Janeiro 2019 - Devoção e Fé - Blog Católico

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Jovem com grave deficiência participa da JMJ: "A comunhão diária me mantém vivo"


Por Diego López Marina

PANAMÁ, 27 Jan. 19 / 05:00 am (ACI).- Embora os médicos tenham desenganado Juan Pablo Barón Rivera, um menino de 17 anos de idade prostrado em uma cadeira de rodas e cego, ele foi para Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Panamá 2019 com o sonho de conhecer o Papa Francisco e clamar ao mundo que a comunhão diária é a única coisa que o mantém vivo.

"Minha única missão no mundo é mostrar que estou vivo graças à comunhão diária. Vou todos os dias à Missa e este é meu ensinamento para todos os jovens, e meu grande sonho sempre será falar com o Papa Francisco, para isso vim ao Panamá ", assegurou o jovem em entrevista ao Grupo ACI em 24 de janeiro, durante a cerimônia de acolhida e abertura da JMJ no Campo Santa Maria La Antigua.

Juan Pablo participa da Paróquia Cristo Ressuscitado no departamento de Cundinamarca, a 30 minutos de Bogotá, capital da Colômbia. Ele chegou à JMJ há alguns dias com seu melhor amigo e sua mãe María del Carmen Rivera Torres para viver a experiência da Jornada Mundial da Juventude.

O jovem sofre de mucopolissacaridose, uma doença rara que produz várias anomalias físicas e deformações.

"Aos 10 meses eu fiquei paralítico, aos 5 e 6 ano,s fiquei cego dos dois olhos. Quando eu tinha 11 anos, os médicos me desenganaram e disseram que viveria apenas até os 14 anos. A partir desse momento, não voltei mais ao médico, não tenho nada contra eles, mas faz 7 anos que não volto. Hoje tenho 17 anos e eu só acredito em Deus plenamente, vou à Missa diária, recebo a Eucaristia e hoje me sinto completamente normal, consegui me mexer e estou vivo. Isso ninguém explica, somente Deus”, narrou o jovem.

Juan Pablo lamentou que, apesar de ter estado perto do Papa durante a sua visita pastoral à Colômbia em 2017, não conseguiu conhecê-lo.

Ele disse que quase desmaiou e teve que ser levado para frente, onde o veículo do Pontífice passaria. "Eu estava perto e consegui tocar o carro, mas ele não percebeu que eu estava lá", relatou.

Agora o jovem afirma que "estar na JMJ significa uma grande alegria para mim", e se tivesse a oportunidade de falar com o Papa Francisco, pediria a ele para que sempre fale "da importância da comunhão diária".

Além disso, diria ao Papa que aqueles sacerdotes que cometeram erros são dignos de misericórdia, e que através da oração eles podem ser ajudados a permanecerem "puros novamente".

Por sua parte, María del Carmen explicou que seu filho Juan Pablo sempre "teve a ideia de vir" e "conseguiram com grande esforço".

"Meu filho sempre carrega uma mensagem de mudança para as pessoas, cheio do amor de Deus. Nós o instruímos muito na fé desde pequeno, mas em vez de nós ensinarmos a ele, é ele quem nos ensina todos os dias com o seu testemunho: que não existem fronteira, que se pode tudo e que de mãos dadas com o Senhor podemos chegar longe”, concluiu.

Fonte: ACI digital



domingo, 27 de janeiro de 2019

Homilia do Papa Francisco na Missa de encerramento da JMJ Panamá 2019


PANAMÁ, 27 Jan. 19 / 11:11 am (ACI).- Diante de uma multidão de jovens que chegaram ao Panamá vindos dos cinco continentes, o Papa Francisco preside a Missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2019, no Campo São João Paulo II.

A seguir, o texto completo da homilia pronunciada pelo Santo Padre:

«Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos n’Ele. Começou, então, a dizer-lhes: “Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir” » (Lc 4, 20-21).

O Evangelho apresenta-nos, assim, o início da missão pública de Jesus. Apresenta-O na sinagoga que O viu crescer, circundado por conhecidos e vizinhos e talvez até por algum dos seus «catequistas» de infância que Lhe ensinou a lei. Momento importante na vida do Mestre quando Ele – a criança que Se formara e crescera dentro daquela comunidade – Se levantou e tomou a palavra para anunciar e realizar o sonho de Deus. Uma palavra até então proclamada apenas como promessa do futuro, mas que, na boca de Jesus, só podia ser pronunciada no presente, tornando-se realidade: «Cumpriu-se hoje».

Jesus revela o agora de Deus, que vem ao nosso encontro para nos chamar, também a nós, a tomar parte no seu agora, no qual «anunciar a Boa-Nova aos pobres», «proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos a recuperação da vista», «mandar em liberdade os oprimidos» e «proclamar um ano favorável da parte do Senhor» (cf. Lc 4, 18-19). É o agora de Deus que, com Jesus, se faz presente, se faz rosto, carne, amor de misericórdia que não espera situações ideais ou perfeitas para a sua manifestação, nem aceita desculpas para a sua não-realização. Ele é o tempo de Deus que torna justos e oportunos todos os espaços e situações. Em Jesus, começa e faz-se vida o futuro prometido.

Quando? Agora. Mas nem todos aqueles que lá O ouviram, se sentiam convidados ou convocados. Nem todos os seus vizinhos de Nazaré estavam prontos para acreditar em alguém que conheciam e tinham visto crescer e que os convidava a realizar um sonho há muito aguardado. Antes, pelo contrário! «Diziam: “Não é este o filho de José?” » (Lc 4, 22).

A nós, também pode suceder o mesmo. Nem sempre acreditamos que Deus possa ser tão concreto no dia-a-dia, tão próximo e real, e menos ainda que Se faça assim presente agindo através de alguém conhecido, como um vizinho, um amigo, um parente. Nem sempre acreditamos que o Senhor nos possa convidar a trabalhar e meter as mãos na massa juntamente com Ele no seu Reino de forma tão simples mas incisiva. Custa a aceitar que «o amor divino se tornou concreto e quase experimentável na história com todas as suas vicissitudes ásperas e gloriosas» (Bento XVI, Catequese na Audiência Geral de 28/IX/2005).

Não é raro comportarmo-nos como os vizinhos de Nazaré, preferindo um Deus à distância: magnífico, bom, generoso mas distante e que não incomode, um Deus domesticado. Porque um Deus próximo no dia a dia, amigo e irmão pede-nos para aprendermos proximidade, presença diária e, sobretudo, fraternidade. Ele não quis manifestar-Se de modo angélico ou espetacular, mas quis dar-nos um rosto fraterno e amigo, concreto, familiar. Deus é real, porque o amor é real; Deus é concreto, porque o amor é concreto. E é precisamente esta «dimensão concreta do amor aquilo que constitui um dos elementos essenciais da vida dos cristãos» (Bento XVI, Homilia, 1/III/2006).

Também nós podemos correr os mesmos riscos que os vizinhos de Nazaré, quando, nas nossas comunidades, o Evangelho se quer fazer vida concreta e começamos a dizer: «Mas, estes jovens, não são filhos de Maria, de José, e não são irmãos de...? Não são aquelas crianças que ajudamos a crescer? Este ali, não é o que partia sempre os vidros com a bola?» E, assim, uma pessoa que nascera para ser profecia e anúncio do Reino de Deus acaba domesticada e empobrecida. Querer domesticar a Palavra de Deus é realidade de todos os dias.

E também a vós, queridos jovens, pode acontecer o mesmo, sempre que pensais que a vossa missão, a vossa vocação, e até a vossa vida é uma promessa que vale só para o futuro, nada tem a ver com o vosso presente. Como se ser jovem fosse sinônimo de «sala de espera» para quem aguarda que chegue o seu turno. E, enquanto este não chega, inventam para vós ou vós próprios inventais um futuro higienicamente bem embalado e sem consequências, bem construído e garantido com tudo «bem assegurado». Não queremos oferecer a vocês um futuro de laboratório.

É a «ficção» da alegria. Não é a alegria do hoje, do concreto, do amor. Assim, com esta ficção da alegria, vos «tranquilizamos» e adormentamos para não fazerdes barulho, para não incomodarem muito, para não colocardes interrogativos a vós mesmos e aos outros, para não vos pordes em discussão a vós próprios e aos outros; e «entretanto» os vossos sonhos perdem altitude, começam a adormentar-se e tornam-se «ilusões» rasteiras, pequenas e tristes (cf. Francisco, Homilia do Domingo de Ramos, 25/III/2018), só porque consideramos ou considerais que o vosso agora ainda não chegou; que sois demasiado jovens para vos envolverdes no sonho e construção do amanhã. E assim seguimos os procrastinando. E sabem uma coisa, que muitos jovens gostam disso. Por favor, ajudemo-los a que não gostem disso, que se rebelem, que queiram viver o agora de Deus.

Um dos frutos do Sínodo recente foi a riqueza de nos podermos encontrar e, sobretudo, escutar.

A riqueza da escuta entre gerações, a riqueza do intercâmbio e o valor de reconhecer que precisamos uns dos outros, que devemos esforçar-nos por promover canais e espaços onde nos comprometamos a sonhar e construir o amanhã, já hoje. Não isoladamente, mas unidos, criando um espaço em comum: um espaço que não nos é oferecido de prenda, nem o ganhamos na loteria, mas um espaço pelo qual deveis lutar vós também. Vocês, jovens, devem lutar pelo seu espaço hoje, porque a vida é hoje, ninguém pode lhe prometer um dia de amanhã. Jogue você hoje, seu espaço é hoje, como está respondendo a isso?

Porque vós, queridos jovens, não sois o futuro, porque é normal dizer os jovens são o futuro, não. São o presente, vocês, jovens, são o agora de Deus. Ele convoca-vos e chama-vos, nas vossas comunidades e cidades, para irdes à procura dos avós, dos mais velhos; para vos erguerdes de pé e, juntamente com eles, tomar a palavra e realizar o sonho com que o Senhor vos sonhou.

Não amanhã; mas agora! Pois, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração (cf. Mt 6, 21); e, aquilo que vos enamora, conquistará não apenas a vossa imaginação, mas envolverá tudo. Será aquilo que vos faz levantar de manhã e incita nos momentos de cansaço, aquilo que vos abrirá o coração enchendo-o de maravilha, alegria e gratidão. Senti que tendes uma missão e apaixonai-vos por ela, tudo dependerá disto (cf. Pedro Arrupe S.J., Nada és más práctico). Poderemos ter tudo; mas, queridos jovens, se falta a paixão do amor, faltará tudo! A paixão do amor hoje e deixemos que o Senhor nos enamore e nos leve até o amanhã.

Para Jesus, não há um «entretanto», mas amor de misericórdia que quer penetrar no coração e conquistá-lo. Ele quer ser o nosso tesouro, porque Jesus não é um «entretanto» na vida nem uma moda passageira: é amor de doação que convida a doar-se.

