domingo, 28 de agosto de 2016

Samaritana da Misericórdia. Madre Teresa e os Papas


Cidade do Vaticano (RV) - Na iminência da canonização de Madre Teresa de Calcutá, no próximo domingo, 4 de setembro, propomos o artigo "Samaritana da misericórdia. Madre Teresa e os Papas", de Lush Gjergji, publicado no L'Osservatore Romano.

Pio XII

"Na vida e na obra da Beata Madre Teresa, uma importância fundamental, frequentemente mesmo determinante, tiveram diversos Papas, de Pio XII a Francisco. Repassando a sua vida, fica claro como o Espírito Santo agiu por meio dela e por meio dos Pontífices que se sucederam, pelo bem da Igreja a serviço dos últimos. Fazendo às vezes também mudar de ideia. Como no caso do Papa Pio XII. O Pastor angelicus não tinha dúvidas, estava firmemente convencido de que não havia necessidade de aumentar o número das Congregações religiosas femininas ou masculinas, mas sim dar espaço ao espírito de Cristo e ao serviço evangélico. "Deus me chamou a abandonar tudo para dedicar-me somente a Ele por meio do serviço aos mais pobres e aos não amados", escrevia Madre Teresa em uma carta.

Em 12 de agosto de 1949, Pio XII deu a ela a permissão para sair da comunidade das Irmãs de Loreto, ficando somente sob a jurisdição do Arcebispo de Calcutá. Dois anos mais tarde, em 1950, deu a ela a permissão para fundar a nova comunidade de religiosas, as Missionárias da Caridade. Teve início assim a grande obra de Deus por meio de Madre Teresa, inicialmente em Calcutá, na Índia, e mais tarde no mundo inteiro.

João XXIII

O carisma da Beata tocou o coração também de João XXIII. Em entrevista que concedeu-me em 2008, o Secretário do Papa Roncalli, Dom Loris Francesco Capovilla, criado Cardeal em 2014 pelo Papa Francisco, disse-me: "O Papa João seguidamente falava de Madre Teresa comigo e com o Secretário de Estado Vaticano, o Cardeal Tardini, como também com os outros, desta grande e maravilhosa mulher. A simplicidade e o amor eram a sua força. É bonito que um povo pequeno tenha tido uma Madre tão grande".

Paulo VI

Uma grande reviravolta na comunidade de Madre Teresa foi dada por Paulo VI. Um primeiro encontro ocorreu durante a histórica visita na Índia em 1964 para o Congresso Eucarístico em Bombay. Naquela ocasião o Papa quis presentear o Cadillac com que deslocava durante suas visitas oficiais "para ajudá-la e pelo bem dos pobres".

Madre Teresa colocou imediatamente este carro luxuoso como prêmio de uma loteria, conseguindo desta forma muito dinheiro para ajudar os necessitados. O fato ganhou uma repercussão internacional. No ano sucessivo, em 10 de fevereiro de 1965, com o Decretum laudis, Paulo VI reconheceu a ordem das Missionárias da Caridade como Congregação de direito pontifício. Isto permitiu às irmãs expandirem-se na Índia e no mundo. Três anos mais tarde, Montini convidou Madre Teresa a abrir a primeira Casa das Missionárias da Caridade em Roma. Era 22 de agosto de 1968. Menos de um anos depois, em 29 de março de 1969, aprovou a Fundação Colaboradores de Madre Teresa. Em 6 de janeiro de 1971 o Pontífice entregou à Irmã o Prêmio pela Paz João XXIII.

João Paulo II

Mas o dueto de Deus por excelência nos caminhos do mundo foi aquele formado por João Paulo II e Madre Teresa. Em 1980 o Papa polonês entregou à Irmã a chave da Casa de Acolhida destinada a hospedar e acudir as crianças e mães abandonadas. A seguir, doou a ela a moradia Dom de Maria, para poder acolher e assistir os sem-teto de Roma.

E ainda ressoam entre os católicos albaneses as palavras pronunciadas por João Paulo II durante a sua visita pastoral à Albânia: "Caríssimo, não posso não saudar uma pessoa assim humilde que se encontra entre nós. É Madre Teresa de Calcutá. Todos sabem de onde vem, qual é a sua pátria. A sua pátria é aqui. Na pessoa de Madre Teresa, a Albânia foi honrada para sempre. Vos agradeço hoje, em nome da Igreja Católica, vos agradeço queridos albaneses, pela filha desta terra, do vosso povo".

