Fevereiro 2019 - Devoção e Fé - Blog Católico

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Mãe encontra vídeo no YouTube com dicas para crianças se matarem


Trecho oculto na programação infantil da plataforma orientava como cortar os pulsos de maneira eficiente para "obter resultado"

A pediatra Free Hess, que é mãe e vive na Flórida, Estados Unidos, encontrou um vídeo no YouTube Kids, voltado para o público infantil, com orientações escondidas sobre como cometer suicídio.

O caso foi noticiado, nesta terça-feira (26), no jornal britânico Daily Mail.

Free estava assistindo a um vídeo com o filho e foi surpreendida com o trecho que ensinava como cortar os pulsos de maneira eficaz.

Segundo o relato da mãe em seu blog, um homem surge, estende o braço, traça o antebraço e diz: "Crianças, lembrem-se, cortem esse caminho para chamar a atenção, e desta forma obter resultados"
Trecho de vídeo no YouTube ensina crianças a cortarem o pulso

“Eu sei que o YouTube tem alguns vídeos doentios, mas achei que o YouTube Kids estava seguro. Eles, com certeza, fazem parecer que é”, afirma Free Hess

Free acredita que o vídeo foi intencionalmente implantado na plataforma para prejudicar as crianças. Ela alerta que os pais baixam a guarda quando acreditam que os filhos estão apenas assistindo a desenhos animados inofensivos.

Após assistir ao conteúdo outra vez, para ter certeza, a médica decidiu denunciar o caso à plataforma e fez uma campanha entre amigos e familiares para fazerem o mesmo.

O vídeo foi retirado do ar pelo YouTube. No entanto, até a exibição ser completamente suspensa, houve milhares de visualizações.

Fonte: R7 notícias



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Tragédia em Brumadinho completa um mês: a oração do Papa


O presidente da CNBB, Card. Sérgio da Rocha, entregou ao Papa Francisco na última sexta-feira o colete utilizado pelos voluntários em Brumadinho. “Que este testemunho de atenção do próprio Papa em relação a Brumadinho motive toda a Igreja no Brasil a ter a mesma solidariedade, a querer sempre mais estar unida aos irmãos e irmãs que ali estão.”

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

“Que este testemunho de atenção do próprio Papa em relação a Brumadinho motive toda a Igreja no Brasil a ter a mesma solidariedade, a querer sempre mais estar unida aos irmãos e irmãs que ali estão”: palavras do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Card. Sérgio da Rocha.

O arcebispo de Brasília teve a oportunidade de entregar ao Papa o colete utilizado por voluntários em Brumadinho. A entrega ocorreu na sexta-feira (22/02), à margem do encontro para a proteção dos menores na Igreja.

Eu recebi este colete quando estive em Brumadinho e foi pedido que eu entregasse ao Papa Francisco. Fiz isso. O Papa expressa a sua solidariedade, a sua oração, acolhendo esta veste com muita atenção. Isto é, o Papa se interessou para saber melhor da própria situação em Brumadinho e expressou sua oração, sua solidariedade. Eu já procurei transmitir isso ao Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor, à Igreja que está em Belo Horizonte, à Igreja que está em Brumadinho. A Igreja local tem dado um testemunho muito belo de solidariedade, de serviço e nos ensina a todos a sermos solidários com os irmãos que mais sofrem e a permanecer nessa atitude de atenção, de solidariedade e de serviço em relação aos nossos irmãos e irmãs, às famílias que têm sofrido com a tragédia de Brumadinho. Por quê? Com o passar do tempo, corre-se o risco de esquecer as lições de Brumadinho, mas também de não dar a devida atenção às pessoas que ali estão, às famílias que estão sofrendo. Claro, há também a recordação saudosa daqueles que partiram.

Creio que o Papa Francisco ao receber este colete que tem sido utilizado por aqueles que estão servindo lá em Brumadinho, ele nos ajuda a estar mais próximos, porque ele demonstra esta atenção, esta proximidade afetuosa, a sua oração e a sua solidariedade. Que este testemunho de atenção do próprio Papa em relação a Brumadinho motive toda a Igreja no Brasil a ter a mesma solidariedade, a querer sempre mais estar unida aos irmãos e irmãs que ali estão, mas também a oferecer a sua contribuição para que situações como ocorreu lá jamais aconteçam novamente no Brasil.

Tríduo de oração

Passado um mês da tragédia, o número de mortos chega a 176. Os desaparecidos são 134. A Arquidiocese de Belo Horizonte organizou um tríduo de oração, que se conclui esta segunda-feira (25/02) com a celebração da missa na Igreja São Sebastião, Matriz de Brumadinho, presidida pelo Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giovanni d’Aniello.

25 fevereiro 2019, 12:14

Fonte: Vatican News



Vaticano anuncia medidas concretas para lutar contra abusos de menores


Coletiva de imprensa final do Encontro sobre Proteção de Menores. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

Vaticano, 25 Fev. 19 / 09:35 am (ACI).- O Vaticano promoverá uma nova série de regulamentos e códigos legais destinados a proteger menores na Igreja e prevenir abusos.

O anúncio foi feito em coletiva de imprensa por Pe. Federico Lombardi, Moderador do Encontro sobre Proteção de Menores, que ocorreu em Roma de quinta-feira, 21, a domingo, 24 de fevereiro, com os presidentes das Conferências Episcopais e Bispos.

Entre essas iniciativas, citou um novo Motu Proprio do Papa Francisco "sobre a proteção de menores e pessoas vulneráveis", para "reforçar a prevenção e lutar contra os abusos na Cúria Romana e no Estado da Cidade do Vaticano".

Esse Motu Proprio "será acompanhado de uma nova lei do Estado da Cidade do Vaticano e de diretrizes para o Vicariato da Cidade do Vaticano sobre esta matéria".

Outra iniciativa é "a publicação pela Congregação para a Doutrina da Fé de um vade-mécum que irá ajudar os bispos do mundo a compreenderem claramente seus deveres e suas funções".

Por outro lado, “no espírito da comunhão da Igreja universal, o Papa manifestou a intenção de favorecer a nomeação de pessoas competentes que ajudem as conferências episcopais e dioceses que estejam com dificuldades para enfrentar os problemas e realizar iniciativas para a proteção de menores".

Finalmente, anunciou que nesta segunda-feira, 25 de fevereiro, "a comissão organizadora irá se reunir com os responsáveis da Cúria Romana que participaram do Encontro, a fim de estabelecer a partir de agora o trabalho necessário para dar continuidade, segundo o desejo do Santo Padre, aos propósitos e às ideias amadurecidos nestes dias”.

Por sua vez, nessa coletiva de imprensa também participou Dom Charles J. Scicluna, Arcebispo de Malta e Secretário Adjunto da Congregação para a Doutrina da Fé, e assegurou que "pretendemos reformar a questão do segredo pontifício".

Explicou que "o segredo pontifício serve para garantir a liberdade da Igreja, mas no caso de abusos sexuais isso não pode ser aplicado. É contraproducente e, portanto, requer uma reforma. Não se trata de um valor absoluto, não estamos falando do segredo de confissão, pode-se negociar".

Destacou também que "o abuso de menores é um crime ultrajante, assim como o seu acobertamento. E acho que isso ficou muito claro. Agora não há como voltar atrás. Durante décadas nos concentramos no crime, mas agora assumimos que o acobertamento também é um crime igual".

Na coletiva de imprensa, também falou o Cardeal Oswald Gracias, Arcebispo de Bombaim e presidente da Conferência Episcopal da Índia. Ressaltou que a reunião serviu para "tomar consciência da gravidade do problema".

"Alcançamos esse objetivo de conscientização, mas nosso objetivo final é a total erradicação do problema. A Igreja está agora agindo na linha de frente quando se trata de defender menores".

Fonte: ACI digital



Venezuela: Bispo pede a militares e policiais que em nome de Deus não disparem contra povo


CARACAS, 25 Fev. 19 / 04:30 pm (ACI).- O Bispo de San Cristóbal (Venezuela), Dom Mario Moronta, pediu a "todos os militares e policiais que em nome de Deus não levantem a voz, nem ataquem com armas aqueles que estão tentando fazer o bem para toda a Venezuela".

Em uma mensagem divulgada em 23 de fevereiro, depois que as tropas e paramilitares ligados ao governo de Nicolás Maduro atacaram aqueles que transportavam ajuda humanitária através das fronteiras da Colômbia, Brasil e Curaçao, Dom Moronta lamentou "o número de feridos e mortos por causa da repressão e violência, o sangue dos irmãos clama por justiça diante de Deus".

Em meio às tentativas para que a ajuda humanitária cruze a fronteira com a Venezuela no dia 23 de fevereiro, as forças armadas, a polícia e as forças paramilitares ligadas ao regime de Maduro causaram pelo menos quatro mortes, dezenas de feridos e queimaram caminhões carregados com alimentos e remédios.

A ajuda humanitária foi coordenada entre vários países com o presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, designado pela Assembleia Nacional em 23 de janeiro.

"Aqueles que deveriam estar cuidando de tudo o que é o bem-estar do povo incendiaram as cargas que são um símbolo da ajuda humanitária de outros países e dos esforços de muitos homens e mulheres também da Venezuela. Isso não é somente um pecado de imoralidade, é um ato de desumanidade pelo qual terão que responder diante de Deus", disse o Prelado venezuelano.

"A todos os que têm autoridade militar ou policial, não disparem contra o povo, não levantem a voz contra o povo, não esqueçam que vocês também são povo e, se isso significa muito para vocês, pensem também em suas famílias, vizinhos e amigos que também estão sofrendo, não deixem de sentir-se povo. Respeitem, protejam e dignifiquem o povo da Venezuela", incentivou.
Fonte: ACI digital

Venezuela: Arcebispo alerta sobre graves consequências após destruição de ajuda humanitária


CARACAS, 25 Fev. 19 / 01:30 pm (ACI).- O Arcebispo de Ciudad Bolívar (Venezuela), Dom Ulises Antonio Gutiérrez Reyes, alertou sobre as "consequências muito graves" para o regime de Nicolás Maduro após a destruição da ajuda humanitária que entrou no país.

