Abril 2019 - Devoção e Fé - Blog Católico

domingo, 21 de abril de 2019

Feliz Páscoa do Senhor


Olá irmãos e irmãs de fé! Paz e Bem!
Celebrar a Páscoa é reafirmar a nossa fé pela certeza de que Cristo ressuscitou e vive no meio de nós.
Que a luz de Cristo Ressuscitado ilumine sempre o caminho de cada um.
Feliz Páscoa!

Oração de Páscoa

Senhor, obrigado por mais este dia de Páscoa. Obrigado pela comida do dia de hoje.

Obrigado por permitir minha família estar junta nesse momento. Obrigado por tudo que faz em minha vida.

Neste dia tão importante, 
Nos mostre o caminho para a vida eterna, através de seus ensinamentos reconfortantes. E da nossa busca pela paz interna.

Ó meu Senhor,
Não me deixe cair em tentações, e mesmo que as vezes me esqueço ti, eu sei que sempre está presente em nosso corações.

Obrigado Senhor, pelo pouco que tenho e pelo muito que tenho em minha família, amigos e parentes.

Adriana dos Anjos-Devoção e Fé Blog






Começa hoje a Oitava de Páscoa (21/04/2019)


REDAÇÃO CENTRAL, 21 Abr. 19 / 04:00 am (ACI).- No domingo de Ressurreição começa os cinquenta dias do tempo pascal e termina com a Solenidade de Pentecostes.

A Oitava de Páscoa é a primeira semana destes cinquenta dias; é considerada como se fosse um só dia, ou seja, o júbilo do Domingo de Páscoa é prolongado durante oito dias.

As leituras evangélicas estão centralizadas nos relatos das aparições de Cristo Ressuscitado e nas experiências que os apóstolos tiveram com Ele.

Neste tempo litúrgico, a primeira leitura, normalmente tirada do Antigo Testamento, é trocada por uma leitura dos Atos dos Apóstolos.

O segundo Domingo de Páscoa também é chamado Domingo da Divina Misericórdia, segundo a disposição de São João Paulo II durante seu pontificado, depois da canonização da sua compatriota Faustina Kowalska.

O decreto foi emitido no dia 23 de maio de 2000 pela Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, detalhando que esta seria comemorada no segundo domingo de Páscoa. A denominação oficial deste dia litúrgico será “segundo domingo de Páscoa ou Domingo da Divina Misericórdia”.

Fonte: ACI digital



Urbi et Orbi: A Páscoa é o início de um mundo novo, afirmou o Papa Francisco (21/04/2019)

Papa Francisco lendo sua mensagem de páscoa neste 21 de abril. Foto: Captura de tela Youtube Vatican Media

Vaticano, 21 Abr. 19 / 08:26 am (ACI).- O Papa Francisco fez uma firme defesa da paz no mundo durante a tradicional mensagem pascal prévia à Bênção “Urbi et Orbi”, dada à cidade de Roma e ao mundo, neste domingo 21 de abril, Domingo de Ressurreição, na Praça de São Pedro, insistindo que a Páscoa é o início da vida nova e do mundo novo que Cristo inaugura.

Em sua mensagem, o Santo Padre pediu ainda o fim dos conflitos em Síria, Israel e Palestina, Líbia, Sudão e Sudão do Sul e Ucrânia. Neste sentido, recordou que “Cristo vive e permanece connosco. Mostra a luz do seu rosto de Ressuscitado e não abandona os que estão na provação, no sofrimento e no luto.

Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa!
Hoje, a Igreja renova o anúncio dos primeiros discípulos: «Jesus ressuscitou!» E de boca em boca, de coração a coração, ecoa o convite ao louvor: «Aleluia!... Aleluia!» Nesta manhã de Páscoa,

juventude perene da Igreja e de toda a humanidade, quero fazer chegar a cada um de vós as palavras iniciais da recente Exortação Apostólica dedicada particularmente aos jovens:

«Cristo vive: é Ele a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida. Por isso as primeiras palavras, que quero dirigir a cada jovem [e a cada] cristão, são estas: Ele vive e quer-te vivo! Está em ti, está contigo e jamais te deixa. Por mais que te possas afastar, junto de ti está o Ressuscitado, que te chama e espera por ti

para recomeçar. Quando te sentires envelhecido pela tristeza, os rancores, os medos, as dúvidas ou os fracassos, Jesus estará a teu lado para te devolver a força e a esperança» (Chistus vivit, 1-2).

Queridos irmãos e irmãs, esta mensagem é dirigida ao mesmo tempo a todas as pessoas e ao mundo inteiro. A Ressurreição de Cristo é princípio de vida nova para todo o homem e toda a mulher, porque a verdadeira renovação parte sempre do coração, da consciência. Mas a Páscoa é também o início do mundo novo, libertado da escravidão do pecado e da morte: o mundo finalmente aberto ao Reino de Deus, Reino de amor, paz e fraternidade. 

Cristo vive e permanece connosco. Mostra a luz do seu rosto de Ressuscitado e não abandona os que estão na provação, no sofrimento e no luto. Que Ele, o Vivente, seja esperança para o amado povo sírio, vítima dum conflito sem fim que corre o risco de nos encontrar cada vez mais resignados e até indiferentes. Ao contrário, é hora de renovar os esforços por uma solução política que dê resposta às justas aspirações de liberdade, paz e justiça, enfrente a crise humanitária e favoreça o retorno em segurança dos deslocados, bem como daqueles que se refugiaram nos países vizinhos, especialmente no Líbano e Jordânia. 

A Páscoa leva-nos a deter o olhar no Médio Oriente, dilacerado por divisões e tensões contínuas. Os cristãos da região não deixem de testemunhar, com paciente perseverança, o Senhor ressuscitado e a vitória da vida sobre a morte. O meu pensamento dirige-se de modo particular para o povo do Iémen, especialmente para as crianças definhando pela fome e a guerra. A luz pascal ilumine todos os governantes e os povos do Médio Oriente, a começar pelos israelitas e os palestinenses, e os instigue a aliviar tantas aflições e a buscar um futuro de paz e estabilidade.

Que as armas cessem de ensanguentar a Líbia, onde, nas últimas semanas, começaram a morrer pessoas indefesas, e muitas famílias se viram forçadas a deixar as suas casas. Exorto as partes interessadas a optar pelo diálogo em vez da opressão, evitando que se reabram as feridas duma década de conflitos e instabilidade política.

Cristo Vivente conceda a sua paz a todo o amado continente africano, ainda cheio de tensões sociais, conflitos e, por vezes, extremismos violentos que deixam atrás de si insegurança, destruição e morte, especialmente no Burkina Faso, Mali, Níger, Nigéria e Camarões. Penso ainda no Sudão, que está a atravessar um período de incerteza política e onde espero que todas as instâncias possam ter voz e cada um se esforce por permitir ao país encontrar a liberdade, o desenvolvimento e o bem-estar, a que há muito aspira. 

O Senhor ressuscitado acompanhe os esforços feitos pelas autoridades civis e religiosas do Sudão do Sul, sustentados pelos frutos do retiro espiritual que, há poucos dias, se realizou aqui no Vaticano. Que se abra uma nova página da história do país, na qual todos os componentes políticos, sociais e religiosos se empenhem ativamente em prol do bem comum e da reconciliação da nação.

Nesta Páscoa, encontre conforto a população das regiões orientais da Ucrânia, que continua a sofrer com o conflito ainda em curso. O Senhor encoraje as iniciativas humanitárias e as iniciativas destinadas a buscar uma paz duradoura.

Que a alegria da Ressurreição encha os corações de quem sofre as consequências de difíceis situações políticas e económicas, no continente americano. Penso de modo particular no povo venezuelano: em tanta gente sem as condições mínimas para levar uma vida digna e segura, por causa duma crise que perdura e se agrava. O Senhor conceda, a quantos têm responsabilidades

políticas, trabalhar para pôr fim às injustiças sociais, abusos e violências e realizar passos concretos que permitam sanar as divisões e oferecer à população a ajuda de que necessita.

O Senhor ressuscitado oriente com a sua luz os esforços que estão a ser feitos na Nicarágua para se encontrar, o mais rápido possível, uma solução pacífica e negociada em benefício de todos os nicaraguenses.

Perante os inúmeros sofrimentos do nosso tempo, o Senhor da vida não nos encontre frios e indiferentes. Faça de nós construtores de pontes, não de muros. Ele, que nos dá a paz, faça cessar o fragor das armas, tanto nos contextos de guerra como nas nossas cidades, e inspire os líderes das nações a trabalhar para acabar com a corrida aos armamentos e com a difusão preocupante das armas, de modo especial nos países mais avançados economicamente. O Ressuscitado, que escancarou as portas do sepulcro, abra os nossos corações às necessidades dos indigentes, indefesos,

pobres, desempregados, marginalizados, de quem bate à nossa porta à procura de pão, dum abrigo e do reconhecimento da sua dignidade.

Queridos irmãos e irmãs, Cristo vive! Ele é esperança e juventude para cada um de nós e para o mundo inteiro.

Deixemo-nos renovar por Ele! Feliz Páscoa!

Fonte: ACI digital



“Ressuscitou como disse... Aleluia! A vida venceu a morte!”


"Quando acreditarmos no poder de Deus e formos mais irmãos, adeptos da partilha e do serviço, perceberemos os sinais da Vida a todo momento, pois estaremos desde agora vivendo à luz de Deus. Feliz Páscoa a todos!"

Padre César Augusto dos Santos - Cidade do Vaticano

O Evangelho de São João nos diz que no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de Jesus e o encontrou vazio. João faz questão de ressaltar que era de madrugada e ainda estava escuro. Podemos perceber que o evangelista ao registrar que o fato aconteceu no primeiro dia da semana, quer fazer alusão à nova criação. O que ele vai relatar é uma novidade radical, é a vida nova de um homem, não um fato como a denominada ressurreição de Lázaro, que volta à vida, mas continua submetido à necessidade de cuidar de sua saúde, de se alimentar e que voltará a morrer.

