2020 - Devoção e Fé - Blog Católico

terça-feira, 31 de março de 2020

Bispos brasileiros propõem pontos para viver o Domingo de Ramos em casa


Domingo de Ramos / Foto: pxhere.com

BRASILIA, 30 Mar. 20 / 06:00 pm (ACI).- Devido à quarentena pelo coronavírus, muitas Arquidioceses e Dioceses no Brasil estão celebrando a Santa Missa sem a presença do povo, o que se prolongará, inclusive, durante a Semana Santa, que começa no próximo domingo, 5 de abril, Domingo de Ramos.

Por conta desta circunstância, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propôs cinco pontos a fim de “ajudar os fiéis na celebração do Domingo de Ramos”, o qual todos são chamados a celebrar “com fé e esperança”.

A seguir, os cinco pontos propostos pela CNBB para o Domingo de Ramos:

1. Rezar pedindo a graça de bem viver a Semana Santa, ainda que em recolhimento em casa.

2. Colocar no portão ou na porta de casa (em lugar bem visível) alguns ramos. Marcar a casa é uma característica do povo de Deus.

3. Participar das celebrações transmitidas pela televisão ou pelas redes sociais.

4. Comprometer-se a, no futuro, participar ativamente da Coleta da Campanha da Fraternidade. Com ela, ajudamos os mais pobres.

5. Motivar pelas redes sociais, telefonemas ou outros meios que mantenham o distanciamento social, outras pessoas a também celebrarem o domingo de Ramos desse mesmo modo.

Fonte: ACI digital



Novo momento de oração no Brasil: nesta quarta-feira Terço da Esperança e da Solidariedade

Oração do Terço

CNBB promove novamente momento de oração frente à pandemia do novo coronavírus, no dia 1º de abril, às 15h30, com dom Walmor Oliveira de Azevedo, direto do Santuário Basílica de Nossa Senhora da Piedade, em Caeté (MG)

Brasília

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) continua sua iniciativa de oração em comunhão com toda a Igreja no Brasil. Nesta quarta-feira, 1º de abril, às 15h30, mais uma vez será formada uma corrente nacional com a oração do Terço da Esperança e da Solidariedade, que será transmitido pelas TVs de inspiração católica do país, emissoras de rádio e pelas páginas da Conferência no Facebook e no Youtube.

Conduzirá o momento de oração em torno da emergência de saúde pública da covid-19 o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, direto do Santuário Basílica de Nossa Senhora da Piedade, em Caeté (MG).

O Terço da Esperança e da Solidariedade é uma iniciativa da CNBB que, frente à pandemia do novo coronavírus e em comunhão com o Papa Francisco no compromisso de intensificar as orações neste período, une todo o Brasil em um momento comum de oração.

Motiva com mais intensidade o momento de oração do Papa Francisco na última sexta-feira, quando o pontífice ofereceu uma reflexão a respeito da passagem do Evangelho de São Marcos, capítulo 4, e quando concedeu a bênção Urbi et Orbi:

"Perante o sofrimento, onde se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos, descobrimos e experimentamos a oração sacerdotal de Jesus: «Que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos! A oração e o serviço silencioso: são as nossas armas vencedoras".

A iniciativa, principalmente em momentos delicados e difíceis como o que o mundo está passando, busca elevar os corações ao Deus da Vida, no acolhimento de sua Palavra, fortalecendo a fé, a esperança e a união. “Conscientes de que as restrições ao convívio não durarão para sempre, aprendamos a valorizar a fraternidade, tornando-nos ainda mais desejosos de, passada a pandemia, podermos estar juntos, celebrando a vida, a saúde, a concórdia e a paz” (trecho da nota “Tempos de Esperança e Solidariedade” da CNBB).

Conscientes ainda, à luz da Palavra de Deus, para o sentido da vida como Dom e Compromisso, tema da Campanha da Fraternidade deste ano, a intenção da oração do terço é dedicada também, além das vítimas, aos profissionais que incansavelmente trabalham por uma solução. “Sejamos disciplinados, obedeçamos às orientações e decisões para nosso bem e não nos falte o discernimento sábio para cancelamentos e orientações que preservem a vida como compromisso com nosso dom mais precioso” (trecho da nota “Tempos de Esperança e Solidariedade” da CNBB).

Para compartilhar os momentos de oração nas redes sociais use a hashtag adotada pelo Papa Francisco: #rezemosjuntos

Acompanhe:

www.facebook.com/cnbbnacional

www.youtube.com/cnbbnacional

Fonte: CNBB

31 março 2020

Fonte: Vatican News



Imagem de Nossa Senhora de Nazaré sobrevoa Belém para abençoar contra o coronavírus


BELÉM, 30 Mar. 20 / 03:03 pm (ACI).- Anualmente, Nossa Senhora de Nazaré reúne milhões de pessoas pelas ruas de Belém (PA) durante o Círio. No último sábado, 28 de março, porém, a Rainha da Amazônia sobrevoou sem a companhia do povo pela cidade que vive a quarentena devido ao coronavírus, em uma iniciativa que já está sendo chamada de “Círio das Nuvens”.

Basílica Santuário de Nazaré
@basilicanazare

10:00 AM - Mar 28, 2020

De acordo com a Basílica de Nazaré, o voo teve início às 9h e durou 30 minutos. No helicóptero, a imagem foi conduzida pelo reitor da Basílica Santuário e presidente da Diretoria da Festa de Nazaré, Padre Luiz Carlos Maria Nunes Gonçalves.

Ao final do sobrevoo, Pe. Luiz Carlos explicou, em um vídeo, que o trajeto foi feito “conduzindo a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, pedindo que Ela, na sua bondade de mãe, abençoe este povo que tanto a ama e venera”.

Para pedir a intercessão da Padroeira da Amazônia, o sacerdote rezou a oração contra as pestes incuráveis, recorrendo à força suplicante de Maria frente ao coronavírus. Além disso, rezou as orações a Nossa Senhora de Nazaré e a Salve Rainha.

O coordenador da Diretoria da Festa de Nazaré, Albano Martins, contou a ACI Digital que “a ideia do sobrevoo veio do desejo da diretoria da festa de levar Nossa Senhora ao meio de seu povo” e, diante das recomendações para que sejam evitadas aglomerações, “o percurso de helicóptero foi a única opção encontrada”.

“Nós também idealizamos isto em atendimento à demanda de milhares de fiéis que se manifestam sempre pelas redes sociais e que vinham nos informando de sua angústia neste momento difícil, angústia essa que é sempre atenuada com a presença e com as bênçãos de Nossa Senhora”, acrescentou.

Assim, na sexta-feira, receberam por parte de uma empresa privada “a confirmação de que cederia a aeronave em um gesto de fraternidade e solidariedade dos proprietários”. Desse modo, em 24 horas, organizaram tudo e puderam, no sábado de manhã, “realizar este sobrevoo, que alguns já batizaram de o Círio das Nuvens”.

“A receptividade dos fiéis foi extremamente positiva”, afirmou Albano Martins, ressaltando as milhares de visualizações alcançadas pelas transmissões realizadas por meio de redes sociais. “As pessoas todas manifestando uma emoção muito grande. Então, na nossa ótica, não poderia ter sido melhor”, concluiu.

A seguir, a oração contra as pestes incuráveis, rezada durante o voo com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré:

Arca Santa e Imaculada, tão pura e cheia de graça, sede a nossa salvação neste perigo de desgraças.
Sendo a Mãe do Deus humanado, que por nós expirou na cruz, que pedirás, ó Senhora, que vos negue o bom Jesus?
Advogada celeste, desta pobre humanidade, perdão, Senhora, alcançai-nos da Divina Majestade.
Dissipai a cruel peste, Poderosa Intercessora, como a cabeça esmagastes, da serpente enganadora.
A natureza, Senhora, ao vosso Filho obedece, e o vosso Filho que a rege, não resiste à vossa prece. Assim seja.
Amém!

Fonte: ACI digital



Padre faz transmissão de benção on-line e vira meme com filtros divertidos: 'Acionei sem querer'

Padre faz transmissão de benção on-line e vira meme com filtros divertidos: 'Acionei sem querer' — 
Foto: Reprodução/Facebook

Após gravação, Luiz Cesar Moraes explicou que usou a câmera traseira do celular e, por isso, não viu os efeitos de máscaras que surgiam durante a prece.

Por G1

31/03/2020 14h56  Atualizado há uma hora

O padre Luiz Cesar Moraes, de Itajubá, Minas Gerais, se divertiu com sua própria gafe e encantou a internet ao fazer a transmissão de uma benção on-line em sua página no Facebook, no domingo (29).

Isso porque, ao longo de toda a gravação, os filtros divertidos da rede social apareciam enquanto ele fazia a prece.

Ao publicar o vídeo no Facebook, ele pediu desculpas pelos efeitos e disse que "Deus quer também um pouco de alegria."

"Desculpe os efeitos, acionei sem ver para iniciar a gravação da bênção. Deus quer também uma pouco de alegria. A intenção foi mesma de oração. Os efeitos foram sem intenção", explicou ele com bom humor.

Horas depois, o padre retomou o assunto nas redes sociais e explicou que, por gravar com a câmera traseira do celular, não viu que os filtros animados aparecendo.

"Como sou amador no trato da filmagem, como faço sozinho e usando de meu celular para aproveitar melhor imagem, faço pela câmera de trás afixando o mesmo na minha cristaleira e então não vejo o que se filma. Ao acessar o início da transmissão, sem ver, acessei o botão de efeito de máscaras e deu no que deu.”