Através do Twitter, Dom Gutiérrez Reyes, referindo-se aos eventos ocorridos no dia 23 de fevereiro, assinalou que “os crimes cometidos hoje, assassinando pessoas nas fronteiras com Brasil e Colômbia e a destruição da ajuda humanitária, estabelece outro cenário que trará consequências muito graves para o regime. Já basta”.

Algumas horas antes, o Arcebispo de Ciudad Bolívar assegurou que "hoje se trava em toda a Venezuela a grande batalha pela dignidade. Hoje é um dia histórico, pois renasce a Venezuela que todos queremos, nada, nem ninguém vai impedir isso".

A ajuda humanitária coordenada pela comunidade internacional e pelo presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, começou sua entrada na Venezuela em 23 de fevereiro, a partir de Colômbia, Brasil e Curaçao. No entanto, grupos paramilitares e policiais do regime de Maduro atacaram com tiros e queimaram pelo menos três veículos que transportavam alimentos, remédios e outros suprimentos para os venezuelanos.

Estima-se que pelo menos quatro pessoas foram mortas por pessoas ligadas ao governo de Maduro e dezenas ficaram feridas.

Guaidó destacou que o governo que assumiu desde 23 de janeiro, por encargo da Assembleia Nacional, continua "recebendo o apoio da comunidade internacional, que pôde ver com seus próprios olhos, como o regime usurpador viola o Protocolo de Genebra, onde se afirma claramente que destruir a ajuda humanitária é um crime contra a humanidade”.

Mais adiante, o presidente interino da Venezuela postou no Twitter que Maduro e seus apoiadores "disseram que não iríamos chegar à fronteira: todos nós chegamos e as pessoas vieram para receber a ajuda. Disseram que a ajuda não ia entrar: os caminhões atravessam o país. Disseram que tinham Povo: estão sozinhos e dezenas de soldados os abandonaram".

Fonte: ACI digital



Guia de uso de eletrônicos para crianças de 3-6-9-12


Mathilde de Robien | Fev 24, 2019
Desenvolvido por especialistas, este é um guia extremamente simples e útil

Os médicos são unânimes em sua opinião de que a exposição precoce a dispositivos eletrônicos leva a muitos distúrbios em crianças.

Estudos mostram que muito tempo de tela pode causar problemas de visão em crianças, e muitos relatórios mostram distúrbios relacionados ao sono, concentração, comportamento, linguagem e muito mais. A lista apenas continua a crescer.

Para ajudar os pais a fornecerem aos filhos uma norma saudável para o uso da tela, o psiquiatra Serge Tisseron criou a regra 3-6-9-12, articulada em torno de quatro etapas essenciais da vida de uma criança: pré-escolar, ingresso no ensino fundamental, o domínio da leitura e da escrita e a transição para o ensino médio. Aqui está a regra que ele propõe:

Nenhum dispositivo eletrônico antes dos 3 anos de idade

Embora saibamos que mais de dois terços das crianças menores de dois anos assistam à TV todos os dias, é útil recordar essa regra básica, amplamente sugerida pelos pediatras. Tisseron ressalta que a melhor maneira de promover o desenvolvimento das crianças é que seus pais brinquem com elas, e não que elas assistam à TV ou joguem em dispositivos eletrônicos. Deixar a televisão ligada pode ser prejudicial para o aprendizado das crianças, mesmo que elas não estejam assistindo.

Nenhum videogame antes dos 6 anos

“Assim que os jogos digitais são introduzidos na vida da criança, eles chamam sua atenção, e isso é, obviamente, à custa de suas outras atividades”, diz o psiquiatra. Em média, as crianças passam 30 minutos por dia em frente aos seus videogames. Mas antes de entrar em videogames, as crianças precisam descobrir seus próprios dons manuais e sensoriais.

Para evitar que as crianças se sintam “donas” de um videogame ou tablet, o que dificulta o controle de seu uso, Tisseron convida os pais a declarar que todos os dispositivos digitais usados ​​pelas crianças pertencem a toda a família. Quando você tiver mais de um filho, faça um cronograma para quem usa os dispositivos e a que horas.

Sem internet antes dos 9 anos, e depois, apenas acompanhado por um adulto até o ensino médio

Segundo Tisseron, o acompanhamento dos pais ao uso da internet não se destina apenas a impedir que a criança seja confrontada com imagens violentas ou pornográficas. Os pais também devem apontar três regras essenciais: tudo o que colocamos online pode acabar no domínio público, tudo o que colocamos online permanecerá lá para sempre, e tudo o que encontramos online é questionável porque não podemos saber se é verdade ou se é falso sem verificar fontes confiáveis. O pai/mãe deve estar presente para fazer isso, planejando com a criança o tempo a ser reservado para o uso do computador e tendo tempo para conversar com ela sobre o que ela vê e faz.

Internet liberada a partir dos 12 anos, mas com cautela

Mesmo nessa idade, o apoio dos pais é necessário. Os pais precisam definir com seus filhos as regras a serem seguidas, concordar com as programações predefinidas para estar online, estabelecer um sistema de controle. Este é o momento para conversar sobre download, plágio, pornografia e intimidação, e desligar o Wi-Fi e telefones celulares à noite.

É claro que essas regras precisam ser adaptadas a cada família e às necessidades e ao nível de maturidade de cada criança. Versões mais detalhadas e diferenciadas dessas diretrizes podem ser encontradas na versão em inglês do panfleto 3-6-9-12. Serge Tisseron foi premiado ​​pelo desenvolvimento do guia 3-9-6-12 pelo Family Online Safety Institute em 2013, em Washington, D.C.

Fonte: Aleteia



Papa: esforço conjunto para combater grave flagelo da violência contra menores


"Desta forma, saberemos colaborar com todo o nosso coração e com eficácia, juntamente com todas as pessoas de boa vontade e todos os componentes e as forças positivas da sociedade, em todos os países e em nível internacional, para que se combata até o fim, de todas as formas, o grave flagelo da violência contra centenas de milhões de menores, crianças, meninas e meninos, em todo o mundo", foi a exortação do Papa no Angelus

Cidade do Vaticano

Após rezar o Angelus com os peregrinos reunidos na Praça São Pedro, o Papa Francisco falou do Encontro concluído neste domingo no Vaticano, em que patriarcas, presidentes de todas as Conferências Episcopais, líderes das Igrejas Orientais Católicas, representantes dos Superiores das Congregações religiosas e vários dos seus colaboradores da Cúria Romana, trataram do tema da proteção dos menores:

“Como vocês sabem, o problema dos abusos sexuais contra menores por parte de membros do clero, suscitou há tempos grave escândalo na Igreja e na opinião pública, quer pelos dramáticos  sofrimentos das vítimas, quer pela injustificável negligência em relação a eles e o acobertamento dos culpados por parte de pessoas responsáveis ​​na Igreja.

Como é um problema difundido em todos os continentes, eu queria que tratássemos sobre ele em conjunto, de maneira corresponsável e colegiada, nós pastores das Comunidades católicas de todo o mundo. Ouvimos a voz das vítimas, rezamos e pedimos perdão a Deus e às pessoas ofendidas, tomamos consciência de nossas responsabilidades, de nosso dever de fazer justiça, na verdade, de rejeitar radicalmente todas as formas de abuso de poder, de consciência e sexual.

Queremos que todas as atividades e lugares da Igreja sejam sempre totalmente seguros para menores; que sejam tomadas todas as medidas possíveis para que crimes semelhantes não se repitam; que a Igreja volte a ser absolutamente credível e confiável em sua missão de serviço e educação para os pequenos, de acordo com o ensinamento de Jesus.

Desta forma, saberemos colaborar com todo o nosso coração e com eficácia, juntamente com todas as pessoas de boa vontade e todos os componentes e as forças positivas da sociedade, em todos os países e em nível internacional, para que se combata até o fim, de todas as formas, o grave flagelo da violência contra centenas de milhões de menores, crianças, meninas e meninos, em todo o mundo".

24 fevereiro 2019, 12:16

Fonte: Vatican News



domingo, 24 de fevereiro de 2019

D. Mark Coleridge: horrores do passado não se repitam. Igreja seja um lugar seguro para todos


O Papa Francisco presidiu neste domingo 24 de fevereiro a Missa de encerramento de um encontro com bispos do mundo inteiro sobre a proteção de menores na Igreja, que teve lugar na Sala Régia do Vaticano.

Houve momentos em que consideramos as vítimas e os sobreviventes como inimigos; "por vezes preferimos a indiferença do homem da terra e o desejo de tutelar a reputação da Igreja e também a nossa. Mostramos por demais pouca misericórdia e por isso recebemos o mesmo, porque a medida com a qual doamos será a medida nos será restituído", disse Dom Mark Coleridge, na homilia da Missa presidida pelo Santo Padre na Sala Régia.

Raimundo Lima  - Cidade do Vaticano

A homilia da Celebração Eucarística presidida pelo Santo Padre na Sala Régia do Palácio Apostólico, na conclusão do Encontro sobre a “Proteção dos menores na Igreja”,  foi proferida pelo arcebispo de Brisbane (Austrália).

"No Evangelho que acaba de ser proclamado ouvimos uma só voz. A voz de Jesus. Primeiro ouvimos a voz de Paulo e no final da Missa ouviremos a voz de Pedro, mas no evangelho há somente a voz de Jesus. É coisa boa que, após todas as nossas palavras, agora há somente as palavras de Cristo: somente Jesus permanece. Como no Monte da Transfiguração (cfr. Lc 9,36).

Ele nos fala do poder, e o faz nesta esplêndida Sala Régia que, por sua vez, fala de poder. Aqui vemos imagens de batalhas, de um massacre religioso, de lutas entre imperadores e papas. Este é um lugar no qual se encontram poderes terrenos e celestes, por vezes tocados pelos poderes infernais. Nesta Sala Régia a Palavra de Deus nos convida a contemplar o poder como o fizemos nos nestes três dias passados juntos. Em meio a encontros, sala de imprensa e escritura, portanto, temos uma refinada harmonia de vozes.

De pé acima Saul adormecido, Davi se mostra como uma figura possante, como justamente afirma Abisai: “Deus entregou hoje em tuas mãos o teu inimigo. Deixes que eu o crave em terra com uma lançada”. Mas Davi respondeu: “Não o mates! Pois quem poderia estender a mão contra o ungido do Senhor, e ficar impune?” Davi escolheu usar o poder não para destruir, mas para salvar o rei, o consagrado de Deus.