João vai relatar a autêntica ressurreição, a vitória de Jesus sobre as limitações humanas, sobre suas fragilidades, sobre a morte. Jesus jamais voltará a morrer. A morte nunca mais terá poder sobre ele, porque ele, a Vida, a destruiu.

Contudo, Maria Madalena, apesar de ter escutado várias vezes Jesus dizer que ressuscitaria, a dor da morte é tal que ela se esquece das palavras do Mestre.

Apesar do corpo de Jesus já ter sido ungido na sexta-feira por José de Arimatéia e por Nicodemos, ela não consegue ficar longe do corpo morto do Senhor. A escuridão enfatizada no texto é um símbolo do estado interior de Maria. Ela está com uma vida sem sentido, sem alegria. Seus grande libertador, seu grande amigo está morto. Ela vai ao sepulcro quando ainda está escuro, na natureza e no seu interior. Mas seu coração está iluminado pelo amor, por isso ela vai até ao sepulcro.

Ela o encontra vazio. Sente-se despontada e mais desolada, perdida e impotente. Maria Madalena busca o cadáver de Jesus. Ela esqueceu totalmente a promessa dele de que iria ressuscitar.

Ela olha para o sepulcro vazio e vê dois anjos, um na cabeceira e outro nos pés. O evangelista quer nos recordar os dois anjos que foram colocados, um à cabeceira e outro aos pés da arca da aliança. Jesus é a nova aliança. Por isso a aliança de Jesus Cristo é eterna, pois ele ressuscitou.

Mas Madalena, abalada pela dor não reconhece os sinais e só vê o sepucro vazio. Somente após a segunda pergunta de Jesus, ao ouvi-lo pronunciar seu nome e deixar de olhar para o sepulcro e voltar-se para o lado contrário é que ela vê o ressuscitado.

Como Maria Madalena, também nós só veremos os sinais da ressurreição, quando levantarmos nossos olhos dos sinais de morte, e dirigirmos nosso coração para a VIDA. Enquanto estivermos afeiçoados àquilo que é egoísmo, ambição, ira, não perceberemos que a Vida está à nossa frente, e sofreremos as consequências da opção pelos atrativos mortais. Ao contrário, quando acreditarmos no poder de Deus e formos mais irmãos, adeptos da partilha e do serviço, perceberemos os sinais da Vida a todo momento, pois estaremos desde agora vivendo à luz de Deus.

Feliz Páscoa a todos!

Fonte: Vatican News



Páscoa da Ressurreição-Domingo de Páscoa (Ano C)


O SEPULCRO VAZIO

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO – Ano C

Evangelho de João 20,1-9
1 No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 2 Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram”. 3 Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. 4 Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. 5 Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. 6 Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão 7 e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. 8 Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou. 9 De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

Reflexão

O SEPULCRO VAZIO

Os discípulos começaram a se dar conta da ressurreição do Senhor, ao se depararem com o sepulcro vazio. Maria Madalena, alarmada, pensou que o corpo de Jesus tivesse sido retirado, à surdina, e colocado num outro lugar. Pedro, tendo acorrido para se inteirar dos fatos, apenas constatou onde estavam o lençol e os demais panos com que Jesus havia sido envolvido. O discípulo amado, este sim, começou a perceber que algo de muito extraordinário havia acontecido. Por isso, foi capaz de passar da constatação do sepulcro vazio à fé: "Ele viu e acreditou".


O sepulcro vazio, por si só, não podia servir de prova para a ressurreição do Senhor. Seria sempre possível acusar os cristãos de fraude. Poderiam ter dado sumiço ao cadáver de Jesus, e sair dizendo que ele ressuscitara. Era preciso ir além e descobrir, de fato, onde estava o corpo do Mestre.


O discípulo amado, de imediato, cultivou a esperança de encontrar-se com o Senhor. Sua fé consistiu na certeza de que o Mestre estava vivo, não no sepulcro, porque ali não era o seu lugar. Senhor da vida, não poderia ter sido derrotado pela morte. Filho amado do Pai, as forças do mal não poderiam prevalecer sobre ele. Embora sem ter chegado ao pleno conhecimento do fato, a fé na ressurreição despontava no coração do discípulo amado.

Oração do Dia

Espírito de ressurreição, como o discípulo amado, creio que o Crucificado venceu a morte e as forças do mal.



sábado, 20 de abril de 2019

Papa Francisco: Homilia da Vigília Pascal (Páscoa, festa da remoção das pedras mais duras: a morte, o pecado, o medo, o mundanismo)


Porque não te decides a deixar aquele pecado que, como pedra à entrada do coração, impede à luz divina de entrar? Porque, aos lampejos cintilantes do dinheiro, da carreira, do orgulho e do prazer, não antepões Jesus, a luz verdadeira? Porque não dizes às vaidades mundanas que não é para elas que vives, mas para o Senhor da vida?

Cidade do Vaticano

O Papa Francisco preside na noite de sábado na Basílica de São Pedro a Vigília Pascal, quando batiza 8 catecúmenos. Confira o texto integral de sua homilia:

1.     As mulheres vão ao túmulo levando os aromas, mas temem que a viagem seja inútil, porque uma grande pedra bloqueia a entrada do sepulcro. O caminho daquelas mulheres é também o nosso caminho; lembra o caminho da salvação, que voltamos a percorrer nesta noite. Nele, parece que tudo se vai estilhaçar contra uma pedra: a beleza da criação contra o drama do pecado; a libertação da escravatura contra a infidelidade à Aliança; as promessas dos profetas contra a triste indiferença do povo. O mesmo se passa na história da Igreja e na história de cada um de nós: parece que os passos dados nunca levem à meta. E assim pode insinuar-se a ideia de que a frustração da esperança seja a obscura lei da vida.

Hoje, porém, descobrimos que o nosso caminho não é feito em vão, que não esbarra contra uma pedra tumular. Uma frase incita as mulheres e muda a história: «Porque buscais o Vivente entre os mortos?» (Lc 24, 5); porque pensais que tudo seja inútil, que ninguém possa remover as vossas pedras? Porque cedeis à resignação e ao fracasso? A Páscoa é a festa da remoção das pedras. Deus remove as pedras mais duras, contra as quais vão embater esperanças e expetativas: a morte, o pecado, o medo, o mundanismo. A história humana não acaba frente a uma pedra sepulcral, já que hoje mesmo descobre a «pedra viva» (cf. 1 Ped 2, 4): Jesus ressuscitado. Como Igreja, estamos fundados sobre Ele e, mesmo quando desfalecemos, mesmo quando somos tentados a julgar tudo a partir dos nossos fracassos, Ele vem fazer novas todas as coisas, inverter as nossas deceções. Nesta noite, cada um é chamado a encontrar, no Vivente, Aquele que remove do coração as pedras mais pesadas. Perguntemo-nos, antes de mais nada: Qual é a minha pedra a ser removida, como se chama?

Muitas vezes, a esperança é obstruída pela pedra da falta de confiança. Quando se dá espaço à ideia de que tudo corre mal e que sempre vai de mal a pior, resignados, chegamos a crer que a morte seja mais forte que a vida e tornamo-nos cínicos e sarcásticos, portadores dum desânimo doentio. Pedra sobre pedra, construímos dentro de nós um monumento à insatisfação, o sepulcro da esperança. Lamentando-nos da vida, tornamos a vida dependente das lamentações e espiritualmente doente. Insinua-se, assim, uma espécie de psicologia do sepulcro: tudo termina ali, sem esperança de sair vivo. Mas, eis que surge a pergunta desafiadora da Páscoa: Porque buscais o Vivente entre os mortos? O Senhor não habita na resignação. Ressuscitou, não está lá; não O procures, onde nunca O encontrarás: não é Deus dos mortos, mas dos vivos (cf. Mt 22, 32). Não sepultes a esperança!

Há uma segunda pedra que, muitas vezes, fecha o coração: a pedra do pecado. O pecado seduz, promete coisas fáceis e prontas, bem-estar e sucesso, mas, depois, dentro deixa solidão e morte. O pecado é procurar a vida entre os mortos, o sentido da vida nas coisas que passam. Porque buscais o Vivente entre os mortos? Porque não te decides a deixar aquele pecado que, como pedra à entrada do coração, impede à luz divina de entrar? Porque, aos lampejos cintilantes do dinheiro, da carreira, do orgulho e do prazer, não antepões Jesus, a luz verdadeira (cf. Jo1, 9)? Porque não dizes às vaidades mundanas que não é para elas que vives, mas para o Senhor da vida?

2.     Voltemos às mulheres que vão ao sepulcro de Jesus… À vista da pedra removida, sentem-se perplexas; ao ver os anjos, ficam – diz o Evangelho – «amedrontadas» e «voltam o rosto para o chão» (Lc 24, 5). Não têm a coragem de levantar o olhar. Quantas vezes nos acontece o mesmo! Preferimos ficar encolhidos nos nossos limites, escondidos nos nossos medos. É estranho! Porque o fazemos? Muitas vezes porque, no fechamento e na tristeza, somos nós os protagonistas, porque é mais fácil ficarmos sozinhos nas celas escuras do coração do que abrir-nos ao Senhor. E, todavia, só Ele levanta. Uma poetisa escreveu: «Só conhecemos a nossa altura, quando somos chamados a levantar-nos» (E. Dickinson, Nunca sabemos quão alto estamos nós). O Senhor chama-nos para nos levantarmos, ressuscitarmos à sua Palavra, olharmos para o alto e crermos que estamos feitos para o Céu, não para a terra; para as alturas da vida, não para as torpezas da morte: Porque buscais o Vivente entre os mortos?