"Que fique claro que, em assunto de meu Ministério Sacerdotal, não brinco em serviço e muito menos faço brincadeiras. Mas Deus usa até de nossas falhas para dar seu recado", enfatizou Luiz Cesar Moraes.

"Ficou hilário as caras. Como Ele tira do brejo a flor do copo de leite, do meu erro ajudou a tornar risonho e hilário a vida de muita gente. Rir faz bem, ainda mais neste tempo de apreensão que estamos vivendo."

"Peço que não me ridicularizem e nem usem estas imagens para denegrir minha pessoa e ministério sacerdotal. A todos, meu abraço, oração e bênção", finalizou o padre. Ele ainda compartilhou algumas imagens em que aparece com os filtros divertidos.

Fonte: G1 



segunda-feira, 30 de março de 2020

Anjos e coronavírus: o mundo invisível existe e age


María Olguín Mesina

Padre Fernando Cárdenas Lee, Foyer de Charite | Mar 30, 2020

Descubra a ajuda e a presença desses seres espirituais que estão em nosso meio e nos cercam, dando-nos toda a sua assistência e ajuda

A pandemia do coronavírus colocou diante de nós todo um mundo invisível, um mundo que não podemos ver com nossos olhos.

É que os vírus são entre 500 e 1000 vezes menores que uma célula do nosso corpo. Eles só podem ser vistos com microscópios especiais.

A humanidade da imagem, a humanidade que vê tudo, agora enfrenta um agente infeccioso que não vê. Talvez seja um convite a tomar a iniciativa de São Paulo na carta aos coríntios:

“Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem. Pois as coisas que se vêem são temporais e as que não se vêem são eternas” (2 Cor 4, 17).

É preciso voltar o coração para as coisas invisíveis, lembrando novamente que existe um mundo visível e um invisível, como professamos no Credo.

Esse mundo invisível existe, embora não o vejamos, e age em nosso meio.

Dentro desse mundo invisível estão aqueles bons amigos que são os santos anjos e que vêm cuidar de nosso corpo e alma.

Nós não os vemos com nossos olhos, mas, como John Henry Newman diz, “embora sejam tão grandiosos, tão gloriosos, tão puros e tão bonitos, que a própria visão deles, se pudéssemos vê-los, nos derrubaria no chão, como aconteceu com o profeta Daniel, tão santo e reto como ele era, mas eles são nossos servos e companheiros, e observam atentamente e defendem os mais humildes de nós, se somos de Cristo.”

É hora de olhar para essa realidade invisível, invocar os anjos e pedir ajuda, conforto, orientação e força nesses tempos de tribulação, confusão e até mesmo de combate espiritual.

Por esse motivo, convido você a levantar os olhos, elevar o coração e descobrir a ajuda e a presença desses seres espirituais que estão em nosso meio e nos cercam, dando-nos toda a assistência e ajuda.

Nesse momento em que o homem toma conhecimento e evita entrar em contato com um agente inferior, como um vírus, por que negar ou por que é tão difícil aceitar a importância e a necessidade de se relacionar com criaturas superiores, como os anjos?

Quando erguermos os olhos e olharmos mais longe, descobriremos que a harmonia na criação, de acordo com o que a Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja nos ensinam, é mantida pela obra dos anjos.

Voltemos a John Henry Newman, ao dizer que “o curso da natureza, que é tão maravilhoso, tão bonito e tão assustador, é operado pelo ministério desses seres invisíveis. A natureza não é inanimada, seu trabalho diário é inteligente, suas obras são serviço dos anjos, ministros de Deus”.

Vamos buscá-los para pedir sua intercessão, para restaurar a ordem e a harmonia na criação chamada a manifestar a glória de Deus.

Eles conhecem incomparavelmente melhor que o homem o mundo material e suas leis, conhecem os seres inferiores, o vírus e conhecem sua estrutura e a maneira de eliminá-lo.

Lembre-se do anjo no tanque de Betesda, que, movendo suas águas, deu-lhe um poder medicinal (cf. Jo 5, 4). Lembre-se de que Deus deu ordens aos seus anjos para nos guardarem em seus caminhos e nos livrarem da praga fatal (cf. Salmo 91).

Os anjos exercitam sobre a criação material um império misterioso que se estende por toda a criação e supera todo o conhecimento humano no campo científico e técnico.

De acordo com a tradição da Igreja Oriental, São Miguel Arcanjo tem a missão de ajudar os doentes. Esta missão está harmoniosamente ligada à tarefa de buscar o bem-estar daqueles a quem foi encarregada de proteger.

Houve vários episódios em que esse glorioso arcanjo, chefe da milícia celestial, interveio, libertando a humanidade da praga fatal.

Como exemplo, lembremos o testemunho do historiador Sozomeno, do século V, que relata que em Constantinopla havia uma igreja dedicada a São Miguel: “todos os que sofreram grandes dores ou sofreram doenças incuráveis ​​foram ao templo rezar e logo foram libertados de seus sofrimentos.”

Da mesma forma, durante o pontificado de São Gregório Magno, no ano de 590, apareceu uma terrível praga que estava tirando muitas vidas na cidade de Roma.

O Papa ordenou a realização de uma procissão penitencial em Santa Maria Maior, algo semelhante ao que nosso Papa Francisco fez há alguns dias.

Gregório Magno carregava uma estátua da Virgem durante a procissão. Quando chegaram à ponte sobre o rio Tevere, ouviram o canto de anjos e, de repente, no castelo que hoje se chama Castel Sant’Angelo, apareceu São Miguel, que carregava uma espada na mão. Nesse momento, a praga terminou.

Os cristãos do Egito consagraram o rio Nilo, considerado o rio da vida, à proteção deste grande príncipe arcanjo.

É que São Miguel Arcanjo está profundamente interessado em todos os assuntos de seus protegidos, particularmente nas calamidades que os afetam. São Miguel responde a pedidos de socorro e ajuda do povo.

Portanto, nestes tempos, dirijamo-nos a este grande protetor, este grande príncipe e chefe do exército celestial, e experimentaremos, se for a vontade de Deus, sua ajuda, proteção e assistência, levando sobre nós as graças regeneradoras do precioso sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nestes tempos, vamos elevar esta oração a este bom Arcanjo:

Ó glorioso São Miguel Arcanjo,
príncipe e líder dos exércitos celestiais,
guardião e defensor das almas,
guardião da Igreja,
vencedor, terror e espanto dos espíritos infernais rebeldes.
Humildemente te rogamos,
digne-se de livrar de todo mal aqueles a quem lhe entregamos com confiança;
Que seu favor nos proteja, sua fortaleza nos defenda
e que, através de sua proteção incomparável
avancemos cada vez mais no serviço do Senhor;
Que sua virtude nos fortaleça todos os dias de nossas vidas,
especialmente no momento da morte,
de modo que, defendidos pelo seu poder
do dragão infernal e todas as suas emboscadas,
quando sairmos deste mundo
sejamos apresentados por ti,
livre de toda culpa, diante da Divina Majestade.

Fonte: Aleteia



A voz do Papa é única no mundo para quebrar as solidões criadas pela pandemia


Papa Francisco no momento de oração na Praça São Pedro, na sexta-feira, 27 de março

O momento extraordinário de oração conduzido por Francisco na última sexta-feira (27) tinha a clara indicação de se percorrer uma estrada obrigatória, aquela da globalização da solidariedade, afirma Agostino Giovagnoli, professor de História Contemporânea na Univ. Católica do Sagrado Coração, de Milão. “A história do cristianismo é uma história de solidariedade”, como confirma os períodos de peste: “ninguém queria estar com os doentes, com exceção dos frades capuchinhos”.

Amedeo Lomonaco, Andressa Collet – Cidade do Vaticano

As palavras do Papa Francisco pronunciadas na última sexta-feira (27) foram repercutidas em todas as partes do mundo e, sobretudo, ficaram impressas nos corações de milhões de pessoas. A imagem da tempestade a ser enfrentada, com todos remando juntos, indicada pelo Pontífice na homilia acompanhada pela chuva, exorta à humanidade a abrir, autenticamente, as estradas da corresponsabilidade e da solidariedade.

O Papa se dirigiu não só a católicos e crentes, mas a todo homem. E, sobretudo, implorou ao Pai para que não nos deixe à mercê da tempestade. A sua voz quebrou o silêncio ensurdecedor das cidades desertas. Nas suas palavras, sublinha Agostino Giovagnoli em entrevista ao Vatican News, toda a humanidade pode se reconhecer. O filósofo se ocupa de relações internacionais e é professor de História Contemporânea na Universidade Católica do Sagrado Coração, com sede em Milão.

Professor – “Eu acredito que, para o mundo, a oração de Papa Francisco tenha representado, antes de tudo, a escuta de palavras que descrevem uma situação, neste momento, realmente universal, em que encontra toda a humanidade. Então, a voz do Papa quebra, num certo sentido, o silêncio das nossas cidades, da Praça São Pedro na sexta-feira, para expressar uma coisa que é compartilhada realmente por tantos. Isso é muito raro, talvez único na situação atual; não há nenhuma outra voz no mundo que consiga expressar isso neste momento. E o Papa Francisco o fez partindo da descrição profunda das trevas, da escuridão espessa, do silêncio ensurdecedor, do vazio desolador. São palavras em que toda a humanidade pode se reconhecer e isso, certamente, é importante porque aproxima uns dos outros, quebra as solidões criadas por essa epidemia terrível.”

