Abril 2018 - Devoção e Fé - Blog Católico

segunda-feira, 23 de abril de 2018

São Jorge é santo mesmo?

Por Prof. Felipe Aquino / 23 de Abril de 2018

Recebi um e-mail de uma pessoa me perguntando: “São Jorge, qual a verdadeira história dele, é um santo mesmo? Da Igreja Católica ou de macumba? Nunca me senti bem em relação a ele, pois já vi sua imagem em lugares nada cristãos… Poderia me esclarecer por favor?”

A Igreja não tem dúvida de que São Jorge existiu e é Santo; tanto assim que sua memória é celebrada no Calendário litúrgico no dia 23 de abril. São Jorge foi mártir; a Igreja possui os “Atos do seu martírio” e sua “Paixão”, que foi considerada apócrifa pelo Decreto Gelasiano do século VI. Mas não se pode negar de maneira simplista uma tradição tão universal como veremos: a Igreja do Oriente o chama de “grande mártir” e todos os calendários cristãos incluíram-no no elenco dos seus santos.

São Jorge é considerado um dos “oito santos auxiliadores” (8 de agosto). Já no século IV o grande imperador romano Constantino, que se converteu ao cristianismo em 313, construiu uma igreja em sua honra. No século V já havia cerca de 40 igrejas em sua honra no Egito. Em toda a Europa multiplicaram as suas igrejas. Em 1222, o Concílio Regional de Oxford na Inglaterra estabeleceu uma festa em sua honra, e nos primeiros anos do século XV, o arcebispo de Cantuária na Inglaterra ordenou que esta festa fosse celebrada com tanta celebridade como o Natal. No ano de 1330, o rei católico Eduardo III da Inglaterra já tinha fundado a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge.

São Jorge, além de haver dado nome a cidades e povoados, foi proclamado padroeiro de muitas cidades como Gênova, Ravena, Roma, de regiões inteiras espanholas, de Portugal, da Lituânia e da Inglaterra, com a solene confirmação, para esta última, do Papa Bento XIV.

O culto de São Jorge começou desde os primeiros anos da Igreja em Lida, na Palestina, onde o mártir foi decapitado e sepultado no início do século IV. Seu túmulo era alvo de peregrinações na época das Cruzadas, no século XII, quando o sultão muçulmano Saladino destruiu a igreja construída em sua honra.

A conhecida imagem de São Jorge como cavaleiro que luta contra o dragão, difundida na Idade Média, é parte de uma lenda contada em suas muitas narrativas de sua paixão.

Diz a lenda que um horrível dragão saía de vez em quando de um lago perto de Silena, na Líbia, e se atirava contra os muros da cidade fazendo morrer muita gente com seu hálito mortal, sendo que os exércitos não conseguiam exterminá-los. Então, o povo, para se livrar desse perigo lhe ofereciam jovens vítimas, escolhidas por sorteio. Só que num desses sorteios, à filha do rei foi sorteada para ser oferecida em comida ao monstro. Desesperado, o rei, que nada pôde fazer para evitar isso, acompanhou-a em prantos até às margens do lago. Mas, de repente apareceu um corajoso cavaleiro vindo da Capadócia. Era são Jorge, que marchou com seu cavalo em direção ao dragão e atravessou-o com sua lança. Outra lenda diz que ele amansou o dragão como um cordeiro manso, que a jovem levou preso numa corrente, até dentro dos muros da cidade, entre a admiração de todos os habitantes que se fechavam em casa, cheios de pavor. O misterioso cavaleiro lhes assegurou, gritando-lhes que tinha vindo, em nome de Cristo para vencer o dragão. Eles deviam converter-se e ser batizados.

Continua a narração dizendo que o tribuno e cavaleiro Jorge fez ao povo idólatra da cidade um belo sermão, após o qual o rei e seus súditos se converteram e pediram o batismo. O rei lhe teria oferecida muito dinheiro, mas Jorge teria partido sem nada levar, mandando o rei distribuir o dinheiro aos pobres.

É claro que isso é uma lenda na qual não somos obrigados a acreditar; mas é preciso entender o valor subjetivo das lendas religiosas sobre os santos. O povo as criava e divulgava para enaltecer a grandeza do santo, de maneira parabólica e fantasiosa; mas nela há um fundo de verdade. É um estilo de literatura, fantasiosa sim, mas que não pode ser desprezada de todo.

Muitos artistas e escultores famosos pintaram e esculpiram imagens do Santo: Rafael, Donatelo, Carpaccio, etc.

Segundo a tradição São Jorge foi condenado à morte por ter renegado aos deuses do império, o que muito acontecia com os cristãos. Ele foi torturado, mas parecia que era de ferro, não se queixava. Diz a tradição que diante de sua coragem e de sua fé, a própria mulher do imperador se converteu, e que muitos cristãos, diante dos carrascos, encontraram a força de dar o testemunho a Cristo com o próprio martírio. Por fim, também são Jorge inclinou a cabeça sobre uma coluna e uma espada super afiada pôs fim à sua jovem vida.

Como houve muitos cristãos que morreram mártires nesses tempos da perseguição romana, nada impede que um deles tenha sido o cavaleiro e tribuno militar Jorge.

Prof. Felipe Aquino

Fonte: Cleofas



Hoje é celebrado São Jorge, o santo do Papa Francisco (22 de abril)


Por Abel Camasca

REDAÇÃO CENTRAL, 23 Abr. 18 / 05:00 am (ACI).- Neste dia 23 de abril, a Igreja celebra a festa de São Jorge, o santo do Papa Francisco, Jorge Mario Bergoglio, que é também padroeiro de Armas de Cavalaria do Exército da Argentina, país natal do Santo Padre. No Brasil, o santo é padroeiro do estado do Rio de Janeiro.

São Jorge viveu nos primeiros séculos da Cristandade. Nasceu em Lydda, Palestina, a terra de Jesus, filho de um agricultor muito estimado. Ingressou no exército e foi capitão.

Quando o santo chegou a uma cidade do Oriente, encontrou-se com um terrível crocodilo (ou dragão, ou tubarão), que devorava as pessoas e ninguém se atrevia a enfrentá-lo. São Jorge o fez e venceu.

Cheios de admiração e de emoção por ocorrido, os moradores escutaram atentamente quando o santo lhes falou sobre Jesus Cristo e muitos deles se converteram ao cristianismo.

Nessa época, o imperador Diocleciano mandou todos adorarem ídolos ou deuses falsos e proibiu adorar Jesus Cristo. O santo declarou que ele nunca deixaria de adorar Cristo e que jamais adoraria ídolos.

Essa recusa fez com que o imperador o condenasse à morte. No momento do martírio, levaram-no ao templo dos ídolos para ver se os adorava, mas diante da sua presença, várias estátuas de falsos deuses caíram no chão e se despedaçaram.

O santo foi martirizado e, enquanto o açoitavam, lembrava-se dos açoites que deram em Jesus e não abria a boca. Sofreu os castigos em silêncio.

As pessoas, ao vê-los, diziam que era corajoso e que “verdadeiramente vale a pena ser seguidor de Cristo”. Antes de morrer, o santo disse: “Senhor, em Tuas mãos entrego a minha alma”.

Quando escutou que lhe cortariam a cabeça, alegrou-se, porque tinha muito desejo de ir ao céu e estar com o Senhor. O santo sempre estava em oração.

São Jorge também é padroeiro da Inglaterra e dos escoteiros.

Geralmente, o santo é representado sobre um cavalo, com traje militar da época medieval, com uma palma, uma lança e um escudo, que tem uma bandeira branca com uma cruz vermelha, cujos braços vão às extremidades.

Este escudo pode ser visto em quadros e outras representações e a adaptação do mesmo está na bandeira da Inglaterra, da Geórgia, entre outras.

O santo é protetor dos soldados, agricultores, arqueiros, escoteiros, ferreiros, prisioneiros, entre outros. Também é conhecido como protetor dos animais domésticos.