É amor concreto, próximo, real; é alegria festiva que nasce da opção de participar na pesca miraculosa da esperança e da caridade, da solidariedade e da fraternidade frente a tantos olhares paralisados e paralisadores por causa dos medos e da exclusão, da especulação e da manipulação. Irmãos, o Senhor e a sua missão não são um «entretanto» na nossa vida, qualquer coisa de passageiro, não são apenas uma Jornada Mundial da Juventude: são a nossa vida, de hoje e sempre caminhando!

Ao longo de todos estes dias, como um fundo musical, acompanhou-nos de modo especial o «faça-se» de Maria. Ela não Se limitou a acreditar em Deus e nas suas promessas como algo possível, mas acreditou em Deus e teve a coragem de dizer «sim» para participar neste agora do Senhor. Sentiu que tinha uma missão, apaixonou-Se, e isso decidiu tudo. Que vocês sintam que têm uma missão, deixem-se apaixonar e o Senhor decidirá tudo.

Como sucedeu na sinagoga de Nazaré, o Senhor, no meio de nós, dos seus amigos e conhecidos, de novo Se ergue de pé, toma o livro e diz-nos: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir» (Lc 4, 21).

Quereis viver em concreto o vosso amor? O vosso «sim» continue a ser a porta de entrada para que o Espírito Santo conceda um novo Pentecostes ao mundo e à Igreja. Que assim seja!

Fonte: ACI digital



Discurso do Papa Francisco na Vigília com os jovens da JMJ Panamá 2019


PANAMÁ, 26 Jan. 19 / 09:54 pm (ACI).- O Papa Francisco preside a vigília com centenas de milhares de jovens na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Panamá 2019, no Campo São João Paulo II – Metro Park.

A seguir, o texto completo do discurso do Santo Padre:

Queridos jovens, boa noite!

Acabamos de ver este belo espetáculo sobre a Árvore da Vida, que mostra como a vida que Jesus nos dá é uma história de amor, uma história de vida que quer misturar-se com a nossa e criar raízes na terra de cada um. Essa vida não é uma salvação suspensa «na nuvem» – no disco virtual – à espera de ser descarregada, nem uma nova «aplicação» para descobrir ou um exercício mental fruto de técnicas de crescimento pessoal. Nem sequer um «tutorial» com o qual apreender as últimas novidades. A salvação, que o Senhor nos dá, é um convite para participar numa história de amor, que está entrelaçada com as nossas histórias; que vive e quer nascer entre nós, para podermos dar fruto onde, como e com quem estivermos. Precisamente aí vem o Senhor plantar e plantar-Se a Si mesmo; Ele é o primeiro a dizer «sim» à nossa vida, à nossa história e quer que também nós digamos «sim» juntamente com Ele. Ele sempre nos antecipa.

Foi assim que surpreendeu Maria, convidando-A para fazer parte desta história de amor. Sem dúvida, a jovem de Nazaré não aparecia nas «redes sociais» de então, não era uma influencer – uma influenciadora digital – mas, sem querer nem procurá-lo, tornou-Se a mulher que maior influência teve na história.

Podemos dizer com confiança de filhos: Maria, a influencer de Deus. Com poucas palavras, soube dizer «sim», confiando no amor e nas promessas de Deus, única força capaz de fazer novas todas as coisas. E todos nós hoje tem algo a fazer novo dentro de nós, hoje temos que deixar que Deus renove algo em meu coração. Pensemos um pouco: O que quero que Deus renove em meu coração?

Sempre impressiona a força do «sim» desta jovem, daquele «faça-se em Mim» que disse ao anjo. Foi uma coisa diferente duma aceitação passiva ou resignada, ou dum «sim» como quando se diz: «Bem; provemos a ver que sucede». Foi algo mais, qualquer coisa de diferente. Maria não conhecia essa expressão, era decidida, soube de que se tratava e disse sim.

Foi algo mais, algo distinto, foi o «sim» de quem quer comprometer-se e arriscar, de quem quer apostar tudo, sem ter outra garantia para além da certeza de saber que é portadora duma promessa.  Pergunto a cada um de vocês: sentem-se portadores de uma promessa? Qual promessa tenho no coração para levar adiante?

Maria, sem dúvida, teria uma missão difícil, mas as dificuldades não eram motivo para dizer «não». Com certeza teria complicações, mas não haveriam de ser idênticas às que se verificam quando a cobardia nos paralisa por não vermos, antecipadamente, tudo claro ou garantido. Maria não comprou um seguro de vida, Maria se jogou e por isso era forte, era uma influencer e é uma influencer de Deus.

O «sim» e o desejo de servir foram mais fortes do que as dúvidas e dificuldades.

Esta noite ouvimos também como o «sim» de Maria ecoa e se multiplica de geração para geração. Seguindo o exemplo de Maria, muitos jovens arriscam e apostam, guiados por uma promessa. Obrigado, Erika e Rogelio, pelo testemunho que nos destes. Foram muito corajosos, merecem um aplauso.

Compartilhastes os vossos medos, dificuldades e todo o risco que vivestes à espera da vossa filha Inês. A dada altura dissestes: «A nós, pais, por várias razões, custa muito aceitar a chegada dum bebé portador de doença ou deficiência». Isso é verdade e compreensível! O fato surpreendente, porém, encerra-se naquilo que acrescentastes: «Quando nasceu a nossa filha, decidimos amá-la com todo o nosso coração». Antes da sua chegada, perante todas as notícias e dificuldades que surgiram, tomastes uma decisão e dissestes como Maria «faça-se em nós», decidistes amá-la. Face à vida de vossa filha frágil, inerme e necessitada, a resposta foi um «sim» e, deste modo, temos Inês. Acreditastes que o mundo não é só para os fortes! Muito obrigado!

Dizer «sim» ao Senhor é ter a coragem de abraçar a vida como vem, com toda a sua fragilidade e pequenez e, muitas vezes, até com todas as suas contradições e insignificâncias, abraçá-la com o mesmo amor que Erika e Rogelio nos contaram. Assumir a vida como vem. É abraçar a nossa pátria, as nossas famílias, os nossos amigos como são, mesmo com as suas fragilidades e mesquinhices. Damos também provas de que se abraça a vida, quando acolhemos tudo o que não é perfeito, puro ou destilado, mas lá por isso não menos digno de amor. Porventura alguém, pelo fato de ser portador de deficiência ou frágil, não é digno de amor? Pergunto-lhes, um deficiente, uma pessoa frágil é digna de amor? Sim. Entenderam.

Outra pergunta, vamos ver como respondem: Porventura alguém, pelo fato de ser estrangeiro, ter errado, encontrar-se doente ou numa prisão, não é digno de amor? Assim fez Jesus: abraçou o leproso, o cego e o paralítico, abraçou o fariseu e o pecador. Abraçou o ladrão na cruz, abraçou e perdoou até àqueles que O estavam a crucificar.

Porquê? Porque, só o que se ama, pode ser salvo. Você não pode salvar uma pessoa, você não pode salvar uma situação se não a ama. Só o que se ama, pode ser salvo. Vamos repetir? Só o que se ama, pode ser salvo.

Por isso nós podemos ser salvos por Jesus, porque nos ama. Podemos fazer-lhe muitas coisas, mas nos ama, e nos salva, porque só o que se ama pode ser salvo. Só o que se abraça, pode ser transformado.

O amor do Senhor é maior que todas as nossas contradições, fragilidades e mesquinhices, mas é precisamente através das nossas contradições, fragilidades e mesquinhices que Ele quer escrever esta história de amor. Abraçou o filho pródigo, abraçou Pedro depois de O ter negado e abraça-nos sempre, sempre, depois das nossas quedas, ajudando-nos a levantar e ficar de pé. Porque a verdadeira queda, aquela que nos pode arruinar a vida, é ficar por terra e não se deixar ajudar.

Tem um canto alpino muito belo que cantam ao subir a montanha: na arte de subir a vitória não está em não cair, mas em não permanecer caído, não permanecer caído. A mão para que te erguem. Não permanecer caído.

O primeiro passo é não ter medo de receber a vida como ela vem, não ter medo de abraçar a vida, como é. Essa é a árvore da vida que vimos hoje.

Obrigado, Alfredo, pelo teu testemunho e a coragem de o partilhar com todos nós. Fiquei muito impressionado quando disseste: «Comecei a trabalhar na construção até quando terminou aquele projeto. Sem emprego, as coisas complicaram-se: sem escola, sem ocupação e sem trabalho». Resumo-o nos quatro «sem» que deixam a nossa vida sem raízes e ela seca: sem trabalho, sem instrução, sem comunidade, sem família. O que significa uma vida sem raízes. Esses quatro ‘sim’ matam.

É impossível uma pessoa crescer, se não possui raízes fortes que a ajudem a estar firme de pé e agarrada à terra. É fácil extraviar-se, quando não temos onde firmar-nos. Esta é uma questão que nós, mais velhos, vos devemos colocar; mais, é uma questão que vós devereis colocar-nos e nós temos o dever de vos responder: Que raízes estamos a dar-vos? Quais são as bases que estamos a oferecer-vos para vos construirdes como pessoas? Como é fácil criticar os jovens e passar o tempo murmurando, se os deixamos sem oportunidades laborais, educativas e comunitárias a que agarrar-se para sonhar o futuro! Sem instrução, é difícil sonhar o futuro; sem trabalho, é muito difícil sonhar o futuro; sem família nem comunidade, é quase impossível sonhar o futuro. Porque sonhar o futuro é aprender a responder não só porque vivo, mas também para quem vivo, por quem vale a pena gastar a vida. Isso temos que facilitar nós, os adultos, dando trabalho, educação, comunidade, oportunidades.

Como nos dizia Alfredo, quando alguém se vê despedido e fica sem trabalho, sem instrução, sem comunidade e sem família, no fim do dia sente-se vazio e acaba por preencher aquele vazio com uma coisa qualquer. Porque já não sabemos para quem viver, lutar e amar.

Aos adultos que estão aqui e que nos acompanham, pergunto: O que fazemos para gerar vontade no jovem de hoje? Sou capaz de lutar para que tenham educação, trabalho, família, comunidade? Cada um dos idosos, vamos responder no coração.

Lembro-me que uma vez, conversando com alguns jovens, me perguntaram: «Padre, porque é que hoje muitos jovens não se interrogam se Deus existe, ou sentem dificuldade em crer n’Ele e evitam comprometer-se na vida?» Respondi: «E vós, que achais?» Dentre as respostas que surgiram na conversa, recordo uma que me tocou o coração e está relacionada com a experiência que Alfredo partilhou: «Porque muitos deles sentem que, para os outros, pouco a pouco deixaram de existir, frequentemente sentem-se invisíveis». Muitos jovens sentem-se que deixaram de existir para os outros, a família, a comunidade, então, muitas vezes sentem-se invisíveis.