Deus pede-nos para olharmos a vida como a contempla Ele, que em cada um de nós sempre vê um núcleo incancelável de beleza. No pecado, vê filhos carecidos de ser levantados; na morte, irmãos carecidos de ressuscitar; na desolação, corações carecidos de consolação. Por isso, não temas! O Senhor ama esta tua vida, mesmo quando tens medo de a olhar de frente e tomar a sério. Na Páscoa, mostra-te quanto a ama. Ama-a a ponto de a atravessar toda, experimentar a angústia, o abandono, a morte e a mansão dos mortos para de lá sair vitorioso e dizer-te: «Não estás sozinho, confia em Mim!» Jesus é especialista em transformar as nossas mortes em vida, os nossos lamentos em dança (cf. Sal30, 12). Com Ele, podemos realizar também nós a Páscoa, isto é, a passagem: passagem do fechamento à comunhão, da desolação ao conforto, do medo à confiança. Não fiquemos a olhar para o chão amedrontados, fixemos Jesus ressuscitado: o seu olhar infunde-nos esperança, porque nos diz que somos sempre amados e que, não obstante tudo o que possamos combinar, o amor d’Ele não muda. Esta é a certeza não negociável da vida: o seu amor não muda. Perguntemo-nos: Na vida, para onde olho? Contemplo ambientes sepulcrais ou procuro o Vivente?

3.     Porque buscais o Vivente entre os mortos? As mulheres escutam a advertência dos anjos, que acrescentam: «Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia» (Lc 24, 6). Aquelas mulheres tinham esquecido a esperança, porque não recordavam as palavras de Jesus, a chamada que lhes fez na Galileia. Perdida a memória viva de Jesus, ficam a olhar o sepulcro. A fé precisa de voltar à Galileia, reavivar o primeiro amor com Jesus, a sua chamada: precisa de O recordar, ou seja – literalmente –, de voltar com o coração para Ele. Voltar a um amor vivo para com o Senhor é essencial; caso contrário, tem-se uma fé de museu, não a fé pascal. Mas Jesus não é um personagem do passado, é uma Pessoa vivente hoje; não Se conhece nos livros de história, encontra-Se na vida. Hoje, repassemos na memória o momento em que Jesus nos chamou, quando venceu as nossas trevas, resistências, pecados, como nos tocou o coração com a sua Palavra.

Recordando Jesus, as mulheres deixam o sepulcro. A Páscoa ensina-nos que o crente se detém pouco no cemitério, porque é chamado a caminhar ao encontro do Vivente. Perguntemo-nos: na vida, para onde caminho? Sucede às vezes que o nosso pensamento se dirija continua e exclusivamente para os nossos problemas, que nunca faltam, e vamos ter com o Senhor apenas para nos ajudar. Mas, deste modo, são as nossas necessidades que nos orientam, não Jesus. E continuamos a buscar o Vivente entre os mortos. E quantas vezes, mesmo depois de ter encontrado o Senhor, voltamos entre os mortos, repassando intimamente saudades, remorsos, feridas e insatisfações, sem deixar que o Ressuscitado nos transforme! Queridos irmãos e irmãs, na vida demos o lugar central ao Vivente. Peçamos a graça de não nos deixarmos levar pela corrente, pelo mar dos problemas; a graça de não nos estilhaçarmos contra as pedras do pecado e os rochedos da desconfiança e do medo. Procuremo-Lo a Ele, em tudo e antes de tudo. Com Ele, ressuscitaremos.

Fonte: Vatican News



sexta-feira, 19 de abril de 2019

Sexta-feira Santa, o Papa Francisco presidiu à celebração da Paixão do Senhor. Homilia do Frei Raniero Cantalamessa.

Papa Francisco ao se prostrar diante de Jesus, adorando o mistério da Santa Cruz

Paixão do Senhor: com a Sua Páscoa, Jesus restitui dignidade e esperança à humanidade

Na tarde desta Sexta-feira Santa, o Papa Francisco presidiu à celebração da Paixão do Senhor, com a Liturgia da Palavra, a Adoração da Cruz e a Sagrada Comunhão. Após a Liturgia da Palavra, o Frei Raniero Cantalamessa fez a pregação.

Manoel Tavares - Cidade do Vaticano

Sexta-feira Santa! Neste dia, que os antigos também chamavam de “Sexta-feira Maior”, a Igreja celebra a Paixão e Morte de Jesus. Silêncio, jejum, abstinência de carne e oração marcam este dia.

Na Sexta-feira Santa e no Sábado Santo, segundo a tradição, a Igreja não celebra a Eucaristia. O altar está totalmente despido: sem cruz, sem candelabros, sem toalhas.

Na tarde desta Sexta-feira Santa, o Papa Francisco presidiu na Basílica Vaticana à celebração da Paixão do Senhor, com a Liturgia da Palavra, a Adoração da Cruz e a Sagrada Comunhão.

O Crucificado é o protótipo de todos os descartados

Após a Liturgia da Palavra, o Frei Raniero Cantalamessa, Capuchinho e Pregador da Casa Pontifícia, fez a pregação partindo das palavras do Profeta Isaías: “Jesus foi desprezado e rejeitado pelos homens”.

Com estas palavras proféticas, disse o Pregador, a história deu um nome e um rosto a este misterioso homem das dores, desprezado e rejeitado pelos homens: Jesus de Nazaré.

Por isso, Frei Cantalamessa contemplou o Crucificado como protótipo e representante de todos os rejeitados, deserdados e "descartados" da terra.

Jesus era como um sem-teto

Durante toda a sua vida, Jesus foi um desses homens, desde o início, nascendo em uma estrebaria, uma autêntica demonstração de pobreza. E, durante a sua vida pública, ele nem tinha lugar para descansar a cabeça: era como um sem-teto. Enfim, a sua Paixão.

"Eis o homem!”, exclama Pilatos, ao apresentá-lo ao povo depois de ser açoitado pelos algozes. Cristo representa as intermináveis fileiras de homens e mulheres humilhados, reduzidos a objeto, privados de toda dignidade humana.

Mas, o significado mais profundo da Paixão e Morte de Cristo, não é o social, mas o espiritual. A sua morte redimiu o mundo do pecado, ponto alto da demonstração do amor do Pai.

Assim, o Filho de Deus tornou-se um dos pobres e rejeitados, abraçando a causa deles: "O que fizeste aos famintos, aos nus, aos prisioneiros, aos exilados, a mim o fizeste".

Jesus restitui dignidade e esperança

Mas, o Evangelho vai mais além, dizendo que o Crucificado ressuscitou! Desta forma, Jesus não só restituiu a dignidade aos desfavorecidos do mundo, mas lhes deu a esperança!

Nos primeiros três séculos da Igreja, explicou o Capuchinho, a celebração da Páscoa não era dividida como agora: Sexta-feira Santa, Sábado Santo e Domingo de Páscoa. Tudo se concentrava em um só dia: na Vigília Pascal, durante a qual se celebrava a morte e a ressurreição de Jesus, ou seja, não se comemorava a morte e a ressurreição como fatos distintos e separados; pelo contrário, comemorava-se a passagem de Cristo da morte para a vida.

Por isso, a palavra “Páscoa" (pesach) significa passagem da morte para a vida; passagem do povo judeu da escravidão para a liberdade; passagem de Cristo deste mundo para o Pai; passagem do pecado para a graça.

A Páscoa é a festa dos excluídos

Logo, Páscoa é a festa da reviravolta desejada por Deus e realizada por Cristo para a humanidade. É a festa dos pobres, excluídos e escravos na nossa sociedade!

Mas, a Cruz, concluiu o Frei Cantalamessa, também traz uma mensagem para a outra classe da sociedade: os poderosos, os fortes, os "vencedores". Trata-se de uma mensagem de amor e salvação, não de ódio ou vingança, porque, afinal, eles também terão o mesmo destino de todos: fracos e poderosos, indefesos e tiranos, todos estão sujeitos à mesma lei e aos mesmos limites humanos: a morte!

A Igreja recebeu a seguinte missão do seu fundador, Jesus Cristo: estar ao lado dos pobres e dos fracos; ser voz dos que não têm voz.

Ao término da sua homilia, o Pregador da Casa Pontifícia retomou, novamente, as palavras da profecia de Isaías, dizendo: com o anúncio da Ressurreição, a Liturgia dá ao “desprezado e rejeitado pelos homens”, um nome e um rosto: o homem triunfante, Jesus Cristo, nosso Salvador.

Fonte: Vatican News



Via-Sacra: Papa Francisco reza por todas as cruzes do mundo


Via-Sacra no Coliseu: Papa reza por todas as cruzes do mundo

Nesta Sexta-feira Santa, o Papa Francisco presidiu a Via-Sacra diante do Coliseu de Roma. Depois da meditação sobre as vítimas do tráfico de seres humanos durante as XIV estações, o Pontífice fez uma oração lembrando todas as “cruzes do mundo”: da cruz das pessoas que têm fome de pão e amor à cruz da Igreja, “a Tua esposa, que se sente continuamente atacada por dentro e por fora”.