Fonte: ACI digital

Oração à São Jorge 

Ó São Jorge, meu Santo Guerreiro, invencível na fé em Deus, que trazeis em vosso rosto a esperança e confiança, abre meus caminhos.
Eu andarei vestido e armado com vossas armas para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não peguem, tendo olhos não me enxerguem e nem pensamentos possam ter para me fazerem mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrar.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estendei vosso escudo e vossas poderosas armas, defendendo-me com vossa força e grandeza.
 Ajudai-me a superar todo desânimo e a alcançar a graça que vos peço (fazer o seu pedido). Dai-me coragem e esperança, fortalecei minha fé e auxiliai-me nesta necessidade.
São Jorge, rogai por nós. Amém.



domingo, 22 de abril de 2018

Papa no Domingo do Bom Pastor: Podemos ser curados se confiamos em Deus


Vaticano, 22 Abr. 18 / 11:00 am (ACI).- O Papa Francisco explicou, antes da oração do Regina Coeli, a liturgia deste Quarto Domingo de Páscoa “prossegue na intenção de nos ajudar a redescobrir a nossa identidade de discípulos do Senhor Ressuscitado” e assegurou que Deus pode curar todas as doenças espirituais.

“Cada um pode curar-se de muitas formas de doenças espirituais - ambição, preguiça, orgulho, se aceita colocar com confiança a própria existência nas mãos do Senhor Ressuscitado”.

Francisco afirmou que Jesus é o "Bom Pastor", mas esta “auto apresentação não pode ser reduzida a uma sugestão emocional, sem nenhum efeito concretos”.

“Jesus cura através do seu ser pastor que dá a vida. Dando a sua vida por nós, Jesus diz a cada um: ‘a sua vida vale muito para mim, para salvá-la, eu a dou por mim mesmo’”.

“E oferecer a sua vida o torna Bom Pastor por excelência: Aquele que cura, Aquele que nos permite viver uma vida bela e fecunda”.

Francisco indicou que “é este acontecimento através do qual se realiza uma relação viva e pessoa com Jesus, deixar-se conhecido por Ele”.

“Ele está atento a cada um de nós, conhece profundamente o nosso coração. Conhece as nossas qualidades e os nossos defeitos, conhece os projetos que realizamos e as esperanças que foram desiludidas”.

“Ele nos aceita assim como somos, nos guia com amor, para que possamos atravessar caminhos difíceis sem errar a estrada, ele nos acompanha”.

Ao mesmo tempo, “somos chamados a conhecer Jesus” e isso “requer um encontro com Ele, um encontro que provoca o desejo de segui-lo abandonando os comportamentos auto referenciais para caminhar em estradas novas indicadas por Cristo e abertas a vários horizontes”.

Nesse sentido, advertiu que “quando em nossas comunidades se resfria o desejo de viver a relação com Jesus, de ouvir a sua voz e segui-lo fielmente, é inevitável que prevaleçam outras maneiras de pensar e viver que não são coerentes com o Evangelho”.

O Papa também pediu para agradecer a Deus pelos novos sacerdotes ordenados na manhã de hoje na Basílica de São Pedro e os convidou para que rezem para que “o Senhor multiplique as vocações para a vida consagrada e ao matrimônio cristão”.

Fonte: ACI digital



Papa Francisco: vocação é escuta, discernimento e vida


Em sua mensagem o Papa Francisco destaca que “a nossa vida e a nossa presença no mundo são frutos de uma vocação divina”, para a qual é preciso um processo de discernimento. "O Senhor continua nos chamando a segui-lo."

Cidade do Vaticano

Celebra-se, neste IV Domingo da Páscoa (22/04), o 55° Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Para a ocasião, o Santo Padre publicou uma Mensagem (04/12/17) dirigida aos Bispos, sacerdotes, religiosos e fiéis do mundo inteiro.
A vocação realiza-se hoje!

Nossa vida, fruto de uma vocação divina

Em sua Mensagem o Papa destacou, entre outras coisas, que “a nossa vida e a nossa presença no mundo são frutos de uma vocação divina”, para a qual é preciso um processo de discernimento.

Em vista da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos dedicada aos Jovens, “sobretudo na relação entre jovens, fé e vocação”, - a ser realizada em outubro próximo, - o Pontífice refletiu sobre três conceitos: “escuta, discernimento e vida”.

Escutar, discernir e viver a Palavra de Deus

“Na diversidade e especificidade de cada vocação, pessoal e eclesial, é preciso escutar, discernir e viver a Palavra, que nos chama do Alto e, ao mesmo tempo, nos permite render nossos talentos, fazendo de nós instrumentos de salvação no mundo e orientando-nos à plenitude da felicidade”.

Francisco afirmou que “o chamado do Senhor não é evidente, como tantas coisas que podemos ouvir, ver ou tocar na nossa experiência diária. Deus vem de forma silenciosa e discreta, sem se impor à nossa liberdade. Assim pode acontecer que a sua voz fique sufocada pelas muitas inquietações e solicitações que ocupam a nossa mente e o nosso coração”.

Ler os sinais dos tempos com os olhos da fé

Por isso, é preciso “preparar-se à uma escuta profunda da sua Palavra, prestar atenção aos seus detalhes diários e aprender a ler os sinais dos tempos com os olhos da fé, sempre abertos às surpresas do Espírito”.

Porém, frisou o Papa, “cada um de nós pode descobrir a própria vocação através do discernimento espiritual. Hoje temos grande necessidade do discernimento e da profecia, para superar as tentações da ideologia e do fatalismo. Todo cristão deveria desenvolver a capacidade de ler os acontecimentos da vida e identificar o que o Senhor quer de nós, para continuarmos a sua missão”.

Assumir a própria vocação

Enfim, em sua mensagem, Francisco destacou a necessidade de assumir a própria vocação: “A vocação realiza-se hoje! A missão cristã é para o momento presente! Cada um de nós é chamado – à vida laical no matrimônio, à vida sacerdotal no ministério ordenado, ou à vida de especial consagração – a ser testemunha do Senhor, aqui e agora”.

“O Senhor continua nos chamando a segui-lo”. Respondamos a Ele com o nosso generoso “sim”: “Eis-me aqui”.

Fonte: Vatican News



Papa Francisco: a Eucaristia nos educa à prática da justiça e da misericórdia


“A Eucaristia nos reconcilia e nos une, alimenta a vida comunitária e gera gestos de generosidade, perdão, confiança e gratidão: significa ação de graças, nos educa à primazia do amor e à prática da justiça e da misericórdia”, disse Francisco aos peregrinos das dioceses italianas de Bolonha e Cesena.

Cidade do Vaticano

O Santo Padre concluiu suas atividades, na manhã deste sábado (21/4), no Vaticano, recebendo, na Praça São Pedro, cerca de 13 mil peregrinos das dioceses de Bolonha e Cesena, que vieram, com seus respectivos Pastores, retribuir a visita que ele fez às suas comunidades em outubro do ano passado.
Continuar, com coragem, caminho de renovação

Acolhida e encontros de fé e oração

Em sua saudação aos numerosos presentes, - Bispos, autoridades civis, sacerdotes, pessoas consagradas e fiéis leigos e enfermos – Francisco disse que “não esqueceu a acolhida e os encontros de fé e de oração” realizados nas duas cidades italianas. E acrescentou:

“Graças ao dom da Providência pude confirmar e revigorar a sua fé e pertença à Igreja, que se concretizam com atitudes e gestos de caridade, especialmente em relação às pessoas mais frágeis. Logo, exorto-os a continuar, com coragem, no caminho de renovação e compromisso eclesial”.

Obras de evangelização e metas missionárias

Em Cesena, recordou o Papa , na ocasião foram comemorados o III centenário de nascimento do Papa Pio VI e a memória do Papa Pio VII, ocasião propícia para refletir sobre a obra de evangelização e as metas missionárias, sob o exemplo destes grandes Pastores.