Junto à voz do Papa, na Praça São Pedro vazia, milhões de pessoas se uniram espiritualmente, através dos meios de comunicação, aos vários momentos desse dia histórico. É um pouco o contrário daquilo que Francisco denunciou várias vezes quando falou de globalização da indiferença. Talvez este é um mundo mais atento ao grito de dor também da Terra...

Professor – “É um mundo que, após essa terrível experiência, certamente está mudando e, talvez, para melhor. Ao menos parece isso. Papa Francisco encontrou palavras muito simples, mas muito diretas para expressar a novidade dessa situação. Estamos todos no mesmo barco. Usou essa imagem evangélica para expressar um conceito que é evidente a todos. E é um barco em que todos constatamos os nossos limites. Então, a estrada de uma globalização da solidariedade é uma estrada obrigatória. Papa Francisco expressou de modo muito plausível essa exigência.”

A última sexta-feira foi cadenciada também por imagens muito poderosas e eloquentes. Um dos ícones do momento de oração conduzido pelo Papa foi o crucifixo de madeira banhado pela chuva, quase “lágrimas” provenientes do céu...
Professor – “Sim. Esse crucifixo afetou todos, e não a caso. A fé cristã apresenta o sinal de um homem crucificado e, então, não é uma promessa de prosperidade. Além disso, em momentos como esse se compreende a verdade desse sinal. É o sinal de um Deus que assume todos os sofrimentos do homem. E é o Deus da misericórdia. E essas lágrimas da chuva tornaram visível, de qualquer modo, alguma coisa que todos compreenderam.”

O tempo da pandemia está mudando profundamente o mundo. Neste momento, pode também regenerar o patrimônio da fé...

Professor – “Eu acredito que sim, justamente porque nega as várias ideias de salvação ou de segurança que, geralmente, parecem tornar a nossa vida tão sólida. O Papa também disse explicitamente isso na sexta-feira. Esvaziando a vida dos ídolos, torna-se mais evidente àquilo a que a nossa fé se dirige. Eu acredito que haverá uma regeneração na direção da responsabilidade. Papa Francisco citou tantos que, neste momento, se ocupam dos outros.”

A situação dramática que o mundo está vivendo já foi vivida em outros momentos da história, como em ocasiões de períodos difíceis da peste. O que nos ensina, nesse sentido, a história, em especial, a história do cristianismo?

Professor – “Nos ensina que a fé é poderosa, sobretudo, nas obras. Diante da peste, tradicionalmente, os únicos que cuidavam dos outros – colocando em risco a própria vida – eram os cristãos, os religiosos. A mesma palavra “Lazzaretto” foi cunhada para definir o lugar onde as vítimas da peste eram acolhidas. Ninguém queria estar com elas, com exceção dos frades capuchinhos. A história do cristianismo é uma história de solidariedade, de serviço aos outros e, sobretudo, aos mais pobres e aos doentes. E isso não acontece de menos hoje. A ciência não é tudo. É preciso de solidariedade, e os cristãos, neste momento, demonstram ela ao se dirigir àqueles que estão morando na rua, aos idosos nos institutos... E, assim, sobretudo, o cristianismo nos ensina que não só de pão vive o homem. Isto é, inclusive e principalmente nestes momentos dramáticos, as palavras não são inúteis, mas são importantes. Não são supérfluas, tanto é verdade que as palavras do Papa Francisco são muitos escutadas.”

30 março 2020

Fonte: Vatican News



Papa Francisco reza pelos que não conseguem reagir, amedrontados com a pandemia


Na Missa na Casa Santa Marta, na manhã desta segunda-feira (30/03), Francisco pediu a Deus que ajude aqueles que estão assustados com o coronavírus. Na homilia, convidou a agradecer a Deus se reconhecemos os nossos pecados, porque deste modo podemos pedir e acolher a sua misericórdia

VATICAN NEWS

A Antífona de entrada da segunda-feira da V Semana da Quaresma é uma veemente invocação a Deus: “Tende piedade de mim, Senhor, pois me atormentam; todos os dias me oprimem os agressores” (Sl 55,2). Ao introduzir a Missa na manhã desta segunda-feira (30/03), o Papa Francisco dirigiu seu pensamento às pessoas amedrontadas com a atual pandemia:

Rezemos hoje pelas muitas pessoas que não conseguem reagir: permanecem amedrontadas com esta epidemia. Que o Senhor as ajude a reerguer-se, a reagir para o bem de toda a sociedade, de toda a comunidade.

Na homilia, comentou as leituras do dia, extraídas do Livro do profeta Daniel (13,1-9.15-17.19-30.33-62) e do Evangelho de João (Jo 8,1-11), que falam de duas mulheres que alguns homens querem condenar à morte: a inocente Susana e uma adúltera pega em flagrante. Francisco ressaltou que os acusadores são, no primeiro caso, juízes corruptos, e, no segundo, hipócritas. Em relação às mulheres, Deus faz justiça a Susana, libertando-a dos corruptos, que são condenados, e perdoa a adúltera, libertando-a de escribas e fariseus hipócritas. Justiça e misericórdia de Deus, que são bem representadas no Salmo Responsorial do dia: “O Senhor é o meu pastor, não me falta coisa alguma... Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei, porque estais comigo”. Em seguida, o Papa convidou a agradecer a Deus se sabemos ser pecadores, porque podemos pedir confiantes, ao Senhor, que nos perdoe.

A seguir, o texto da homilia transcrita pelo Vatican News:

No Salmo Responsorial rezamos: “O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças. Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!”

Esta é a experiência que estas duas mulheres tiveram, cuja história lemos nas duas Leituras. Uma mulher inocente, acusada falsamente, caluniada, e uma mulher pecadora. Ambas condenadas à morte. A inocente e a pecadora. Alguns Padres da Igreja viam nestas duas mulheres uma figura da Igreja: santa, mas com filhos pecadores. Diziam numa bela expressão latina: “A Igreja é a casta meretrix”, a santa com filhos pecadores.

Ambas as mulheres estavam desesperadas, humanamente desesperadas. Mas Susana confia em Deus. Há também dois grupos de pessoas, de homens; ambos encarregados a serviço da Igreja: os juízes e os mestres da Lei. Não eram eclesiásticos, mas estavam a serviço da Igreja, no tribunal e no ensino da Lei. Diferentes. Os primeiros que acusavam Susana, eram corruptos: o juiz corrupto, a figura emblemática na história. Também no Evangelho, Jesus repreende – na parábola da viúva insistente – o juiz corrupto que não acreditava em Deus e não lhe importava nada dos outros. Os corruptos. Os doutores da Lei não eram corruptos, mas hipócritas.

E essas mulheres, uma caiu nas mãos dos hipócritas e a outra nas mãos dos corruptos: não havia saída. “Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!” Ambas as mulheres se encontravam num vale tenebroso, caminhavam ali: um vale tenebroso, rumo à morte. A primeira explicitamente confia em Deus e o Senhor intervém. A segunda, pobrezinha, sabe que é culpada, envergonhada diante de todo o povo – porque o povo estava presente em ambas as situações, o Evangelho não diz, mas certamente rezava interiormente, pedia alguma ajuda.

O que o Senhor faz com essas pessoas? À mulher inocente, a salva, lhe faz justiça. À mulher pecadora, a perdoa. Aos juízes corruptos, os condena; aos hipócritas, os ajuda a converter-se e diante do povo diz: ”Sim, verdadeiramente? Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”, e foram saindo um a um. Há uma certa ironia do apóstolo João, aqui: “E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos”. Deixa a eles um pouco de tempo para arrepender-se; não perdoa os corruptos, simplesmente porque o corrupto é incapaz de pedir perdão, foi além. Cansou-se... não, não se cansou: não é capaz. A corrupção tirou-lhe também aquela capacidade que todos temos de envergonhar-nos, de pedir perdão. Não, o corrupto é seguro, segue adiante, destrói, explora o povo, como esta mulher, tudo, tudo... segue adiante. Colocou-se no lugar de Deus.

E o Senhor responde às mulheres. A Susana, liberta-a destes corruptos, a faz seguir adiante, e à outra: “Eu, também, não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”. Deixa-a ir embora. Faz isso diante do povo. No primeiro caso, o povo louva o Senhor; no segundo caso, o povo aprende. Aprende como é a misericórdia de Deus.

Cada um de nós tem as próprias histórias. Cada um de nós os próprios pecados. E se não se recorda, pense um pouco: os encontrará. Agradeça a Deus se os encontra, porque se não os encontra, você é um corrupto. Cada um de nós tem os próprios pecados. Olhemos para o Senhor que faz justiça, mas que é tão misericordioso. Não nos envergonhemos de estar na Igreja: envergonhemo-nos de ser pecadores. A Igreja é mãe de todos. Agradeçamos a Deus por não sermos corruptos, por ser pecadores. E cada um de nós, olhando como Jesus age nestes casos, confie na misericórdia de Deus. E reze, confiante na misericórdia de Deus, reze (pelo) perdão. ”Porque Deus me guia no caminho mais seguro, pela honra de seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!”

O Santo Padre terminou a celebração com a adoração e a bênção eucarística, convidando a fazer a Comunhão espiritual. A seguir, a oração recitada pelo Papa:

Aos vossos pés, ó meu Jesus, me prostro e vos ofereço o arrependimento do meu coração contrito que mergulha no seu nada na Vossa santa presença. Eu vos adoro no Sacramento do vosso amor, desejo receber-vos na pobre morada que meu coração vos oferece. À espera da felicidade da comunhão sacramental, quero possuir-vos em Espírito. Vinde a mim, ó meu Jesus, que eu venha a vós. Que o vosso amor possa inflamar todo o meu ser, para a vida e para a morte. Creio em vós, espero em vós. Eu vos amo. Assim seja.

