quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Relatório estarrecedor: 334 milhões de cristãos sofrem perseguição hoje no mundo


Surgiu um novo fenômeno de violência com motivação religiosa que pode ser descrito como hiperextremismo islamita

Ajuda à Igreja que Sofre / 17 de Novembro de 2016   

O relatório da Liberdade Religiosa no Mundo, publicado pela Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, conclui que a liberdade religiosa diminuiu em onze – quase metade – dos vinte e três países que já sofriam as piores violações. Nos outros sete países desta categoria, os problemas já eram tão grandes que dificilmente poderiam ficar piores.

A análise também revela que, dos trinta e oito países com violações mais significativas da liberdade religiosa, 55% permaneceram estáveis em relação à liberdade religiosa e, em 8%, nomeadamente no Butão, no Egito e no Catar, a situação melhorou.

O relatório demonstra que é errada a visão popular de que os governos são os maiores culpados pela perseguição religiosa. Os atores não estatais (ou seja, organizações fundamentalistas ou militantes) são responsáveis pela perseguição religiosa em doze dos vinte e três países com as piores violações.

O período em análise neste relatório, que vai de junho de 2014 a junho de 2016, viu surgir um novo fenômeno de violência com motivação religiosa que pode ser descrito como hiperextremismo islamita, um processo de radicalização intensificada, sem precedentes na sua expressão violenta. As suas características são:

a) Crença extremista e um sistema radical de lei e governo;

b) Tentativas sistemáticas de aniquilar ou afastar todos os grupos que não concordem com a sua perspectiva, incluindo correligionários: moderados e aqueles com diferentes tradições;

c) Tratamento cruel das vítimas;

d) Uso das redes sociais mais recentes, principalmente para recrutar seguidores e intimidar os opositores através da exibição de violência extrema;

e) Impacto global, tornado possível através de grupos extremistas filiados e de redes de apoio com bons recursos.


Este novo fenômeno tem tido um impacto contaminante na liberdade religiosa em todo o mundo:

a) Desde meados de 2014, ocorreram ataques islamitas violentos em um de cada cinco países do mundo, desde a Suécia à Austrália, incluindo dezessete países africanos;

b) Em alguns países do Oriente Médio, incluindo a Síria e o Iraque, este hiperextremismo está eliminando todas as formas de diversidade religiosa e está ameaçando fazê-lo igualmente em países da África e da Ásia Meridional. A intenção é substituir o pluralismo por uma monocultura religiosa;

c) O extremismo e o hiperextremismo islamita, observados em países que incluem o Afeganistão, a Somália e a Síria, tem sido um fator-chave na repentina explosão de refugiados que, de acordo com os números das Nações Unidas para o ano de 2015, aumentou 5,8 milhões, chegando a um novo número máximo de 65,3 milhões;

d) Na Ásia Central, a violência hiperextremista está sendo usada pelos regimes autoritários como pretexto para uma repressão desproporcionada das minorias religiosas, cerceando liberdades civis de todos os tipos, incluindo a liberdade religiosa;

e) No Ocidente, este hiperextremismo está em risco de desestabilizar o tecido sócio-religioso, com países esporadicamente alvos de fanáticos e sob pressão para receberem números sem precedentes de refugiados, majoritariamente de uma fé diferente das comunidades nativas. Claros efeitos em cascata incluem o aumento de grupos populistas e de direita; restrições ao livre movimento; discriminação e violência contra religiões minoritárias; e um declínio da coesão social, inclusive nas escolas públicas.


Houve um aumento nos ataques antissemitas, nomeadamente em países da Europa.

Os grupos islâmicos tradicionais estão agora começando a lutar contra o fenômeno do hiperextremismo por meio de posições públicas e outras iniciativas, através das quais condenam a violência e os que estão por trás dela.

Em países como a Índia, Paquistão e Mianmar, onde uma religião específica é identificada com o estado-nação, foram dados passos para defender os direitos dessa religião, por oposição aos direitos das minorias religiosas. Isto resultou em restrições mais rigorosas à liberdade religiosa dos grupos minoritários, aumentando os obstáculos à conversão e impondo maiores sanções para a blasfêmia.

Nos países com as piores violações, incluindo a Coreia do Norte e a Eritreia, a contínua penalização da expressão religiosa representa a negação total dos direitos e liberdades; por exemplo, através do encarceramento de longa duração sem julgamento justo, da violação e do assassinato.

Houve uma repressão renovada dos grupos religiosos que se recusam a seguir a linha do partido nos regimes autoritários, como a China e o Turcomenistão. Como caso ilustrativo, mais de 2.000 igrejas viram as suas cruzes demolidas em Zhejiang e nas províncias vizinhas.

Ao definir um novo fenômeno de hiperextremismo islamita, o relatório corrobora as alegações generalizadas de que, ao atacar cristãos, yazidis, mandeanos e outras minorias, o grupo Estado Islâmico (EI) e outros grupos fundamentalistas estão infringindo a Convenção das Nações Unidas para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio.

Veja aqui o Relatório da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre sobre a liberdade religiosa no mundo.

Mapa situação liberdade religiosa no mundo


Sobre a Ajuda à Igreja que Sofre

A Ajuda a Igreja que Sofre é uma Fundação Pontifícia com sede no Vaticano, que presta auxílio indiretamente a mais de 60 milhões de pessoas, em cerca de 140 países, incluindo o Brasil. Os projetos auxiliados por pela englobam a produção e distribuição de material catequético, construção e reconstrução de Igrejas; locomoção e transporte para religiosos e missionários; recuperação de jovens dependentes químicos; construção de escolas e casas; alimentação, medicamentos, agasalho e abrigo para refugiados.

A Fundação surgiu em 1947, após a Segunda Guerra Mundial, quando o padre holandês, Werenfried van Straaten, sofrendo ao ver a miséria em que viviam os alemães derrotados e expulsos, começou na Bélgica a pedir ajuda para enviar ao povo alemão. Apesar de uma Europa dizimada pela guerra, o apelo à solidariedade do Pe. Werenfried ecoou, e milhares de pessoas passaram a ajudá-lo com o que tinham. Nascia naquele momento a obra. À medida que o auxílio aumentava, a Fundação se tornava conhecida e os Papas pediam que a obra se expandisse, não apenas para aqueles que passavam necessidades por conta da guerra, mas para todos os que sofriam por viver a sua fé.

Fonte: Aleteia / A12 notícias
http://www.ais.org.br/ 





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