É a cultura do abandono e da falta de consideração. Não digo todos, mas muitos sentem que não têm nem muito nem pouco para dar, por falta de espaços reais que a isso os convoquem. Como hão de pensar que Deus existe se, para seus irmãos, há muito que deixaram de existir? Assim estamos empurrando a não olhar o futuro e caindo nas garras das drogas, de qualquer coisa que os destrua. Podemos nos perguntar: O que faço com o jovem que vejo? Eu critico ou não me interessa, ajudo ou já não me interessa? É verdade que para mim deixaram de existir há tempos?

Bem sabemos que não basta estar conectado o dia inteiro para se sentir reconhecido e amado. Sentir-se considerado e convidado para algo é mais do que permanecer «em rede». Significa encontrar espaços onde possais, com as vossas mãos, com o vosso coração e com a vossa cabeça, sentir-vos parte duma comunidade maior que precisa de vós e, vice-versa, vós precisais dela também.

Isto, compreenderam-no muito bem os santos. Penso, por exemplo, em São João Bosco, que não foi procurar os jovens em qualquer lugar. Aqueles que gostam de Dom Bosco, um aplauso. Dom Bosco não foi buscar os jovens em nenhum lugar distante ou especial, mas aprendeu a ver tudo o que acontecia na cidade com os olhos de Deus, ficando impressionado com as centenas de crianças e jovens abandonados, sem escola, sem trabalho e sem a mão amiga duma comunidade. Havia muita gente que vivia naquela mesma cidade, e muitos criticavam aqueles jovens, mas não sabiam vê-los com os olhos de Deus. Aos jovens, devemos olhá-los com os olhos de Deus.

João Bosco fê-lo e animou-se a dar o primeiro passo: abraçar a vida como ela se apresenta; e, a partir disto, não teve medo de dar o segundo: criar com eles uma comunidade, uma família onde se sentissem amados com trabalho e estudo, ou seja, dar-lhes raízes a que agarrar-se para poderem chegar ao céu, para que possam ser alguém na sociedade, dar raízes para que se agarrem e não caiam com o vento, isso fez Dom Bosco, isso fazem os santos, isso fazem as comunidades que sabem olhar os jovens com os olhos de Deus. Vocês, adultos, animam-se a olhar os jovens com os olhos de Deus?

Penso em muitos lugares da nossa América Latina onde se promove a chamada família grande lar de Cristo, com o mesmo espírito da Fundação João Paulo II de que nos falava Alfredo, e muitos outros centros, que procuram receber a vida como ela vem na sua totalidade e complexidade, porque sabem que «para a árvore há uma esperança: cortada, pode ainda reverdecer e deitar novos rebentos» (Job 14, 7).

E sempre é possível «reverdecer e deitar novos rebentos», quando há uma comunidade, o calor duma casa onde criar raízes, que oferece a confiança necessária e prepara o coração para descobrir um novo horizonte: horizonte de filho amado, procurado, encontrado e dedicado a uma missão. O Senhor torna-Se presente por meio de rostos concretos. Dizer «sim», como Maria, a esta história de amor é dizer «sim» como instrumentos para construir, nos nossos bairros, comunidades eclesiais capazes de percorrer as estradas da cidade, abraçando e tecendo novas relações. Ser um influencer no século XXI significa ser guardião das raízes, guardião de tudo aquilo que impede a nossa vida de tornar-se «gasosa», evaporando-se no nada.

Vocês, adultos, são guardiões de tudo o que permite sentir-nos parte uns dos outros, pertencer-nos mutuamente.

Isto mesmo viveu Nirmeen na JMJ de Cracóvia. Encontrou uma comunidade viva, alegre, que veio ao encontro dela, deu pertença, por isso identidade, fê-la sentir-se parte dela e permitiu-lhe viver a alegria que comunica a maravilha de ser encontrada por Jesus. Ela se desviava de Jesus, estava sempre distante, até que alguém lhe fez ver as raízes, lhe deu pertença e essa comunidade a incentivou a começar essa caminho que ela nos contou.

Uma vez, um santo interrogou-se: «O progresso da sociedade servirá apenas para chegar a possuir o último modelo de carro ou adquirir a última tecnologia do mercado? Nisto se resume toda a grandeza do homem? Não há mais nada que isto para viver?» (Santo Alberto Furtado, Meditación de Semana Santa para jovens, 1946). E eu pergunto-vos: É esta a vossa grandeza? Não!

A grandeza não é somente possuir o último carro, adquirir a última tecnologia do mercado. Não teríeis sido criados para algo maior? Maria compreendeu-o e disse: «Faça-se em Mim». Erika e Rogelio compreenderam-no e disseram: «Faça- se em nós». Alfredo compreendeu-o e disse: «Faça-se em mim». Nirmeen compreendeu-o e disse: «Faça-se em mim». Tudo o que ouvimos aqui. Amigos, pergunto-vos: Estais dispostos a dizer «sim»? Sim! Aprenderam a responder, já gosto mais.

O Evangelho ensina-nos que o mundo não será melhor por haver menos pessoas doentes, debilitadas, frágeis ou idosas de que ocupar-se, nem por haver menos pecadores, mas será melhor quando forem mais as pessoas que, como estes amigos, estiverem dispostas e tiverem a coragem de dar à luz o amanhã e acreditar na força transformadora do amor de Deus. A vocês jovens, pergunto: Quereis ser influencer no estilo de Maria? Ela teve a coragem de dizer «faça-se em Mim»? Só o amor nostorna mais humanos, mais plenificados, o resto não passa de remedeio bom, mas vazio.

Dentro de momentos, na Adoração Eucarística, encontrar-nos-emos com Jesus vivo na Eucaristia. Certamente tereis muitas coisas para Lhe dizer, para Lhe contar sobre várias situações da vossa vida, das vossas famílias e dos vossos países.

Encontrando-vos na sua presença, face a face, não tenhais medo de Lhe abrir o coração pedindo que renove o fogo do amor d’Ele, vos induza a abraçar a vida com toda a sua fragilidade e pequenez, mas também com toda a sua grandeza e beleza. Que Jesus vos ajude a descobrir a beleza de estar vivo e acordados, vivos e acordados.

Não tenhais medo de Lhe dizer que vós também quereis fazer parte da sua história de amor no mundo, que sois para um «mais»!

Amigos, peço-vos também que, neste face a face com Jesus, sejam bons, rezeis por mim para que também eu não tenha medo de abraçar a vida, guarde as raízes e diga com Maria: «Faça-se em mim segundo a tua palavra».

Fonte: ACI digital



Hoje é celebrada Santa Ângela de Mérici, fundadora das Ursulinas (27 de janeiro)


REDAÇÃO CENTRAL, 27 Jan. 19 / 04:00 am (ACI).- “Se alguém, por seu estado de vida, não pode viver sem riquezas e posição, pelo menos, mantenha seu coração vazio do amor e estas”, costumava dizer Santa Ângela de Mérici, fundadora da primeira ordem de mulheres dedicada ao ensino, chamada as Ursulinas. Sua festa é celebrada neste dia 27 de janeiro.

Santa Ângela nasceu em Desenzano, perto de Brescia, no norte da Itália, por volta de 1470 ou 1474. Aos 10 anos, ficou órfã, então, ela, sua irmã e irmão foram criados por um tio com muito dinheiro.

Sua irmã mais velha faleceu de repente e a santa ficou muito preocupada porque ela tinha morrido sem os sacramentos. Foi assim que, certo dia, teve sua primeira experiência de êxtase na qual a Virgem Maria lhe apareceu.

Aos 13 anos, tornou-se terciária franciscana e viveu com muita austeridade, alimentando-se apenas de pão e vegetais em certas ocasiões. Não queria ter bens, nem uma cama, assim como Jesus, que não tinha onde recostar a cabeça.

Quando tinha 20 anos, seu tio morreu e Santa Ângela voltou para sua terra natal, onde deu catecismo aos pobres. Sua baixa estatura não lhe impediu de servir a Deus com grande amor. Em uma ocasião, viajou para a Terra Santa e perdeu a visão em Creta, mas manteve sua devoção na viagem, e a recuperou no mesmo lugar em que a perdeu.

Em 1525, foi a Roma e se encontrou com o Papa Clemente VII. O Pontífice lhe pediu que se encarregasse de um grupo de enfermeiras em Roma, mas a santa lhe revelou que havia tido uma visão na qual donzelas subiam ao céu em uma escada de luz. Isto a inspirou a formar um noviciado informal.

Na visão, as santas virgens estavam acompanhadas por anjos que tocavam doces melodias com arpas douradas. Todas tinham coroas com pedras preciosas. Mas, de repente, a música parou e Jesus em pessoa a chamou por seu nome e lhe disse para criar uma sociedade de mulheres.

Dessa maneira, o Santo Padre lhe outorgou a permissão para formar a comunidade. Santa Úrsula lhe apareceu e Santa Ângela a nomeou padroeira da comunidade.

Em 25 de novembro de 1535, na Igreja de Santa Afra de Brescia, Ângela e 28 companheiras mais jovens se uniram diante de Deus para entregar suas vidas ao serviço da educação das meninas. Foi assim que surgiu a Companhia das Ursulinas.

As mulheres da ordem não usavam hábito, mas um simples vestido preto; não faziam votos, não tinham vida de clausura, nem vida comunitária. Dedicavam-se à educação religiosa de meninas, especialmente as pobres, e ao cuidado dos doentes. As Ursulinas foram reconhecidas pelo Papa Paulo III em 1544 e se organizaram como congregação em 1565.

Santa Ângela partiu para a Casa do Pai em 1540, quatro anos depois da fundação e não pôde ver grande parte do crescimento da Congregação, mas seu exemplo de paciência e amabilidade com os pobres, enfermos e as pessoas de pouca ou quase nenhuma instrução ficaria para sempre na história.

Ao morrer, suas últimas palavras foram o nome de “Jesus” e um raio de luz brilhou sobre a santa. Em 1568, São Carlos Borromeu chamou as Ursulinas a Milão e as persuadiu a ingressar na vida de clausura.

São Borromeu, em um sínodo provincial, disse aos seus Bispos vizinhos que não conhecia uma forma melhor de reformar uma diocese do que introduzir as Ursulinas nas comunidades povoadas.

Fonte: ACI digital



As Escrituras Realizadas-3° Domingo do Tempo Comum(Ano C)



As Escrituras Realizadas

3º domingo do Tempo Comum – Ano C

Evangelho de Lucas 1,1-4;4,14-21
* 1 Muitas pessoas já tentaram escrever a história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, 2 como nos foram transmitidos por aqueles que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da Palavra. 3 Assim sendo, após fazer um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio, também eu decidi escrever de modo ordenado para ti, excelentíssimo Teófilo. 4 Deste modo, poderás verificar a solidez dos ensinamentos que recebeste.