Antes de deixar a Capela dedicada ao Espírito Santo foi entoada uma antiga antífona mariana Ave Regina Caelorum (“Ave Rainha dos Céus”).

30 março 2020

Fonte: Vatican News






Vaticano divulga principais cifras da Igreja Católica no mundo


Papa Francisco diante de uma multidão na Praça de São Pedro. Crédito: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

Vaticano, 26 Mar. 20 / 04:00 pm (ACI).- O Vaticano anunciou nesta quarta-feira, 25 de março, a publicação do Anuário Pontifício 2020 e do Annuarium Statisticum Ecclesiae 2018, realizados pelo Escritório Central de Estatística da Igreja.

Ao apresentar esses textos, a Santa Sé oferece uma análise comparativa das principais estatísticas entre os anos de 2013 e 2018, além de algumas novidades até 2019.

Católicos no mundo

No período de 2013 a 2018, os católicos no mundo aumentaram quase 6%. Passaram de 1 bilhão e 254 milhões para 1 bilhão e 329 milhões, com um aumento absoluto de 75 milhões.

No final de 2018, os católicos representavam pouco menos de 18% da população mundial, uma taxa que permanece praticamente inalterada ao longo dos anos.

Do total de católicos no mundo, 48% vivem na América, 21,5% na Europa e 11,1% na Ásia, onde houve um particular aumento. Em 2018, os católicos eram pouco menos de 18% da população mundial.

Bispos e sacerdotes

Entre 2013 e 2018, o número de bispos no mundo aumentou mais de 3,9%, passando de 5.173 para 5.377, com um incremento muito acentuado na Oceania (4,6%), seguido pela América e Ásia (ambos com 4,5%), Europa (4,1%) e África (1,4%).

O número de sacerdotes aumentou em geral em 1.400 nos dois primeiros anos, mas depois estabilizou e mostrou um declínio nos últimos três. Em contraste com a média mundial, a evolução das vocações sacerdotais na África e na Ásia é positiva, com um crescimento de 14,3% e 11%, respectivamente, enquanto o número na América permanece estacionário em torno de uma média de cerca de 123 mil sacerdotes.

Europa e Oceania mostram uma queda de mais de 7% e pouco mais de 1%, respectivamente em 2018.

A distribuição dos sacerdotes entre os continentes se caracteriza em 2018 por uma forte prevalência dos sacerdotes europeus (41,3%), que superam em 40% o clero americano; o clero asiático representa 16,5%, o africano 11,5% e o da Oceania 1,1%.

Diáconos e religiosos
Os diáconos permanentes em 2013 foram 43.195, enquanto em 2018 aumentaram para 47.504, com uma variação positiva de cerca de 10%.

A crise dos religiosos professos que não são sacerdotes não parece diminuir e é preocupante que sejam cada vez menos no mundo.

De fato, o grupo diminuiu quase 8% entre 2013 e 2018, passando de mais de 55 mil para menos de 51 mil. A tendência decrescente é comum aos vários continentes, com exceção da África e da Ásia, onde aumentaram 6,8% e 3,6%, respectivamente.

As religiosas professas também apresentam uma tendência fortemente decrescente, com uma contração de 7,5% no período considerado.

O número total de religiosas professas passou de quase 694 mil em 2013 para menos de 642 mil em 2018. A queda afeta três continentes (Europa, Oceania e América), com variações negativas significativas (-15% na Europa, -14,8% na Oceania e -12% na América).

Na África e na Ásia, por outro lado, o aumento é consistente: mais de 9% para a África e 2,6% para a Ásia.

Seminaristas e novas sedes

Os candidatos ao sacerdócio no mundo passam de 118.251 em 2013 para 115.880 em 2018, uma variação decrescente de 2%.

A queda, com exceção da África, afeta todos os continentes, com uma grande redução na Europa (-15,6%) e na América (-9,4%). A África, com uma variação positiva de 15,6%, é confirmada como a área geográfica com mais vocações.

Durante esses cinco anos, foram erigidas no mundo 4 novas sedes episcopais, uma eparquia, 2 prelazias territoriais, um exarcado apostólico e uma administração apostólica; foram elevadas uma sede arquiepiscopal e 4 dioceses a sedes metropolitanas, uma prelazia territorial e um vicariato apostólico a sedes episcopais e 2 exarcados apostólicos a eparquias.

Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.

Fonte: ACI digital



Hoje é celebrado São João Clímaco, monge e mestre espiritual (30 de março)


REDAÇÃO CENTRAL, 30 Mar. 20 / 05:00 am (ACI).- São João Clímaco foi um monge cristão, mestre espiritual e autor do livro “Escada do Paraíso”, que chegou a ser muito popular na Idade Média. O nome desta obra é a fonte do nome deste santo, já que é uma transliteração latina do termo grego klímakos, que significa “da escada”.

O santo “da escada” nasceu na Palestina em 575 e sua vida se desenvolveu quando Bizâncio, capital do Império romano do Oriente, estava em decadência ante as invasões bárbaras e a perda de território

Desde muito pequeno, formou-se lendo os livros de São Gregório Nazianzeno e São Basílio. Aos 16 anos, decidiu ser monge e partiu para o Monte Sinais (Egito).

Segundo os escritos do monge Daniel de Raito, Clímaco teve como mestre o abade Martírio (superior do mosteiro) e, depois de quatro anos de preparação, foi admitido como religioso.

Aos 20 anos, escolheu viver como eremita em uma gruta aos pés de um monte localizado a oito quilômetros do atual mosteiro de Santa Catarina (Monte Sinais).

Desde então, dedicou-se por 40 anos à meditação da Bíblia, oração e alguns trabalhos manuais. Assim, tornou-se um dos maiores sábios da Bíblia e diretor espiritual de dezenas de monges no Oriente.

Em sua velhice, os monges o elegeram abade do mosteiro do Monte Sinais. Naquele tempo, escreveu diversos textos e a “Escada do Paraíso”, um tratado de vida espiritual que descreve o caminho do monge desde a renúncia ao mundo até a perfeição do amor.

No livro, distingue-se três fases sucessivas para alcançar esta perfeição do amor: a primeira é a ruptura com o mundo a fim de voltar ao estado de infância evangélica; a segunda é constituída pela combate espiritual contra as paixões; e a terceira é a perfeição cristã.

São João Clímaco morreu por volta do ano 650. A Igreja o comemora no dia 30 de março.

Fonte: ACI digital



domingo, 29 de março de 2020

Papa Francisco reitera apelo por cessar-fogo global


O Papa Francisco aderiu ao apelo lançado em 24 de março pelo secretário-geral da ONU por um cessar-fogo global e para que as forças estejam unidas no combate à pandemia do coronavírus.

Vatican News

“Nos dias passados, o secretário-geral das Nações Unidas lançou um apelo por um "cessar-fogo global e imediato em todos as partes do mundo", recordando a atual emergência do COVID-19, que não conhece fronteiras”, recordou o Papa Francisco, após rezar o Angelus neste V Domingo da Quaresma. O Pontífice então, lançou um apelo ao diálogo e aos esforços de paz:

Uno-me a todos os que acolheram esse apelo e convido todos a segui-lo, interrompendo todas as formas de hostilidade bélica, favorecendo a criação de corredores para ajuda humanitária, abertura à diplomacia, a atenção àqueles que se encontram em situação de maior vulnerabilidade. Que o esforço conjunto contra a pandemia possa levar todos a reconhecer nossa necessidade de fortalecer os laços fraternos como membros de uma única família humana. Em particular, desperte nos responsáveis das Nações e nas outras partes envolvidas, um renovado compromisso em superar as rivalidades.  Os conflitos não são resolvidos por meio da guerra! É necessário superar antagonismos e os contrastes, mediante o diálogo e uma construtiva busca da paz.

Pelas pessoas obrigadas a viver em grupos

Após, como já havia feito no início da Missa celebrada  em 11 de março na capela da Casa Santa Marta, o Papa recordou dos encarcerados, mas também de outras pessoas obrigadas a viver em grupos:

Neste momento, meu pensamento se dirige de maneira especial a todas as pessoas que sofrem a vulnerabilidade de serem forçadas a viver em grupo: casas de repouso, quartéis ... Em particular, gostaria de mencionar as pessoas nas prisões. Li um relatório oficial da Comissão de Direitos Humanos que fala sobre o problema das prisões superlotadas, que poderiam se tornar uma tragédia. Peço às autoridades que sejam sensíveis a esse grave problema e de tomar as medidas necessárias para evitar futuras tragédias.

Apelo de Guterres pelo fim das guerras

Em 24 de março, o secretário geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, havia lançado um apelo para que fosse colocado um fim às guerras e se combatesse a pandemia que assola o mundo.

As pessoas envolvidas nos conflitos armados no mundo" - disse Guterres - "estão entre as mais vulneráveis" e "correm o risco maior de padecer um devastador sofrimento por causa do Covid-19".

Após o apelo, foram verificados os primeiros passos em direção a um cessar fogo, com "tréguas humanitárias" em diversos países onde ainda perduram sangrentos conflitos e violências internas, como no Iêmen, nas Filipinas e em Camarões.