Os pastores da Igreja, como Davi, receberam o dom do poder – mas o poder de servir, de criar, um poder que é com e para, mas não sobre, como diz Paulo, que “Deus deu para a vossa edificação e não para a vossa ruína” (2 Cor 10, 8). O poder é perigoso porque pode destruir; e nestes dias refletimos sobre como na Igreja o poder pode destruir quando é separado do serviço, quando não é um modo para amar, quando se torna poder sobre.

Uma fileira de consagrados de Deus foi colocada em nossas mãos – pelo próprio Senhor. No entanto, podemos usar este poder não para criar, mas para destruir, até mesmo para matar. No abuso sexual, os poderosos estendem as mãos nos consagrados de Deus, até mesmo nos mais fracos e mais vulneráveis entre estes. Eles dizem “sim” ao pedido de Abisai: empunham a lança.
No abuso e no seu acobertamento, os poderosos se manifestam não como homens do céu, mas como homens da terra, como ouvimos das palavras de São Paulo. No Evangelho, o Senhor ordena: “Amai os vossos inimigos”.

Mas quem é o inimigo? Certamente, não aqueles que desafiaram a Igreja a olhar de frente os abusos e seu acobertamento, por aquilo que realmente eram: sobretudo as vítimas e os sobreviventes que nos levaram à dolorosa verdade contando suas histórias com tão grande coragem. Houve momentos, porém, em que consideramos as vítimas e os sobreviventes como inimigos –, mas não os amamos, não os abençoamos. Nesse sentido, fomos os nossos piores inimigos.

O Senhor nos pede para sermos “misericordiosos como o Pai é misericordioso”. Por tudo isso queremos uma Igreja verdadeiramente segura, e por quanto possamos ter feito para assegurar isso, nem sempre escolhemos a misericórdia do homem do céu. Por vezes preferimos a indiferença do homem da terra e o desejo de tutelar a reputação da Igreja e também a nossa. Mostramos por demais pouca misericórdia e por isso recebemos o mesmo, porque a medida com a qual doamos será a medida com a qual nos será restituído. Não sairemos impunes, como diz Davi, e a punição já recebemos.

O homem da terra deve morrer a fim de que possa nascer o homem do céu; o velho Adão deve deixar o lugar para o novo Adão. Isso exigirá uma verdadeira conversão sem a qual ficaremos no nível de “pura administração” – como escreve o Santo Padre na Evangelii Gaudium (n. 25) – aquela “pura administração” que não alcança o coração da crise dos abusos.

Somente esta conversão nos ajudará a ver que as feridas daqueles que foram vítimas de abusos são as nossas feridas, que o destino deles é o nosso, que não são os nossos inimigos, mas osso do nosso osso, carne da nossa carne (cfr. Gn 2, 23). Eles somos nós, e nós somos eles.

De fato, esta conversão é uma revolução copernicana. Como sabem, Copérnico demonstrou que não é o sol que gira em torno da terra, mas a terra que gira em torno do sol. Para nós, a revolução copernicana consiste na descoberta de que as pessoas vítimas de abusos não giram em torno da Igreja, mas que é a Igreja que gira em torno delas. Descobrindo isso podemos começar a ver com os olhos delas e ouvir com seus ouvidos; feito isso, o mundo e a Igreja assumem outro aspecto. Essa é a conversão necessária, a verdadeira revolução e a grande graça que pode abrir uma nova estação de missão para a Igreja.

Senhor, quando foi que te vimos vítima de abuso e não te ajudamos? Ele responderá: “Em verdade te digo: toda vez que fizeste isso a um destes meus últimos irmãos e irmãs, o fizeste a mim (Mt 25, 44-45)”. Neles, nos últimos entre os irmãos e irmãs, vítimas e sobreviventes, encontramos Cristo crucificado, o indefeso do qual fui o poder do Onipotente, o impotente em torno do qual a Igreja gira para sempre, o indefeso cujas cicatrizes resplandecem como o sol.

Nestes dias fizemos o Calvário – sim, até mesmo no Vaticano e na Sala Régia, somos uma grande montanha escura.

Escutando os sobreviventes, ouvimos Jesus chorar na escuridão (cfr. Mc 15, 34). Mas aqui nasceu a esperança de seu coração ferido, e a esperança torna-se oração enquanto a Igreja universal se reúne em torno de nós na sala do andar de cima: rezamos a fim de que a escuridão do Calvário conduza a Igreja que está no mundo à luz da Páscoa, ao Cordeiro que o nosso sol (cfr. Apocalipse 21, 23).

E no final, permanece somente a voz do Senhor ressuscitado que nos pede para não ficarmos olhando para o túmulo vazio, enquanto em nossa perplexidade nos perguntamos o que devemos fazer. Nem podemos permanecer na sala de cima onde Ele nos diz “a paz esteja convosco” (Jo 20, 19). Ele sopra sobre nós (cfr. Jo 20, 22) e o fogo de uma nova Pentecostes nos agarra (cfr. At 2, 2). Ele que é a paz escancara as portas da sala do andar de cima e as portas do nosso coração. Do medo nasce uma audácia apostólica, do mais profundo desalento a alegria do Evangelho.

Diante de nós há uma missão – uma missão que não pede somente palavras, mas ações reais e concretas.

Faremos tudo aquilo que estiver em nosso poder para levar justiça e recuperação aos sobreviventes dos abusos: os ouviremos, acreditaremos neles e caminharemos com eles; faremos de modo que todos aqueles que cometeram abusos não serão mais capazes de ofender; chamaremos a prestar contas quem escondeu os abusos; tornaremos mais rigorosos os procedimentos de seleção e de formação dos líderes da Igreja; educaremos nosso povo em relação às práticas pela tutela; faremos tudo aquilo que estiver em nosso poder para garantir que os horrores do passado não se repitam e que a Igreja seja um lugar seguro para todos, uma mãe amorosa em particular para os jovens e para as pessoas vulneráveis; não agiremos sozinhos, mas colaboraremos com todas as instâncias prepostas ao bem dos jovens e das pessoas vulneráveis; continuaremos aprofundando nosso conhecimento sobre os abusos e sobre seus efeitos, sobre por qual motivo puderam acontecer na Igreja e sobre o que deve ser feito para erradicá-los. Tudo isso exigirá tempo, mas não podemos permitir-nos falir.

Se conseguirmos fazer isso e mais, não somente conheceremos a paz do Senhor ressuscitado, mas nos tornaremos a sua paz numa missão até os confins da terra. No entanto, poderemos tornar-nos a paz somente se antes tivermos nos tornado o sacrifício. Digamos sim a isso numa só voz, quando neste altar imergimos nossos falimentos, nossas traições, toda a nossa fé, esperança e amor naquele único sacrifício de Jesus, vítima e vencedor, que “enxugará toda lágrima de seus olhos e não mais haverá a morte, nem pesar, nem grito, nem dor, porque as coisas de antes passaram” (Apocalipse 21, 4)".

24 fevereiro 2019, 10:04

Fonte: Vatican News



Papa: diante do mistério do mal, proteger os menores dos lobos vorazes


O «significado» existencial deste fenômeno criminoso, "tendo em conta a sua amplitude e profundidade humana, só pode ser a manifestação atual do espírito do mal. Sem ter presente esta dimensão, permaneceremos longe da verdade e sem verdadeiras soluções (...). Estamos perante uma manifestação do mal, descarada, agressiva e destruidora (...), que no seu orgulho e soberba, se sente o dono do mundo e pensa que venceu", alertou o Papa em seu discurso.

Cidade do Vaticano

O Papa Francisco presidiu na manhã deste domingo, 24, na Sala Régia do Palácio Apostólico, a Santa Missa com os presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo e superiores de Congregações, presentes no Encontro sobre a Proteção dos Menores e Adultos Vulneráveis na Igreja. Eis seu pronunciamento:

"Amados irmãos e irmãs!

Ao dar graças ao Senhor que nos acompanhou nestes dias, quero agradecer também a todos vós pelo espírito eclesial e o empenho concreto que manifestastes com tanta generosidade.

O nosso trabalho levou-nos a reconhecer, uma vez mais, que a gravidade do flagelo dos abusos sexuais contra menores é um fenômeno historicamente difuso, infelizmente, em todas as culturas e sociedades. Mas, apenas em tempos relativamente recentes, se tornou objeto de estudos sistemáticos, graças à mudança de sensibilidade da opinião pública sobre um problema considerado tabu no passado, ou seja, todos sabiam da sua existência, mas ninguém falava nele. Isto traz-me à mente também a prática religiosa cruel, difusa no passado em algumas culturas, de oferecer seres humanos – frequentemente crianças – como sacrifícios nos ritos pagãos. Todavia, ainda hoje, as estatísticas disponíveis sobre os abusos sexuais contra menores, compiladas por várias organizações e organismos nacionais e internacionais (Oms, Unicef, Interpol, Europol e outros), não apresentam a verdadeira extensão do fenômeno, muitas vezes subestimado, principalmente porque muitos casos de abusos sexuais de menores não são denunciados, sobretudo os numerosíssimos abusos cometidos no interior da família.

De fato, as vítimas raramente desabafam e buscam ajuda. Por trás desta relutância, pode estar a vergonha, a confusão, o medo de retaliação, os sentimentos de culpa, a difidência nas instituições, os condicionalismos culturais e sociais, mas também a falta de informação sobre os serviços e as estruturas que podem ajudar. Infelizmente, a angústia leva à amargura, e mesmo ao suicídio, ou por vezes a vingar-se, fazendo o mesmo. A única coisa certa é que milhões de crianças no mundo são vítimas de exploração e de abusos sexuais.

Seria importante referir os dados gerais – na minha opinião, sempre parciais – a nível global e sucessivamente a nível da Europa, da Ásia, das Américas, da África e da Oceânia, para ter um quadro da gravidade e profundidade deste flagelo nas nossas sociedades. Para evitar discussões desnecessárias, quero antes de mais nada salientar que a menção de alguns países tem por único objetivo citar os dados estatísticos referidos nos citados Relatórios.