Andressa Collet, Silvonei José, Tiziana Campisi – Cidade do Vaticano

O Coliseu de Roma mais uma vez acolheu o Papa Francisco e milhares de fiéis nesta Sexta-feira Santa para as meditações das XIV estações da Via-Sacra. Ao término da cerimônia e antes da Bênção Apostólica, o Pontífice fez uma oração, lembrando todas as “cruzes do mundo”:

“Senhor Jesus, ajuda-nos a ver na Tua Cruz todas as cruzes do mundo:

a cruz das pessoas que têm fome de pão e amor;

a cruz das pessoas sozinhas e abandonadas até mesmo por seus próprios filhos e parentes;

a cruz das pessoas sedentas de justiça e paz;

a cruz das pessoas que não têm o conforto da fé;

a cruz dos idosos que se arrastam sob o peso dos anos e da solidão;

a cruz dos migrantes que encontram as portas fechadas por causa do medo e dos corações blindados por cálculos políticos;

a cruz dos pequenos, feridos na sua inocência e na sua pureza;

a cruz da humanidade que vaga na escuridão da incerteza e na escuridão da cultura do momentâneo;

a cruz das famílias despedaçadas pela traição, pelas seduções do mal ou pela homicida superficialidade e pelo egoísmo;

a cruz dos consagrados que procuram incansavelmente levar a Tua luz ao mundo e se sentem rejeitados, zombados e humilhados;

a cruz dos consagrados que, no caminho, esqueceram o seu primeiro amor;

a cruz dos teus filhos que, acreditando em Ti e procurando viver de acordo com Tua palavra, se encontram marginalizados e descartados até mesmo por suas famílias e coetâneos;

a cruz das nossas fraquezas, das nossas hipocrisias, das nossas traições, dos nossos pecados e das nossas muitas promessas quebradas;

a cruz da Tua Igreja que, fiel ao Teu Evangelho, fadiga a levar o Teu amor até mesmo entre os próprios batizados;

a cruz da Igreja, a Tua esposa, que se sente continuamente atacada por dentro e por fora;

a cruz da nossa casa comum que murcha seriamente diante dos nossos olhos egoístas e cegos pela ganância e pelo poder.

Senhor Jesus, reaviva em nós a esperança da ressurreição e da Tua vitória definitiva contra todo o mal e toda a morte. Amém!”

A oração pelas vítimas do tráfico de seres humanos

As meditações da Via-Sacra deste ano foram confiadas à Ir. Eugenia Bonetti, missionária da Consolata. Durante as 14 estações foram lembradas as vítimas do tráfico de seres humanos, os menores explorados, as mulheres obrigadas à prostituição e os migrantes como os novos crucificados que devem ser despertados na consciência de todos.

"Com Cristo e com as mulheres no caminho da cruz", a religiosa, presidente da Associação “Slaves no more”, quis idealmente percorrer “junto a todos os pobres, aos excluídos da sociedade e aos novos crucificados da história de hoje, vítimas dos nossos fechamentos, dos poderes e das legislações, da cegueira e do egoísmo, mas sobretudo do nosso coração endurecido pela indiferença”.

Quem tem responsabilidade, escute o grito dos pobres

Na primeira estação, a figura de Pilatos inspirou a oração “para aqueles que ocupam papeis de responsabilidade para que escutem o grito dos pobres” e “de todas aquelas jovens vidas que, em maneiras diferentes, estão condenadas à morte pela indiferença gerada por políticas exclusivas e egoístas”. Em Jesus pregado na cruz há, ao contrário, o convite em reconhecer “os novos crucificados de hoje: os sem-teto, os jovens sem esperança, sem trabalho e sem perspectivas, os imigrantes obrigados a viver em barracas às margens da nossa sociedade, depois de terem enfrentado sofrimentos inimagináveis”.

Mas o pensamento vai também às crianças “discriminadas por causa da sua proveniência, da cor da pele e classe social”. Diante de tudo isso, o exemplo pra seguir é aquele de Cristo, que falava de serviço, perdão, renúncia e sofrimento, manifestando com a sua vida “o amor verdadeiro e desinteressado ao próximo”.

Não sabemos mais reconhecer quem tem necessidades

Nas etapas de Jesus em direção ao Calvário, Ir. Eugenia Bonetti reconhece vários episódios dos quais foi testemunha: no encontro com Maria vislumbra “as muitas mães que deixaram partir suas jovens filhas para a Europa na esperança de ajudar as suas famílias em pobreza extrema, enquanto encontraram humilhações, desprezo e, às vezes, inclusive a morte”; em Jesus que cai pela primeira vez, fragilidade e fraqueza humana são indicações para recordar os samaritanos de hoje que se inclinam “com amor e compaixão sobre tantas feridas físicas e morais de quem, toda noite, vive o medo do escuro, da solidão e da indiferença”.

“Infelizmente, muitas vezes hoje não sabemos mais reconhecer quem tem necessidades, ver quem está ferido e humilhado”, escreve a religiosa da Consolata. “Frequentemente reivindicamos os nossos direitos e interesses, mas esquecemos aqueles dos pobres e dos últimos da fila”. É então que devemos pedir a Deus de nos ajudar a amar e a não sermos insensíveis ao choro, aos sofrimentos e ao grito de dor dos outros.

Os menores, os migrantes e as vítimas do tráfico

E como não ver na Via-Sacra as tantas “crianças, em várias partes do mundo que não podem vir à escola”, “exploradas nas mineiras, nos campos, na pesca, vendidas e compradas por traficantes de carne humana para transplantes de órgãos, além de usadas e exploradas... por muitos cristãos inclusive”. São os menores “privados do direito a uma infância feliz”, “criaturas usadas como mercadorias de pouco valor, vendidas e compradas por prazer”.

Mas, no centro das meditações de Ir. Eugenia Bonetti, que há anos luta contra o tráfico de seres humanos, estão os migrantes e as vítimas do tráfico. O pedido para “aumentar a consciência que todos somos responsáveis pelo problema” e que “todos podemos e devemos fazer parte da solução” se lê na oitava estação, “Jesus encontra as mulheres”. E sobretudo as mulheres “é solicitado o desafio da coragem”, “de saber ver e agir”, de considerar “o pobre, o estrangeiro, o diverso não como um inimigo pra rejeitar ou combater, mas, sobretudo, como um irmão ou uma irmã para acolher e ajudar”.

A humilhação de Cristo, aquela das mulheres vítimas da cultura do usa e joga fora

Na nona estação, quando Jesus cai pela terceira vez, “humilhado sobre o peso da cruz”, estão as “tantas mulheres, obrigadas a estarem nas ruas pelos grupos de traficantes de escravos, que não suportam a fadiga e a humilhação de ver o próprio corpo jovem ser manipulado, abusado, destruído, junto aos seus sonhos”. São o fruto da cultura do usa e joga fora.

Dinheiro, bem estar e poder dos ídolos

A imagem do corpo despojado de Cristo, comparável àquele dos menores, objeto de compra-e-venda, deixa refletir sobre ídolos de todos os tempos: dinheiro, bem estar e poder. Aparece menos “a centralidade do ser humano, a sua dignidade, beleza e força”. Mas há quem ainda desafia a própria vida para salvar outras, sobretudo no Mediterrâneo, onde em muitos ajudaram “famílias em busca de segurança e de oportunidades”, “seres humanos em fuga da pobreza, da ditadura, corrupção e escravidão”; todas pessoas que precisam redescobrir a beleza e a riqueza, “dom único” de Deus “para colocar a serviço da sociedade inteira e não para alcançar interesses pessoais”.

No túmulo de Cristo, morte e ressureição como ensinamentos de vida

A última estação, que conduz ao túmulo de Jesus, faz pensar aos “novos cemitérios de hoje”: o deserto e os mares, onde hoje encontram moradia eterna “homens, mulheres, crianças que não pudemos ou não quisemos salvar”. “Enquanto os governos discutem, fechados nos palácios do poder, o Saara se enche de esqueletos de pessoas que não resistiram à fadiga, à fome, à sede” e o mar se transformou num “túmulo de água”.

“O desejo é que a morte de Cristo possa “doar aos líderes das Nações e aos responsáveis das leis a consciência do seu papel em defesa de todas as pessoas”, criadas à imagem e semelhança de Deus e que, a sua ressureição, “seja farol de esperança, de alegria, de vida nova, de fraternidade, de acolhimento e de comunhão entre os povos, as religiões e as leis.”

Fonte: Vatican News



Sexta-feira Santa: Celebração da Paixão do Senhor


REDAÇÃO CENTRAL, 19 Abr. 19 / 04:00 am (ACI).- Hoje toda a Igreja Católica se une em penitência, abstinência e jejum para celebrar a Paixão do Senhor. Entre as atividades deste dia, estão a Via Sacra, o Sermão das Sete Palavras de Jesus na Cruz; as procissões com a imagem de Cristo e da sua Mãe Dolorosa, entre outros.

Neste dia, a Igreja não celebra a Eucaristia e nenhum sacramento, exceto a Reconciliação e a Unção dos Enfermos.

A celebração litúrgica celebra a morte do Senhor, também é realizada a celebração da Palavra, que termina com a adoração da Cruz e Comunhão Eucarística, com as hóstias consagradas na Quinta-feira Santa.

Além disso, hoje, convida-se a acompanhar ao final da adoração da Cruz uma pequena comemoração da Virgem Maria, a Mãe Dolorosa, que esteve aos pés da Cruz. (Fonte: ACI digital)


REDAÇÃO CENTRAL, 19 Abr. 19 / 06:00 am (ACI).- A tarde de Sexta-feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário. A cruz erguida sobre o mundo continua de pé como sinal de salvação e de esperança.

Com a Paixão de Jesus segundo o Evangelho de João, é contemplado o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe traspassou o lado.

Neste dia não há Missa, celebra-se a Paixão do Senhor, que conta com os seguintes símbolos:

A cruz

A cruz foi, na época de Jesus, o instrumento de morte mais humilhante. Por isso, a imagem do Cristo crucificado se converte em “escândalo para os judeus e loucura para os pagãos” (1 Cor 1,23). Teve que passar muito tempo para que os cristãos se identificassem com esse símbolo e o assumissem como instrumento de salvação, entronizado nos templos e presidindo as casas e habitações, e pendendo no pescoço como expressão de fé.