Em Bolonha, Francisco destacou a conclusão do Congresso Eucarístico Diocesano, que reuniu numerosos fiéis em torno de Jesus Eucarístico. A este respeito, o Papa citou a sua Exortação Apostólica “Gaudete e exsultate”: “Partilhar a Palavra e celebrar juntos a Eucaristia torna-nos mais irmãos e transforma-nos em comunidade santa e missionária”. E frisou:

“A Eucaristia, de fato, compõe a Igreja, a agrega e a une no vínculo do amor e da esperança. Jesus a instituiu para que permanecêssemos com Ele, formando um só corpo e tornando-nos mais unidos e irmãos. A Eucaristia nos reconcilia e nos une, alimenta a vida comunitária e gera gestos de generosidade, perdão, confiança e gratidão: significa ação de graças, nos educa à primazia do amor e à prática da justiça e da misericórdia”.

Homens e mulheres do nosso tempo precisam encontrar Jesus Cristo

Neste sentido, o Santo Padre recordou que “os homens e mulheres do nosso tempo precisam encontrar Jesus Cristo”: Ele é o caminho que nos conduz ao Pai; Ele é o Evangelho da esperança e do amor. No cumprimento da nossa missão, Ele exige generosa disponibilidade, renúncia a si mesmo e abandono confiante à vontade divina. Eis o nosso itinerário de santidade! Por fim, o Papa fez a seguinte exortação aos peregrinos de Bolonha e Cesena:

“Encorajo-os a ressoar em suas comunidades o chamado à santidade, que envolve todos os batizados, em qualquer condição de vida. Na santidade consiste a plena realização da aspiração do coração humano. Trata-se de um caminho que deve ser trilhado com a acolhida concreta do Evangelho. Este compromisso missionário proporciona novo impulso à evangelização”.

Jamais deixem de buscar Deus e o seu Reino

“Não cessem jamais, concluiu Francisco, de buscar a Deus e o seu Reino e de prestar o precioso serviço aos irmãos, sempre com fraternidade e simplicidade.

Fonte: Vatican News



Jesus é o único caminho-4° Domingo da Páscoa (Ano B)



Jesus é o único caminho

4º Domingo da Páscoa – Ano B


Evangelho de João 10, 11-18

*11 Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. 12 O mercenário, que não é pastor a quem pertencem, e as ovelhas não são suas, quando vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e sai correndo. Então o lobo ataca e dispersa as ovelhas. 13 O mercenário foge porque trabalha só por dinheiro, e não se importa com as ovelhas.

14 Eu sou o bom pastor: conheço minhas ovelhas, e elas me conhecem, 15 assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou a vida pelas ovelhas. 16 Tenho também outras ovelhas que não são deste curral. Também a elas eu devo conduzir; elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. 17 O Pai me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la de novo. 18 Ninguém tira a minha vida; eu a dou livremente. Tenho poder de dar a vida e tenho poder de retomá-la. Esse é o mandamento que recebi do meu Pai..»

Reflexão

O pastor, os pastores e a pastoral

O evangelho traz as palavras de Jesus sobre o “bom pastor” (Jo 10,11-18) e a 1ª leitura (At  4,8-12) nos mostra o primeiro pastor da jovem comunidade cristã, Pedro, defendendo o rebanho perante o supremo conselho dos judeus em Jerusalém. Dois exemplos de pastores que põem em jogo sua vida em prol de suas ovelhas. Por isso, também, este domingo é o do­mingo das vocações “pastorais”.

Antes, porém, de assimilar a mensagem destas leituras é preciso deslocarmo-nos para as estepes da Judéia, para imaginar o que significa a imagem do “pastor”. O povo de Judá era, tradicionalmente, um povo de pastores de ovelhas e cabras. Assim, por exemplo, o rei Davi foi chamado de detrás do rebanho para ser rei de Judá e Israel. Ora, havia pastores proprie­tários, para quem o rebanho era seu sustento, e assalariados, que não se importavam muito com o rebanho…. Todo judeu conhecia a história de Davi, que, para salvar o rebanho de seu pai Jessé, correu risco de vida enfrentando um leão (1 Sm 17,34-37). E conheciam-se também as advertências proféticas contra os maus pastores de Israel (os reis e chefes) que se engorda­vam às custas das ovelhas em vez e de conduzi-las à pastagem (Ez 34,2 etc.).

O pastor “certo” é Jesus, diz Jo 10,11. Ele conduz as ovelhas com segurança, dando a vida por elas, pois são pedaços de seu coração, à diferença dos assalariados, que fogem quan­do se apresenta um perigo: um leão, um lobo… Jesus é o pastor de verdade, o Messias, o novo Davi e muito mais! Ele dá a vida pelas ovelhas. O caminho pelo qual conduziu as ovelhas foi o do amor até o fim. Ele deu o exemplo. Sua vida certamente não esteve em contradição com sua “pastoral”, como acontece com outros.

O que é pastoral? Não é chefia e organização. É conduzir, no amor demonstrado por Jesus, aqueles que viram nele resplandecer a vida e a salvação. Os que escutam sua voz. Pastoral é evangelização continuada, é fidelidade à boa-nova proclamada. Assim como a “pastoral” de Jesus, talvez exija fidelidade até a morte (desde Tiago e Pedro até Dom Oscar Romero e os demais mártires de hoje). Os pastores têm de identificar-se com Jesus, que dá a vida pelos seus.

Quem são as ovelhas? São os que seguem a voz do pastor. Mas não só os que participam da Igreja de modo organizado. A organização da comunidade não é o último critério para a missão pastoral. Diante dos discípulos que eram de origem judaica, Jesus declarou: “Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste rebanho” (Jo 10,16). A pastoral tem uma dimensão missionária que ultrapassa os integrados e organizados!

E quem são os pastores? Há pastores constituídos, os que participam do sacramento da Ordem (bispos, presbíteros, diáconos). Mas, como o Espírito sopra onde quer, a vocação pasto­ral pode estender-se além desses limites. Cada um pode ser um pouco “pastor” de seu irmão. Até os serviços que a Igreja anima para a transformação da sociedade são chamados de pasto­rais (“pastoral da terra”, “da mulher marginalizada”, “dos direitos humanos” etc.). O que im­porta é que os agentes pastorais assumam o empenho da própria vida na linha de Jesus e de seu testemunho de amor. Que sejam “bons pastores”, amando a Cristo e a seus irmãos de modo ra­dical, dando a vida por eles. Que não usem as ovelhas para ambições eclesiásticas ou políticas. Que não sejam traiçoeiros. Que transmitam a seus irmãos o carinho de Deus mesmo.


Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes.

Oração do Dia

Pai, que eu saiba entregar-me com toda confiança nas mãos de teu Filho – o bom Pastor –, pois só assim estarei seguro de estar trilhando o caminho para ti.



quinta-feira, 19 de abril de 2018

8 grandes santos que tiveram depressão, mas nunca se renderam a ela


Você pode se surpreender com vários dos nomes nesta lista!

Até mesmo santos da estatura moral da Madre Teresa de Calcutá, admirada por crentes e descrentes, dão testemunho de ter sofrido algo que soa surpreendente e talvez chocante para quem acha que os santos viveram numa bolha de perfeição à parte das cotidianidades que afetam os seres humanos “comuns”: o conceito da “noite escura da alma“.

A mais famosa abordagem do tema e do termo é, provavelmente, a do místico espanhol São João da Cruz, reconhecido como nada menos que Doutor da Igreja. Ele descreve essa profunda espécie de crise espiritual na jornada rumo à união com Deus em seu célebre poema intitulado, precisamente, “La noche oscura del alma” (século XVI).