Sinais positivos também no nordeste da Síria, onde no sábado, 28, a Comissão de investigação da ONU reiterou o pedido para que se evitasse "piorar a tragédia", fazendo referência ao Covid-19 como uma "ameaça mortal" para os civis sírios, e em particular para os 6,5 milhões de deslocados dentro do país.

A guerra em pedaços

Na verdade, o cenário não deixa dúvidas. Há pelo menos setenta países em todo o mundo envolvidos em algum tipo de guerra ou conflito interno. Muitos deles esquecidos. Os nove anos de conflito na Síria, por exemplo, já provocaram a morte de 380 mil pessoas, debilitando o sistema de saúde local. Somente 64% dos hospitais e 52% dos centros de assistência básica existentes antes de 2011 estão atualmente em atividade, enquanto 70% dos profissionais de saúde abandonaram o país.

Conflitos internos flagelam a Líbia, Sudão, Somália, Nigéria, Burkina Faso, Paquistão, Índia, Afeganistão, Iraque, Faixa de Gaza, Ucrânia. Na Península coreana a tensão é sempre elevada. Nas últimas horas a Coreia do Norte lançou dois mísseis balísticos nas águas entre a Península coreana e o Japão. Depois há a guerra contra o tráfico de drogas, principalmente em países da América Latina, onde no México, em particular, são registradas milhares de mortes a cada ano.

Com coronavírus, maior facilidade de movimento para os "senhores da guerra"

E a emergência do coronavírus ameaça diminuir a atenção sobre essas situações. Francesco Vignarca, coordenador da Rede Italiana do Desarmamento, recordou ao Vatican News, que quando essa atenção é desviada para outra coisa, “aqueles que agem em conflitos pelo seu próprio interesse, os chamados senhores da guerra, obviamente se movem com maior facilidade. O risco é portanto, por um lado, que os mesmos problemas de saúde também tenham impacto nesses mesmos países. E, por outro, que aqueles que agem na guerra em seu próprio benefício o façam de forma ainda mais violenta".

"Certamente, para alguns países - observa Francesco - o impacto do coronavírus será provavelmente menor, pois infelizmente eles já têm outros problemas de saúde, muitas vezes a fome ou problemas de acesso às necessidades básicas. Mas o risco, é que o impacto os atinja". E cita. por exemplo, o fato de que no Reino Unido há a controvérsia sobre a redução da ajuda internacional humanitária, pois agora existe esta emergência a ser enfrentada.

Oportunidade para repensar onde alocar os recursos

O coordenador da Rede Italiana do Desarmamento destaca que a situação criada pela pandemia do coronavírus, também é uma oportunidade para repensar onde alocar recursos. E recorda que os gastos militares em todo o mundo ultrapassaram um trilhão e 800 bilhões de dólares em 2019. E completa:

“Nestes dias, temos sublinhado como nos últimos anos as despesas militares na Itália aumentaram, enquanto as despesas com a saúde diminuíram. Se quisermos evitar o impacto de problemas como o coronavirus, ou outras situações como guerras, devemos manter a nossa atenção elevada, mas acima de tudo mudar a direção dos nossos investimentos e as opções no âmbito das escolhas públicas. Caso contrário, questões como a Síria, que há 9 anos está em guerra de forma dramática, como o Iêmen, que dentro de alguns dias irá, infelizmente, celebrar entre aspas o aniversário de 5 anos de bombardeios, continuarão a ocorrer."

29 março 2020

Fonte: Vatican News



Papa Francisco: Deus não nos criou para o túmulo, mas para a vida


"Somos chamados a remover as pedras de tudo aquilo que fala de morte: a hipocrisia com que a fé é vivida, é morte; a crítica destrutiva contra os outros, é morte; a ofensa, a calúnia, é morte; a marginalização do pobre, é morte."

Vatican News

O convite para removermos de nossos corações as pedras que falam de morte, como a hipocrisia como vivemos a fé, a crítica destrutiva, a ofensa, a calúnia, a marginalização do pobre, nos foi dirigido pelo Papa em sua alocução, antes de rezar o Angelus neste V Domingo da Quaresma, na Biblioteca do Palácio Apostólico, no Vaticano.

Ao refletir sobre o Evangelho de João que narra a ressurreição de Lázaro, Francisco recordou que “a resposta de Deus ao problema da morte é Jesus”, e que Deus não nos criou para o túmulo, mas para a vida, “bela, boa, alegre”.

Jesus é o Senhor da vida

Ao iniciar sua reflexão, o Santo Padre lê alguns dos versículos do capítulo 11 de João, explicando que ao responder a Marta que lhe havia dito que seu irmão não teria morrido caso o Mestre estivesse ali, “teu irmão ressuscitará”, Jesus se apresenta “como o Senhor da vida, Aquele que é capaz de restituir a vida também aos mortos”.

Ao ver em prantos Maria e as pessoas que se aproximavam dele, Jesus, muito comovido, chorou, recordou Francisco, e “comovido, vai ao túmulo, agradece ao Pai que sempre o escuta, manda abrir o sepulcro e exclama com voz forte: “Lázaro, vem para fora!” E Lázaro sai com “as mãos e os pés atados com lençóis mortuários e o rosto coberto com um pano”:

Aqui vemos concretamente que Deus é vida e doa vida, mas assume o drama da morte. Jesus poderia ter evitado a morte do amigo Lázaro, mas quis assumir para si a nossa dor pela morte das pessoas queridas, e sobretudo quis mostrar o domínio de Deus sobre a morte.

O encontro entre a fé do homem e a onipotência de Deus

Nesta passagem do Evangelho – observou o Papa - vemos que a fé do homem e a onipotência de Deus, do amor de Deus, buscam-se e por fim se encontram, “é como um duplo caminho: a fé do homem e a onipotência do amor de Deus que se procuram e no final se encontram. Vemos isso – enfatizou - no grito de Marta e Maria e de todos nós com eles: “Se tivesses estado aqui!...”:

E a resposta de Deus não é um discurso, não, a resposta de Deus ao problema da morte é Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida… Tenham fé! Em meio ao choro continuem a ter fé, ainda que pareça que a morte tenha vencido. Removam a pedra de seus corações! Deixem que a Palavra de Deus leve de novo a vida onde há morte”.

“A resposta de Deus ao problema da morte é Jesus”

Remover as pedras que representam morte

E Jesus nos repete também hoje para removermos a pedra, pois “Deus não nos criou para o túmulo, nos criou para a vida, bela, boa, alegre”,  e “foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo”, “e Jesus Cristo veio nos libertar de seus laços”. Neste sentido, “somos chamados a remover as pedras de tudo aquilo que fala de morte”:

Por exemplo, a hipocrisia com que a fé é vivida, é morte; a crítica destrutiva contra os outros, é morte; a ofensa, a calúnia, é morte; a marginalização do pobre, é morte. O Senhor nos pede para removermos estas pedras do coração, e a vida então voltará a florescer ao nosso redor. Cristo vive, e quem o acolhe e se une a Ele entra em contato com a vida. Sem Cristo, ou fora de Cristo, a vida não só não está presente, mas se recai na morte.

“Deus não nos criou para o túmulo, nos criou para a vida, bela, boa, alegre”

Regenerados por Cristo, novas criaturas

O Pontífice recordou que “a ressurreição de Lázaro também é sinal da regeneração que se realiza no crente mediante o Batismo, com a plena inserção no Mistério Pascal de Cristo. Pela ação e a força do Espírito Santo, o cristão é uma pessoa que caminha na vida como uma nova criatura: uma criatura para a vida, e que vai em direção à vida".

Que a Virgem Maria – disse o Papa ao concluir - nos ajude a sermos compassivos como o seu Filho Jesus, que fez sua a nossa dor. Que cada um de nós seja próximo daqueles que estão sofrendo, tornando-se para eles um reflexo do amor e da ternura de Deus, que liberta da morte e faz vencer a vida.

Ao concluir o Angelus, o Papa Francisco dirigiu-se ao apartamento Pontifício, de cuja janela abençoou a Urbe e os fiéis presentes espiritualmente na Praça São Pedro.

A resposta de Deus ao problema da morte é Jesus

29 março 2020

Fonte: Vatican News






A oração do Papa Francisco pelos que choram


Na Missa na casa Santa Marta na manhã deste domingo (29/03), o Papa rezou por aqueles que se encontram na dor neste tempo de aflição. Na homilia, recordou que também Jesus chorou: muitas pessoas choram, peçamos a graça de saber chorar com elas

VATICAN NEWS

Francisco presidiu a Santa Missa na manhã deste 29 de março, no V Domingo da Quaresma. São três semanas que a celebração eucarística na Capela da Casa Santa Marta é transmitida em streaming por desejo do Papa, que quer chegar aos fiéis que não podem participar da Missa por causa da pandemia do coronavírus. Hoje, Francisco rezou pelos aflitos.

Penso em muitas pessoas que choram: pessoas isoladas, pessoas em quarentena, os anciãos sós, pessoas internadas e as pessoas em terapia, os pais que veem que, como falta o salário, não conseguirão dar de comer aos filhos. Muitas pessoas choram. Também nós, em nosso coração, as acompanhamos. E não nos fará mal chorar um pouco com o pranto do Senhor por todo o seu povo.

Na homilia, comentando o Evangelho de João (Jo 11,3-7.17.20-27.33b-45) sobre a ressurreição de Lázaro, falou do choro de Jesus pelo amigo. Jesus chora com amor, chora com os seus que choram, chora sempre por amor, tem um coração repleto de compaixão. Hoje, diante de um mundo que sofre por causa da pandemia – perguntou-se –, somos capazes de chorar como Jesus? Muitos choram hoje. Peçamos a graça de chorar.