Naquele tempo, 4,14 Jesus voltou para a Galileia com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. 15 Ele ensinava nas suas sinagogas, e todos o elogiavam. 16 E veio à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado e levantou-se para fazer a leitura. 17 Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19 e para proclamar um ano da graça do Senhor”. 20 Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.

Reflexão

As Escrituras Realizadas

O texto do profeta Isaías, lido na sinagoga de Nazaré, foi usado por Jesus para explicar sua identidade e missão. O profeta, num contexto bem determinado da história de Israel, falara do Messias a ser enviado por Deus, com a tarefa de trazer libertação para a humanidade: libertar as vítimas da pobreza, os encarcerados, os cegos, os cativos de toda sorte de opressão; enfim, todos os que padeciam qualquer sorte de escravidão.


Ao longo dos séculos, a esperança pela vinda deste Cristo libertador foi calorosamente acalentada no coração dos oprimidos, sem, contudo, vê-la realizada.


Jesus identificou-se com a pessoa messiânica descrita pelo profeta. Sentiu-se, pois, chamado a viver o que, outrora, Isaías tinha anunciado. Sua vida deveria tomar o rumo indicado no texto profético, que também haveria de ser seu referencial inspirador.


Sabia-se chamado a concretizar o projeto de Messias libertador, conforme o profeta anunciara. Por isso, colocar-se-ia a serviço de todos os deserdados deste mundo, vítimas do egoísmo, para resgatar-lhes a dignidade e inseri-los no Reino querido pelo Pai.

Ao proclamar que esse texto da Escritura havia sido nele realizado, Jesus assumia um compromisso concreto de se tornar servidor dos pobres.

Oração do Dia

Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.



Homilia do Papa na Missa de consagração do altar da Catedral Santa Maria la Antigua


PANAMÁ, 26 Jan. 19 / 12:20 pm (ACI).- O Papa Francisco presidiu a Missa de consagração do altar da Catedral Basílica de Santa Maria la Antigua, no Panamá.

Participaram da Missa sacerdotes, consagrados e movimentos laicais do Panamá. A seguir, o texto completo da homilia do Santo Padre.

Em primeiro lugar, gostaria de felicitar ao Senhor Arcebispo que, pela primeira vez, depois de quase sete anos, pode se encontrar com sua esposa, que é esta igreja, viúva provisória durante todo este tempo. E felicitar a viúva que não é mais viúva hoje com o encontro com seu esposo.

Também gostaria de agradecer a todos os que tornaram isso possível, as autoridades e todo o povo de Deus, tudo o que fizeram para que o Senhor Arcebispo pudesse se encontrar com seu povo, não em casa emprestada, mas na dele. Muito obrigado, senhor presidente.

No programa estava previsto que esta cerimônia, por falta de tempo, tivesse dois significados: a consagração do altar e o encontro com sacerdotes, religiosas, religiosos, leigos consagrados. Assim, o que vou dizer estará nessa linha, pensando nos sacerdotes, nas religiosas, nos religiosos, nos leigos consagrados, são todos os que trabalham nesta Igreja particular.

«Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se, sem mais, na borda do poço. Era por volta do meio-dia. Entretanto, chegou certa mulher samaritana para tirar água. Disse-lhe Jesus: “Dá-Me de beber” » (Jo 4, 6-7).

O Evangelho que ouvimos não hesita em apresentar-nos Jesus cansado de caminhar. Ao meio-dia, quando o sol se faz sentir em toda a sua força e potência, encontramo-Lo junto do poço. Precisava de aplacar e saciar a sede, refrescar seus passos, recuperar as forças para continuar a missão.

Os discípulos experimentaram em si próprios o que significava a dedicação e disponibilidade do Senhor para levar a Boa-Nova aos pobres, curar os corações feridos, proclamar a libertação aos cativos e dar a liberdade aos prisioneiros, consolar quem estava de luto e proclamar um ano de graça para todos (cf. Is 61, 1-3). Todas elas são situações que nos tolhem a vida e a energia; e os discípulos abundaram ao presentear-nos com tantos momentos importantes na vida do Mestre, onde também a nossa humanidade pode encontrar uma palavra de Vida.

Cansado da caminhada

Para a nossa imaginação, sempre em movimento, é relativamente fácil contemplar e entrar  em comunhão com a atividade do Senhor, mas nem sempre sabemos ou podemos contemplar e acompanhar as «fadigas do Senhor», como se estas não se apropriassem a Deus. Mas o Senhor cansou-Se e, nesta fadiga, encontra lugar tanto cansaço dos nossos povos e da nossa família, das nossas comunidades e de todos aqueles que estão cansados e oprimidos (cf. Mt 11, 28).

Múltiplas são as causas e motivos que nos podem provocar a fadiga da caminhada, a nós sacerdotes, consagrados e consagradas, membros dos movimentos laicais: desde as longas horas de trabalho que deixam pouco tempo para comer, descansar e estar com a família, até às «tóxicas» condições laborais e afetivas que levam ao esgotamento e desgastam o coração; desde a simples dedicação diária até ao peso rotineiro de quem já não sente gosto ou não encontra reconhecimento e apoio para enfrentar as exigências de cada dia; desde as situações complicadas já habituais e previsíveis até aos momentos urgentes e angustiantes de pressão... Uma gama completa de pesos a suportar.

Seria impossível tentar abraçar todas as situações que quebrantam a vida dos consagrados, mas, em todas elas, sentimos a necessidade urgente de encontrar um poço onde se possa aplacar e saciar a sede e o cansaço do caminho. Todas elas reclamam, como um grito silencioso, um poço donde começar de novo.

Desde há algum tempo para cá, às vezes parece ter-se instalado nas nossas comunidades uma espécie subtil de cansaço, que nada tem a ver com o cansaço do Senhor. Trata-se duma tentação que poderíamos chamar o cansaço da esperança. Ou seja, o cansaço que surge quando o sol, no pino – como sugere o Evangelho –, dardeja a pique os seus raios, tornando as horas insuportáveis, e fá-lo com tal intensidade que não deixa avançar nem olhar para diante. Como se tudo ficasse confuso. Não me refiro ao «particular aperto do coração» (São João Paulo II, Carta enc. Redemptoris Mater, 17; cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 287) de quem ao fim do dia, apesar de quebrantado pelo trabalho, consegue mostrar um sorriso sereno e agradecido; mas a um outro cansaço que nasce ao olhar o futuro quando a realidade me cai em cima pondo em questão as forças, os recursos e a viabilidade da missão neste mundo, que não cessa de mudar e interpelar.

É um cansaço paralisador. Nasce de olhar para frente e não saber como reagir face à intensidade e incerteza das mudanças que estamos atravessando como sociedade. Tais mudanças parecem não só pôr em questão as nossas modalidades de expressão e compromisso, os nossos hábitos e atitudes ao enfrentar a realidade, mas frequentemente colocam também em dúvida a própria viabilidade da vida religiosa no mundo atual. E a própria velocidade destas mudanças pode levar a imobilizar opções e opiniões e, aquilo que outrora poderia ser significativo e importante, hoje parece que já não tem lugar.

Irmãos e irmãs, o cansaço da esperança nasce da constatação duma Igreja ferida pelo seu pecado e que, muitas vezes, não soube escutar tantos gritos nos quais se escondia o grito do Mestre: «Meu Deus, porque me abandonaste?» (Mt 27, 46).

Deste modo, podemos habituar-nos a viver com uma esperança cansada perante o futuro incerto e desconhecido, e isto faz com que se instale um pragmatismo cinzento no coração das nossas comunidades. Aparentemente tudo parece continuar dentro da normalidade, mas na realidade a fé deteriora-se e degenera. Dececionados com uma realidade que não compreendemos ou na qual pensamos já não haver lugar para a nossa proposta, podemos conferir «cidadania» a uma das piores heresias possíveis no nosso tempo: pensar que o Senhor e as nossas comunidades não têm nada para dizer nem dar a este mundo novo em gestação (cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 83). Então aquilo que um dia nasceu para ser sal e luz do mundo, acaba por oferecer a sua versão pior.

Dá-Me de beber

A fadiga da viagem sobrevem e faz-se sentir. Quer queiramos quer não, ela existe e será bom termos a mesma coragem que demonstrou o Mestre ao dizer: «Dá-Me de beber». Como aconteceu à Samaritana e pode suceder a cada um de nós, não queremos aplacar a sede com uma água qualquer, mas com aquela «fonte de água que dá a vida eterna» (Jo 4, 14). Como bem sabia a Samaritana que, desde há anos, carregava cântaros vazios de amores falidos, também nós sabemos que nem qualquer palavra pode ajudar a recuperar as forças e a profecia na missão. Nem qualquer novidade, por mais sedutora que pareça, pode aliviar a sede. Sabemos, como ela bem sabia, que nem mesmo o conhecimento religioso e a justificação de certas opções e tradições, passadas ou presentes, nos tornam sempre fecundos e apaixonados «adoradores (...) em espírito e verdade» (Jo 4, 23).

«Dá-Me de beber» é aquilo que pede o Senhor e é o que Ele nos pede para dizer. Ao dizê-lo, abrimos a porta da nossa esperança cansada para voltar, sem medo, ao poço originário do primeiro amor, quando Jesus passou pelo nosso caminho, olhou-nos com misericórdia e pediu que O seguíssemos; ao dizê-lo, recuperamos a memória daquele momento em que os seus olhos cruzaram os nossos, o momento em que Ele nos fez sentir que nos amava, e não só pessoalmente mas também como comunidade (cf. Francisco, Homilia na Vigília Pascal, 19/IV/2014). É retornar sobre os nossos passos e, na fidelidade criativa, escutar que o Espírito não criou uma obra particular, um plano pastoral ou uma estrutura para ser organizada, mas, através de tantos «santos ao pé da porta» – entre os quais encontramos padres e madres fundadores dos vossos Institutos, bispos e párocos que souberam colocar bases sólidas nas suas comunidades –, deu vida e respiração a um determinado contexto histórico que parecia sufocar e esmagar toda a esperança e dignidade.

«Dá-Me de beber» significa ter a coragem de se deixar purificar e de recuperar a parte mais autêntica dos nossos carismas fundacionais – que não se limitam apenas à vida religiosa, mas a toda a Igreja – e ver as modalidades em que se podem expressar hoje. Trata-se não só de olhar com gratidão o passado, mas também de ir à procura das raízes da sua inspiração e deixar que ressoem novamente com força entre nós (cf. Papa Francisco – Fernando Prado, La fuerza de la vocación, 42).