É fato que Deus permite, e com frequência, a drástica provação da aridez espiritual, da completa falta de fervor sensível, da dúvida espessa a respeito da Sua existência, da revolta perante os injustíssimos reveses da vida, do desespero diante da tragédia ou mesmo da rotina que, dias depois de dias, meses depois de meses, se reveste daquela insuportável e amorfa ausência de sentido…

Se o próprio Cristo experimentou o drama do silêncio do Pai na mais negra de todas as noites, a ponto de Lhe suplicar que afastasse d’Ele esse cálice durante a Sua oração no Jardim das Oliveiras, à espera da Paixão, por que presumir que Deus fosse poupar-nos de experimentar a dúvida radical? Por que imaginar que Ele nos privasse da oportunidade de escolher, livre e voluntariamente, abraçar a fé ou rejeitá-la, confiar n’Ele ou refutá-Lo, purificar o amor ou mantê-lo morno, frágil, apoiado em incentivos cômodos e débeis?

Nem a vocação à vida religiosa isenta um cristão da provação espiritual.
É claro que nem sempre essa provação é propriamente a doença física e psíquica que hoje conhecemos como depressão. No entanto, há santos que, pelos sintomas descritos por eles próprios ou por outros biógrafos, muito provavelmente enfrentaram esse quadro que atualmente é visto como “o mal do século”.

Alguns dos santos que possivelmente enfrentaram a depressão:

1 – Santo Agostinho
Século IV.


Pois é! Uma das mais icônicas e sublimes figuras representativas da intensidade da conversão cristã e do poder extraordinário da graça santificante; uma das personalidades mais admiradas da história da civilização ocidental, inclusive por não católicos e até por não cristãos: até ele enfrentou, muito provavelmente, os altos e baixos dos neurotransmissores e a instabilidade psíquica e física que hoje a medicina denomina depressão.
Sua mãe, Santa Mônica, suportou com paciência quase inacreditável a imprevisibilidade do filho brilhante, mas de temperamento terrível. Agostinho procurava com intensa sinceridade a verdade e o sentido da existência, mas, em suas andanças desnorteadas e segundo os seus próprios termos, ele a buscava na aparência das coisas criadas, nas volúpias e prazeres dos sentidos, longe de Deus e cada vez mais longe de si mesmo. “Eis que estavas dentro de mim, mas eu estava fora, e fora Te buscava, e nas coisas formosas que criaste, deforme eu me lançava“, declarará ele nas “Confissões”, obra-prima da espiritualidade não apenas cristã, mas universal.
A teimosia da graça, porém, foi mais irredutível ainda que a dele mesmo, e, encontrando canal nas “indesanimáveis” orações de sua mãe e na admirável influência do grande bispo Santo Ambrósio, levou o rebelde e angustiado Agostinho a finalmente se render a Deus e acolher o batismo. Mais ainda: ele se consagrou a Deus e chegou também ele a ser bispo.
Depois que a mãe morreu, no entanto, e durante os mais de quarenta anos que a isto se seguiram, a sua personalidade poderosa ainda se manifestaria com frequência na propensão à raiva implacável e à… depressão severa. Santo Agostinho se levantava desses abismos por meio da oração, do sacrifício e do trabalho. Ocupar-se foi um grande remédio, tanto nas muitas responsabilidades de bispo quanto nas muitas horas de reflexão, estudo e oração que o transformaram em grande defensor da doutrina da Igreja.

2 – Santa Flora de Beaulieu
Século XIV.


Ela teve uma infância normal, mas, quando seus pais começaram a buscar marido para ela, se recusou e anunciou que ia dedicar a vida a Deus entrando num convento. No entanto, essa decisão, tomada num contexto turbulento, desencadeou uma fase intensa e prolongada de depressão que afetava de tal modo o seu comportamento que mesmo para as outras irmãs era uma provação conviver com ela. Com a graça de Deus, o tempo e a ajuda de um confessor compreensivo, Flora fez grande progresso espiritual precisamente por causa do desafio da depressão, que ela enfrentou com empenho.

3 – Santo Inácio de Loyola
Século XVI.


A personalidade poderosa do grande santo fundador dos padres jesuítas também era dada a sentimentos de profunda inquietação e sofrimento. O senso de certeza e convicção que ele demonstra em sua autobiografia (escrita em terceira pessoa) não vieram com facilidade. Depois de se converter, Inácio teve de lutar contra um feroz período de escrupulosidade, termo que, na ascese cristã, se refere à tentação de sentir-se sempre em grave pecado por cada mínima falha pessoal no cumprimento de deveres e na vivência das virtudes. Essa provação veio seguida de uma depressão tão séria que ele chegou a pensar em suicídio. Deus o retirou do abismo de trevas e sofrimento interior inspirando-lhe grandes coisas a realizar na vida em nome de Cristo e da Sua Igreja.
O próprio Inácio define como “desolação” a experiência que enfrentou em seus exercícios espirituais: um estado de grande inquietação, irritabilidade, desconforto, insegurança quanto a si mesmo e às próprias decisões, dúvidas assustadoras, grande dificuldade de perseverar nas boas intenções… De acordo com Inácio, Deus não causa a desolação, mas a permite para nos “abalar” como pecadores e nos chamar à conversão.
A partir da sua experiência, Santo Inácio dá três conselhos para reagir à desolação: não desistir nem alterar uma boa resolução anterior; intensificar a conversa com Deus, a meditação e as boas ações; e perseverar com paciência, pois a provação é estritamente limitada por Deus, que dará o alívio no momento oportuno. Ele descobriu, em suma, que a depressão pode ser um grande desafio espiritual e uma ótima oportunidade de crescimento.
Estes conselhos continuam perfeitamente válidos, mas, hoje, é de importância crucial acrescentar um quarto conselho: procurar a ajuda médica adequada. Os avanços da medicina deixam claro que, na maioria dos quadros verdadeiramente depressivos, a medicação psiquiátrica é indispensável para reequilibrar os neurotransmissores, pois se trata de uma doença propriamente dita e não apenas de uma “fase de tristeza”. O tratamento da depressão clínica tem duas vertentes interdependentes: o trabalho interior pessoal, que pode ser acompanhado por um bom psicólogo ou orientador qualificado, e o trabalho da medicina, acompanhado por um psiquiatra sério e bem atualizado.

4 – Santa Joana Francisca de Chantal
Século XVI.


Durante oito anos, ela viveu feliz o seu casamento com o Barão de Chantal. Mas, quando o marido morreu, seu sogro, vaidoso e teimoso, forçou Joana e seus três filhos a irem morar com ele, provocando uma rotina de contínuos dissabores, duras provas de paciência e… depressão. Em vez de se escorar na vitimização, como infelizmente é comum desde sempre e até hoje, Santa Joana fez a escolha de manter a alegria e de responder às crueldades do sogro com caridade e compreensão.
Mesmo depois de estabelecer uma cordial e santa amizade com o grande bispo São Francisco de Sales e de trabalhar com ele na criação de uma ordem religiosa para mulheres de mais idade, Joana continuava experimentando momentos de grande sofrimento e injusto julgamento – e continuava, também, a responder com alegria, trabalho esforçado e espírito voltado a Deus.
A propósito, São Francisco de Sales tem um relevante conselho para quem sofre dessa provação:

“Refresque-se com músicas espirituais, que muitas vezes provocaram o demônio a cessar as suas artimanhas, como no caso de Saul, cujo espírito maligno se afastou dele quando Davi tocou sua harpa perante o rei. Também é útil trabalhar ativamente, e com toda a variedade possível, de modo a desviar a mente da causa de sua tristeza”.

5 – São Noel Chabanel
Século XVII.


Padre jesuíta, mártir norte-americano, trabalhou entre os índios huron com São Charles Garnier. Os missionários, no geral, desenvolvem grande empatia por aqueles a quem evangelizam; no entanto, não foi o caso do pe. Noel: ele sentia repugnância pelos índios e pelos seus costumes, além de imensa dificuldade para aprender a sua língua, completamente diferente de qualquer idioma europeu, sem falar nos brutais desafios que a vida em ambiente quase selvagem envolvia. Todo esse conjunto de provações gerou nele um sentimento duradouro de sufocamento espiritual. Como ele respondeu? Fazendo um voto solene de jamais desistir nem abandonar a sua missão. E esse voto ele manteve até o dia do seu martírio.