A primeira verdade que resulta dos dados disponíveis é esta: quem comete os abusos, ou seja, as violências (físicas, sexuais ou emotivas) são sobretudo os pais, os parentes, os maridos de esposas-meninas, os treinadores e os educadores. Além disso, segundo os dados Unicef de 2017 relativos a 28 países no mundo, em cada 10 meninas-adolescentes que tiveram relações sexuais forçadas, 9 revelam que foram vítimas duma pessoa conhecida ou próxima da família.

De acordo com os dados oficiais do governo americano, nos Estados Unidos mais de 700.000 crianças são, anualmente, vítimas de violência e maus tratos. Segundo o Centro Internacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (Icmec), uma em cada 10 crianças sofre abuso sexuais. Na Europa, 18 milhões de crianças são vítimas de abusos sexuais.

Se tomarmos o exemplo da Itália, o relatório 2016 de «Telefone Azul» salienta que 68,9% dos abusos acontece dentro das paredes domésticas do menor.

Palco de violências não é apenas o ambiente doméstico, mas também o do bairro, da escola, do desporto e, infelizmente, também o ambiente eclesial.

Dos estudos realizados, nos últimos anos, sobre o fenômeno dos abusos sexuais contra menores, resulta também que o desenvolvimento da web e dos mass-media contribuiu para aumentar significativamente os casos de abusos e violências perpetrados on-line. A difusão da pornografia cresce rapidamente no mundo através da internet. O flagelo da pornografia assumiu dimensões assustadoras, com efeitos deletérios sobre a psique e as relações entre homem e mulher, e entre estes e os filhos. Um fenômeno em crescimento contínuo. Uma parte considerável da produção pornográfica tem, infelizmente, por objeto os menores, que deste modo ficam gravemente feridos na sua dignidade. Estudos neste campo documentam que isto acontece sob formas cada vez mais horríveis e violentas; chega-se ao extremo dos atos de abuso sobre menores comissionados e seguidos ao vivo através da internet.

Lembro aqui o Congresso internacional realizado em Roma sobre o tema da dignidade da criança na era digital; bem como o primeiro Fórum da Aliança Inter-religiosa para Comunidades mais Seguras, que teve lugar, sobre o mesmo tema, no passado mês de novembro, em Abu Dhabi.

Outro flagelo é o turismo sexual: anualmente, segundo os dados 2017 da Organização Mundial de Turismo, três milhões de pessoas no mundo viajam para ter relações sexuais com um menor. Fato significativo é que, na maior parte dos casos, os autores de tais crimes não sabem que estão a cometer um reato.

Estamos, pois, diante dum problema universal e transversal que, infelizmente, existe em quase toda a parte. Devemos ser claros: a universalidade de tal flagelo, ao mesmo tempo que confirma a sua gravidade nas nossas sociedades, não diminui a sua monstruosidade dentro da Igreja.

A desumanidade do fenômeno, a nível mundial, torna-se ainda mais grave e escandalosa na Igreja, porque está em contraste com a sua autoridade moral e a sua credibilidade ética. O consagrado, escolhido por Deus para guiar as almas à salvação, deixa-se subjugar pela sua fragilidade humana ou pela sua doença, tornando-se assim um instrumento de satanás. Nos abusos, vemos a mão do mal que não poupa sequer a inocência das crianças.

Não há explicações suficientes para estes abusos contra as crianças. Com humildade e coragem, devemos reconhecer que estamos perante o mistério do mal, que se encarniça contra os mais frágeis, porque são imagem de Jesus. É por isso que atualmente cresceu na Igreja a consciência do dever que tem de procurar não só conter os gravíssimos abusos com medidas disciplinares e processos civis e canônicos, mas também enfrentar decididamente o fenômeno dentro e fora da Igreja. Sente-se chamada a combater este mal que atinge o centro da sua missão: anunciar o Evangelho aos pequeninos e protegê-los dos lobos vorazes.

Quero repetir aqui claramente: ainda que na Igreja se constatasse um único caso de abuso – o que em si já constitui uma monstruosidade –, tratar-se-á dele com a máxima seriedade. De fato, na ira justificada das pessoas, a Igreja vê o reflexo da ira de Deus, traído e esbofeteado por estes consagrados desonestos. O eco do grito silencioso dos menores, que, em vez de encontrar neles paternidade e guias espirituais, acharam algozes, fará abalar os corações anestesiados pela hipocrisia e o poder. Temos o dever de ouvir atentamente este sufocado grito silencioso.

É difícil, porém, compreender o fenômeno dos abusos sexuais contra os menores sem a consideração do poder, pois aqueles são sempre a consequência do abuso de poder, a exploração duma posição de inferioridade do indefeso abusado que permite a manipulação da sua consciência e da sua fragilidade psicológica e física. O abuso de poder está presente também nas outras formas de abusos de que são vítimas quase oitenta e cinco milhões de crianças, no esquecimento geral: as crianças-soldado, os menores prostituídos, as crianças desnutridas, as crianças raptadas e frequentemente vítimas do monstruoso comércio de órgãos humanos, ou então transformadas em escravos, as crianças vítimas das guerras, as crianças refugiadas, as crianças abortadas, etc.

Perante tanta crueldade, tanto sacrifício idólatra das crianças ao deus poder, dinheiro, orgulho, soberba, não são suficientes meras explicações empíricas; estas não são capazes de fazer compreender a amplitude e a profundidade deste drama. A hermenêutica positivista demonstra, mais uma vez, a sua limitação. Dá-nos uma explicação verdadeira que nos ajudará a tomar as medidas necessárias, mas não é capaz de nos indicar o significado. E hoje precisamos de explicações e significados. As explicações ajudar-nos-ão imenso no setor operativo, mas deixar-nos-ão a meio do caminho.

Qual seria então o «significado» existencial deste fenômeno criminoso? Hoje, tendo em conta a sua amplitude e profundidade humana, só pode ser a manifestação atual do espírito do mal. Sem ter presente esta dimensão, permaneceremos longe da verdade e sem verdadeiras soluções.

Irmãos e irmãs, estamos hoje perante uma manifestação do mal, descarada, agressiva e destruidora. Por detrás e dentro disto está o espírito do mal, que, no seu orgulho e soberba, se sente o dono do mundo e pensa que venceu. Isto gostaria de vo-lo dizer com a autoridade de irmão e pai (pequeno, sem dúvida, mas que é o pastor da Igreja que preside na caridade): nestes dolorosos casos, vejo a mão do mal que não poupa sequer a inocência dos pequeninos. E isto leva-me a pensar no exemplo de Herodes que, impelido pelo medo de perder o seu poder, ordenou massacrar todas as crianças de Belém.

E assim como devemos tomar todas as medidas práticas que o bom senso, as ciências e a sociedade nos oferecem, assim também não devemos perder de vista esta realidade e tomar as medidas espirituais que o próprio Senhor nos ensina: humilhação, acusa de nós mesmos, oração, penitência. É o único modo de vencer o espírito do mal. Foi assim que Jesus o venceu.

Assim, o objetivo da Igreja será ouvir, tutelar, proteger e tratar os menores abusados, explorados e esquecidos, onde quer que estejam. Para alcançar este objetivo, a Igreja deve elevar-se acima de todas as polêmicas ideológicas e as políticas jornalísticas que frequentemente instrumentalizam, por vários interesses, os próprios dramas vividos pelos pequeninos.

Por isso, chegou a hora de colaborarmos, juntos, para erradicar tal brutalidade do corpo da nossa humanidade, adotando todas as medidas necessárias já em vigor a nível internacional e a nível eclesial. Chegou a hora de encontrar o justo equilíbrio de todos os valores em jogo e dar diretrizes uniformes para a Igreja, evitando os dois extremos: nem judicialismo, provocado pelo sentimento de culpa face aos erros passados e pela pressão do mundo midiático, nem autodefesa que não enfrenta as causas e as consequências destes graves delitos.

Desejo, neste contexto, citar as «Boas Práticas» formuladas, sob a guia da Organização Mundial da Saúde, por um grupo de dez Agências internacionais que desenvolveu e aprovou um pacote de medidas chamado INSPIRE, isto é, sete estratégias para acabar com a violência contra as crianças.

Valendo-se destas diretrizes, a Igreja, no seu percurso legislativo, graças também ao trabalho feito nos últimos anos pela Comissão Pontifícia para a Tutela dos Menores e à contribuição deste nosso Encontro, concentrar-se-á sobre as seguintes dimensões:

        1. A tutela das crianças: o objetivo primário das várias medidas é proteger os pequeninos e impedir que caiam vítimas de qualquer abuso psicológico e físico. Portanto, é necessário mudar a mentalidade combatendo a atitude defensivo-reativa de salvaguardar a Instituição em benefício duma busca sincera e decidida do bem da comunidade, dando prioridade às vítimas de abusos em todos os sentidos. Diante dos nossos olhos, devem estar sempre presentes os rostos inocentes dos pequeninos, recordando as palavras do Mestre: «Se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem em Mim, seria preferível que lhe suspendessem do pescoço a mó de um moinho e o lançassem nas profundezas do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos! São inevitáveis, decerto, os escândalos, mas ai do homem por quem vem o escândalo!» (Mt 18, 6-7).

        2. Seriedade impecável: gostaria de reiterar, aqui, que a Igreja «não poupará esforços fazendo tudo o que for necessário para entregar à justiça toda a pessoa que tenha cometido tais delitos. A Igreja não procurará jamais dissimular ou subestimar qualquer um destes casos» (Discurso à Cúria Romana, 21/XII/2018). É sua convicção que «os pecados e crimes das pessoas consagradas matizam-se de cores ainda mais foscas de infidelidade, de vergonha e deformam o rosto da Igreja, minando a sua credibilidade. De facto, a própria Igreja, juntamente com os seus filhos fiéis, é vítima destas infidelidades e destes verdadeiros crimes de peculato» (Ibidem).

3. Uma verdadeira purificação: apesar das medidas tomadas e os progressos realizados em matéria de prevenção dos abusos, é necessário impor um renovado e perene empenho na santidade dos pastores, cuja configuração a Cristo Bom Pastor é um direito do povo de Deus. Reitera-se, pois, «a firme vontade de prosseguir, com toda a força, pelo caminho da purificação. A Igreja (…) questionar-se-á como proteger as crianças; como evitar tais calamidades, como tratar e reintegrar as vítimas; como reforçar a formação nos seminários. Procurar-se-á transformar os erros cometidos em oportunidades para erradicar este flagelo não só do corpo da Igreja, mas também do seio da sociedade» (Ibidem). O temor santo de Deus leva a acusar-nos – como pessoa e como instituição – e a reparar as nossas falhas. Acusar-se a si próprio: é um início sapiencial, associado ao temor santo de Deus. Aprender a acusar-se a si próprio, como pessoa, como instituição, como sociedade. Na realidade, não devemos cair na armadilha de acusar os outros, que é um passo rumo ao álibi que nos separa da realidade.