«Dá-Me de beber» significa reconhecer-se necessitado de que o Espírito nos transforme em homens e mulheres memoriosos duma passagem, a passagem salvífica de Deus. E confiantes de que, como fez ontem, assim continuará a fazê-lo amanhã: «ir às raízes ajuda-nos indubitavelmente a viver, sem medo, o presente. Precisamos viver sem medo, reagindo à vida com a paixão de nos sentirmos comprometidos com a história, imersos nas coisas. Com a paixão dos enamorados» (cf. ibid., 44).

A esperança cansada será curada e gozará daquele «particular aperto do coração» quando não tiver medo de voltar ao lugar do primeiro amor e conseguir encontrar, nas periferias e nos desafios que hoje se nos apresentam, o mesmo cântico, o mesmo olhar que suscitou o cântico e o olhar dos nossos pais. Assim evitaremos o risco de partir de nós mesmos e abandonaremos a autocomiseração cansativa para fixar os olhos com que hoje Cristo continua a procurar-nos, a chamar-nos e a convidar-nos para a missão, como fez naquele primeiro encontro, o encontro do primeiro amor.

* * *

Não me parece sem significado um acontecimento como este duma Catedral que reabre as portas depois dum longo tempo de restauro. Experimentou o transcorrer dos anos, como testemunha fiel da história deste povo e, com a ajuda e o trabalho de muitos, quis presentear-nos de novo com a sua beleza. Mais do que uma reconstrução formal, que sempre tenta voltar a um original passado, procurou reencontrar a beleza dos anos abrindo-se para hospedar toda a novidade que o presente lhe podia oferecer. Uma Catedral espanhola, índia e afro-americana torna-se, assim, Catedral panamenha, dos panamenhos de ontem, mas também dos de hoje que a tornaram possível. Já não pertence só ao passado, mas é beleza do presente.

Hoje de novo é um regaço que impele a renovar e nutrir a esperança, a descobrir como a beleza de ontem pode tornar-se base para construir a beleza de amanhã.

Assim age o Senhor, nada de cansaço da esperança, mas a fadiga peculiar do coração daquele que leva em frente todos os dias o que lhe foi encomendado: o olhar do primeiro amor.

Irmãos, não deixemos que nos roubem a beleza herdada dos nossos pais! Seja ela a raiz viva e fecunda que nos ajuda a continuar fazendo bela e profética a história da salvação nestas terras.

Fonte: ACI digital



sábado, 26 de janeiro de 2019

Homilia do Papa Francisco na liturgia penitencial com jovens reclusos no Panamá


PANAMÁ, 25 Jan. 19 / 01:48 pm (ACI).- O Papa Francisco presidiu uma liturgia penitencial no Centro Correcional de Menores Las Garças de Pacora, localizado a cerca de 400 quilômetros da Cidade do Panamá.

O diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti, explicou em 18 de janeiro que “é a primeira vez em uma Jornada Mundial da Juventude que acontece uma liturgia penitencial em uma prisão", e que "o Papa quis dar uma atenção especial para estes jovens que não podem sair para participar".

A seguir, a homilia completa do Santo Padre:

«Este acolhe os pecadores e come com eles» (Lc 15, 2), acabamos de ouvir no início do trecho evangélico. Assim murmuravam alguns fariseus e escribas, muito escandalizados e incomodados com o comportamento de Jesus.

Pretendiam, com esta afirmação, desqualificá-Lo e desacreditá-Lo à vista de todos, mas tudo o que conseguiram fazer foi destacar um dos seus procedimentos mais comuns e caraterísticos: «Este acolhe os pecadores e come com eles».

Jesus não tem medo de Se aproximar daqueles que, por inúmeras razões, carregavam o peso do ódio social, como no caso dos publicanos – lembremo-nos que os publicanos se enriqueciam roubando o seu próprio povo, provocando muita, mas muita indignação – ou o peso das suas culpas, erros e enganos, como no caso daqueles que eram conhecidos por pecadores. Fá-lo porque sabe que, no Céu, há mais alegria por um só pecador convertido do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão (cf. Lc 15, 7).

Enquanto aqueles se limitavam a murmurar ou indignar-se, bloqueando e fechando assim qualquer possibilidade de mudança, conversão e inclusão, Jesus aproxima-Se, compromete-Se (coloca em risco a sua reputação) e sempre convida a fixar um horizonte capaz de renovar a vida e a história. Dois olhares muito diferentes, que se contrapõem: um olhar estéril e infecundo – o da murmuração e bisbilhotice – e o outro que convida à transformação e conversão – o do Senhor.

O olhar da murmuração e bisbilhotice

Muitos não suportam nem gostam desta opção de Jesus; antes, manifestam o seu descontentamento, inicialmente por entre dentes mas no final aos gritos, procurando desacreditar o seu comportamento e o de quantos estão com Ele. Não aceitam e rejeitam esta opção de estar próximo e oferecer novas oportunidades. Sobre a vida do povo, parece-lhes mais fácil colocar etiquetas e rótulos que congelam e estigmatizam não só o passado, mas também o presente e o futuro das pessoas. Rótulos que, em última análise, nada mais produzem senão divisão: daqui os bons, além os maus; daqui os justos, além os pecadores.

Este procedimento contamina tudo, porque levanta um muro invisível que faz pensar que marginalizando, separando e isolando resolver-se-ão, magicamente, todos os problemas. E, quando uma sociedade ou comunidade se decide por isso, limitando-se a criticar e murmurar, entra num círculo vicioso de divisões, censuras e condenações; entra numa conduta social de marginalização, exclusão e oposição tal que leva a dizer irresponsavelmente como Caifás: «Convém que morra um só homem pelo povo, e não pereça a nação inteira» (Jo 11, 50). E, normalmente, a corda quebra pelo ponto mais fraco: o dos mais frágeis e indefesos.

Que pena faz ver uma sociedade que concentra as suas energias mais em murmurar e indignar-se do que em comprometer-se, empenhar-se por criar oportunidades e transformação!

O olhar da conversão

Ao invés, todo o Evangelho está marcado pelo outro olhar que nasce precisamente do coração de Deus. O Senhor quer fazer festa quando vê os seus filhos que regressam a casa (Lc 15, 11-32). Assim o testemunhou Jesus, levando até ao extremo a manifestação do amor misericordioso do Pai. Um amor que não tem tempo para murmurar, mas procura romper o círculo da crítica inútil e indiferente, neutra e imparcial e assume a complexidade da vida e de cada situação; um amor que inaugura uma dinâmica capaz de proporcionar caminhos e oportunidades de integração e transformação, cura e perdão, caminhos de salvação. Comendo com publicanos e pecadores, Jesus quebra a lógica que separa, exclui, isola e divide falsamente entre «bons e maus». E fá-lo, não por decreto ou com boas intenções, nem com voluntarismos ou sentimentalismo, mas criando vínculos capazes de permitir novos processos; apostando e fazendo festa em cada passo possível.

Deste modo quebra também com outra murmuração difícil de detectar, que «fura os sonhos» pois repete como sussurro contínuo: tu não consegues, não consegues… É o murmúrio interior que brota em quem, tendo chorado o seu pecado e consciente do próprio erro, não crê que possa mudar. É quando se está intimamente convencido que aquele que nasceu «publicano» tem que morrer «publicano»; e isto não é verdade!

Amigos, cada um de nós é muito mais do que os rótulos que nos dão. Assim Jesus no-lo ensina e convida a acreditar. O seu olhar desafia-nos a pedir e procurar ajuda para percorrer os caminhos da superação. Por vezes a murmuração parece vencer, mas não acrediteis, não lhe presteis ouvidos. Procurai e ouvi as vozes que impelem a olhar para diante e não aquelas que vos desencorajam.

A alegria e a esperança do cristão – de todos nós, também do Papa – nasce de ter experimentado alguma vez este olhar de Deus que nos diz: tu fazes parte da minha família e não posso abandonar-te às intempéries, não posso perder-te pelo caminho, estou contigo aqui. Aqui? Sim, aqui. Nasce de ter sentido – como partilhaste tu, Luís – que, naqueles momentos em que tudo parecia ter acabado, algo te disse: Não! Não está tudo acabado, porque tens uma finalidade grande que te permite entender que Deus Pai estava e está com todos nós e nos dá pessoas para caminhar conosco e ajudar-nos a alcançar novas metas.

E, assim, Jesus transforma a murmuração em festa e diz-nos: «Alegrai-vos comigo!» (Lc 15, 6).

Irmãos, vós fazeis parte da família, tendes muito para partilhar. Ajudai-nos a saber qual é a melhor maneira para viver e acompanhar o processo de transformação de que todos, como família, temos necessidade.

Uma sociedade adoece quando não é capaz de fazer festa pela transformação dos seus filhos, uma comunidade adoece quando vive a murmuração que esmaga e condena, sem sensibilidade. Uma sociedade é fecunda quando consegue gerar dinâmicas capazes de incluir e integrar, assumir e lutar para criar oportunidades e alternativas que deem novas possibilidades aos seus filhos, quando se preocupa por criar futuro com comunidade, instrução e trabalho. E embora possa experimentar a impotência de não saber como, nem por isso se arrende, mas tenta de novo. Todos nos devemos ajudar para aprender, em comunidade, a encontrar estes caminhos. É uma aliança que temos de nos animar a realizar: vós, rapazes, os responsáveis pela custódia e as autoridades do Centro e do Ministério, e as vossas famílias, bem como os agentes pastorais. Todos juntos, lutai sem cessar por encontrar caminhos de inserção e transformação. Isto, o Senhor o abençoa, sustenta e acompanha.

Em breve, continuaremos a Celebração Penitencial, na qual todos poderemos experimentar o olhar do Senhor, que vê, não um rótulo ou uma condenação, mas filhos. Olhar de Deus que desmente as desqualificações e nos dá a força para criar as alianças necessárias que nos ajudem a desmentir as murmurações, alianças fraternas que permitam à nossa vida ser sempre um convite à alegria da salvação.

Fonte: ACI digital



Discurso do Papa Francisco na Via Sacra da JMJ Panamá 2019


PANAMÁ, 25 Jan. 19 / 09:25 pm (ACI).- No marco da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Panamá 2019, o Papa Francisco presidiu a Via sacra no Campo Santa Maria la Antigua, na Cinta Costera, onde pronunciou uma bela reflexão.

A seguir, o texto completo:

Senhor, Pai de misericórdia, nesta Faixa Costeira, juntamente com tantos jovens vindos de todo o mundo, acabamos de acompanhar o vosso Filho no caminho da cruz; caminho esse, que Ele quis percorrer para nos mostrar quanto Vós nos amais e como estais envolvido na nossa vida.

O caminho de Jesus para o Calvário é um caminho de sofrimento e solidão que continua nos nossos dias. Ele caminha e sofre em tantos rostos que padecem a indiferença satisfeita e anestesiante da nossa sociedade que consome e se consome, que ignora e se ignora na dor dos seus irmãos.