6 – Santa Elizabeth Ann Seton
Século XVIII.


A primeira santa nascida em solo estadunidense sofria com a contínua sensação de solidão e melancolia, tão profunda que ela pensou várias vezes em se matar. Ela teve muitos problemas em sua vida, especialmente relacionados à sua família. Leituras, música e o mar a ajudaram a ser mais alegre. Quando se converteu, a Eucaristia e a caridade passaram a ser sua grande força diária!

7 – São João Maria Vianney
Século XIX.


Conhecido como o Cura D’Ars, ele é um dos sacerdotes mais queridos da história da Igreja, modelo de pároco zeloso e de pastor que superou as muitas e graves limitações intelectuais próprias para guiar as almas com maestria pelo caminho da vida de graça. Apesar de todo o bem que fazia, ele não conseguia enxergar a própria relevância diante de Deus e convivia persistentemente com um forte complexo de inutilidade pessoal, sintoma da depressão que o acompanhou durante toda a vida.
Nos momentos mais difíceis, ele recorria ao Senhor e, apesar do sofrimento, renovava a determinação de perseverar no seu trabalho com confiança, fé e amor a Deus e ao próximo.

8 – Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)
Século XX.


A santa carmelita descalça que havia nascido judia e crescido ateia sofreu com a depressão durante longo período. Chegou a escrever:

“Encontrei-me gradualmente em profundo desespero… Eu não podia atravessar a rua sem querer que um carro me atropelasse e eu não saísse viva dali”.

Desde antes de se converter, principalmente nas muitas ocasiões em que foi desprezada e humilhada por ser mulher e de origem judia, Edith sofreu intensamente a depressão. Intelectual, filósofa, discípula e até assistente de Edmund Husserl, o fundador da fenomenologia, ela finalmente encontrou em Deus a Verdade que tanto buscava, a partir da leitura da obra de Santa Teresa de Jesus. Abraçou então a graça com tamanha sede que dela arrancava as forças para lidar não apenas com os seus dolorosos sofrimentos interiores, mas também com as trevas mortíferas do nazismo.
Edith Stein, que adotou no convento carmelita o nome religioso de Teresa Benedita da Cruz após se converter e se consagrar a Deus radicalmente, foi capaz de perseverar até o martírio, mantendo a lucidez, a fé, a esperança e o amor inclusive na prisão e na execução a que foi submetida covardemente no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Esse final de vida terrena parece particularmente deprimente? Pois ele é, mesmo. No entanto, como tudo nesta vida tem mais do que apenas um lado, ela enfrentou esse cenário extremo com a serenidade e a paz de espírito de quem aprendeu a lidar com os altos e baixos da depressão, enxergando além do imediato e abraçando uma vida que não acaba porque é eterna – e que é capaz de brilhar até mesmo nas trevas mais densas da morte num campo de concentração.

Fonte: Aleteia



Esta é a “Novena de emergência” à Virgem Maria que Madre Teresa rezava em apuros


REDAÇÃO CENTRAL, 15 Abr. 18 / 06:00 am (ACI).- Diante dos diversos problemas que enfrentava com frequência e em meio a um ritmo de vida acelerado, Santa Teresa de Calcutá inventou uma maneira de invocar a intercessão da Virgem Maria a qual chamou de “Novena de emergência” (Flying Novena).

Mons. Leo Maasburg, amigo e diretor espiritual da Santa, explica em seu livro ‘Madre Teresa de Calcutá: Um retrato pessoal’, que esta era “sua rápida arma espiritual”.

As novenas são orações rezadas durante nove dias e são bastante comuns entre a Congregação das Missionárias da Caridade. Entretanto, esta oração promovida pela Madre Teresa consistia em rezar dez Memorare em um só dia, de forma rápida, com o propósito em mente.

O ‘Memorare’ é uma oração de intercessão à Santíssima Virgem, normalmente atribuída a São Bernardo de Claraval, que a Madre Teresa rezava com frequência.

Mons. Maasburg explicou que a Madre Teresa sempre rezava dez Memorares porque “confiava tanto na colaboração dos céus, que sempre acrescentava um décimo Memorare imediatamente, em ação de graças pelo favor recebido”.

Esta “Novena de emergência” tinha uma coisa em comum com as novenas de nove dias e inclusive com as de nove meses: a confiança pedindo pela ajuda divina, como fizeram os apóstolos durante nove dias junto com “Maria, a Mãe de Jesus, e as mulheres” (Atos dos apóstolos 1,14) à espera da ajuda prometida pelo Espírito Santo.

Santa Teresa de Calcutá utilizava esta oração constantemente para pedir pela cura de uma criança doente, antes de conversas importantes, quando os passaportes desapareciam, para solicitar a ajuda celestial quando as provisões acabavam etc.

Pe. Brian Kolodiejchuk, postulador da causa de canonização da Madre Teresa, assinalou em uma ocasião que a Santa ensinava que o Memorare “expressa de maneira efetiva sua confiança no poder da intercessão de Maria como mediadora de todas as graças”.

“Flui do amor e da confiança que tinha em Maria; era uma forma simples de apresentar seus pedidos. A resposta rápida que recebia era sua inspiração para recorrer à Mãe do Céu cada vez com maior confiança através das palavras do Memorare”, acrescentou.

A oração é a seguinte:

“Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tenham recorrido à vossa proteção, implorado o vosso socorro, fosse por vós desamparado.

Animado eu pois com igual confiança, a vós recorro como minha Mãe, ó Virgem entre todas singular, e de vós me valho. Gemendo sob o peso dos meus pecados me prostro a vossos pés.

Não rejeiteis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus Humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia e de alcançar-me o que vos rogo. Amém”.

Fonte: ACI digital



Em um dia como hoje Bento XVI foi eleito Papa


REDAÇÃO CENTRAL, 19 Abr. 18 / 06:00 am (ACI).- Há 13 anos, em 19 de abril de 2005, o Cardeal Joseph Ratzinger foi eleito sucessor do Apóstolo Pedro e apresentado ao mundo como Papa Bento XVI.

Em seu primeiro discurso, o agora Supremo Pontífice Emérito recordou São João Paulo II e se definiu como um “simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor".

“Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes. E, sobretudo, recomendo-me às vossas orações... O Senhor nos ajudará e Maria, sua Mãe Santíssima, está conosco”, exclamou o Santo Padre ante uma lotada Praça de São Pedro no dia de sua eleição.

O Papa Bento XVI permaneceu no pontificado durante oito anos, continuou o caminho de seu predecessor e visitou 24 países de quatro continentes em 100 dias dos 2.800 de seu pontificado, sendo a Ásia o único continente que não visitou. Publicou as encíclicas “Caritas in veritate”, “Spe Salvi”, “Deus caritas est”.

Em uma surpreendente e histórica decisão, o então Papa Bento XVI anunciou no dia 11 de fevereiro de 2013, sua renúncia ao pontificado.

Naquela ocasião, disse que devido à idade avançada (completaria 86 anos) já não tinha forças para exercer adequadamente o ministério de Pedro. O então Santo Padre precisou que a partir do dia 28 de fevereiro de 2013, às 20h (hora local), a Sé de Pedro ficaria vacante.

Atualmente Joseph Ratzinger vive no mosteiro Mater Ecclesiae no Vaticano, onde se dedica à leitura e à oração.

Uma de suas mais recordadas aparições foi ao lado do Papa Francisco durante a canonização de São João Paulo II e São João XXIII, considerado pela imprensa como “o dia dos quatro Papas”.

Em 2015, depois do Papa Francisco, o Papa Emérito Bento XVI se tornou o primeiro peregrino a atravessar a Porta Santa da Basílica de São Pedro, na inauguração do Ano da Misericórdia.