Isto demonstram as pinturas nas catacumbas dos primeiros séculos, onde os cristãos, perseguidos por sua fé, representaram a Cristo como o Bom Pastor pelo qual “não temerei nenhum mal” (Salmo 22,4); ou fazem referência à ressurreição em imagens bíblicas como Jonas saindo do peixe depois de três dias; ou ilustram os sacramentos do Batismo e a Eucaristia, antecipação e alimento de vida eterna. A cruz aparece só velada, nos cortes dos pães eucarísticos ou na âncora invertida.

Poderíamos pensar que a cruz era já a que eles estavam suportando, nos anos da insegurança e a perseguição. Entretanto, Jesus nos convida a segui-lo negando a nós mesmos e tomando nossa cruz a cada dia (cfr. Mt 10,38; Mc 8,34; Lc 9,23).

Expressão desse martírio cotidiano são as coisas que mais nos custam e nos doem, mas que podem ser iluminadas e vividas de outra maneira precisamente desde Sua cruz.

Só assim a cruz já não é um instrumento de morte, mas de vida e ao “por que eu” expresso como protesto diante de cada experiência dolorosa, substituímo-lo pelo “quem sou eu” de quem se sente muito pequeno e indigno para poder participar da Cruz de Cristo, inclusive nas pequenas “lascas” cotidianas.

A coroa de espinhos, o látego, os pregos, a lança e a esponja com vinagre

Estes “acessórios” da Paixão muitas vezes aparecem graficamente apoiados ou superpostos à cruz.

São a expressão de todos os sofrimentos que, como peças de um quebra-cabeças, conformaram o mosaico da Paixão de Jesus.

Eles materialmente nos recordam outros sinais ou elementos igualmente dolorosos: o abandono dos apóstolos e discípulos, as brincadeiras, as cusparadas, a nudez, os empurrões, o aparente silêncio de Deus.

A Paixão revestiu os três níveis de dor que todo ser humano pode suportar: física, psicológica e espiritual. A todos eles, Jesus respondeu perdoando e abandonando-se nas mãos do Pai.

Fonte: ACI digital
Foto: Cruz / Crédito: Lauren Cater CNA.



quinta-feira, 18 de abril de 2019

Homilia do Papa Francisco na Missa Crismal de Quinta-feira Santa (18/04/2019)


Vaticano, 18 Abr. 19 / 09:13 am (ACI).- O Papa Francisco presidiu, na manhã desta Quinta-feira Santa, 18 de abril, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, a Santa Missa Crismal junto com os Cardeais, Bispos e presbíteros presentes em Roma.

Em sua homilia, o Santo Padre refletiu sobre o significado do termo “multidões” nos Evangelhos e sua relação com Jesus. Em concreto, Francisco se centralizou nas três graças que caracterizam a relação entre Jesus e a multidão: seguimento, admiração e discernimento.

“O termo ‘multidões’ não é depreciativo. Aos ouvidos de alguém, poderia talvez soar como uma massa anônima, indiferenciada; mas no Evangelho, quando as multidões interagem com o Senhor, que Se coloca no meio delas como um pastor no rebanho, vemos que aquelas se transformam: no espírito do povo, desperta o desejo de seguir Jesus, brota a admiração, toma forma o discernimento”.

Além disso, durante a celebração, os sacerdotes renovaram as promessas realizadas no momento de sua ordenação sacerdotal. Posteriormente, o Papa abençoou os óleos dos enfermos, dos catecúmenos e do crisma.

A seguir, o texto completo da homilia do Papa Francisco:

O Evangelho de Lucas, que acabamos de ouvir, faz-nos reviver a emoção do momento em que o Senhor Se assume a profecia de Isaías, lendo-a solenemente no meio do seu povo. A sinagoga de Nazaré estava cheia de parentes, vizinhos, conhecidos, amigos... e outros não muito amigos. E todos tinham os olhos fixos n’Ele. A Igreja tem sempre os olhos fixos em Jesus, o Ungido que o Espírito envia para ungir o povo de Deus.

Com frequência, os Evangelhos apresentam-nos esta imagem do Senhor no meio das multidões, cercado e comprimido pelas pessoas que Lhe trazem os doentes, pedem-Lhe que expulse os espíritos malignos, escutam os seus ensinamentos e caminham com Ele. «As minhas ovelhas escutam a minha voz: Eu conheço-as e elas seguem-Me» (Jo 10, 27).

O Senhor nunca perdeu este contato direto com o povo, sempre manteve a graça da proximidade, com o povo no seu conjunto e com cada pessoa no meio daquelas multidões. Vemo-lo na sua vida pública, mas o mesmo aconteceu desde o princípio: o esplendor do Menino atraiu docilmente pastores, reis e idosos sonhadores como Simeão e Ana. E foi assim também na Cruz: o seu Coração atrai todos a si (cf. Jo 12, 32): verónicas, cireneus, ladrões, centuriões...

Aqui, o termo «multidões» não é depreciativo. Aos ouvidos de alguém, poderia talvez soar como uma massa anónima, indiferenciada; mas no Evangelho, quando as multidões interagem com o Senhor, que Se coloca no meio delas como um pastor no rebanho, vemos que aquelas se transformam: no espírito do povo, desperta o desejo de seguir Jesus, brota a admiração, toma forma o discernimento.

Gostaria de refletir convosco sobre estas três graças que caracterizam o relacionamento entre Jesus e as multidões.

A graça do seguimento

Lucas diz que as multidões «procuravam-No» (Lc 4, 42) e «seguiam com Ele» (Lc 14, 25), «apertavam-No» e «empurravam-No» (cf. Lc 8, 42-45) «juntando-se grandes multidões para O ouvirem» (Lc 5, 15). Este seguimento do povo não é calculista, é um seguimento sem condições, cheio de carinho. Contrasta com a mesquinhez dos discípulos, cujo comportamento face ao povo se revela quase cruel quando sugerem ao Senhor que o mande embora para irem procurar algo de comer. Creio que o clericalismo começou aqui: nesta atitude de querer assegurar-se o próprio alimento e comodidade, desinteressando-se das pessoas. O Senhor cortou pela raiz esta tentação. «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Mc 6,37), foi a resposta de Jesus: «Ocupai-vos do povo!».

A graça da admiração

A segunda graça, que a multidão recebe ao seguir Jesus, é a duma admiração cheia de alegria. O povo fica admirado com Jesus (cf. Lc 11, 14), com os seus milagres, mas sobretudo com a sua própria Pessoa. O povo gostava muito de saudá-Lo ao longo da estrada, ser abençoado por Ele e bendizê-Lo, como aquela mulher que do meio da multidão bendisse a sua Mãe. E o Senhor, por sua vez, ficava admirado com a fé do povo, regozijava-Se e não perdia ocasião de o fazer notar.

A graça do discernimento

A terceira graça, que recebe o povo, é a do discernimento. «As multidões, que souberam [para onde fora Jesus], seguiram-No» (Lc 9, 11). «A multidão ficou vivamente impressionada com os seus ensinamentos, porque Ele ensinava-os como quem possui autoridade» (Mt 7, 28-29; cf. Lc 5, 26). Cristo, a Palavra de Deus feita carne, suscita nas pessoas este carisma do discernimento; certamente, não um discernimento de especialistas em assuntos controversos. Quando os fariseus e os doutores da lei discutiam com Ele, aquilo que o povo reconhecia era a Autoridade de Jesus: a força da sua doutrina, capaz de penetrar nos corações, e o facto de os espíritos malignos Lhe obedecerem; e ainda deixar sem palavra aqueles que urdiam diálogos insidiosos. O povo alegrava-se com isso. Sabia distinguir e regozijava-se.

Aprofundemos um pouco esta visão evangélica da multidão. Lucas indica quatro grandes grupos que são destinatários preferenciais da unção do Senhor: os pobres, os prisioneiros de guerra, os cegos, os oprimidos. Nomeia-os em geral, mas depois, no decorrer da vida do Senhor, vemos com alegria que estes ungidos adquirem rosto e nome próprios. Assim como a unção com o azeite se aplica num ponto e a sua ação benéfica se expande por todo o corpo, também o Senhor, assumindo a profecia de Isaías, nomeia várias «multidões» às quais O envia o Espírito, obedecendo a uma dinâmica que poderíamos chamar de «preferência inclusiva»: a graça e o carisma que se dá a uma pessoa ou a um grupo em particular redunda, como toda a ação do Espírito, em benefício de todos.

Os pobres (ptochoi) são aqueles que estão curvados, como os mendigos que se inclinam para pedir. Mas é pobre (ptochè) também a viúva, que unge com os seus dedos as duas moedinhas que constituíam tudo o que tinha naquele dia para viver. A unção daquela viúva para dar a esmola passa despercebida aos olhos de todos, exceto aos de Jesus, que vê com bondade a sua pequenez. Com ela, o Senhor pode cumprir plenamente a sua missão de anunciar o Evangelho aos pobres. Paradoxalmente, são os discípulos que ouvem a boa nova de que existem tais pessoas. Ela, a mulher generosa, nem se deu conta de «ter aparecido no Evangelho» (ou seja, que o seu gesto haveria de ser mencionado no Evangelho): o feliz anúncio de que as suas ações «têm peso» no Reino e contam mais do que todas as riquezas do mundo, ela vive-o dentro de si, como tantos santos e santas de «ao pé da porta».

Os cegos são representados por um dos rostos mais simpáticos do Evangelho: Bartimeu (cf. Mc 10, 46-52), o mendigo cego que recuperou a vista e, a partir daquele momento, só teve olhos para seguir Jesus pela estrada. A unção do olhar! O nosso olhar, ao qual os olhos de Jesus podem devolver aquele brilho que só o amor gratuito pode dar, aquele brilho que nos é roubado diariamente pelas imagensinteressadas ou banais com que nos submerge o mundo.