4. A formação: ou seja, as exigências da seleção e formação dos candidatos ao sacerdócio com critérios não só negativos, visando principalmente excluir as personalidades problemáticas, mas também positivos oferecendo um caminho de formação equilibrado para os candidatos idóneos, tendente à santidade e englobando a virtude da castidade. Na encíclica Sacerdotalis caelibatus, São Paulo VI deixou escrito: «Uma vida tão inteira e amavelmente dedicada, no interior e no exterior, como a do sacerdote celibatário, exclui, de facto, candidatos com insuficiente equilíbrio psicofísico e moral. Não se deve pretender que a graça supra o que falta à natureza» (n.º 64).

        5. Reforçar e verificar as diretrizes das Conferências Episcopais: ou seja, reafirmar a necessidade da unidade dos Bispos na aplicação de parâmetros que tenham valor de normas e não apenas de diretrizes. Nenhum abuso deve jamais ser encoberto (como era habitual no passado) e subestimado, pois a cobertura dos abusos favorece a propagação do mal e eleva o nível do escândalo. De modo particular, é preciso desenvolver um novo enquadramento eficaz de prevenção em toda as instituições e ambientes das atividades eclesiais.

        6. Acompanhar as pessoas abusadas: o mal que viveram deixa nelas feridas indeléveis que se manifestam também em rancores e tendências à autodestruição. Por isso, a Igreja tem o dever de oferecer-lhes todo o apoio necessário, valendo-se dos especialistas neste campo. Escutar… eu diria «perder tempo» escutando. A escuta cura a pessoa ferida, e cura-nos a nós também do egoísmo, da distância, do «não me diz respeito», da atitude do sacerdote e do levita na parábola do Bom Samaritano.

        7. O mundo digital: a proteção dos menores deve ter em conta as novas formas de abuso sexual e de abusos de todo o gênero que os ameaçam nos ambientes onde vivem e através dos novos instrumentos que utilizam. Os seminaristas, os sacerdotes, os religiosos, as religiosas, os agentes pastorais e todos os fiéis devem estar cientes de que o mundo digital e o uso dos seus instrumentos com frequência incidem mais profundamente do que se pensa. Quero aqui encorajar os países e as autoridades a aplicarem todas as medidas necessárias para limitar os websites que ameaçam a dignidade do homem, da mulher e, em particular, dos menores: o reato não goza do direito à liberdade. É absolutamente necessário opor-se com a máxima decisão a tais abomínios, vigiar e lutar para que o desenvolvimento dos pequeninos não seja perturbado nem abalado por um acesso descontrolado à pornografia, que deixará sinais negativos profundos na sua mente e na sua alma. Devemos esforçar-nos por que as jovens e os jovens, particularmente os seminaristas e o clero, não se tornem escravos de dependências baseadas na exploração e no abuso criminoso dos inocentes e suas imagens e no desprezo da dignidade da mulher e da pessoa humana. Destacam-se aqui as novas normas «sobre os delitos mais graves» aprovadas pelo Papa Bento XVI em 2010, onde fora acrescentado como um novo caso de delito «a aquisição, a detenção ou a divulgação», realizada por um membro do clero «de qualquer forma e por qualquer meio, de imagens pornográficas tendo por objeto menores». Falava-se então de «menores de 14 anos»; agora achamos que devemos elevar este limite de idade para ampliar a tutela dos menores e insistir na gravidade destes fatos.

8. O turismo sexual: o comportamento, o olhar, o íntimo dos discípulos e servidores de Jesus devem saber reconhecer a imagem de Deus em toda a criatura humana, a começar pelos mais inocentes. Somente bebendo neste respeito radical da dignidade do outro é que poderemos defendê-lo da força invasiva da violência, exploração, abuso e corrupção, e servi-lo de forma credível no seu crescimento integral, humano e espiritual, no encontro com outros e com Deus. Para combater o turismo sexual, é necessária a repressão judicial, mas também apoio e projetos para a reinserção das vítimas desse fenómeno criminoso. As comunidades eclesiais são chamadas a reforçar o cuidado pastoral das pessoas exploradas pelo turismo sexual. Entre estas, as mais vulneráveis e necessitadas de ajuda particular são certamente mulheres, menores e crianças; estas últimos, porém, precisam de proteção e atenção especiais. As autoridades governamentais deem prioridade e ajam urgentemente para combater o tráfico e a exploração econômica das crianças. Para isso, é importante coordenar os esforços a todos os níveis da sociedade e colaborar estreitamente também com as organizações internacionais para realizar um quadro jurídico que proteja as crianças da exploração sexual no turismo e permita perseguir legalmente os criminosos.

Permito-me um sentido agradecimento a todos os sacerdotes e consagrados que servem o Senhor com total fidelidade e se sentem desonrados e desacreditados pelos vergonhosos comportamentos dalguns dos seus confrades. Todos – Igreja, consagrados, Povo de Deus e até o próprio Deus – carregamos as consequências das suas infidelidades. Agradeço, em nome da Igreja inteira, à grande maioria dos sacerdotes que não só permanecem fiéis ao seu celibato, mas se gastam num ministério que hoje se tornou ainda mais difícil pelos escândalos de poucos (mas sempre demasiados) dos seus irmãos. E obrigado também aos fiéis que conhecem bem os seus bons pastores e continuam a rezar por eles e a apoiá-los.

Por fim, gostaria de assinalar a importância de dever transformar este mal em oportunidade de purificação. Fixemos o olhar na figura de Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz), com a certeza de que, «na noite mais escura, surgem os maiores profetas e os santos. Todavia a corrente vivificante da vida mística permanece invisível. Certamente, os eventos decisivos da história do mundo foram essencialmente influenciados por almas sobre as quais nada se diz nos livros de história. E saber quais sejam as almas a quem devemos agradecer os acontecimentos decisivos da nossa vida pessoal, é algo que só conheceremos no dia em que tudo o está oculto for revelado». No seu silêncio quotidiano, o santo Povo fiel de Deus continua de muitas formas e maneiras a tornar visível e a atestar com «obstinada» esperança que o Senhor não abandona, que apoia a dedicação constante e, em muitas situações, atribulada dos seus filhos. O santo e paciente Povo fiel de Deus, sustentado e vivificado pelo Espírito Santo, que é o rosto melhor da Igreja profética que, na sua doação diária, sabe colocar no centro o seu Senhor. Será precisamente este santo Povo de Deus que nos libertará do flagelo do clericalismo, que é o terreno fértil para todos estes abomínios.

O melhor resultado e a resolução mais eficaz que podemos oferecer às vítimas, ao Povo da Santa Mãe Igreja e ao mundo inteiro são o compromisso em prol duma conversão pessoal e coletiva, a humildade de aprender, escutar, assistir e proteger os mais vulneráveis.

Fonte: Vatican News



O Pai, modelo de misericórdia-7° Domingo do Tempo Comum(Ano C)



O PAI, MODELO DE MISERICÓRDIA

7º domingo do Tempo Comum – Ano C

Evangelho de Lucas 6,27-38
* Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 27 “A vós que me escutais, eu digo: amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, 28 bendizei os que vos amaldiçoam e rezai por aqueles que vos caluniam. 29 Se alguém te der uma bofetada numa face, oferece também a outra. Se alguém te tomar o manto, deixa-o levar também a túnica. 30 Dá a quem te pedir e, se alguém tirar o que é teu, não peças que o devolva. 31 O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também vós a eles. 32 Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Até os pecadores amam aqueles que os amam. 33 E se fazeis o bem somente aos que vos fazem o bem, que recompensa tereis? Até os pecadores fazem assim. 34 E se emprestais somente àqueles de quem esperais receber, que recompensa tereis? Até os pecadores emprestam aos pecadores, para receber de volta a mesma quantia. 35 Ao contrário, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar coisa alguma em troca. Então, a vossa recompensa será grande, e sereis filhos do Altíssimo, porque Deus é bondoso também para com os ingratos e os maus. 36 Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. 37 Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. 38 Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante, será colocada no vosso colo; porque, com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos”.

Reflexão

O PAI, MODELO DE MISERICÓRDIA 

O ensinamento de Jesus a respeito do amor aos inimigos é o maior desafio para quem aceita tornar-se seu discípulo. Este amor aos inimigos foi especificado de várias maneiras. Responder o ódio com a prática do bem, a maldição com a bênção e a calúnia com a oração são todas formas de amar os inimigos e, assim, quebrar a espiral da violência. Oferecer a outra face a que o esbofeteou e dar a túnica a quem lhe tirou o manto são também sinais deste amor. O discípulo, agindo assim, reverte uma maneira esteriotipada de reagir, pela qual as pessoas tendem a revidar o mal com o mal e a violência com violência. Só é capaz de agir assim quem tem o coração repleto da misericórdia do Pai. Caso contrário, não terá condições de realizar os gestos heróicos propostos por Jesus.

O modelo inspirador da ação cristã é a misericórdia do Pai. Ele é igualmente bondoso para bons e maus. Se ele respondesse às ofensas humanas, eliminando o pecador, boa parte da humanidade deveria desaparecer. O Pai tem paciência com os ingratos e malvados por nutrir a esperança de que se convertam para a misericórdia no trato mútuo.

O mesmo se dá com o discípulo. A capacidade de fazer frente à violência, com o amor, justifica-se pela esperança de conquistar o malvado para o Reino. A atitude cristã pode fazer o perverso abandonar seu caminho de violência e levá-lo a optar pelo caminho indicado por Jesus.

Oração do Dia

Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, procurando conhecer sempre o que é reto, realizemos vossa vontade em nossas palavras e ações. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.



sábado, 23 de fevereiro de 2019

A "transparência" no centro do terceiro dia do Encontro no Vaticano sobre menores


Durante a oração inicial deste sábado foi lida a experiência de um abusado: “Estou cansado e exausto, é como se se escondessem atrás de seus muros, a sua dignidade, os seus cargos que eu não entendo. Dói-me porque fui abusado, porque não dizem a verdade, e porque aqueles que deveriam ser ministros da verdade e da luz estão escondidos nas trevas".