Também nós, vossos amigos, Senhor, nos deixamos levar pela apatia e o imobilismo. Tantas vezes nos derrotou e paralisou o conformismo. Foi difícil reconhecer-Vos no irmão sofredor: desviamos o olhar, para não ver; refugiamo-nos no barulho, para não ouvir; tapamos a boca, para não gritar.

Sempre a mesma tentação. É mais fácil e «remunerador» ser amigo nas vitórias e na glória, no sucesso e no aplauso; é mais fácil estar próximo a quem é considerado popular e vencedor.

Como é fácil cair na cultura do bullying, do assédio e da intimidação, do deboche com os frágeis.

Para Vós, Senhor, não é assim! Na cruz, identificastes-Vos com todo o sofrimento, com quem se sente esquecido.

Para Vós, Senhor, não é assim, porque quisestes abraçar todos aqueles que muitas vezes consideramos não dignos de um abraço, uma carícia, uma bênção; ou, pior ainda, nem nos damos conta de que precisam disso, ignoramo-los.

Para Vós, Senhor, não é assim! Na cruz, unistes-Vos à «via-sacra» de cada jovem, de cada situação para a transformar numa via de ressurreição.

Pai, hoje a Via-Sacra do vosso Filho prolonga-se: no grito sufocado das crianças impedidas de nascer e de tantas outras a quem se nega o direito a ter uma infância, uma família, uma instrução; que não podem jogar, cantar, sonhar; nas mulheres maltratadas, exploradas e abandonadas, despojadas e ignoradas na sua dignidade; nos olhos tristes dos jovens que veem ser arrebatadas as suas esperanças de futuro por falta de instrução e trabalho digno; na angústia de rostos jovens, nossos amigos, que caem nas redes de pessoas sem escrúpulos – entre elas, encontram-se também pessoas que dizem servir-Vos, Senhor –, redes de exploração, criminalidade e abuso, que se alimentam das suas vidas.

A Via-Sacra do vosso Filho prolonga-se em tantos jovens e famílias que, absorvidos numa espiral de morte por causa da droga, do álcool, da prostituição e do tráfico humano, ficam privados não só do futuro, mas também do presente. E, assim como repartiram as vossas vestes, Senhor, acaba repartida, maltratada a sua dignidade.

A Via-Sacra do vosso Filho prolonga-se nos jovens com rostos franzidos que perderam a capacidade de sonhar, criar e inventar o amanhã e «passam à aposentação» com o dissabor da resignação e do conformismo, uma das drogas mais consumidas no nosso tempo.

Prolonga-se na dor oculta e indignada de quantos, em vez de solidariedade por parte duma sociedade repleta de abundância, encontram rejeição, sofrimento e miséria, e além disso acabam assinalados e tratados como portadores e responsáveis de todo o mal social.

A Via-Sacra do vosso Filho prolonga-se na solidão resignada dos idosos abandonados e descartados.

Prolonga-se nos povos nativos, despojados de suas terras, raízes e cultura, silenciando e apagando toda a sabedoria que possam oferecer.

Pai, a Via-Sacra do vosso Filho prolonga-se no grito da nossa mãe Terra, que é ferida nas suas entranhas pela contaminação da atmosfera, a esterilidade dos seus campos, o lixo das suas águas, e se vê espezinhada pelo desprezo e o consumo enlouquecido que ignora razões.

Prolonga-se numa sociedade que perdeu a capacidade de chorar e comover-se à vista do sofrimento.

Sim, Pai! Jesus continua a caminhar, carregar e padecer em todos estes rostos enquanto o mundo, indiferente, consuma o drama da sua própria frivolidade.

E nós, Senhor, que fazemos?

Como reagimos à vista de Jesus que sofre, caminha, emigra no rosto de tantos amigos nossos, de tantos desconhecidos que aprendemos a tornar invisíveis?

E nós, Pai de misericórdia...

Consolamos e acompanhamos o Senhor, inerme e sofredor, nos mais pequenos e abandonados?

Ajudamo-Lo a carregar o peso da cruz, como o Cireneu, fazendo-nos operadores de paz, criadores de alianças, fermento de fraternidade?

Nos animamos a permanecer ao pé da cruz, como Maria?

Contemplemos Maria, mulher forte. D’Ela, queremos aprender a ficar de pé junto da cruz.

Com a sua mesma decisão e coragem, sem evasões nem miragens. Ela soube acompanhar o sofrimento de seu Filho, vosso Filho; apoiá-Lo com o olhar e protegê-Lo com o coração. Que dor sofreu! Mas não A abateu. Foi a mulher forte do «sim», que apoia e acompanha, protege e abraça. É a grande guardiã da esperança.

Também nós queremos ser uma Igreja que apoia e acompanha, que sabe dizer: estou aqui, na vida e nas cruzes de tantos cristos que caminham ao nosso lado.

De Maria, aprendemos a dizer «sim» à resistência forte e constante de tantas mães, tantos pais, avós que não cessam de apoiar e acompanhar os seus filhos e netos quando estão com problemas.

D’Ela, aprendemos a dizer «sim» à paciência obstinada e à criatividade daqueles que não desanimam e recomeçam do princípio nas situações em que tudo parece estar perdido, procurando criar espaços, ambientes familiares, centros de atenção que sejam uma mão estendida nas dificuldades.

Em Maria, aprendemos a força para dizer «sim» àqueles que não se calaram nem calam perante uma cultura dos maus-tratos e abuso, do descrédito e agressão, e trabalham para proporcionar oportunidades e condições de segurança e proteção.

Em Maria, aprendemos a acolher e hospedar todos aqueles que foram abandonados, que tiveram de sair ou perder a sua terra, as raízes, a família e o emprego.

Pai, como Maria, queremos ser Igreja que favoreça uma cultura que saiba acolher, proteger, promover e integrar; que não estigmatize e, menos ainda, generalize com a condenação mais absurda e irresponsável que é ver todo o migrante como portador de mal social.

D’Ela, queremos aprender a estar de pé junto da cruz, não com um coração blindado e fechado, mas com um coração que saiba acompanhar, que conheça a ternura e o devotamento; que se entenda de compaixão para tratar com respeito, delicadeza e compreensão. Queremos ser uma Igreja da memória, que respeite e valorize os idosos e reclame para eles o seu lugar, como protetores de nossas raízes.

Pai, como Maria, queremos aprender a «estar».

Ensinai-nos, Senhor, a estar ao pé da cruz, ao pé das cruzes; despertai nesta noite os nossos olhos, o nosso coração; resgatai-nos da paralisia e da confusão, do medo e do desespero. Pai, ensinai-nos a dizer: estou aqui juntamente com o vosso Filho, juntamente com Maria e tantos discípulos amados que desejam acolher o vosso Reino no seu coração. Amém.

**

E depois de ter vivido a paixão do Senhor junto com Maria ao pé da cruz, vamos com o coração silencioso e em paz, alegre e com muita vontade de seguir Jesus. Que Jesus os acompanhe e que a Virgem cuide de vocês. Adeus.

Fonte: ACI digital



Discurso do Papa Francisco na cerimônia de acolhida e abertura da JMJ Panamá 2019


PANAMÁ, 24 Jan. 19 / 09:13 pm (ACI).- O Papa Francisco presidiu a cerimônia de acolhida e abertura da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Panamá 2019.

Diante de milhares de jovens presentes no Campo Santa Maria la Antigua, localizado na região conhecida como Cinta Costera, o Santo Padre pronunciou o seguinte discurso:

Queridos jovens, boa tarde!

Que bom é encontrar-nos de novo, e fazê-lo nesta terra que nos acolhe com tantas cores e tanto calor! Reunidos no Panamá, a Jornada Mundial da Juventude é mais uma vez uma festa de alegria e esperança para toda a Igreja e, para o mundo, um grande testemunho de fé.

Lembro-me que, em Cracóvia, alguns perguntaram-me se estaria presente no Panamá, tendo-lhes respondido: «Eu, não sei; mas Pedro estará lá certamente. Pedro estará...» Alegra-me poder-vos dizer hoje: Pedro está convosco, para celebrar e renovar a fé e a esperança. Pedro e a Igreja caminham convosco e queremos dizer-vos que não tenhais medo, que prossigais com esta energia renovadora e esta inquietação constante que nos ajuda e impele a ser mais alegres e disponíveis, mais «testemunhas do Evangelho». Prossegui, não para criar uma Igreja paralela, um pouco mais «jovial» e «atrevida» numa modalidade para jovens, com alguns elementos decorativos, como se isso pudesse deixar-vos contentes. Pensar assim seria faltar ao respeito devido a vós e a tudo aquilo que o Espírito, por vosso intermédio, nos tem vindo a dizer.

Ao contrário, queremos redescobrir e despertar, juntamente convosco, a novidade incessante e a juventude da Igreja, abrindo-nos a um novo Pentecostes (cf. Sínodo dedicado aos jovens, Documento final, 27/X/2018, 60). Isto só é possível, se, como há pouco vivemos no Sínodo, soubermos caminhar escutando-nos e escutar completando-nos uns aos outros, se soubermos testemunhar anunciando o Senhor no serviço aos nossos irmãos; naturalmente, um serviço concreto. Não é um serviço figurativo.

Penso em vocês que começaram a caminhar antes da Jornada, jovens da juventude indígena. Foram os primeiros na América e os primeiros a caminhar para este encontro. Um grande aplauso para eles. E também os jovens da juventude descendente de africanos que também fizeram seu encontro.

Sei que, para chegar aqui, não foi nada fácil. Conheço os esforços, os sacrifícios que fizestes para poderdes participar nesta Jornada. Muitos dias de trabalho e dedicação, encontros de reflexão e oração, cuja recompensa é, em grande medida, o próprio caminho. O discípulo não é apenas aquele que chega a um lugar, mas quem começa com decisão, quem não tem medo de arriscar e pôr-se a caminho.

Esta é a sua alegria maior: estar a caminho. Vós não tendes medo de arriscar e caminhar. Se hoje podemos estar em festa, é porque esta festa já começou há muito tempo em cada comunidade.

Vimos na apresentação as bandeiras, que viemos de culturas e povos distintos,falamos línguas diferentes, vestimos roupas diversas. Cada um dos nossos povos viveu histórias e circunstâncias distintas. Quantas coisas podem diferenciar-nos! Mas nada disso impediu que nos pudéssemos encontrar e sentir felizes por estarmos juntos. Isto é possível, porque sabemos que há algo que nos une, há Alguém que nos faz irmãos. Vós, queridos amigos, fizestes muitos sacrifícios para vos poderdes encontrar, tornando-vos assim verdadeiros mestres e artesãos da cultura do encontro. Vocês se transformam em mestres e artesãos da cultura do encontro, não é “oi, como está, tchau”, mas que nos faz caminhar juntos.

