiritualidade. Cada frase "é uma pequena invocação que João Paulo II costumava escrever antes de começar um texto".

Dessa maneira, "queria que cada página fosse um ato de oração, para que, antes de começar a leitura, um pensamento fosse direcionado a Deus".

Fonte: ACI digital



Avisos

Olá irmãs e irmãos de fé! Paz e Bem!

Para ajudar, tenho colocado as orações do programa de rádio Momento de Fé, porém muitos estão se confundindo e achando que meu blog é do Padre Marcelo Rossi. Irmãs(os), este blog não é do Padre Marcelo Rossi, para que sua mensagem chegue ao padre, você terá que acessar os sites dele : 1) Padre Marcelo Rossi 2) Facebook Padre Marcelo Rossi

Obrigada - Adriana dos Anjos/Devoção e Fé Blog