Silvonei José- Cidade do Vaticano

A "transparência" é o tema central do terceiro dia do Encontro no Vaticano sobre "A proteção dos menores na Igreja" (21-24 fevereiro). Os temas dos dois primeiros dias foram: responsabilidade e accountability (prestar conta).

O fruto da luz consiste na justiça e na verdade

Também na manhã deste sábado os trabalhos tiveram início na Sala Nova do Sínodo, na presença do Papa, com a oração de abertura. Depois do hino "Veni, Creator Spiritus", foi lida uma passagem da Carta de São Paulo aos Efésios (5: 1-11) que exorta a caminhar na caridade:

A imoralidade sexual e qualquer espécie de impureza ou cobiça nem sequer sejam mencionadas entre vós, como convém a santos. Nada de palavrões ou conversas tolas, nem­ de piadas de mau gosto: são coisas incon­venientes; entregai-vos, antes, à ação de graças. Pois, ficai bem certos: nenhum libertino ou impuro ou ganancioso – que é um idólatra – tem herança no reino de Cristo e de Deus. Que ninguém vos iluda com palavras fúteis:­ é isso que atrai a ira de Deus sobre os rebeldes. Não sejais cúmplices destes. Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor.  Procedei como filhos da luz. E o fruto da luz é toda espécie de bondade e de justiça e de ver­dade. Discerni o que agrada ao Senhor e não tomeis parte nas obras estéreis das tre­vas, mas, pelo contrário, denunciai-as.

Um abusado: ministros da luz escondidos nas trevas

Como ocorreu nos dias anteriores, em seguida teve a leitura da experiência de um abusado:

"Eu me sinto como um mendigo nos portões do castelo. Um mendigo da verdade, da justiça, da luz e tudo o que eu obtenho é o silêncio e pouquíssima informação, que eu tenho que extrapolar. Estou cansado e exausto, é como se se escondessem atrás de seus muros, a sua dignidade, os seus cargos que eu não entendo. Dói-me porque fui abusado, porque não dizem a verdade e porque aqueles que deveriam ser ministros da verdade e da luz estão escondidos nas trevas".

"Salvai-nos da tentação de negar os crimes"

Um longo silêncio precedeu a oração final:

"Deus Santo, vós nos chamastes à santidade e nos enviastes aos homens como testemunhas de vossa verdade. Vós nos Iluminastes com a luz do Evangelho e quisestes que vivêssemos como filhos da luz. Nós Vos pedimos: dai-nos coragem para dizer a verdade e a liberdade para proclamar a nossa responsabilidade. Salvai-nos da tentação de negar os crimes e esconder a injustiça. Dai-nos a força para começar tudo de novo e de não desistir quando o pecado e a culpa obscurecem a luz do Evangelho. Fortalecei a nossa confiança em Vosso Filho, que é o único caminho, a verdade e a vida. O Vosso nome seja louvado por toda a eternidade".

Três discursos e liturgia penitencial

O programa de hoje: dois discursos pela manhã. O primeiro foi de uma religiosa nigeriana, Ir. Verônica Openibo, superiora geral da Sociedade do Santo Menino Jesus, sobre o tema "Estar disponíveis: enviados ao mundo". O segundo foi do cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, presidente da Conferência Episcopal Alemã, que refletiu sobre o tema "Uma comunidade de fiéis transparente". O terceiro discurso, no período da tarde: a jornalista mexicana Valentina Alazraki fala sobre o tema "Comunicação: para todas as pessoas". Às 17h30, será realizada na Sala Regia a Liturgia Penitencial. Amanhã de manhã, às 9h30, o encontro termina com a missa celebrada também na Sala Regia.

Fonte: Vatican News



Depoimento de mulher abusada: estamos aqui para renascer das nossas feridas


Depois da oração que concluiu o segundo dia do encontro sobre a Proteção dos Menores, uma mulher deu um testemunho dramático e comovente. Desde os onze anos e por cinco anos sofreu abusos por parte de um sacerdote de sua paróquia que destruiu sua vida. Os sentimentos de culpa e a consequências afetivas. O percurso para reconstruir identidade, dignidade e fé

Cidade do Vaticano

“Desde então – contou – eu que adorava cores e estava sempre brincando alegre e despreocupada, deixei de existir”. No final de cada abuso – contou – “retomava o meu corpo ferido e humilhado e ia embora pensando que não fosse verdade, que tinha imaginado tudo. Mas como eu podia, criança, entender o que tinha acontecido? Pensava: “Certamente deve ser minha culpa!” ou “será que mereci este mal? Estes pensamentos – sublinhou – são as maiores dilacerações que o abuso e o abusador insinuam no teu coração, mais do que as próprias feridas que dilaceram o corpo. Sentia que não eu valia mais nada, nem mesmo para viver. Queria morrer: tentei… mas não consegui”.

As consequências dos abusos

Depois a mulher recordou os efeitos devastadores daqueles abusos: distúrbios alimentares, hospitalizações: todas manifestações do seu mal estar enquanto que, completamente só, calava a sua dor. Tudo era atribuído à ânsia pela escola que de improviso baixou seu rendimento.

Uma vida afetiva e familiar destruída pela dramática experiência

Com o primeiro namoro veio à tona uma realidade insuportável. “Para não sentir a dor, o nojo, a confusão, o medo, a vergonha, a impotência, a inadequação – recordou – a minha mente eliminou os fatos acontecidos, anestesiou o meu corpo colocando distâncias emotivas em relação a tudo o que me fazia sentir destruída”. Quando fiz o primeiro parto tudo voltou à mente: o trabalho de parto bloqueado, o filho em perigo, a lactação impossível pelas terríveis lembranças que voltavam com insistência. “Pensei que tinha enlouquecido” confessou. Quando confessou tudo ao marido, a confissão foi usada contra ela durante a separação, porque, em nome do abuso sofrido, ele pediu que lhe fosse tirada a perda da guarda do filho por ser mãe indigna.

Não deixar aos que abusam o poder do seu silêncio

Depois, graças a escuta paciente de uma pessoa amiga, a mulher encontrou coragem para escrever uma carta ao sacerdote abusador, concluindo com a promessa de jamais deixá-lo com o poder do seu silêncio. “Desde então e até hoje, continuo fazendo um difícil percurso de reelaboração para reconstruir em mim mesma identidade, dignidade e fé. O abuso cria um dano imediato, mas não é só isso: deve-se conviver com isso… para sempre”! Pode-se apenas aprender, se conseguir, a deixar-se ferir menos”.

Uma infinidade de perguntas às quais não encontra resposta

“Por que eu?”, perguntava-se, ou senão: “Onde estava Deus?”. “Quanto eu chorei com esta pergunta!” confessou. “Não tinha mais confiança no Homem e em Deus, no Pai-bom que protege os pequenos e os fracos. Eu, como criança, tinha certeza que nada de mal poderia vir de um homem que representava Deus! Como podia a mesmas mãos que tinham ousado tanto sobre mim, abençoar e oferecer a Eucaristia? Ele adulto e eu criança… tinha aproveitado do seu poder e do seu papel: um verdadeiro abuso de fé! E também: como fazer para superar a raiva e não se afastar da Igreja – perguntou-se – depois de uma experiência dessas principalmente diante da gravíssima incoerência com o que pregava e fazia o meu abusador. Também diante dos que, perante esses crimes, minimizam, escondem, mandam calar, ou ainda pior não defendem os pequenos, limitando-se com mesquinhez a deslocar os sacerdotes para fazerem dano em outros lugares? Diante disso, nós vítimas inocentes, sentimos amplificada a dor que nos matou: isso também é um abuso à nossa dignidade humana, à nossa consciência, assim como à nossa fé! Nós vítimas, se conseguirmos ter força de falar e denunciar, devemos encontrar coragem de fazê-lo mesmo sabendo que corremos o risco de não sermos acreditados ou de ter que ver o abusador receber uma pequena sentença canônica. Isso não pode e não deve ser assim!”.

40 anos para encontrar a força para denúncia

“Queria romper o silêncio com o qual se nutre todas as formas de abuso, queria recomeçar com um ato de verdade, descobrindo mais tarde que este ato oferecia uma oportunidade também ao meu abusador”, continuou. O procedimento de denúncia foi vivido com um custo emotivo muito alto, principalmente encontrou dificuldade de falar com seis pessoas com grande sensibilidade, mas apenas homens, principalmente sacerdotes. “Acredito – sustentou – que uma presença feminina seria uma atenção necessária assim como indispensável para acolher, escutar e acompanhar nós vítimas. Aquela parte de mim que sempre esperou que o abuso nunca tivesse acontecido, teve que se render, mas ao mesmo tempo recebeu uma carícia. Agora sei eu sou outra, além do abuso que sofri e as cicatrizes que carrego”.
A vítima não é culpada pelo seu silêncio! As feridas não são prescritíveis

“A Igreja – sublinhou – deve se orgulhar pela possibilidade de proceder em derrogação no tempo de prescrição, mas não do fato de reconhecer como atenuante, para quem abusa, a entidade do tempo passado entre os fatos e a denúncia (como no meu caso). A vítima não é culpada pelo seu silêncio! O trauma e os danos sofridos aumentam a medida que o tempo do silêncio aumenta, que a vítima permanece entre o medo, vergonha, remoção e sentido de impotência. As feridas jamais vão em prescrição, ao contrário!”.

Recomeçar com quem não superou, para renascer das próprias feridas

“Hoje estou aqui – concluiu – e comigo há meninos e meninas abusadas, mulheres e homens que tentam renascer das suas feridas, mas há, principalmente, os que tentaram mas não conseguiram e daqui, com seus corações, devemos recomeçar juntos”.

Fonte: Vatican News

Jovem vítima: o mundo não tinha sentido, mas reencontrei a esperança

O encontro sobre “A proteção dos menores na Igreja” foi enriquecido pelo testemunho comovente intitulado “A ponte que fez a diferença”, de um jovem proveniente da Ásia.