Para designar os oprimidos (tethrausmenous), Lucas usa um termo que contém a palavra «trauma». Isto é suficiente para evocar a parábola (talvez a preferida de Lucas) do Bom Samaritano, que unge com azeite e enfaixa as feridas (traumata: Lc 10, 34) do homem que fora espancado deixando-o meio morto na beira da estrada. A unção da carne ferida de Cristo! aquela unção, está o remédio para todos os traumas que deixam pessoas, famílias e populações inteiras fora de jogo, como excluídas e supérfluas, à margem da história.

Os prisioneiros são os cativos de guerra (aichmalotos), aqueles que eram conduzidos a ponta de lança (aichmé). Jesus usará o termo para Se referir à prisão e deportação de Jerusalém, sua amada cidade (Lc 21, 24). Hoje as cidades são feitas prisioneiras não tanto a ponta de lança, como sobretudo com os meios mais subtis de colonização ideológica. Só a unção da nossa cultura própria, forjada pelo trabalho e a arte dos nossos antepassados, é que pode libertar as nossas cidades destas novas escravidões.

Concretizando para nós, queridos irmãos sacerdotes, não devemos esquecer que os nossos modelos evangélicos são este «povo», esta multidão com estes rostos concretos, que a unção do Senhor levanta e vivifica. São aqueles que completam e tornam real a unção do Espírito em nós, que fomos ungidos para ungir. Fomos tomados dentre eles e podemos, sem medo, identificar-nos com esta gente simples. Cada um de nós tem a sua história. Um pouco de memória far-nos-á muito bem. Eles são imagem da nossa alma e imagem da Igreja. Cada um encarna o coração único do nosso povo.

Nós, sacerdotes, somos o pobre e queremos ter o coração da viúva pobre quando damos esmola e tocamos a mão do mendigo fixando-o nos olhos. Nós, sacerdotes, somos Bartimeu, e levantamo-nos cada manhã para rezar: «Senhor, que eu veja!» (cf. Mc 10, 51). Nós, sacerdotes, somos, nos vários momentos do nosso pecado, o ferido espancado deixado meio morto pelos ladrões. E queremos ser os primeiros a estar entre as mãos compassivas do Bom Samaritano, para depois podermos com as mãos ter compaixão dos outros.

Confesso-vos que, quando crismo e ordeno, gosto de espalhar bem o Crisma na testa e nas mãos de quantos são ungidos. Ungindo bem, experimenta-se que ali se renova a nossa própria unção. Uma coisa quero dizer: Não somos distribuidores de azeite em garrafa. Somos ungidos, para ungir. Ungimos, distribuindo-nos a nós mesmos, distribuindo a nossa vocação e o nosso coração. Enquanto ungimos, somos de novo ungidos pela fé e pela afeição do nosso povo. Ungimos, sujando as nossas mãos ao tocar as feridas, os pecados, as amarguras do povo; ungimos perfumando as nossas mãos ao tocar a sua fé, as suas esperanças, a sua fidelidade e a generosidade sem reservas da sua doação, que muitas pessoas eruditas designam como superstição.

Aquele que aprende a ungir e a abençoar fica curado da mesquinhez, do abuso e da crueldade.

Rezemos, irmãos caríssimos, colocando-nos com Jesus no meio do nosso povo, é o lugar melhor. O Pai renove em nós a efusão do seu Espírito de santidade e faça com que nos unamos para implorar a sua misericórdia para o povo que nos está confiado e pelo mundo inteiro. Assim, as multidões dos povos, reunidos em Cristo, podem tornar-se o único Povo fiel de Deus, que terá a sua plenitude no Reino (cf. Oração Consecratória dos Presbíteros).

Fonte: ACI digital
Foto: Papa em sua chegada à Basílica de São Pedro. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa



Igreja dá início ao Tríduo Pascal: a culminância de todo o ano litúrgico


REDAÇÃO CENTRAL, 18 Abr. 19 / 07:00 am (ACI).- Dentro da Semana Santa, um período se torna especial para os católicos nos dias em que recordam a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. É o chamado Tríduo Pascal. Conheça a seguir o significado desses dias tão importantes para os cristãos.

A palavra tríduo na prática devocional católica sugere a ideia de preparação. Às vezes nos preparamos para a festa de um santo com três dias de oração em sua honra, ou pedimos uma graça especial mediante um tríduo de preces de intercessão.

O Tríduo Pascal se considerava como três dias de preparação para a festa de Páscoa; compreendia a Quinta-feira, a Sexta-feira e o Sábado da Semana Santa. Era um tríduo da Paixão.

No novo calendário e nas normas litúrgicas para a Semana Santa, o enfoque é diferente. O Tríduo se apresenta não como um tempo de preparação, mas sim como uma só coisa com a Páscoa. É um tríduo da Paixão e Ressurreição, que abrange a totalidade do mistério pascal. Assim se expressa no calendário:

Cristo redimiu o gênero humano e deu perfeita glória a Deus principalmente através de seu mistério pascal: morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida. O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição de Cristo é, portanto, a culminância de todo o ano litúrgico.

O Tríduo começa com a Missavespertina da Ceia do Senhor, alcança seu cume na Vigília Pascal e se fecha com as vésperas do Domingo de Páscoa.

Esta unificação da celebração pascal é mais acorde com o espírito do Novo Testamento e com a tradição cristã primitiva. O mesmo Cristo, quando aludia a sua Paixão e Morte, nunca as dissociava de sua Ressurreição. No evangelho da quarta-feira da segunda semana da quaresma (Mt 20,17-28) fala delas em conjunto: “O condenarão à morte e o entregarão aos gentis para que d'Ele façam escarnio, o açoitem e o crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará”.

É significativo que os padres da Igreja, tanto Santo Ambrósio como Santo Agostinho, concebam o Tríduo Pascal como um todo que inclui o sofrimento do Jesus e também sua glorificação. O Bispo de Milão, em um dos seus escritos, refere-se aos três Santos dias (triduum illud sacrum) como os três dias nos quais sofreu, esteve no túmulo e ressuscitou, os três dias aos que se referiu quando disse: “Destruam este templo e em três dias o reedificarei”. Santo Agostinho, em uma de suas cartas, refere-se a eles como “os três sacratíssimos dias da crucificação, sepultura e ressurreição de Cristo”.

Esses três dias, que começam com a Missa vespertina da Quinta-feira Santa e concluem com a oração de vésperas do Domingo de Páscoa, formam uma unidade e, como tal, devem ser considerados. Logo, a Páscoa cristã consiste essencialmente em uma celebração de três dias, que compreende as partes sombrias e as facetas brilhantes do mistério salvífico de Cristo. As diferentes fases do mistério pascal se estendem ao longo dos três dias como em um tríptico: cada um dos três quadros ilustra uma parte da cena; juntos formam um todo. Cada quadro é em si completo, mas deve ser visto em relação com os outros dois.

Interessa saber que tanto a Sexta-feira como no Sábado Santo, oficialmente, não fazem parte da Quaresma. Segundo o novo calendário, a Quaresma começa na Quarta-feira de Cinza e conclui na Quinta-feira Santa, excluindo a Missa da Ceia do Senhor.

Fonte: ACI digital



Hoje é celebrada a Quinta-feira Santa, dia da instituição da Eucaristia


REDAÇÃO CENTRAL, 18 Abr. 19 / 04:00 am (ACI).- A Igreja celebra hoje a Quinta-feira Santa. Neste dia, durante a Última Ceia, Jesus instituiu dois sacramentos: a Eucaristia e a Ordem Sacerdotal.

Esta data é comemorada pela Igreja com uma eucaristia especial. Nela, o sacerdote lava os pés de doze pessoas que representam os apóstolos, repetindo assim o gesto de Jesus Cristo.  Com esta ação, Jesus transmite a mensagem da caridade, quando diz: “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz”.

Dessa forma, o Senhor Jesus dá um testemunho idôneo da vocação ao serviço do mundo e da Igreja que todos os fiéis devem seguir.

Por outro lado, também é celebrada a instituição do Sacramento da Ordem sacerdotal por Cristo e a instituição da Eucaristia.

A Santa Missa é então a celebração da Ceia do Senhor, na qual Jesus, na véspera da sua paixão, “enquanto ceava com seus discípulos, tomou pão...”.

Ele quis que, como em sua última Ceia, seus discípulos se reunissem e recordassem-no abençoando o pão e o vinho: “Fazei isto em memória de mim”.

Neste dia, há alegria e a Igreja rompe a austeridade quaresmal cantando o “Glória”: é a alegria de quem se sabe amado por Deus; porém, ao mesmo tempo, é sóbria e dolorida, porque é conhecido o preço que Cristo pagou por nós.

Hoje inicia a festa da "crise pascoal", isto é, da luta entre a morte e a vida, já que a vida nunca foi absorvida pela morte mas sim combatida por ela. A noite do sábado de Glória é o canto à vitória, porém tingida de sangue, e hoje é o hino à luta, mas de quem vence, porque sua arma é o amor. (Fonte: ACI digital)


Os símbolos da Quinta-feira Santa


REDAÇÃO CENTRAL, 18 Abr. 19 / 08:00 am (ACI).- Com a Santa Missa da Ceia do Senhor, nesta Quinta-feira Santa, tem início o Tríduo Pascal. Ao recordar a Última Ceia de Jesus com os discípulos, celebra-se a instituição da Eucaristia. Além disso, ocorre o rito do lava-pés, repetindo o gesto de Cristo que lavou os pés dos seus discípulos, deixando a todos um testemunho da vocação ao serviço do mundo e da Igreja.

Conheça alguns símbolos da liturgia desta Quinta-feira Santa:

O pão e o vinho

São os elementos naturais que Jesus toma não para que simbolizem, mas sim para que se convertam em seu Corpo e seu Sangue e o façam presente no sacramento da Eucaristia.