A seguir, o texto da homilia transcrita pelo Vatican News:

Jesus tinha amigos. Amava todos, mas tinha amigos com os quais mantinha uma relação especial, como se faz com os amigos, mais amor, mais confidência... E muitas, muitas vezes se detinha na casa destes irmãos: Lázaro, Marta, Maria... E Jesus condoeu-se com a doença e a morte de seu amigo. Chega ao sepulcro e se comove profundamente e estremecido interiormente perguntou: “Onde o colocastes?” E Jesus chorou. Jesus, Deus, mas homem, chorou. Em outra passagem no Evangelho se diz que Jesus chorou:  quando chorou sobre Jerusalém. E com quanta ternura Jesus chora! Chora de coração, chora com amor, chora com os seus que choram. O pranto de Jesus. Talvez, tenha chorado outras vezes na vida – não sabemos -; certamente no Horto das Oliveiras. Mas Jesus chora por amor, sempre.

Comoveu-se profundamente e estremecido chorou. Quantas vezes ouvimos no Evangelho esta comoção de Jesus, com aquela frase que se repete: “Vendo, teve compaixão”. Jesus não pode ver as pessoas e não sentir compaixão. Seus olhos são com o coração; Jesus vê com os olhos, mas vê com o coração e é capaz de chorar.

Hoje, diante de um mundo que sofre tanto, de tantas pessoas que sofrem as consequências desta pandemia, eu me pergunto: sou capaz de chorar, como certamente o faria Jesus e o faz agora Jesus? O meu coração, se assemelha ao de Jesus? E se é demasiadamente empedernido (mesmo se) sou capaz de falar, de fazer o bem, de ajudar, mas o coração não entra, não sou capaz de chorar, pedir esta graça ao Senhor: Senhor, que eu chore contigo, chore com o teu povo que sofre neste momento. Muitos choram hoje. E nós, deste altar, deste sacrifício de Jesus, de Jesus que não teve vergonha de chorar, peçamos a graça de chorar. Que hoje seja para todos nós o domingo do choro.

Por fim, o Santo Padre terminou a celebração com a adoração e a bênção eucarística, convidando a fazer a Comunhão espiritual. A seguir, a oração recitada pelo Papa:

Meu Jesus, eu creio que estais presente no Santíssimo Sacramento. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós!

Antes de deixar a Capela dedicada ao Espírito Santo foi entoada uma antiga antífona mariana Ave Regina Caelorum (“Ave Rainha dos Céus”).

29 março 2020

Fonte: Vatican News

Vídeo integral da Missa



Papa Francisco pede uma Igreja a serviço das vocações


Papa Francisco. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

Vaticano, 24 Mar. 20 / 11:30 am (ACI).- O Papa Francisco pediu que a Igreja se coloque a serviço das vocações "abrindo brechas no coração de todos os fiéis, para que cada um possa descobrir com gratidão a chamada que Deus lhe dirige, encontrar a coragem de dizer ‘sim’”.

Assim afirmou em sua mensagem para o 57º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será realizado em 3 de maio com o tema "As palavras da vocação", divulgada nesta terça-feira, 24 de março.

O Papa se refere em sua mensagem às quatro palavras-chave que, por ocasião do 160º aniversário da morte do santo Cura d’Ars, em 4 de agosto, costumava expressar a gratidão do Povo de Deus aos sacerdotes.

Essas palavras são "tribulação, gratidão, coragem e louvor". O Pontífice decidiu voltar a essas quatro palavras para explicá-las ao povo cristão.

A partir da passagem evangélica da tempestade no lago de Tiberíades, o Pontífice refletiu sobre a primeira palavra da vocação: gratidão. "Navegar pela rota certa não é uma tarefa confiada só aos nossos esforços, nem depende apenas dos percursos que escolhemos fazer".

"A realização de nós mesmos e dos nossos projetos de vida não é o resultado matemático do que decidimos dentro do nosso ‘eu’ isolado; pelo contrário, trata-se, antes de mais nada, da resposta a uma chamada que nos chega do Alto".

"É o Senhor que nos indica a margem para onde ir e, ainda antes disso, dá-nos a coragem de subir para o barco; e Ele, ao mesmo tempo que nos chama, faz-Se também nosso timoneiro para nos acompanhar, mostrar a direção, impedir de encalhar nas rochas da indecisão e tornar-nos capazes até de caminhar sobre as águas tumultuosas”.

A vocação, enfatizou o Papa Francisco, "conseguiremos descobri-la e abraçá-la, quando o nosso coração se abrir à gratidão e souber individuar a passagem de Deus pela nossa vida".

A segunda palavra é coragem. “Quando os discípulos veem aproximar-Se Jesus caminhando sobre as águas, começam por pensar que se trata de um fantasma e assustam-se. Mas, Jesus imediatamente os tranquiliza com uma palavra que deve acompanhar sempre a nossa vida e o nosso caminho vocacional: ‘Coragem! Sou Eu! Não temais!’”.

“O Senhor sabe que uma opção fundamental de vida – como casar-se ou consagrar-se de forma especial ao seu serviço – exige coragem. Ele conhece os interrogativos, as dúvidas e as dificuldades que agitam o barco do nosso coração e, por isso, nos tranquiliza: ‘Não tenhas medo! Eu estou contigo’".

A terceira palavra, tribulação, o Papa a reinterpretou como "fadiga". Ele afirmou que "toda a vocação requer empenhamento". "À semelhança do Apóstolo, porém, sentimos desejo e ardor e, ao mesmo tempo, vemo-nos assinalados por fragilidades e temores".

“A fé permite-nos, apesar das nossas fragilidades e limitações, caminhar ao encontro do Senhor Ressuscitado e vencer as próprias tempestades. Pois Ele estende-nos a mão, quando, por cansaço ou medo, corremos o risco de afundar e dá-nos o ardor necessário para viver a nossa vocação com alegria e entusiasmo".

A ação de Jesus na vida das pessoas é descrita naquele fragmento evangélico sobre a tempestade no lago Tiberíades. "Por fim, quando Jesus sobe para o barco, cessa o vento e aplacam-se as ondas".

"É uma bela imagem daquilo que o Senhor realiza na nossa vida e nos tumultos da história, especialmente quando estamos a braços com a tempestade: Ele ordena aos ventos contrários que se calem, e então as forças do mal, do medo, da resignação deixam de ter poder sobre nós", disse o Santo Padre.

A última palavra usada pelo Papa para descrever a vocação é "louvor". “Esta é a última palavra da vocação, e pretende ser também o convite a cultivar a atitude interior de Maria Santíssima: agradecida pelo olhar que Deus pousou sobre Ela, superando na fé medos e perturbações, abraçando com coragem a vocação, Ela fez da sua vida um cântico eterno de louvor ao Senhor”.

Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.

Fonte: ACI digital



O Último Sinal - 5° Domingo da Quaresma (Ano A)



O ÚLTIMO SINAL

5° Domingo da Quaresma
 – Ano A

Evangelho de João 11,1-45
 ou 3-7.17.20-27.33-45
[A forma breve está entre colchetes.]

[Naquele tempo,] 1havia um doente, Lázaro, que era de Betânia, o povoado de Maria e de Marta, sua irmã. 2Maria era aquela que ungira o Senhor com perfume e enxugara os pés dele com seus cabelos. O irmão dela, Lázaro, é que estava doente. [3As irmãs mandaram] então [dizer a Jesus: “Senhor, aquele que amas está doente”. 4Ouvindo isso, Jesus disse: “Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela”. 5Jesus era muito amigo de Marta, de sua irmã Maria e de Lázaro. 6Quando ouviu que este estava doente, Jesus ficou ainda dois dias no lugar onde se encontrava. 7Então, disse aos discípulos: “Vamos de novo à Judeia”.]
8Os discípulos disseram-lhe: “Mestre, ainda há pouco os judeus queriam apedrejar-te, e agora vais outra vez para lá?” 9Jesus respondeu: “O dia não tem doze horas? Se alguém caminha de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. 10Mas, se alguém caminha de noite, tropeça, porque lhe falta a luz”. 11Depois acrescentou: “O nosso amigo Lázaro dorme. Mas eu vou acordá-lo”. 12Os discípulos disseram: “Senhor, se ele dorme, vai ficar bom”. 13Jesus falava da morte de Lázaro, mas os discípulos pensaram que falasse do sono mesmo. 14Então Jesus disse abertamente: “Lázaro está morto. 15Mas, por causa de vós, alegro-me por não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos para junto dele”. 16Então Tomé, cujo nome significa gêmeo, disse aos companheiros: “Vamos nós também para morrermos com ele”.
[17Quando Jesus chegou, encontrou Lázaro sepultado havia quatro dias.]

18Betânia ficava a uns três quilômetros de Jerusalém. 19Muitos judeus tinham vindo à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão. [20Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa. 21Então Marta disse a Jesus: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. 22Mas, mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele to concederá”. 23Respondeu-lhe Jesus: “Teu irmão ressuscitará”. 24Disse Marta: “Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia”. 25Então Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. 26E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais. Crês isto?” 27Respondeu ela: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”.] 28Depois de ter dito isso, ela foi chamar a sua irmã, Maria, dizendo baixinho: “O Mestre está aí e te chama”. 29Quando Maria ouviu isso, levantou-se depressa e foi ao encontro de Jesus. 30Jesus estava ainda fora do povoado, no mesmo lugar onde Marta se tinha encontrado com ele. 31Os judeus que estavam em casa consolando-a, quando a viram levantar-se depressa e sair, foram atrás dela, pensando que fosse ao túmulo para ali chorar. 32Indo para o lugar onde estava Jesus, quando o viu, caiu de joelhos diante dele e disse-lhe: “Senhor, se tivesses estado aqui, o meu irmão não teria morrido”.