Em 17 de abril de 2017, o Papa Emérito expressou a sua emoção durante a celebração dos seus 90 anos na segunda-feira de Páscoa, também conhecida como a “Segunda-feira do Anjo”.
Fonte: ACI digital



Papa Francisco: Batismo implica uma resposta pessoal


“Deus chama cada um pelo nome, amando-nos singularmente, na concretude da nossa história. O Batismo implica uma resposta pessoal e não emprestada, com um ‘copiar e colar’”, disse Francisco na Audiência Geral.

Cidade do Vaticano

O sinal da fé cristã: este foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral de quarta-feira (18/04).

Na semana passada, o Pontífice iniciou uma nova série, desta vez sobre o Batismo, neste Tempo de Páscoa.

O Papa recordou que semana passada pediu como tarefa aos fiéis presentes na Audiência que procurassem conhecer o dia do batismo. E renovou o pedido, acrescentando que o batismo é um renascimento, um “segundo aniversário”.

"Copiar e colar" 

Francisco explicou o significado da celebração, começando pelo rito de acolhimento. Antes de tudo, pergunta-se o nome do candidato, porque o nome indica a identidade de uma pessoa, nos tira do anonimato.

“Deus chama cada um pelo nome, amando-nos singularmente, na concretude da nossa história. O Batismo acende a vocação pessoal a viver como cristãos, que se desenvolverá durante toda a vida. E implica uma resposta pessoal e não emprestada, com um ‘copiar e colar’.”

A fé não se compra

A fé, prosseguiu Francisco, é um dom que vem do alto, não se pode comprar, mas sim pedir. “’Senhor, dá-me o dom da fé’, é uma bela oração”, disse o Papa. A formação dos catecúmenos e a preparação dos pais são importantes para suscitar e despertar uma fé sincera.

Se os catecúmenos adultos manifestam em primeira pessoa aquilo que desejam receber como dom da Igreja, as crianças são apresentadas pelos pais, com os padrinhos.

Expressão disto tudo é o sinal da cruz que o celebrante e os pais traçam sobre a testa das crianças, que manifesta o sigilo de Cristo sobre aquele que está para Lhe pertencer e significa a graça da redenção.

Marca pascal

“A cruz é o distintivo que manifesta quem somos”, explicou o Papa: o nosso falar, pensar, olhar e agir está sob o sinal da cruz, isto é, do amor de Jesus até o fim. As crianças são marcadas na testa e os catecúmenos adultos são marcados também nos sentidos. Torna-se cristão à medida em que a cruz se imprime em nós como uma marca ‘pascal’, tornando visível, inclusive exteriormente, o modo cristão de enfrentar a vida.

“Fazer o sinal da cruz quando acordamos, antes das refeições, diante de um perigo, em defesa contra o mal, antes de dormir, significa dizer a nós mesmos e aos outros a quem pertencemos, quem queremos ser. E por isso é importante ensinar as crianças a fazer bem o sinal da cruz”, disse Francisco, reforçando este conceito pelo menos três durante a Audiência. E concluiu:

“E assim como fazemos entrando na igreja, podemos fazê-lo também em casa, conservando em um pequeno recipiente um pouco de água benta: assim, toda vez que entramos ou saímos, fazendo o sinal da cruz com aquela água nos lembramos que somos batizados.”

Banco Mundial

Ao final da Audiência Geral, o Papa Francisco recordou que sábado próximo, em Washington, têm início as reuniões de primavera do Banco Mundial.

“Encorajo os esforços que, mediante a inclusão financeira, tentam promover a vida dos mais pobres, favorecendo um autêntico desenvolvimento integral e respeitoso da dignidade humana.”
Fonte: Vatican News



Ser santos no mundo de hoje – a Exortação de Francisco ("Gaudete et Exsultate")


"Gaudete et Exsultate”, “Alegrai-vos e Exultai” é a Exortação Apostólica do Papa Francisco sobre a santidade. Trata-se de um texto com 177 parágrafos, organizado em 5 capítulos e 44 páginas, que pretende ser um convite à santidade e não “um tratado” cheio de “definições” – escreve o Santo Padre. Fazemos aqui uma reflexão sobre este documento.

Rui Saraiva – Porto

Na segunda-feira dia 9 de abril o Papa Francisco publicou uma Exortação Apostólica sobre a santidade: “Alegrai-vos e Exultai”. No número 2 do documento o Santo Padre afirma um objetivo “humilde”: “ fazer ressoar mais uma vez o chamamento à santidade, procurando encarná-la no contexto atual, com os seus riscos, desafios e oportunidades, porque o Senhor escolheu cada um de nós «para ser santo e irrepreensível na sua presença, no amor» – escreve o Papa.

No documento de Francisco pode-se ler uma expressão que marca o espírito desta Exortação: classe média da santidade. Escreve Francisco:

“Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade «ao pé da porta», daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou – por outras palavras – da «classe média da santidade»”.

De destacar no texto do Santo Padre a atenção para com os “estilos femininos de santidade”:

“A propósito de tais formas distintas, quero assinalar que também o «génio feminino» se manifesta em estilos femininos de santidade, indispensáveis para refletir a santidade de Deus neste mundo. E precisamente em períodos nos quais as mulheres estiveram mais excluídas, o Espírito Santo suscitou santas, cujo fascínio provocou novos dinamismos espirituais e reformas importantes na Igreja. Podemos citar Santa Hildegarda de Bingen, Santa Brígida, Santa Catarina de Sena, Santa Teresa de Ávila ou Santa Teresa de Lisieux; mas interessa-me sobretudo lembrar tantas mulheres desconhecidas ou esquecidas que sustentaram e transformaram, cada uma a seu modo, famílias e comunidades com a força do seu testemunho” – escreve o Papa.

Segundo Francisco “quem deseja verdadeiramente dar glória a Deus com a sua vida, quem realmente se quer santificar” deve corresponder a um chamamento: “a obstinar-se, gastar-se e cansar-se procurando viver as obras de misericórdia”. Estas atitudes são essenciais para não permitir que o consumismo da nossa sociedade nos possa enganar. Escreve o Santo Padre:

“O consumismo hedonista pode-nos enganar, porque, na obsessão de divertir-nos, acabamos por estar excessivamente concentrados em nós mesmos, nos nossos direitos e na exacerbação de ter tempo livre para gozar a vida. Será difícil que nos comprometamos e dediquemos energias a dar uma mão a quem está mal, se não cultivarmos uma certa austeridade, se não lutarmos contra esta febre que a sociedade de consumo nos impõe para nos vender coisas, acabando por nos transformar em pobres insatisfeitos que tudo querem ter e provar. O próprio consumo de informação superficial e as formas de comunicação rápida e virtual podem ser um fator de estonteamento que ocupa todo o nosso tempo e nos afasta da carne sofredora dos irmãos. No meio deste turbilhão atual, volta a ressoar o Evangelho para nos oferecer uma vida diferente, mais saudável e mais feliz.”

Para o Papa, nesta sua Exortação Apostólica, existe um método para o caminho da santidade: as bem-aventuranças. Declara o Santo Padre:

“Sobre a essência da santidade, podem haver muitas teorias, abundantes explicações e distinções. Uma reflexão do género poderia ser útil, mas não há nada de mais esclarecedor do que voltar às palavras de Jesus e recolher o seu modo de transmitir a verdade. Jesus explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo; fê-lo quando nos deixou as bem-aventuranças (cf. Mt 5, 3-12; Lc 6, 20-23). Estas são como que o bilhete de identidade do cristão. Assim, se um de nós se questionar sobre «como fazer para chegar a ser um bom cristão», a resposta é simples: é necessário fazer – cada qual a seu modo – aquilo que Jesus disse no sermão das bem-aventuranças. Nelas está delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia-a-dia da nossa vida.”