Com os vossos gestos e atitudes, com as vossas perspectivas, desejos e sobretudo a vossa sensibilidade, desmentis e refutais certos discursos que se concentram e empenham em semear divisão, em excluir e expulsar quantos «não sejam como nós». Como em vários países da América, dizemos que não são GCU: gente como um. Todo somos gente como um, todos com as nossas diferenças.

 Assim é, porque tendes um olfato capaz de intuir que «o amor verdadeiro não anula as diferenças legítimas, mas harmoniza-as numa unidade superior». Sabem quem disse isso? O Papa Bento XVI, que está nos vendo e nós mandamos uma saudação a ele. Uma saudação, todos, com a mão ao Papa Bento XVI.

Entretanto sabemos que o pai da mentira prefere o contrário: um povo dividido e litigioso, em vez de um povo que aprenda a trabalhar em conjunto. Esse é um critério para distinguir as pessoas construtoras de pontes ou construtoras de muros, que semeiam medo, buscam dividir as pessoas. O que vocês querem ser? Contrutores de pontes!

Vós ensinais-nos que encontrar-se não significa mimetizar-se, pensar todos a mesma coisa, viver todos de forma igual fazendo e repetindo as mesmas coisas, isso é coisa de papagaio. Encontrar-se é animar-se a outra coisa, é um chamado a atrever-se a manter vivo um sonho em comum.

Temos muitas diferenças, falamos idiomas diferentes, nos vestimos diferentes, mas, por favor, vamos fazer tudo para ter um sonho em comum. Sim, um sonho grande e capaz de envolver a todos. O sonho, pelo qual Jesus deu a vida na cruz e o Espírito Santo, no dia de Pentecostes, foi derramado e gravado a fogo no coração de cada homem e mulher, no teu e no meu, com a esperança de aí encontrar espaço para crescer e desenvolver-Se.

Um sonho chamado Jesus, semeado pelo Pai com a confiança que crescerá e viverá em todo o coração. Um sonho que corre nas nossas veias, faz exultar e dançar de alegria o coração sempre que escutamos o mandamento que Jesus nos deu: «Que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo13, 34-35).

Como se chama o nosso sonho? Jesus!

Um santo destas terras gostava de dizer: «O cristianismo não é um conjunto de verdades para se acreditar, nem de leis para se observar nem de proibições. Visto assim, seria muito repugnante. O cristianismo é uma Pessoa que me amou tanto, que reivindica e pede o meu amor. O cristianismo é Cristo» (Santo Óscar Romero, Homilia, 6/XI/1977). Vamos dizer juntos? O cristianismo é Cristo. É continuar o sonho pelo qual Ele deu a vida: amar com o mesmo amor com que Ele nos amou. Não nos amou pela metade., não nos amou um pouquinho, Ele nos amou totalmente. Ele nos encheu de amor, deu a sua vida.

Perguntemo-nos: O que é que nos mantém unidos? Por que é que estamos unidos? O que nos impele a encontrar-nos? A certeza de saber que fomos amados com um amor cativante que não queremos nem podemos calar e que nos desafia a responder da mesma maneira: com amor. O que nos impele é o amor de Cristo (cf. 2 Cor5, 14).

Um amor que não se impõe nem esmaga, um amor que não marginaliza nem obriga a estar calado, um amor que não humilha nem subjuga. É o amor do Senhor: amor diário, discreto e respeitador, amor feito de liberdade e para a liberdade, amor que cura e eleva. É o amor do Senhor, que se entende mais de levantamentos que de quedas, de reconciliação que de proibições, de dar nova oportunidade que de condenar, de futuro que de passado. É o amor silencioso da mão estendida no serviço e na doação. É o amor sem se vangloriar, que não gosta de se vangloriar, o amor humilde que se dá pelos outros, sempre com a mão estendida. Este é o amor que nos une.

Pergunto: Acreditas tu neste amor? Pergunto outra coisa: Acreditas que este amor vale a pena?

Jesus, uma vez, a alguém que lhefez uma pergunta, respondeu e terminou dizendo ’se acredita, vai e faça o mesmo’. Em nome de Jesus, eu lhes digo, façam o mesmo. Não tenham medo desse amor concreto, que tem ternura, que é serviço, que consome a vida.

Foi a mesma pergunta e chamada que recebeu Maria. O anjo perguntou-Lhe se queria trazer este sonho no seu ventre e fazê-lo vida, fazê-lo carne.

Maria tinha a idade de tantos de vocês e Maria respondeu: «Eis a serva do Senhor, faça-se em Mim segundo a tua palavra» (Lc1, 38). Fechemos os olhos e pensemos em Maria. Não era boba, sabia o que sentia no seu coração, sabia o que era o amor e respondeu «Eis a serva do Senhor, faça-se em Mim segundo a tua palavra». Nesse momento de silêncio, que Jesus diga a cada um de vocês: Anima-se? Queres? Pensa em Maria e responda: quero servir ao Senhor, que se faça em mim segundo tua palavra.

Maria encheu-Se de coragem e disse «sim». Encheu-Se de coragem para dar vida ao sonho de Deus. O mesmo quer o anjo pedir-vos, a vós e a mim: Queres que este sonho se faça vida? Queres encarná-lo com as tuas mãos, os teus pés, o teu olhar, o teu coração? Queres que seja o amor do Pai a abrir-te novos horizontes e levar-te por sendas nunca imaginadas nem pensadas, sonhadas ou esperadas, que alegrem e façam cantar e dançar o coração?

Saberemos nós responder ao anjo, como Maria, «eis-nos aqui, somos os servos do Senhor, faça-se em nós...»? Não respondam aqui. Cada um responda em seu coração. São perguntas que se respondem somente no silêncio.

Queridos jovens, esta Jornada não se revelará fonte de esperança por um documento final, uma mensagem consensual ou um programa a aplicar. Este encontro irradia esperança, graças aos vossos rostos e à oração. Essa é a esperança. Com o rosto com que vão voltar para casa, com o coração mudado que voltaram para casa, com a oração que aprenderam a fazer, com esse coração mudado.

Cada um regressará a casa com aquela força nova que se gera sempre que nos encontramos com os outros e com o Senhor, cheios do Espírito Santo para lembrar e manter vivo aquele sonho que nos faz irmãos e que somos convidados a não deixar congelar no coração do mundo: onde quer que nos encontremos, a fazer seja o que for, sempre poderemos olhar para o alto e dizer: «Senhor, ensinai-me a amar como Vós nos amastes». Quereis repeti-lo comigo? «Senhor, ensinai-me a amar como Vós nos amastes». Mais forte: «Senhor, ensinai-me a amar como Vós nos amastes».

E como queremos ser bons e educados, não podemos terminar este primeiro encontro sem agradecer. Obrigado a todos aqueles que prepararam, com grande entusiasmo, esta Jornada Mundial da Juventude. Obrigado por terem tido a coragem de construir e hospedar, por terem dito «sim» ao sonho de Deus que é ver os seus filhos reunidos. Obrigado ao Arcebispo D. Ulloa e todos os seus colaboradores por terem ajudado a fazer com que hoje o Panamá não seja apenas um canal que une mares, mas também canal onde o sonho de Deus continua a encontrar pequenos canais para crescer e multiplicar-se irradiando-se por todos os cantos da terra.

Amigos, que Jesus vos abençoe. Desejo de todo o coração. Que Santa Maria la Antigua sempre vos acompanhe, para podermos dizer, sem medo, como Ela: «Eis-me aqui. Faça-se em mim».

Fonte: ACI digital



Solidariedade da Arquidiocese de BH com as vítimas de Brumadinho


O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG), dom Walmor Oliveira de Azevedo, manifestou o seu pesar pelas vítimas do rompimento da barragem da mineradora Vale, no final da manhã de sexta-feira (25/01).

Cidade do Vaticano

Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, foram três as barragens da mineradora Vale que se romperam e o número de vítimas é estimado entre 200 a 300 pessoas.

Segue a nota de solidariedade de dom Walmor Oliveira de Azevedo.

Declaração de Dom Walmor

Mais uma “abominação da desolação”, como disse Jesus no Evangelho de Marcos, referindo-se aos absurdos nascidos das ganâncias e descasos com o outro, com a verdade e com o bem de todos: mais uma barragem rompida em Minas Gerais, agora em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte. A Arquidiocese de Belo Horizonte une-se a cada um dos atingidos, compartilhando suas dores. Nossas comunidades de fé, especialmente às que servem ao Vale do Paraopeba, estejam juntas, para levar amparo, ajuda, a todos que sofrem diante de tão lamentável tragédia.

Os danos humanos e socioambientais são irreparáveis e apontam para uma urgência, já tão evidente: é preciso repensar modelos de desenvolvimento que desconsideram o respeito à natureza, os parâmetros de sustentabilidade. Uma triste coincidência: nesta sexta-feira, dia 25, quando uma barragem se rompe no coração da nossa amada Brumadinho, entrou em pauta, no Conselho da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, autorização para a retomada da mineração na Serra da Piedade. Uma tragédia se efetiva e outra se anuncia.

A Arquidiocese de Belo Horizonte defende, incansavelmente, de modo inegociável, a natureza, obra do Criador, compreendendo que o ser humano, as plantas e os animais devem viver em completa harmonia, pois são todos habitantes do planeta, a Casa Comum.

Rezemos pelas vítimas desta tragédia, unidos ao coração de cada pessoa e de todas as famílias que sofrem, renovemos, mais uma vez, o nosso compromisso com a solidariedade. É urgência minimizar a dor dos atingidos por mais esse desastre ambiental, sem se esquecer de acompanhar, de perto, a atuação das autoridades, na apuração dos responsáveis por mais um triste e lamentável episódio, chaga aberta no coração de Minas Gerais. A justiça seja feita, com lucidez e sem mediocridades que geram passivos, com sentido humanístico e priorizando o bem comum, com incondicional respeito e compromisso com os mais pobres. Minas Gerais está de luto.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte

Juntos por Brumadinho

Diante da tragédia ocorrida em Brumadinho, a Arquidiocese de Belo Horizonte inicia campanha solidária para arrecadar roupas, alimentos e água, destinados aos atingidos pelo rompimento da barragem.

As doações podem ser entregues no Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política:

Rua Além Paraíba, 208 – Lagoinha | (31) 3423-2187

Para a população de Brumadinho as doações podem ser entregues na Paróquia São Sebastião.