33Quando [Jesus] a viu chorar, e também os que estavam com ela, estremeceu interiormente, [ficou profundamente comovido 34e perguntou: “Onde o colocastes?” Responderam: “Vem ver, Senhor”. 35E Jesus chorou. 36Então os judeus disseram: “Vede como ele o amava!” 37Alguns deles, porém, diziam: “Este, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?” 38De novo, Jesus ficou interiormente comovido. Chegou ao túmulo. Era uma caverna, fechada com uma pedra. 39Disse Jesus: “Tirai a pedra!” Marta, a irmã do morto, interveio: “Senhor, já cheira mal. Está morto há quatro dias”. 40Jesus lhe respondeu: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?” 41Tiraram então a pedra. Jesus levantou os olhos para o alto e disse: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste. 42Eu sei que sempre me escutas. Mas digo isto por causa do povo que me rodeia, para que creia que tu me enviaste”. 43Tendo dito isso, exclamou com voz forte: “Lázaro, vem para fora!” 44O morto saiu, atado de mãos e pés com os lençóis mortuários e o rosto coberto com um pano. Então Jesus lhes disse: “Desatai-o e deixai-o caminhar!” 45Então, muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera creram nele.]
Reflexão

O ÚLTIMO SINAL

A ressurreição de Lázaro conclui a série dos sinais realizados por Jesus, ao longo do seu ministério, e, de certo modo, prepara o caminho para o sinal definitivo: sua ressurreição. O último sinal contém elementos importantes para a correta compreensão do que estava para acontecer.

Jesus é apresentado como vencedor da morte e doador da vida. Não importava que o amigo estivesse doente, morresse e depois passasse quatro dias sepultado. O Messias Jesus era suficientemente poderoso para chamá-lo de volta à vida.

Quem estivera morto levanta-se do sepulcro e volta para a vida, obedecendo à ordem dada por Jesus. Este se apresenta como o princípio e a causa da ressurreição da Lázaro. A ressurreição de Jesus acontecerá por que traz dentro de si uma força divina, que faz jorrar a vida onde reina a morte.

A ressurreição de Lázaro possibilitará aos discípulos solidificarem sua própria fé. Jesus se alegra por eles não terem encontrado Lázaro com vida. Assim, teriam a chance de testemunhar uma manifestação inquestionável do poder do Mestre, e, por conseguinte, crerem nele.

Por sua vez, o diálogo com Marta e Maria, em torno da fé na ressurreição dos mortos, põe as bases para a compreensão da gloriosa ressurreição do Senhor.

Desta forma, os discípulos foram preparados para enfrentar o impacto da morte iminente do Mestre.

Oração do Dia

Pai, dá-me a graça de compreender a ressurreição de Jesus como vitória da vida e como sinal de que a morte não tem a última palavra sobre o destino daqueles que crêem.

O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE.




sábado, 28 de março de 2020

Oração a São Gabriel para pedir força durante o sofrimento


Fr Lawrence Lew, O.P. | Flickr CC BY-NC-ND 2.0

Philip Kosloski | Mar 27, 2020

A tradição diz que o Arcanjo confortou Jesus quando ele estava sofrendo no Getsêmani

São Gabriel é um dos poucos arcanjos mencionados pelo nome na Bíblia. Ele aparece no Antigo Testamento, bem como no Evangelho da Anunciação, quando ele deu a boa-nova do nascimento de Jesus à Virgem Maria.

O arcanjo é frequentemente chamado de “anjo da misericórdia”, porque suas poucas aparições na Bíblia são acompanhadas de mensagens de consolo.

Afirma-se também que São Gabriel é o anjo que apareceu a Jesus quando Ele estava sofrendo no Getsêmani:

 “Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a tua.Apareceu-lhe então um anjo do céu para confortá-lo” (Lucas 22, 42-43).

A Enciclopédia Católica explica que: “Gabriel é mencionado apenas duas vezes no Novo Testamento, mas não é irracional supor que é ele quem… fortaleceu Nosso Senhor no jardim”.

Essa tradição também corresponde ao nome de “Gabriel”, traduzido como “Deus é minha força”.

Aqui está uma oração adaptada do livro de orações de São Filipe Neri, que invoca a ajuda de São Gabriel em meio ao sofrimento:

Ó Gabriel, que anunciou à Virgem Maria a encarnação do Filho único de Deus, e no jardim consolou e fortaleceu o Cristo oprimido, com medo e tristeza, eu te honro, ó espírito escolhido, e humildemente oro a ti para que sejas meu advogado em Jesus Cristo, meu Salvador, e em Maria, Sua Santíssima Virgem Mãe.

Em todas as minhas provações me ajuda, para que eu não seja vencido pela tentação e para que eu possa louvar e agradecer ao meu Deus em todas as coisas. Amém.

Fonte: Aleteia



CNBB reafirma recomendação de distanciamento social após decreto do presidente


Logo da CNBB. Crédito: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

BRASILIA, 27 Mar. 20 / 09:30 am (ACI).- A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou na quinta-feira, 26 de março, uma nota por meio da qual reafirma sua recomendação aos prelados para que seja mantido o distanciamento social como forma de prevenir a propagação do coronavírus, mesmo após decreto editado pelo presidente Jair Bolsonaro que inclui atividades religiosas como serviço essencial.

Em decreto publicado na quinta-feira no Diário Oficial da União, 12 atividades foram incluídas à lista de serviços considerados essenciais  e que, por isso, podem continuar funcionando durante a quarenta por causa do coronavírus. Entre essas, encontra-se a “atividade religiosa de qualquer natureza”, a qual deverá obedecer as “determinações do Ministério da Saúde”.

Após a publicação do decreto presidencial, a CNBB publicou a nota assinada por seu secretário-geral, Dom Joel Portella Amado, afirmando que, ao considerar “que as orientações emanadas pelas autoridades competentes do Ministério da Saúde indicam o distanciamento social, as igrejas, se os bispos assim o considerarem, podem permanecer abertas, porém, do modo como tem sido feito: orações individuais, transmissões online etc.”.

“Não há como entender que os instrumentos legais acima referidos possam obrigar a reabertura das igrejas, muito menos para a prática de qualquer tipo de aglomeração”, acrescentou.

A seguir, a íntegra da notada CNBB:

DECRETOS DO PODER EXECUTIVO FEDERAL

Temos diante de nós um composto legislativo: Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020; Decreto nº 10.282, de 20 de março de 2020 e o Decreto nº 10.292, de 25 de março de 2020.

Todos, de algum modo, tratam de medidas para o “enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus responsável pelo surto de 2019″ (Lei 13.979, art. 3º).  Essa mesma lei diz que as medidas adotadas “deverão resguardar o exercício e o funcionamento de serviços públicos e atividades essenciais” (§8º), cabendo ao Presidente da República indicar, mediante decreto, quais são os serviços públicos e as atividades essenciais (§9º).

Essenciais são aqueles serviços e atividades que, se não atendidos, colocam em perigo a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população (art. 3º, § 1º). Este não é o caso das igrejas.

No entanto, o Decreto 10.292 (art. 3º, inciso 39), assinado ontem, afirma que, dentro dos serviços públicos e atividades essenciais, encontram-se as “atividades religiosas de qualquer natureza, obedecidas as determinações do Ministério da Saúde”. Desse modo, as atividades religiosas foram, por decreto, inseridas no grupo das atividades essenciais, porém sob a condição – assim diz o próprio Decreto – de se obedecer ao que o Ministério da Saúde determinar.

Considerando, pois, que as orientações emanadas pelas autoridades competentes do Ministério da Saúde indicam o distanciamento social, as igrejas, se os bispos assim o considerarem, podem permanecer abertas, porém, do modo como tem sido feito: orações individuais, transmissões online etc. Não há como entender que os instrumentos legais acima referidos possam obrigar a reabertura das igrejas, muito menos para a prática de qualquer tipo de aglomeração.

Enfim, caros irmãos, reitero a unidade e a solidariedade de toda a Presidência da CNBB. Sabemos o quanto tem sido árduo equilibrar, por um lado, o atendimento religioso aos enfermos, aos profissionais da saúde e a todas as pessoas em geral e, por outro, seguir as normas sanitárias, cuja base é o distanciamento social. Sabemos também que, junto às preocupações especificamente pastorais, rondam-nos questões ligadas ao sustento de nossas igrejas, tanto no que concerne aos bens temporais quanto à caridade que praticamos. Os pobres esperam de nós tanto a presença espiritual quanto material. Essa presença começa pelo testemunho de quem, preocupado, por certo, com os aspectos materiais, escolhe, porém, a vida e a caridade em primeiro lugar.