E para cumprir as bem-aventuranças e viver a santidade no mundo atual o Papa Francisco aponta algumas características necessárias a desenvolver pelos cristãos: a oração, a paciência, a mansidão, a ousadia e também a alegria e o bom humor. Aliás, neste particular do bom humor, o Papa cita alguns santos como S. Tomás Moro, S. Vicente de Paulo e S. Filipe Néri e sublinha que “o mau humor não é um sinal de santidade”. A alegria, essa sim, é característica de santidade porque, como escreve o Papa “ser cristão é «alegria no Espírito Santo» (Rm 14, 17)”. Mas, Francisco avisa que não se trata de uma alegria consumista:

“Não estou a falar da alegria consumista e individualista muito presente nalgumas experiências culturais de hoje. Com efeito, o consumismo só atravanca o coração; pode proporcionar prazeres ocasionais e passageiros, mas não alegria. Refiro-me, antes, àquela alegria que se vive em comunhão, que se partilha e comunica, porque «a felicidade está mais em dar do que em receber» (At20, 35) e «Deus ama quem dá com alegria» (2 Cor 9, 7).”

Francisco conclui a sua Exortação Apostólica sobre a santidade assinalando uma “necessidade imperiosa”: “a capacidade de discernimento”. Escreve o Papa:

“Hoje em dia, tornou-se particularmente necessária a capacidade de discernimento, porque a vida atual oferece enormes possibilidades de ação e distração, sendo-nos apresentadas pelo mundo como se fossem todas válidas e boas. Todos, mas especialmente os jovens, estão sujeitos a um zapping constante. É possível navegar simultaneamente em dois ou três visores e interagir ao mesmo tempo em diferentes cenários virtuais. Sem a sapiência do discernimento, podemos facilmente transformar-nos em marionetes à mercê das tendências da ocasião.”
Fonte: Vatican News



Hoje é dia de Santo Expedito, padroeiro das causas urgentes (19 de abril)


REDAÇÃO CENTRAL, 19 Abr. 18 / 05:00 am (ACI).-
Comandante da legião romana e mártir da Igreja do século IV, Santo Expedito, cuja festa é celebrada neste dia 19 de abril, é tradicionalmente invocado diante de problemas urgentes. É venerado, por exemplo, como protetor de problemas no trabalho, família e em casos de juízo. Este título se deve a uma rápida ação que realizou contra o demônio.

Segundo a tradição, quando Santo Expedito ia se converter, o maligno se aproximou dele como um corvo e começou a gritar: “cras, cras, cras”, que em latim significa “amanhã, amanhã, amanhã”. Tudo para fazer com que deixasse a sua decisão para depois e sua fé se esfriaria.

O santo imediatamente esmagou o corvo tentador, dizendo: “Hodie, hodie, hodie!”, que significa “hoje, hoje, hoje”. “Nós não vamos deixar nada para amanhã, a partir de hoje serei cristão”, acrescentou. No final, morreu como um mártir valente.

Santo Expedito também é protetor dos jovens, estudantes e enfermos. Ele é retratado como um soldado com uma cruz na qual está escrito “hodie” (hoje) e a folha de palmeira, simbolizando o martírio. Em seus pés, aparece um corvo com a palavra “cras” (manhã).

Neste dia, ao celebrar o santo das causas urgentes, reze esta oração:

“Meu Santo Expedito das causas justas e urgentes, interceda por mim junto ao nosso Senhor Jesus Cristo, socorre-me nesta hora de aflição e desespero. Vós que sois o Santo dos desesperados, Vós que sois o Santo das causas urgentes, proteja-me, ajuda-me, dai-me força, coragem e serenidade. Atenda ao meu pedido.

Meu Santo Expedito! Ajuda-me a superar estas horas difíceis, proteja-me de todos que possam me prejudicar, proteja a minha família, atenda ao meu pedido com urgência. Devolva-me a paz e a tranquilidade. Meu Santo Expedito! Serei grato pelo resto de minha vida e levarei seu nome a todos que têm fé. Muito obrigado. Amém”.
Fonte: ACI digital



domingo, 15 de abril de 2018

Por que devemos batizar as crianças? Papa Francisco responde


Vaticano, 12 Abr. 18 / 04:00 pm (ACI).- O Papa Francisco aproveitou a catequese de ontem para responder uma pergunta que costuma escutar: “Por que devemos batizar uma criança que não entende?”.

No dia 11 de abril, o Santo Padre deu início a um ciclo de catequeses sobre o Batismo, depois de vários meses falando sobre a Eucaristia.

Ante milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, Francisco afirmou que “há um antes e depois do Batismo. O Sacramento supõe um caminho de fé, que chamamos catecumenato, evidente quando é um adulto deve pedir o Batismo. Mas também as crianças, desde a antiguidade, são batizadas na fé dos pais”.

“E sobre isso eu gostaria de dizer uma coisa. Alguns pensam: Por que batizar uma criança que não entende? Esperemos que cresça, e que ela mesma peça o batismo”, indicou.

O Santo Padre advertiu que isto “significa não ter confiança no Espírito Santo, porque quando nós batizamos uma criança, entra naquela criança o Espírito Santo e o Espírito Santo faz crescer nela as virtudes cristãs que depois florescerão”.

Portanto, assinalou, “sempre se deve dar esta oportunidade a todos, a todas as crianças, de ter dentro de si o Espírito Santo que as guia durante toda a vida”. “Não esqueçam de batizar as crianças!”, exortou.

Fonte: ACI digital


Papa inicia novo ciclo de catequeses sobre o Batismo: Sinal de uma vida nova

Por Álvaro de Juana

Vaticano, 11 Abr. 18 / 10:30 am (ACI).- O Papa Francisco deu início a um novo ciclo de catequeses sobre o Batismo durante a Audiência Geral na manhã de hoje, depois de vários meses falando sobre a Eucaristia.

Ante milhares de fieis reunidos na Praça de São Pedro, o Santo Padre falou que o Batismo é"o fundamento de toda a vidacristã". "A Páscoa de Cristo, com a sua força de novidade, nos alcança através do Batismo para transformar-nos a sua imagem: os batizados são de Jesus Cristo, é Ele o Senhor desua existência", afirmou.

Francisco recordou que “é primeiro dos Sacramentos, enquanto é a porta que permite a Cristo Senhor fixar morada na nossa pessoa e, a nós, imergir-nos em seu Mistério”.

Por outro lado, assinalou que o Batismo “é sinal eficaz de renascimento, para caminhar em novidade de vida. Imergindo-nos em Cristo, o Batismo nos torna também membro do seu Corpo, que é a Igreja, e partícipes da sua missão no mundo”.

“O Batismo permite a Cristo viver em nós e a nós viver unidos a Ele, para colaborar na Igreja, cada um segundo a própria condição, para a transformação do mundo”.

“Recebido uma única vez, o Batismo ilumina a nossa vida, guiando os nossos passos até a Jerusalém do Céu”.

“Há um antes e depois do Batismo. O Sacramento supõe um caminho de fé, que chamamos catecumenato, evidente quando é um adulto a pedir o Batismo. Mas também as crianças, desde a antiguidade, são batizadas na fé dos pais”.

O Pontífice também disse que “ninguém merece o Batismo, pois é sempre um dom gratuito para todos, adultos e recém-nascidos. Mas como acontece com uma semente cheia de vida, este dom se estabelece e dá fruto em um terreno nutrido pela fé”.

Neste sentido, “as promessas batismais que todos os anos renovamos na Vigília Pascal devem ser reavivadas todos os dias para que o Batismo ‘cristifique’ quem o recebeu, tornando-o realmente outro Cristo”.

Fonte: ACI digital



Papa Francisco: ofender o corpo é ofender a Deus (Regina Coeli)


O Papa Francisco comentou o Evangelho do III domingo de Páscoa, em que os Apóstolos ficam perturbados com a presença real de Cristo ressuscitado.

Cidade do Vaticano

A sacralidade do corpo e da alma foi o tema da alocução do Papa Francisco ao rezar com os fiéis na Praça S. Pedro a oração mariana do Regina Coeli.