Quando Madre Teresa morreu em 5 de setembro de 1997, João Paulo II referiu-se a ela, chamando-como a "boa samaritana", e recordou dela - nas diversas ocasiões que teve de encontrá-la - como "uma figura pequena, repleta de vida e a serviço dos pobres entre os mais pobres, com a força de Cristo".

Com um ato extraordinário, o próprio Pontífice permitiu de forma excepcional o início do processo de beatificação antes de sua morte completar cinco anos. A seguir, fez coincidir a beatificação de Madre Teresa, em 19 de outubro de 2003, com o Dia Mundial das Missões, recordando como a vida da Beata Madre Teresa foi permeada no amor, "como anúncio corajoso do Evangelho de Cristo".

Bento XVI

Bento XVI considerava Madre Teresa um exemplo brilhante de como a oração é a inexaurível fonte de amor pelo próximo. Na Encíclica Deus Caritas est, Papa Ratzinger escreve: "A oração, como meio para haurir continuamente força de Cristo, torna-se aqui uma urgência inteiramente concreta. Quem reza não desperdiça o seu tempo, mesmo quando a situação apresenta todas as características duma emergência e parece impelir unicamente para a ação. A piedade não afrouxa a luta contra a pobreza ou mesmo contra a miséria do próximo. A Beata Teresa de Calcutá é um exemplo evidentíssimo do facto que o tempo dedicado a Deus na oração não só não lesa a eficácia nem a operosidade do amor ao próximo, mas é realmente a sua fonte inexaurível. Na sua carta para a Quaresma de 1996, esta Beata escrevia aos seus colaboradores leigos: « Nós precisamos desta união íntima com Deus na nossa vida quotidiana. E como poderemos obtê-la? Através da oração ".

Mas além de exemplo de oração ativa, Madre Teres foi indicada pelo Papa também como exemplo de alegria evangélica. Em 6 de dezembro de 2008, no terceiro Domingo do Advento, Bento XVI dizia que " A alegria cristã brota, portanto, desta certeza: Deus está próximo, está comigo, está conosco, na alegria e na dor, na saúde e na doença, como Amigo fiel. A Beata Madre Teresa não era quem sabe a testemunha inesquecível da alegria evangélica no nosso tempo?

Ela doou a todos a alegria de Deus

Sem nunca esquecer que a vida é serviço a ser vivido como um dom, Madre Teresa dedicou toda a sua existência aos outros. E quando em 4 de janeiro de 2008 Bento XVI visitou no Vaticano a Casa Dom de Maria das Missionárias da Caridade, deu testemunho concreto do seu apoio à missão realizada pelas irmãs em favor dos pobres e dos sem-teto. E naquela ocasião disse: "É Natal todas as vezes que permitimos que Jesus ame os outros através de nós. Por anos, quando eu era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, transcorri várias horas do dia ao lado desta vossa benemérita instituição querida pelo meu venerado predecessor, o Servo de Deus João Paulo II, e por ele confiada à Beata Teresa de Calcutá. Esta casa tem um belo nome, Dom de Maria, e nos convida a todos no início do ano a doar a nossa vida sem nenhum cansaço".

Papa Francisco

O Papa Francisco e a Beata Madre Teresa são espiritualmente duas "almas gêmeas", porque a orientação deles e comportamento evangélico é baseado na simplicidade, humildade, pobreza, mas sobretudo na fé e no amor. Na Encíclica Lumen fidei o Papa escreve: "A luz da fé não nos faz esquecer os sofrimentos do mundo. Os que sofrem foram mediadores de luz para tantos homens e mulheres de fé; tal foi o leproso para São Francisco de Assis, ou os pobres para a Beata Teresa de Calcutá. Compreenderam o mistério que há neles; aproximando-se deles, certamente não cancelaram todos os seus sofrimentos, nem puderam explicar todo o mal. A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho".

Definindo Madre Teresa como um "ícone da misericórdia de Deus, o Papa decidiu canonizá-la este ano". (Osservatore Romano/JE)

Fonte: ACI digital



Avisos

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