Também é possível doar pela conta:

Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política

Banco do Brasil

Agência – 3494-0

Conta Corrente: 26227-7

Fonte: site Arquidiocese de Belo Horizonte
Fonte: Vatican News






Esta é a história da foto que impressionou milhões na JMJ 2019

Por Eduardo Berdejo

PANAMÁ, 24 Jan. 19 / 12:08 pm (ACI).- No primeiro dia da visita do Papa Francisco ao Panamá, uma cena ficou imortalizada no coração de milhões de pessoas: o momento em que o Pontífice, do papamóvel, abençoou um jovem que foi levantado entre os fiéis em sua cadeira de rodas.

O fato ocorreu na quarta-feira, 23 de janeiro, durante o trajeto do Pontífice do Aeroporto Internacional de Tocumen até a Nunciatura Apostólica, depois de chegar ao Panamá para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

A foto pertence a Carlos Yap, que compartilhou em sua conta no Instagram. Nela, aparece Lucas, um jovem de 17 anos que participa da Paróquia Imaculada Conceição de La Chorrera, no Panamá. Ele foi levantado na sua cadeira de rodas pelos amigos para poder ver o Santo Padre passar. Como se vê na imagem, Francisco viu o gesto e abençoou o peregrino.

Carlos considerou que foi "uma bênção" poder captar este momento, especialmente depois de saber do impacto que a imagem gerou nas pessoas. "Tudo foi como estar no momento certo", expressou.

Carlos, que trabalha com filmagem e fotografia de casamentos, comercial e corporativa, relatou ao Grupo ACI que não se dedica necessariamente ao fotojornalismo, mas "alguns amigos me convidaram justamente para o momento onde o Papa trocaria de carro, passando do automóvel que veio do aeroporto para o papamóvel".

Ele já estava em um dos andares de cima de um hospital, mas pensou que para conseguir uma foto melhor, deveria estar perto de onde o Santo Padre iria passar. Por esta razão, saiu para a rua e subiu em uns vasos de planta. “Foi o momento em que o Papa chegou muito rápido. Pensei que a minha câmera ia falhar porque depois de três disparos começou a travar um pouco. E, justamente quando foi o quinto, sexto disparo, aconteceu esta foto”.

O fotógrafo confessou: "Quando tirei a foto, realmente não sabia que alguém tinha levantado alguém que estava na minha frente e que era uma pessoa com deficiência". Carlos desceu dos vasos e viu a alegria dos amigos de Lucas, que estava "muito feliz, contente".

“Depois, publiquei a foto nas redes e tudo foi história: o primeiro dia e a foto. Não porque eu falei, mas pelos muitos comentários que teve. Tudo foi como estar no momento certo. Neste sentido, foi uma bênção”, afirmou o fotógrafo que se confessou católico.

Carlos explicou que decidiu compartilhar a imagem em preto e branco "porque as emoções são mais visíveis". Além disso, devido à intensidade da luz solar, "havia muitas sombras".

"Quando vi a foto, ficou mais nítido o branco do Papa e o branco do rapaz. Então contrastava com as pessoas que estavam todas embaixo e que eram como a sombra. Então eu disse: esta foto vai em preto e branco. Além disso, havia muitas bandeiras" e com as suas cores "se perde muito as emoções e também a essência", bem como" o foco principal "que eram Francisco e Lucas. "Isso foi o que eu pensei", assinalou.


Quem é Lucas?

O Grupo ACI também entrou em contato com Dona Milixa Olmedo, mãe de Lucas, o jovem deficiente que se tornou o protagonista da foto junto com o Papa Francisco.

A mãe, voluntária em uma capela, explicou que o jovem sofre de uma paralisia mista que o impede de andar, falar e mexer uma das mãos. No entanto, "ele entende tudo e se comunica através de um smartphone", com o qual escreve e tem um leitor de voz.

Apesar de suas deficiências, Dona Milixa afirmou que "Deus deu outras coisas" para Lucas, como o dom da música, porque com uma mão ela toca tanto o órgão como um instrumento conhecido como cortina. Além disso, "este ano deve se formar no sexto ano".

A mãe disse que Lucas frequenta a Paróquia da Imaculada Conceição há dois anos, porque foi nessa igreja que ele dividiu a última Missa com seu pai, que morreu em fevereiro.

"Ele fez sua Primeira Comunhão em outra paróquia, mas escolheu fazer a Crisma naquela igreja após a morte de seu pai. Então, há dois anos ele está vinculado a esta igreja e pertence ao grupo de acolhida", disse.

A mãe agradeceu a acolhida que a paróquia deu ao seu filho, que sempre sorri e se comunica. "Lucas gosta muito de piada, brincadeiras e de música. Então, ele se identifica com eles, destacou.

Dona Milixa indicou que não estava presente no momento em que a foto foi tirada, porque seu filho foi receber o Papa junto com os seus amigos.

Quando “ia para (a cidade de) Panamá para buscá-lo, começaram a me mandar as fotos e fazer comentários. Eu não podia acreditar e, quando cheguei a vê-lo, (Lucas estava) muito emocionado também”. Disse que Lucas pediu para os seus amigos para rezarem juntos antes de sair da cidade para La Chorrera.

A experiência vivida por Lucas foi algo que “eu nunca tinha imaginado e ele também não”, afirmou a mãe.

Fonte: ACI digital
Foto: cortesia Carlos Yap @yapcz



Aborto será legal durante toda a gravidez em Nova York


NOVA IORQUE, 24 Jan. 19 / 11:38 am (ACI).- O Senado do Estado de Nova York (Estados Unidos) aprovou por 38 votos contra 24 uma nova lei do aborto que permitirá esta prática durante toda a gravidez e que seja realizado não apenas por médicos.

A Lei de Saúde Reprodutiva foi aprovada na terça-feira, 22 de janeiro, depois de uma disputa legal que começou em 2007.

Esta norma permitirá aos profissionais de saúde, como praticantes de enfermaria e médicos assistentes, que realizam abortos. Além disso, endossa o aborto tardio em qualquer momento em caso de inviabilidade fetal ou “quando for necessário para proteger a vida ou a saúde de um paciente”.

A lei, aprovada no dia do aniversário da decisão Roe vs. Wade que legalizou o aborto nos Estados Unidos em 1973, também transfere esta prática do código penal para o código de saúde.

A norma estabelece que o aborto continuará sendo legal no estado de Nova York, mesmo se a Suprema Corte reverter a decisão Roe vs. Wade.

Em uma declaração publicada no site do estado de Nova York, o governador Andrew M. Cuomo, afirmou que esta decisão “é uma vitória histórica para os nova-iorquinos”.

A nova lei foi celebrada no Senado e em vários pontos da cidade, onde edifícios foram iluminados para festejar a norma.

Os bispos de Nova York assinalaram que a aprovação desta lei é “um capítulo triste” para a história. “Nosso querido estado se converteu em um lugar mais perigoso para as mulheres e seus bebês não nascidos”, indicaram em uma declaração.

Por sua parte, o Arcebispo de Nova York, Cardeal Timothy Dolan, disse que, com esta lei, “o aborto será legal até o momento do nascimento, os profissionais de saúde que consideram repugnante o assassinato de nascituros não terão direito à objeção de consciência, pois não faltarão médicos preparados para o desmembramento e qualquer bebê que sobreviva a um bisturi ou sucção, e continue vivo, poderá ser deixado à sua sorte até morrer. Por acaso isso é progressismo?”, questionou.

“Todas as pessoas têm direitos: os imigrantes, os pobres, as grávidas e seus bebês. Todos são filhos de Deus, como diria o reverendo Martin Luther King, e todos têm direitos”, ressaltou o Cardeal.

Fonte: ACI digital


Advertem sobre "escândalo" do cuidado exagerado de animais e desprezo da vida humana

Cidade do México, 22 Jan. 19 / 05:00 pm (ACI).- Padre Hugo Valdemar, cônego penitencieiro da Arquidiocese Primaz do México, advertiu que é um "escândalo" que se tenha um cuidado exagerado com os animais, enquanto se despreza a vida humana desde o ventre materno até a morte natural.

Em sua coluna semanal no jornal mexicano ‘ContraRéplica’, intitulada "O amor desumanizado pelos animais," Pe. Valdemar disse que, ainda que "pareça algo positivo que tenha crescido na sociedade ocidental o amor e o cuidado pelos animais, como entender esta consciência moderna em um momento em que um ser humano indefeso no útero é percebido como uma ameaça, como um estranho que vem causar desconforto e uma série de males?".

"Que sociedade é esta onde a proteção dos animais se tornou mais valiosa do que a vida humana de um nascituro?", perguntou.

O sacerdote lamentou que hoje "os idosos são vistos como um incômodo e são retirados a lugares nem sempre dignos, onde os familiares nunca mais voltam a visitá-los, ou ainda pior, a lei permite assassiná-los, chamando este ato imoral de uma morte digna”.

No final de outubro de 2018 o deputado Nazario Norberto Sánchez, do partido Morena, o mesmo partido do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, propôs que os animais sejam considerados como "parte de uma família" e que possam "herdar os bens de seus proprietários".

Os deputados do partido de López Obrador também promovem iniciativas para legalizar o aborto no México.

"Qual é a patologia que se apropria de uma humanidade que despreza os seus semelhantes e dá falsos direitos aos animais dando a eles uma dignidade que parece superar a humana?", questionou o sacerdote mexicano.

"Não nos enganemos, este amor pelos animais e desprezo pelos seres humanos é uma desumanização escandalosa, é uma descristianização disfarçada de compaixão. Jesus nunca pediu para amar os animais como a si mesmo, mas ao próximo. Os animais foram criados por Deus para o serviço ao homem e não o homem para o serviço aos animais", disse.

Pe. Valdemar lamentou que, "para muitos casais, os animais de estimação ocupam o lugar das crianças que não quiseram ter".

Também se perguntou "quantos cuidados veterinários são considerados suficientes" e se "deve exigir aos donos dos cachorros que garantam tratamentos de quimioterapia, cirurgias caras e cuidados paliativos para prolongar a sua vida".

"Animais não são seres humanos, nem nunca serão, não importa o quanto são amados e mimados", assegurou.

Para Pe. Valdemar, "é um escândalo esta preocupação crescente com os animais de estimação e o desprezo e ódio que despertam as crianças que, por estarem dentro do ventre materno, não são consideradas pessoas e sequer são protegidas como são protegidos os animais".

"Essa ideologia dirigida agora pelo partido é, ao contrário do que parece, desumanizada e absolutamente anticristã", denunciou.

Fonte: ACI digital



Avisos

Olá irmãs e irmãos de fé! Paz e Bem!

Para ajudar, tenho colocado as orações do programa de rádio Momento de Fé, porém muitos estão se confundindo e achando que meu blog é do Padre Marcelo Rossi. Irmãs(os), este blog não é do Padre Marcelo Rossi, para que sua mensagem chegue ao padre, você terá que acessar os sites dele : 1) Padre Marcelo Rossi 2) Facebook Padre Marcelo Rossi

Obrigada - Adriana dos Anjos/Devoção e Fé Blog