Amedeo Lomonaco/Mariangela Jaguraba – Cidade do Vaticano

O testemunho de um jovem asiático teve forma e estilo de uma poesia. Os seus foram versos que brotaram do coração e contaram uma história de sofrimento e abusos, mas também de perdão e reconciliação.

As primeiras sombras dramáticas começam quando era criança. Recorda que depois de entrar num instituto para receber uma formação católica, foi “despojado da própria inocência”.
A ponte que fez a diferença

Um menino nasceu e entrou num mundo que era novo. Era um desafio como para um recém-nascido. Quem teria pensado que este mundo lhe traria surpresas e perigos não procurados!

A busca por uma boa formação católica fez com que fosse embora de um ambiente feliz e saudável. Era por uma razão justa, e dolorosamente ele disse adeus a tudo o que conhecia: pais, irmãos, amor, cuidado, proteção e tudo mais.

Com apenas cinco anos, num mundo desconhecido, entrou cheio de inocência e medo em aulas que eram novas para ele. Sentia a falta de sua casa e ali buscava amigos e pessoas que fossem para ele como pais. Essa substituição lhe foi fatal, porque para ele que eram jovem os desejos deles eram estranhos.

Despojado de sua inocência, abandonado ao seu destino neste mundo adulto, não encontrou esperança e tornou-se solitário. Com o passar dos anos estava destruído. Mas não podia contar para ninguém, por medo de desonra e vergonha.

Aprendendo mais sobre “os valores cristãos”, retirou-se do mundo na segurança de seu silêncio, escondido em si mesmo, pois o segredo era a sua única saída.

Perguntou-se várias vezes: o que é este mundo? Não tinha sentido e nem lhe dava esperança. Uma vez começou a refletir numa ponte e se perguntou: “Como mudar este percurso em descida, mudar a ordem das coisas? Nunca houve uma resposta.

Quem poderia saber o que tinha vivido? Quem teria perguntado? Quem assumiria a responsabilidade por esta vida que parecia perdida?

Nada em sua vida permaneceu intacto. Tudo estava manchado. Deus esteve lá? Pois seria o único a saber de tudo.

A ponte que contemplava mostrou-lhe o caminho, um caminho que era diferente e deu frutos, quando sentiu em seu coração barulhento e atormentado uma voz que lhe pedia uma mudança.

Uma viagem que começou para realizar o que a voz lhe tinha dito. Um caminho de perdão, um caminho de reconciliação, um caminho para aceitar a vida como era: cheia de feridas, dores e desolação.

Aquela nova estrada de descida da ponte foi longa e difícil. Tocava a essência da vida. Mas havia uma estrada, uma diferente. Um caminho que cura, uma cura que leva tempo. Amoleceu o seu coração endurecido e transformou a vida que tinha vivido. Quebrou a concha em que vivia para caminhar livremente e dizer ao mundo: “Há um caminho”. Esta é a sua história.

Mas agora, quem assumirá a responsabilidade por vidas destruídas? Há um caminho! Há uma oportunidade! Há uma esperança! Há vida! Restituam o que foi perdido! Mostrem que vocês se importam! Porque tudo o que fizerem resgatará muitos gritos silenciosos que esperam o dia da salvação.

(Testemunho de um jovem asiático)

Fonte: Vatican News



Papa Francisco inaugura reunião sobre o tema dos abusos pedindo valentia aos bispos


Vaticano, 21 Fev. 19 / 07:45 am (ACI).- O Papa Francisco inaugurou este 21 de fevereiro o encontro com bispos de todo o mundo, entre eles os presidentes de todas as conferências episcopais da Igreja Católica, no qual os prelados junto do Santo Padre refletirão nos próximos 3 dias sobre a proteção de menores e animou os bispos a terem a valentia de buscar a cura para “as graves feridas do escândalo da pedofilia” na Igreja.

Depois da oração matutina no Sala Nova do Sínodo, o Santo Padre explicou que “ante o flagelo do abuso sexual perpetrado por homens da Igreja que prejudicaram os menores” ele decidiu convocar Patriarcas, Cardeais, Arcebispos, Bispos, Superiores Religiosos e outros responsáveis por alguns Dicastérios da Cúria Romana, para que “juntos escutemos o Espírito Santo e com docilidade ouçamos o clamor dos pequenos que pedem justiça”.

Deste modo, o Papa recordou aos 190 participantes do encontro, “o peso da responsabilidade pastoral e eclesiástica, que nos obriga a discutir juntos, de maneira sinodal, sincera e profunda sobre como enfrentar este mal que aflige a Igreja e a humanidade”.

“O santo povo de Deus nos olha e espera de nós não só uma mera e óbvia condenação do tema, e sim medidas concretas e efetivas", exclamou.

Neste sentido, o Pontífice animou os presentes a iniciarem este “caminho armados com a fé e o espírito de máxima parresia, valentia e concreção” e para isso, os participantes receberam um documento preparado por diversas Comissões e Conferências Episcopais, e que segundo o Papa, contém importantes critérios e “linhas gerais para ajudar na nossa reflexão”. Eles são “um ponto de partida”, porém não devem remover “a criatividade que deve haver neste encontro”, explicitou.

Do mesmo modo, o Papa Francisco agradeceu à Pontifícia Comissão para a proteção de menores, a Congregação para a Doutrina da Fé e aos membros do Comitê organizador “pelo excelente trabalho desenvolvido com grande compromisso para preparar este encontro”. “Muito obrigado!”, expressou.

Ao finalizar, o Santo Padre pediu ao Espírito Santo “nos sustentar nestes dias e nos ajudar a transformar este mal em uma oportunidade de consciência e de purificação” e à Virgem Maria para que os “ilumine para procurar curar as graves feridas que o escândalo da pedofilia causou, seja nos pequenos ou nos demais fiéis”, concluiu.

O programa do encontro prevê que de quinta-feira à sábado haja três conferências por dia, a primeira foi realizada pelo Cardeal Luis Antonio Tagle com o título “O aroma das ovelhas. Saber sua dor e curar suas feridas está no coração da tarefa do pastor”. Diariamente também os participantes terão espaço para as perguntas, trabalhos em diferentes grupos linguísticos e oração pela tarde com o testemunho de uma vítima de abusos.

Já no sábado pela tarde haverá uma liturgia penitencial e no domingo pela manhã uma celebração Eucarística concelebrada por todos os bispos e clérigos convidados. Ambos eventos terão lugar na Sala Régia do Vaticano. Ao concluir esta Eucaristia, o Papa Francisco pronunciará seu discurso final encerrando o evento.

Fonte: ACI digital

Organizadores de encontro do Vaticano sobre abusos receberam grupo de vítimas

Vaticano, 21 Fev. 19 / 09:29 am (ACI).- O comitê organizador do Encontro sobre a Proteção de Menores na Igreja se reuniu na quarta-feira, 20 de fevereiro, em Roma, com um grupo de representantes de vítimas de abusos cometidos por membros do clero.

O diretor interino da Sala de Imprensa do Vaticano, Alessandro Gisotti, informou que “12 pessoas, homens e mulheres, de diferentes áreas do mundo e pertencentes a diversas organizações”, conversaram, em representação dos sobreviventes de abusos, durante pouco mais de duas horas com os organizadores do encontro que começou na manhã desta quinta-feira, 21 de fevereiro, e que será concluído no domingo, 24.

Gisotti disse que “os membros da Comissão são muito gratos às vítimas que participaram do colóquio pela sinceridade, profundidade e força de seus testemunhos, que certamente os ajudará a entender sempre melhor a gravidade e a urgência dos problemas que serão enfrentados durante o Encontro".

Participaram deste encontro o Secretário Adjunto da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Charles Scicluna o presidente do Centro pela Proteção da Infância da Pontifícia Universidade Gregoriana, Pe. Hans Zollner; o Arcebispo de Chicago, Cardeal Blase Cupich; o Arcebispo de Bombaim, Oswald Gracias; e o moderador do encontro, Pe. Federico Lombardi.

Fala das vítimas

Após o encontro, algumas vítimas de abusos deram uma declaração à imprensa.

Juan Bayas, vítima e representante das vítimas do Equador, pediu ao Papa que a tolerância zero seja também contra os bispos que encobrem estes delitos, pois, quando há uma denúncia, esses prelados “falam com as vítimas e lhes pedem que, por favor, rezem a Deus e que não acontecerá nada mais”. “Também eles são culpados de que essas coisas continuem acontecendo”, assegurou.

Disse que em seu caso, a promotoria equatoriana não continuou com a denúncia “por falta de provas”. Assegurou que foi vítima de um presbítero junto com outras pessoas e, por isso, pediu ao Vaticano “que, por favor, me dê a informação, porque expulsaram este sacerdote do sacerdócio, mas lamentavelmente a justiça diz que não há informação”.

Por sua parte, Evelyn, do Canadá, reconheceu “estar feliz porque suas vozes foram ouvidas”, pois durante as conversas todos concordaram que “esta é uma crise internacional”.

“A Igreja conhece a história, não precisam de nossa história, precisam atuar e devem atuar agora”, ressaltou Evelyn, a qual assegurou que querem “uma ação decisiva... uma estrutura credível”. Disse que muitas das vítimas “trabalharam nisso durante anos”.

“Por sua parte, Phil Saviano, da associação Bishop Accountability, pediu que se eduque os bispos “em partes do mundo onde não acreditem que têm um problema. Não é que não tenham este problema, mas que não sabem”.

“Acredito que há progresso. Acredito que é um marco e espero não estar muito decepcionado daqui a seis meses”, expressou.

Fonte: ACI digital



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Papa Francisco pede respeito na oração: Não se pode rezar como papagaios


Vaticano, 20 Fev. 19 / 09:31 am (ACI).- Durante a Audiência Geral desta quarta-feira, 20 de fevereiro, o Papa Francisco advertiu que, durante a oração, “não se pode rezar como papagaios” e destacou que "ou se entra no mistério, na consciência de que Deus é seu Pai, ou não reze".

O Papa destacou o mistério da oração do Pai-Nosso e recordou que "o primeiro passo de toda oração cristã é entrar em um mistério: o da paternidade de Deus".

"Para entender em que medida Deus é nosso pai, devemos pensar na figura de nossos pais, mas, na medida do possível, devemos refiná-la, purificá-la". Neste ponto, observou que "nenhum de nós teve pais perfeitos, assim como nunca seremos pais ou pastores perfeitos".