Jesus os assume no contexto da ceia pascal, onde o pão ázimo da páscoa judaica que celebrava com seus apóstolos fazia referência a essa noite no Egito em que não havia tempo para que a levedura fizesse seu processo na massa (Ex 12,8).

O vinho é o novo sangue do Cordeiro sem defeitos que, posto na porta das casas, evitou aos israelitas que seus filhos morressem na passagem de Deus (Ex 12,5-7). Cristo, o Cordeiro de Deus (Jo 1,29), ao que tanto se refere o Apocalipse, salva-nos definitivamente da morte por seu sangue derramado na cruz.

Os símbolos do pão e o vinho são próprios da Quinta-feira Santa quando, durante a Missa vespertina da Ceia do Senhor, celebramos a instituição da Eucaristia, da qual encontramos alusões e alegorias ao longo de toda a Escritura.

Mas como esta celebração vespertina é o princípio do Tríduo Pascal, é necessário destacar que a Eucaristia dessa Quinta-feira Santa, celebrada por Jesus sobre a mesa-altar do Cenáculo, era a antecipação de seu Corpo e seu Sangue oferecidos à humanidade no “cálice” da cruz, sobre o “altar” do mundo.

O lava-pés

O Evangelho de São João é o único que nos relata este gesto simbólico de Jesus na Última Ceia e antecipa o sentido mais profundo do “sem-sentido” da cruz.

Um gesto incomum para um Mestre, próprio dos escravos, converte-se na síntese de sua mensagem e dá aos apóstolos uma chave de leitura para enfrentar o que virá.

Em uma sociedade onde as atitudes defensivas e as expressões de autonomia se multiplicam, Jesus humilha nossa soberba e nos diz que abraçar a cruz, sua cruz, hoje, é estar a serviço dos outros. É a grandeza dos que sabem fazer-se pequenos, a morte que conduz à vida.

Fonte: ACI digital



quarta-feira, 17 de abril de 2019

Conheça 3 relíquias da Paixão de Cristo que são conservadas na Espanha


Por Blanca Ruiz

MADRI, 17 Abr. 19 / 01:30 pm (ACI).- Embora o Santo Sudário de Turim (Itália) seja o objeto mais importante relacionado a Jesus que permanece até hoje, a Espanha também tem entre os seus tesouros três relíquias importantes de Cristo.

Estas relíquias são o Santo Cálice ou Santo Graal que está guardado na Catedral de Valência (Espanha); o Sudário de Oviedo, pano que cobriu o rosto de Jesus; e o Lignum Crucis, um pedaço da cruz do Senhor.

Estas relíquias foram estudadas em profundidade e permitem aproximar-se um pouco mais da Paixão de Cristo.

O Santo Cálice da Última Ceia

Segundo a tradição, o cálice que Jesus usou na Última Ceia, o Santo Cálice ou Santo Graal, é o objeto sagrado preservado na Catedral de Valência, (Espanha).

Este vaso sagrado é formado por um copo de cristal de ágata, uma base e duas alças. O que se sabe é que somente o copo de cristal de ágata teria sido usado por Jesus. A base e alças com pedras preciosas foram inseridas durante a época medieval.

Segundo o Pe. Jaime Sancho, custódio do Santo Cálice na Catedral de Valência, o estudo mais completo deste objeto foi realizado em 1960 e demonstrou que existe um alto grau de provas que confirmem a autenticidade desta relíquia.

“Nenhum estudo arqueológico posterior desmentiu esta pesquisa. É o único cálice que resistiu a críticas e investigação histórica”, assegurou o Pe. Sancho em entrevista concedida ao Grupo ACI em julho de 2016.

“Quando uma pessoa olha para esta relíquia descobre o amor de Deus na Eucaristia e isso é o que converte”, assegurou o sacerdote e precisou que durante esses anos que ele é custódio do Santo Cálice viu “muitas pessoas” chorarem ao ver esta relíquia “e perceber o quanto Deus nos ama, o quanto Deus está esperando por mim e me esperar nas coisas mais simples e pequenas”.

O Santo Cálice teve uma relação muito especial com os Papas. De fato, quatro Pontífices se relacionaram com ele: São João XXIII concedeu indulgência plenária na festa do Santo Cálice celebrada no dia 30 de outubro; São João Paulo II o venerou na Catedral de Valência e consagrou com ele durante a sua visita à Espanha em 1982.

Bento XVI o usou durante a Missa do V Encontro Mundial das Famílias, realizada em Valência em 2006 e o Papa Francisco concedeu a celebração do Ano Santo do Cálice que começou no dia 29 de outubro de 2015 e terminou em novembro de 2016, junto com o Ano da Misericórdia. O Ano Jubilar do Santo Cálice é celebrado regularmente a cada cinco anos.

O Sudário de Oviedo

Segundo a tradição, o sudário que cobria o rosto de Jesus está guardado na Catedral de Oviedo e é exposto ao público apenas três vezes por ano: na Sexta-feira Santa; no dia 14 de setembro, dia da Santa Cruz; e em 21 de setembro, festa do Apóstolo São Mateus, padroeiro da cidade espanhola.

Os apóstolos veneraram em Jerusalém as relíquias da Paixão, incluindo o Sudário, durante os primeiros anos do cristianismo. Com a invasão dos persas no século VII, conseguiram salvá-lo e foi levado à Espanha.

Jorge Manuel Rodríguez Almenar, presidente do Centro Espanhol de Sindonologia, explicou em diversas ocasiões que os estudos mostram que todos os elementos do Sudário de Oviedo coincidem com os do Santo Sudário.

O último estudo realizado pela Universidade Católica de Murcia, na Espanha, concluiu que ambos os panos envolveram a mesma pessoa. Também precisou que o homem do Santo Sudário e do Sudário de Oviedo sofreu a mesma ferida no lado.

Algo que está de acordo com o que foi relatado no Evangelho de João, quando diz: “Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água”.

Lignum Crucis: Uma relíquia da Cruz de Cristo
O mosteiro franciscano de São Toríbio de Liébana, na Cantábria, guarda há mais de 1200 anos um grande pedaço da Cruz de Jesus.

Esta relíquia é conhecia pelo seu nome em latim Lignum Crucis, que significa lenho ou madeira da Cruz. Este objeto sagrado corresponde à madeira horizontal do lado esquerdo.

Santa Helena, mãe do imperador Constantino, decidiu conservar as relíquias da Paixão do Senhor. Uma delas foi a Cruz, que chegou à Espanha no século XVI, com os restos de Santo Toribio, que tinha sido custódio dos lugares santos em Jerusalém.

Em 1958, realizaram alguns testes para comprovar a sua autenticidade e “confirmaram que a madeira é de uma árvore que existe na Terra Santa e que tem uma idade superior a 2000 anos”, assegurou ao Grupo ACI o Pe. Juan Manuel Núñez, superior do convento de São Toríbio de Liébana.

Além disso, o DNA da relíquia coincide com o de outros pedaços menores da cruz conservados em diferentes lugares do mundo.

“A maior prova de veracidade das Lignum Crucis são todas as conversões que ocorrem no sacramento da confissão no mosteiro”, afirma o sacerdote.

Segundo Pe. Núnez, o Lignum Crucis fala, “através de uma linguagem silenciosa, do amor de Deus que se entrega ao coração de todos os homens. Um amor que ficou marcado para sempre na Cruz e que diz a todos: ‘Embora não saibam lê-lo aqui diz como e quanto os amo’”.

Desde o século XVI se celebra o Ano Jubilar Lebaniego São Toríbio de Liébana. Este Ano Santo ocorre cada vez que o dia 16 de abril (festa de São Toríbio) cai em um domingo. O último Ano Jubilar Labaniego começou em 23 de abril de 2017, pois 16 de abril coincidia com o Domingo da Ressurreição, e terminou em 22 de abril de 2018. O próximo Ano Santo Lebaniego será em 2023.

Fonte: ACI digital

Foto: Relíquia Lignum Crucis (esquerda), Sudário de Oviedo e Santo Cálice (direita). Foto: Wikipédia (Domínio público).



Papa explica as palavras com as quais Jesus rezou ao Pai durante a Paixão


Vaticano, 17 Abr. 19 / 09:34 am (ACI).- Em sua catequese pronunciada na Audiência Geral desta quarta-feira, 17 de abril, na Praça de São Pedro, o Papa Francisco refletiu sobre as palavras com as quais Jesus rezou ao Pai durante a Paixão. A primeira invocação aconteceu depois da Última Ceia, quando o Senhor disse: “Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho (...) Glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse”.

“Jesus pedia a glória, um pedido que parece paradoxal, já que a Paixão está às portas. De qual glória se trata?”, perguntou o Santo Padre. Em seguida, detalhou alguns momentos na Bíblia nos quais se descreve como Deus expressa sua glória. Por exemplo, ao povo de Israel ao libertá-lo do Egito, ou no templo de Jerusalém, ao fazer-se visível nas visões dos profetas.

“A glória indica a revelação de Deus, é o sinal distintivo da sua presença salvadora entre os homens. Agora, Jesus é aquele que manifesta de modo definitivo a presença e salvação de Deus”, assegurou.

Essa expressão é realizada durante a Páscoa, explicou o Papa, “levantado na Cruz é glorificado. Ali Deus finalmente revela sua glória: tira o último véu e nos surpreende ainda mais. Descobrimos realmente que a glória de Deus é toda Amor: amor puro, louco e impensável, muito além de qualquer limite e medida”.

Por isso, o Papa convidou a fazer “nossa a oração de Jesus: peçamos ao Pai que tire os véus dos nossos olhos para que nesses dias, olhando o crucifixo, possamos acolher o fato que Deus é Amor”.