Angustia-nos, por isso, a colocação do dilema vida versus economia. Num tempo quaresmal, em que a Campanha da Fraternidade nos interpela a viver a vida como dom e compromisso, recordo o que o Santo Padre nos disse em sua mensagem para a abertura da CF 2020:

“…a Quaresma é um tempo propício para que, atentos à Palavra de Deus que nos chama à conversão, fortaleçamos em nós a compaixão, nos deixemos interpelar pela dor de quem sofre e não encontra quem o ajude. É um tempo em que a compaixão se concretiza na solidariedade, no cuidado. …”

Em nome da Presidência de nossa querida CNBB, manifesto a mais plena unidade e reafirmo a disponibilidade em ajudar no que for possível e necessário.

Que o Deus da Vida nos ajude a contribuir para “formar uma nova mentalidade política e econômica que ajude a superar a dicotomia absoluta entre a economia e o bem comum social” (EG 205).

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro

Secretário Geral da CNBB

Fonte: ACI digital



Papa Francisco: se começa a ver pessoas com fome, a Igreja ajude quem sofre


Na Missa na Casa Santa Marta este sábado (28/03), Francisco renovou sua oração pelas famílias que começam a sentir as consequências da pandemia do Covid-19. Na homilia, recordou os sacerdotes e as irmãs que não esqueceram pertencer ao povo e continuam ajudando pobres e doentes também neste período

VATICAN NEWS

Neste sábado (28/03), a 20ª Missa ao vivo em streaming da Capela da Casa Santa Marta presidida pelo Papa Francisco após a suspensão, na Itália, e em outros países, da celebração eucarística com a participação dos fiéis por causa da pandemia do coronavírus. O Papa leu a Antífona de entrada: “As ondas da morte me cercavam, tragavam-me as torrentes infernais; na minha angústia, chamei pelo Senhor, de seu templo ouviu a minha voz” (Sl 17, 5-7). Na intenção de oração, dirigiu o seu pensamento àqueles que começam a sofrer as consequências econômicas desta crise de saúde:

Nestes dias, em algumas partes do mundo, foram evidenciadas consequências – algumas consequências – da pandemia; uma delas é a fome. Começa-se a ver pessoas que têm fome, porque não podem trabalhar, não têm um trabalho fixo, e por muitas circunstâncias. Já começamos a ver o “depois”, que virá mais tarde, mas começa agora. Rezemos pelas famílias que começam a passar necessidade por causa da pandemia.

Na homilia, comentando o Evangelho do dia (Jo 7,40-53), Francisco afirmou com veemência que os sacerdotes e as irmãs fazem muito bem ao sujar as mãos ajudando os pobres e os doentes, também neste período. A “classe” sacerdotal jamais deve tornar-se uma elite fechada num serviço religioso separado do povo, jamais deve esquecer pertencer ao povo e a ele servir.

A seguir, o texto da homilia transcrita pelo Vatican News:

“E cada um voltou para sua casa”: após a discussão e tudo isso, cada um voltou às suas convicções. Há uma divisão no povo: o povo que segue Jesus o escuta – não se dá conta (do) muito tempo que passa o escutando, porque a Palavra de Jesus entra no coração –, e o grupo dos doutores da Lei que a priori rejeitam Jesus porque não opera segundo a Lei, segundo eles. São dois grupos de pessoas. O povo que ama Jesus, o segue e o grupo dos intelectuais da Lei, os chefes de Israel, os líderes do povo. Isso se vê claro “quando os guardas (do Templo) voltaram para os sumos sacerdotes e estes lhes perguntaram: “Por que não o trouxestes?” Os guardas responderam: “Ninguém jamais falou como este homem.” Então os fariseus disseram-lhes: “Também vós vos deixastes enganar? Por acaso algum dos chefes ou dos fariseus acreditou nele? Mas esta gente que não conhece a Lei, é maldita!” Este grupo dos doutores da Lei, a elite, sente desprezo por Jesus. Mas também, sente desprezo pelo povo, “aquele povo”, que é ignorante, que não sabe nada. O santo povo fiel de Deus crê em Jesus, o segue, e esse grupinho de elite, os doutores da Lei, se separa do povo e não recebe Jesus. Mas, como é possível, se eles eram ilustres, inteligentes, tinham estudado? Mas tinham um grande defeito: tinham perdido a memória da própria pertença a um povo.

O povo de Deus segue Jesus... não sabe explicar por qual motivo, mas o segue e chega ao coração, e não se cansa. Pensemos no dia da multiplicação dos pães: estiveram o dia inteiro com Jesus, a ponto de os apóstolos dizerem a Jesus: “Despede-os, para que vá embora comprar o que comer”. Também os apóstolos se distanciavam, não os consideravam, não desprezavam, mas não consideravam o povo de Deus. “Que vá embora comer”. A resposta de Jesus: “Dai vós mesmos de comer a eles”. Reconduz os apóstolos ao povo.

Esta separação entre a elite dos dirigentes religiosos e o povo é um drama que vem de longe. Pensemos, também, no Antigo Testamento, na atitude dos filhos de Eli no Templo: usavam o povo de Deus; e se se vem a cumprir a Lei, alguns deles, um pouco ateus, diziam: “São supersticiosos”. O desprezo pelo povo. O desprezo por aquela gente “que não é educada com nós que estudamos, que sabemos...” Ao invés, o povo de Deus tem uma grande graça: o faro: o faro de saber onde o Espírito está. É pecador, como nós: é pecador. Mas tem aquele faro para conhecer os caminhos da salvação.

O problema da elite, dos clérigos de elite como estes, é que tinham perdido a memória da própria pertença ao povo de Deus; se sofisticaram, passaram a outra classe social, se sentem dirigentes. Isso é o clericalismo, que já se verificava ali. “Mas, como é possível – ouvi estes dias –, como é possível estas irmãs, estes sacerdotes que estão sadios vão levar comida aos pobres, e podem pegar o coronavírus? Diga à madre superiora que não deixe as irmãs saírem, diga ao bispo que não deixe os sacerdote saírem! Eles estão para os sacramentos! Mas para dar comida, que o governo providencie!” Disso se fala nestes dias: a mesma questão. “É gente de segunda classe: nós somos a classe dirigente, não devemos sujar nossas mãos com os pobres”.

Muitas vezes penso: é boa gente – sacerdotes, irmãs – que não têm a coragem de ir servir os pobres. Falta alguma coisa. O que faltava a esse povo, aos doutores da Lei. Perderam a memória, perderam aquilo que Jesus sentia no coração: que era parte do próprio povo. Perderam a memória daquilo que Deus disse a Davi: “Eu te peguei do rebanho”. Perderam a memória da própria pertença ao rebanho.

E estes, cada um, cada um voltou para sua casa. Uma divisão. Nicodemos, que conseguia ver algo – era um homem inquieto, talvez não muito corajoso, demasiadamente diplomático, mas inquieto –, tinha estado com Jesus, mas era fiel naquilo que podia; busca fazer uma mediação e parte da Lei: “Será que a nossa Lei julga alguém, antes de o ouvir e saber o que ele fez? Eles responderam, mas não responderam à pergunta sobre a Lei: “Também tu és galileu, porventura? Vai estudar e verás que da Galileia não surge profeta.” E assim acabaram a história.

Pensemos também hoje em tantos homens e mulheres qualificados no serviço a Deus que são bons e vão servir o povo; muitos sacerdotes que não se separam do povo. Anteontem recebi uma fotografia de um sacerdote, pároco numa localidade de montanha, muitas pequenas localidades, num lugar onde cai neve, e na neve levava o ostensório às pequenas localidades para dar a bênção. Não se importava com a neve, não se importava com a ardência que o frio lhe dava nas mãos em contato com o metal do ostensório: somente se importava em levar Jesus ao povo. Pensemos, cada um de nós, de que parte estamos, se estamos no meio, um pouco indecisos, se estamos com o sentir do povo de Deus, do povo fiel de Deus que não pode falir: tem aquela infallibilitas in credendo. E pensemos na elite que se separa do povo de Deus, naquele clericalismo. E talvez nos faça bem a todos o conselho que Paulo dá a seu discípulo, o bispo, jovem bispo, Timóteo: “Recorda-te de tua mãe e de tua avó. Se Paulo aconselhava isso era porque bem sabia o perigo ao qual levava este sentido de elite em nossa direção.

O Santo Padre terminou a celebração com a adoração e a bênção eucarística, convidando a fazer a Comunhão espiritual. A seguir, a oração recitada pelo Papa:

Aos vossos pés, ó meu Jesus, me prostro e vos ofereço o arrependimento do meu coração contrito que mergulha no vosso e na Vossa santa presença. Eu vos adoro no Sacramento do vosso amor, desejo receber-vos na pobre morada que meu coração vos oferece. À espera da felicidade da comunhão sacramental, quero possuir-vos em Espírito. Vinde a mim, ó meu Jesus, que eu venha a vós. Que o vosso amor possa inflamar todo o meu ser, para a vida e para a morte. Creio em vós, espero em vós. Amo-vos. Assim seja.

Antes de deixar a Capela dedicada ao Espírito Santo foi entoada uma antiga antífona mariana Ave Regina Caelorum (“Ave Rainha dos Céus”).

28 março 2020

Fonte: Vatican News




Avisos

Olá irmãs e irmãos de fé! Paz e Bem!

Para ajudar, tenho colocado as orações do programa de rádio Momento de Fé, porém muitos estão se confundindo e achando que meu blog é do Padre Marcelo Rossi. Irmãs(os), este blog não é do Padre Marcelo Rossi, para que sua mensagem chegue ao padre, você terá que acessar os sites dele : 1) Padre Marcelo Rossi 2) Facebook Padre Marcelo Rossi

Obrigada - Adriana dos Anjos/Devoção e Fé Blog