Afirmou que "vivemos nossas relações de amor sempre sob o signo de nossos limites e também de nosso egoísmo, motivo pelo qual, são frequentemente poluídas por desejos de posse ou manipulação do outro". Assim, "às vezes, as declarações de amor são transformadas em sentimentos de raiva e hostilidade".

Por esta razão, "quando falamos de Deus como 'pai', pensando na imagem de nossos pais, especialmente se eles realmente nos amaram, devemos ir além". "Os homens e as mulheres são eternamente mendigos de amor – somos mendigos de amor, temos necessidade de amor – procurando um lugar onde serem finalmente amados, mas não o encontram. Quantas amizades e quantos amores desiludidos existem no nosso mundo, quantos!".

Também chamou a atenção para a ambivalência do amor humano, "capaz de florescer e viver forte em um momento do dia e imediatamente após, murchar e morrer".

Muitas vezes, "nosso amor é uma promessa que se esforça para permanecer, uma tentativa que logo seca e evapora, um pouco como quando o sol sai de manhã e faz desaparecer o orvalho da noite".

"Quantas vezes nós, homens, amamos desta maneira tão fraca e intermitente. Todos temos esta experiência. Acabou aquele amor ou ficou muito fraco. Todos nós temos esta experiência. Desejosos de querer bem, nos deparamos com nossos limites, com a pobreza de nossas forças: incapazes de manter uma promessa que nos dias de graça parecia fácil de cumprir”.

Contudo, "existe outro amor, aquele do Pai que está nos céus. Ninguém deve duvidar de ser destinatário desse amor. Ele nos ama, 'Ele me ama', poderíamos dizer. Ainda que nosso pai e nossa mãe – uma hipótese histórica – não tivessem nos amado, existe um Deus no céu que nos ama como ninguém na terra jamais o fez ou poderia fazê-lo. O amor de Deus é constante, sempre!".

"Portanto – concluiu o Papa Francisco sua catequese – não tenha medo! Nenhum de nós está sozinho. E mesmo que por infelicidade teu pai terreno tenha se esquecido de ti, e ficaste ressentido com ele, não te é negada a experiência fundamental da fé cristã: a de saber que tu és filho muito amado de Deus".

Fonte: ACI digital



Hoje é celebrada a Festa da Cátedra de São Pedro


REDAÇÃO CENTRAL, 22 Fev. 19 / 05:00 am (ACI).- Neste dia 22 de fevereiro, a Igreja celebra a Festa da Cátedra de São Pedro, uma ocasião importante que remonta ao século IV e que rende comemoração ao primado e autoridade do Apóstolo Pedro, o primeiro Papa da Igreja.

Além disso, esta celebração recorda a autoridade conferida por Cristo ao Apóstolo quando lhe diz, conforme relatam os Evangelhos: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja. E as portas do inferno não prevalecerão sobre ela”.

A palavra “cátedra” significa assento ou trono e é a raiz da palavra catedral, a Igreja onde um bispo tem o trono do qual prega. Sinônimo de cátedra é também “sede” (assento). A “sede” é o lugar de onde um bispo governa sua diocese. Por exemplo, a Santa Sé é a sede do Papa.

A cátedra ou sede que atualmente se conserva na Basílica de São Pedro em Roma foi doada por Carlos, o Calvo, ao Papa João VIII no século IX, por ocasião de sua viagem a Roma para sua coroação como imperador romano do ocidente. Este trono se conserva como uma relíquia, em uma magnífica composição barroca, obra do Gian Lorenzo Bernini construída entre 1656 e 1665.

A obra do Bernini está emoldurada por pilastras. No centro situa-se o trono de bronze dourado, em cujo interior se encontra a cadeira de madeira e que é decorada com um relevo representando a “traditio clavum” ou “entrega de chaves”.

O trono se apoia sobre quatro grandes estátuas, também em bronze, que representam quatro doutores da Igreja, em primeiro plano Santo Agostinho e Santo Ambrósio, para a Igreja latina, e Santo Atanásio e São João Crisóstomo, para a Igreja oriental.

Por cima do trono aparece um sol de alabastro decorado com estuque dourado rodeado de anjos que emolduram uma vidraça em que está representada uma pomba de 162 cm de envergadura, símbolo do Espírito Santo. É a única vidraça colorida de toda a Basílica de São Pedro.

Todos os anos nesta data, o altar monumental que acolhe a Cátedra de São Pedro permanece iluminado o dia todo com dúzias de velas e celebram-se numerosas missas da manhã até o entardecer, concluindo com a Missa do Capítulo de São Pedro.

Fonte: ACI digital



Por que a Cátedra de São Pedro é importante? Isso é o que deve saber desta festa

REDAÇÃO CENTRAL, 22 Fev. 19 / 06:00 am (ACI).- A Igreja celebra neste dia 22 de fevereiro a Festa da Cátedra de São Pedro, para recordar a autoridade do Vigário de Cristo na terra; por isso, o sacerdote, escritor e funcionário da Secretaria de Estado do Vaticano, Mons. Florian Kolfhaus, refletiu sobre sua importância tanto na Igreja como no mundo inteiro.

“A Santa Sé, cujo conceito remonta ao banco de madeira de um pescador, a quem o Senhor nomeou Pastor de sua Igreja, é a mais alta autoridade moral em todo o mundo atual”.

“Também os não cristãos prestam atenção às palavras do Papa sobre paz, migração e proteção climática”, escreveu Mons. Kolfhaus em uma coluna publicada em CNA Deutsch – agência em alemão do Grupo ACI –, em 22 de fevereiro de 2017.

O Papa “goza do reconhecimento de cerca de 170 Estados e 20 organizações internacionais” e “é reconhecido em virtude de suas relações de séculos com ouros Estados”, acrescentou o especialista, ao recordar que o Pontífice também é um soberano sujeito de direito internacional.

“O Papa, e só ele entre todos os demais líderes religiosos, é quem goza da autoridade de um chefe de Estado, equiparada a dos presidentes. E tudo isso se deve, por assim dizer, ao banquinho de madeira sobre o qual se sentou São Pedro, quando ensinava à comunidade de Roma”, acrescentou.

Entretanto, o sacerdote disse que mais importante do que os temas políticos é “a preservação e autêntica interpretação da fé, que foi confiada a Pedro e a seus sucessores”.

“A ele foi prometida – tal como belamente mostra o altar em São Pedro – a especial assistência do Espírito Santo ao explicar o Evangelho de Cristo a partir da Tradição da Igreja e de seus padres”.

“O Papa, e somente ele, tem a potestade das chaves, para atar e desatar. Ele tem poder direto, imediato, limitado só pela Lei Divina sobre toda a Igreja. Ele é o pastor supremo a quem é confiada a totalidade do rebanho do Senhor. A Igreja celebra hoje este elevado serviço do servidor dos servos de Deus”, enfatizou.

Apesar dessas características, Mons. Kolfhaus recordou que cada Papa deve ter consciência de que é um “homem frágil e débil” e “precisa constantemente de purificação e conversão”.

“Mas deve ter também consciência de que lhe vem do Senhor a força para confirmar seus irmãos na fé e mantê-los unidos na confissão de Cristo crucificado e ressuscitado”, acrescentou.

Por outro lado, o sacerdote indicou que o Bispo de Roma se senta em sua cátedra para dar “testemunho de Cristo” e que esse poder conferido por Cristo a ele e a seus sucessores “é, nesse sentido absoluto, um mandato para servir”.

“A potestade de ensinar, na Igreja, implica um compromisso ao serviço da obediência à fé”, ressaltou.

Finalmente, Mons. Kolfhaus recordou que o Papa “não é um soberano cujo pensamento e vontade são lei”.

“Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e a sua Palavra. Não deve proclamar suas próprias ideias, mas vincular constantemente a si mesmo e a Igreja à obediência à Palavra de Deus , frente a todas as tentativas de adaptação e alteração, assim como frente a todo oportunismo”, concluiu.




Fonte: ACI digital



terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Como rezar a devoção das Três Ave-Marias antes de dormir


Aprenda e compartilhe com quem você ama

Foi Santa Matilde que difundiu a devoção das Três Ave-Marias depois de uma experiência que ela teve. A santa suplicou à Santíssima Virgem que a assistisse na hora da morte, e ouviu da benigníssima Senhora:

“Sim o farei; mas quero que por sua parte me rezes diariamente três Ave-Marias.

A primeira Ave-Maria, pedindo que assim como Deus Pai me elevou a um trono de glória sem igual, fazendo-me a mais poderosa no céu e na terra, assim também eu te assista na terra para fortificar-te e afastar de ti toda potestade inimiga.

A segunda Ave-Maria, me pedirás que assim como o Filho de Deus me concedeu a sabedoria, em tal extremo que tenho mais conhecimento da Santíssima Trindade que todos os Santos, assim eu te assista na passagem da morte para encher tua alma das luzes da fé e da verdadeira sabedoria, para que não a obscureçam as trevas do erro e ignorância.

A terceira Ave-Maria, pedirás que assim como o Espírito Santo me concedeu as doçuras de seu amor, e me tem feito tão amável que depois de Deus sou a mais doce e misericordiosa, assim eu te assista na morte enchendo tua alma de tal suavidade de amor divino, que toda pena e amargura da morte se troque para ti em delicias.”

A prática desta devoção consiste em rezar todos os dias três Ave-Marias agradecendo à Santíssima Trindade os dons de Poder, Sabedoria e Amor que outorgou à Virgem Imaculada, e pedindo a Maria que use deles em nosso auxílio.

O Ir. Luis Maria, do Instituto Hesed, ensina uma forma muito particular e simples de rezar esta devoção. Assista no vídeo abaixo (ou clique aqui para ver).

Fonte: Aleteia



Avisos

Olá irmãs e irmãos de fé! Paz e Bem!

Para ajudar, tenho colocado as orações do programa de rádio Momento de Fé, porém muitos estão se confundindo e achando que meu blog é do Padre Marcelo Rossi. Irmãs(os), este blog não é do Padre Marcelo Rossi, para que sua mensagem chegue ao padre, você terá que acessar os sites dele : 1) Padre Marcelo Rossi 2) Facebook Padre Marcelo Rossi

Obrigada - Adriana dos Anjos/Devoção e Fé Blog