“Quantas vezes o imaginamos patrão e não Pai, quantas vezes pensamos que Ele é juiz severo, muito mais que Salvador misericordioso! Mas Deus, na Páscoa, zera as distâncias e se mostra na humildade de um amor que pede o nosso amor”.

De fato, “nós, então, o damos glória quando vivemos tudo o que fazemos com amor, quando fazemos cada coisa de coração, por Ele”.

“A verdadeira glória é a do amor, porque é a única que dá vida ao mundo. Sim, esta glória é o contrário da glória mundana, que vem quando se é admirado, louvado, aclamado: quando eu estou ao centro da atenção”.

Pelo contrário, a glória de Deus “é paradoxal: nada de aplausos, nada de audiência. Ao centro não está o ‘eu’, mas o ‘outro’: na Páscoa vemos que o Pai glorifica o Filho enquanto o Filho glorifica o Pai. Nenhum glorifica a si mesmo. E, ao culminar a Paixão, Jesus diz: ‘Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito’. O Espírito que o Pai tinha entregado a Jesus, Jesus o devolde ao Pai. O meu se converte em teu”.

Após a Última Ceia, “Jesus entra no jardim do Getsêmani e também reza ao Pai. Enquanto os discípulos não conseguem estar acordados e Judas está chegando com os soldados, Jesus começa a sentir medo e angústia”.

Em meio a esta desolação, “dirige ao Pai a palavra mais terna e doce ‘Abba’, Paizinho! Na dor, Jesus nos ensina a abraçar o Pai porque na oração a Ele está a força de seguir adiante nas dores. Nas fadigas a oração é alivio, conforto”.

“Quando foi abandonado por todos, na desolação interior Jesus não está sozinho, está com o Pai. Nós, ao contrário, nos nossos ‘Getsêmani’ geralmente escolhemos permanecer sozinhos ao invés de dizer ‘Pai’ e confiar-nos, como Jesus, à sua vontade, que é sempre para o nosso verdadeiro bem”.

Nesse sentido, assegurou que “o maior problema não é a dor, mas como a enfrentamos. A solidão não nos oferece vias de saída; a oração sim, porque é relação, confiança. Jesus se confia ao Pai, dizendo a Ele o que sente, se apoiando nele durante a luta”. “Quando entrarmos nos nossos ‘Getsêmanis’, devemos nos recordar de rezar assim: ‘Pai’”.

Por fim, “Jesus dirige ao Pai uma terceira oração por nós: ‘Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem’. Jesus reza por quem foi mal com Ele, por seus assassinos. O evangelho específica que esta oração acontece no momento da crucificação. Era provavelmente o momento da dor mais aguda, quando os pregos eram enfiados nos pulsos e nos pés”.

“No ápice da dor, consegue culminar o amor: chega o perdão, ou seja, o dom a enésima potência, que desfaz o círculo do mal. Jesus rezou por nós ao Pai, para que do Pai venha o perdão que nos liberte o coração, que nos cure por dentro”, concluiu o Papa Francisco.

Fonte: ACI digital



Hoje a Igreja celebra Santa Catarina Tekakwitha, a primeira santa pele vermelha


REDAÇÃO CENTRAL, 17 Abr. 19 / 06:00 am (ACI).- Neste dia 17 de abril, a Igrejacelebra a festa de Santa Catarina (Kateri) Tekakwitha, a primeira santa pele vermelha dos Estados Unidos. É considerada padroeira da natureza e da ecologia junto com São Francisco de Assis. Suas últimas palavras foram: “Jesus, te amo!”.

Catarina nasceu em Auriesville, Nova York (Estados Unidos), em 1656. Sua mãe era uma cristã membro da tribo algonquina, que tinha sido capturada pelos iroqueses e libertada por quem seria o pai de Tekakwitha, um chefe tribal Mohawk.

Quando ela tinha quatro anos, seus pais e seu irmão morreram pela epidemia de varíola. Por causa dessa mesma doença, ela ficou com o rosto desfigurado, a visão seriamente danificada e sob a responsabilidade de seus tios.

Aos seus 11 anos, Catarina conheceu a fé cristã quando chegaram ao seu povo os missionários jesuítas que acompanhavam os deputados mohicanos para assinar a paz com os franceses.

Embora tenha aceitado rapidamente, a jovem pediu para ser batizada aos 20 anos, enfrentando a oposição de sua família e para a recusa de sua comunidade. Teve que fugir de seu povo até chegar a algumas comunidades cristãs no Canadá.

Mais tarde, fez a Primeira Comunhão no dia de Natal e realizou o voto de castidade. Durante sua curta vida, manteve uma intensa devoção ao Bendito Sacramento.

Partiu para a Casa do Pai em 17 de abril de 1680, na Semana Santa daquele ano, e com apenas 24 anos. Após sua morte, o povo desenvolveu imediatamente uma grande devoção por ela e muitos peregrinos iam visitar seu túmulo, em Caughnawaga.

Conta a tradição que as cicatrizes que a santa tinha no rosto sumiram depois que faleceu e que muitos enfermos que foram ao funeral se curaram.

Em 1884, oPe. Clarence Walworth mandou erguer um monumento junto a sua sepultura e chegou a ser conhecida como “O Livro dos Mohawks”.

Santa Catarina foi beatificada por São João Paulo II, em 1980, e canonizada pelo Sumo Pontífice Emérito Bento XVI, em outubro de 2012.

Embora sua festa seja celebrada no dia 14 de julho nos Estados Unidos, no restante do mundo, de acordo com o martirológio, hoje se recorda Santa Catarina Tekakwitha.


Fonte: ACI digital



terça-feira, 16 de abril de 2019

Igreja celebra hoje Santa Bernadette Soubirous, a vidente da Virgem de Lourdes


REDAÇÃO CENTRAL, 16 Abr. 19 / 05:00 am (ACI).- “Sim, mãe querida, tu baixaste até a Terra e apareceste a humílima menina... Tu rainha do céu e da terra quiseste escolher-me porque era o que de mais frágil havia no mundo”, disse em uma ocasião Santa Bernadette Soubirus, a vidente da Virgem da Lourdes e cuja festa se celebra neste dia 16 de abril.

Santa Bernadette nasceu em 7 de janeiro de 1844 em Lourdes (França). Recebeu como nome de batismo Marie-Bernard, mas costumavam chamá-la pelo diminutivo “Bernardette”. Sua família padeceu a mais absoluta pobreza.

Bernadette ficou sob responsabilidade de sua ama, que a enviou ao pastoreio de ovelhas, mas isso dificultava que ela se preparasse para receber a Primeira Comunhão. Era a única menina de quase 14 anos que não tinha recebido a Eucaristia. Como era muito boa pastora, obrigaram-na a cuidar mais tempo das ovelhas.

Mais adiante, pediu aos seus pais para voltar para casa, porque queria receber a Primeira Comunhão e seus pais aceitaram. Com este desejo é que lhe aparece a Virgem de Lourdes, que chamava a si mesma “a Imaculada Conceição”.

Depois das aparições, a humilde jovem se manteve simples e modesta, sem procurar a agitação nem popularidade. Recebeu sua Primeira Comunhão em 3 de junho de 1858, no dia de Corpus Christi daquele ano.

Recebeu incompreensões, zombarias e quase sempre estava doente. Sofria de vômitos com sangue, asma crônica, tuberculose, aneurisma, dor de estômago, deterioração do osso, abcessos nos ouvidos e um tumor no joelho.

A Virgem havia dito a Santa Bernadette: “Não prometo fazer-te feliz neste mundo, mas sim no outro”.

Em 1860, as Irmãs da Caridade de Nevers, que serviam na escola e hospital, ofereceram a ela asilo. Lá, foi designada uma irmã que lhe ensinou a ler e escrever. Ao crescer, Bernadette também passou por momentos de vaidade, buscando ter uma boa aparência, mas essas coisas passaram rápido e não prejudicaram sua simplicidade de coração.

Mais tarde, decidiu abraçar a vida religiosa e pediu para ser aceita pela Madre Superiora. Aos 22 anos, foi pela última vez à amada gruta para despedir-se, antes de ingressar no noviciado.

Sua saúde decaiu seriamente e a Madre Superiora quis lhe dar o consolo de que pronunciasse os votos. Durante a cerimônia, ela fez gestos de consentimento, porque não podia falar, e lhe deram o véu de professa. Na manhã seguinte, despertou feliz e a Madre Superiora lhe disse para remover o véu e ela humildemente aceitou.

Em 30 de outubro de 1867, fez seus votos temporários aos 23 anos e, em 1878, emitiu os votos perpétuos. Depois, sua saúde se deteriorou e voltou para a enfermaria. Ali, sofreu muito, superou a tentação de pensar que não poderia ser salva, não se deixou vencer e se manteve serena.

Padeceu durante a Semana Santa de 1879. Em 16 de abril, pediu às religiosas que rezassem o Rosário. Após a conclusão de uma Ave-Maria, seu rosto expressou um sorriso, como se visse de novo a Virgem da gruta e partiu para a Casa do Pai às 3h15.

“Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por mim pobre pecadora... pecadora”, foram suas últimas palavras. Seu corpo permanece incorrupto em sua capela em Nevers, com a aparência de estar adormecida.

Fonte: ACI digital



Avisos

Olá irmãs e irmãos de fé! Paz e Bem!

Para ajudar, tenho colocado as orações do programa de rádio Momento de Fé, porém muitos estão se confundindo e achando que meu blog é do Padre Marcelo Rossi. Irmãs(os), este blog não é do Padre Marcelo Rossi, para que sua mensagem chegue ao padre, você terá que acessar os sites dele : 1) Padre Marcelo Rossi 2) Facebook Padre Marcelo Rossi

Obrigada - Adriana dos Anjos/Devoção e Fé Blog