No Evangelho do terceiro domingo de Páscoa, está a experiência do Ressuscitado feita pelos seus discípulos. “O episódio narrado pelo evangelista Lucas insiste muito no realismo da Ressurreição. De fato, não de trata de uma aparição da alma de Jesus, mas da sua real presença com o corpo ressuscitado”, disse o Pontífice.

Os Apóstolos ficam perturbados com a presença de Jesus, a ponto de pensarem tratar-se de um fantasma.

Cristo decidiu comer o peixe assado para convencê-los de que é Ele. Para Francisco, a insistência de Jesus sobre a realidade da sua Ressurreição ilumina a perspectiva cristã sobre o corpo, que não é um obstáculo ou uma prisão da alma.

Ideia positiva do corpo

“O corpo foi criado por Deus e o homem não é completo se não for união de corpo e alma. Jesus, que venceu a morte e ressuscitou em corpo e alma, nos faz entender que devemos ter uma ideia positiva do nosso corpo”, explicou o Papa.

O corpo pode se tornar ocasião ou instrumento de pecado, mas o pecado não é provocado pelo corpo, mas pela fraqueza moral.

“Toda ofensa ou ferida ou violência ao corpo do nosso próximo é uma ofensa a Deus criador! O meu pensamento vai, em especial, às crianças, às mulheres e aos idosos maltratados no corpo. Na carne dessas pessoas nós encontramos o corpo de Cristo.”

Jesus nos ensinou o amor, disse ainda Francisco, e quer resgatar todos aqueles que experimentam no próprio corpo as escravidões dos nossos tempos. O Papa então concluiu:

“Num mundo onde demasiadas vezes prevalecem a prepotência contra os mais fracos e o materialismo que sufoca o espírito, o Evangelho de hoje nos chama a ser pessoas capazes de olhar em profundidade, repletas de estupor e de grande alegria por ter encontrado o Senhor ressuscitado.”

Fonte: Vatican News


Ação comum pela paz na Síria: apelo do Papa Francisco

O Pontífice fez o enésimo apelo pela paz na Síria, definindo-se "transtornado" com a situação mundial.

Cidade do Vaticano

Transtornado: assim o Papa Francisco se manifestou a respeito da situação na Síria e em outras partes do mundo.

Ao final da oração mariana do Regina Caeli, o Papa Francisco fez seu enésimo apelo pela paz:

“ Estou profundamente transtornado com a atual situação mundial em que, não obstante os instrumentos à disposição da comunidade internacional, não se consegue concordar uma ação comum a favor da paz na Síria e em outras regiões do mundo. Enquanto rezo pela paz, e convido todas as pessoas de boa vontade a continuarem a fazer o mesmo, me apelo novamente a todos os responsáveis políticos, para que prevaleçam a justiça e a paz. ”

Fonte: Vatican News



Por que o coração de vocês está cheio de dúvidas?-3° Domingo de Páscoa (Ano B)



Por que o coração de vocês 
está cheio de dúvidas?”

3º Domingo da Páscoa – Ano B


Evangelho de Lucas 24, 35-48

* 35 Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus quando ele partiu o pão.
36 Ainda estavam falando, quando Jesus apareceu no meio deles, e disse: «A paz esteja com vocês.» 37 Espantados e cheios de medo, pensavam estar vendo um espírito. 38 Então Jesus disse: «Por que vocês estão perturbados, e por que o coração de vocês está cheio de dúvidas? 39 Vejam minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo. Toquem-me e vejam: um espírito não tem carne e ossos, como vocês podem ver que eu tenho.» 40 E dizendo isso, Jesus mostrou as mãos e os pés. 41 E como eles ainda não estivessem acreditando, por causa da alegria e porque estavam espantados, Jesus disse: «Vocês têm aqui alguma coisa para comer?» 42 Eles ofereceram a Jesus um pedaço de peixe grelhado. 43 Jesus pegou o peixe, e o comeu diante deles.
44 Jesus disse: «São estas as palavras que eu lhes falei, quando ainda estava com vocês: é preciso que se cumpra tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.» 45 Então Jesus abriu a mente deles para entenderem as Escrituras. 46 E continuou: «Assim está escrito: ‘O Messias sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia, 47 e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém’. 48 E vocês são testemunhas disso

Reflexão

Era preciso que o Cristo padecesse?

O sofrimento de Jesus é entendido de muitas maneiras, nem sempre aceitável. Há quem diga que Jesus teve de pagar nossos pecados com seu sangue. Mesmo se é verdade que o sofrimento de Jesus nos resgatou, não é porque Deus exigiu que ele pagasse com seu sangue a nossa dívida. Seria injusto e cruel. Os homens é que “castigaram” Jesus, mas Deus o reabilitou. “Aquele que conduz à vida, vós o matastes, mas Deus o ressuscitou dentre os mortos” (1ª leitura). Era preciso que o Cristo padecesse (evangelho), não porque Deus o desejava, mas porque as pessoas o rejeitaram e o fizeram morrer. Mas Deus quis mostrar publicamente que Jesus, assumindo a morte inflingida ao justo, teve razão. É isso que significa a ressurreição. O próprio Ressuscitado cita os discípulos os textos da Escritura que falam nesse sentido (Lc 24,44).

Muitas vezes, a gente só descobre o sentido profundo das coisas depois que aconteceram. Assim também foi preciso primeiro o Cristo morrer e ressuscitar, para que os discípulos descobrissem que nele se realizou o modo de agir de Deus, do qual falam as Escrituras. Muitas vezes o Antigo Testamento fala do justo perseguido ou rejeitado (p. ex., Sl 22, Sl 69; Sb 2), do Servo Sofredor (Is 52, 13-53,12). Esses textos nos ensinam que aquele que quer praticar a justiça segundo a vontade de Deus há de enfrentar perseguição e morte. Ora, esses textos encontraram em Jesus uma realização inesperada e incomparável: aquele que Deus chama seu Filho morre por estar comprometido com o amor e a justiça de Deus. Em frente dessa morte, a ressurreição é a homenagem de Deus a seu Filho. O que foi rebaixado pelos injustos, é reerguido por Deus e mostrado glorioso aos que nele acreditaram. A ressurreição é a prova de que Deus dá razão a Jesus e de que seu amor é mais forte que a morte.

Se Deus dá razão a Jesus, se Deus endossa a prática de vida que Jesus nos ensinou por seu exemplo, já não podemos hesitar em alinhar nossa vida com a sua. Jesus “ressuscitou por nós”, isto é, para nos mostrar que o certo é viver e morrer como ele. Quem, morrendo ou vivendo, dá a vida pelos irmãos, não é um ingênuo; Deus lhe dá razão.

Que significa então: “Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados”(2ª leitura)? À luz do que dissemos acima, esta expressão não significa que Jesus é um sacrifício oferecido para pagar a dívida em nosso lugar, mas que aquilo que os antigos queriam realizar pelas vítimas de expiação – reconciliar-se com Deus – foi realizado de modo muito superior pela vida de justiça que Jesus viveu até à morte por amor. E, na medida em que o seguirmos nessa prática de vida, guardando seu mandamento, o amor de Deus se torna verdade em nós (1 Jo 2,3-5).


Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes.

Oração do Dia

Pai, não permitas que eu caia na tentação de viver distante de meus irmãos e irmãs de fé, pois o Senhor Ressuscitado nos quer todos reunidos em seu nome.



domingo, 8 de abril de 2018

Papa Francisco: Misericórdia, o palpitar do coração de Deus (Homilia Completa)


O Papa Francisco renovou o convite para a confissão, para assim descobrirmos que a misericórdia de Deus é bem maior do que as nossa misérias. Como Tomé, "peçamos hoje a graça de reconhecer o nosso Deus: de encontrar no seu perdão a nossa alegria, na sua misericórdia a nossa esperança".

Cidade do Vaticano

“Quando nos confessamos, tem lugar o inaudito: descobrimos que precisamente aquele pecado, que nos mantinha distantes do Senhor, converte-se no lugar do encontro com Ele”. E “em cada perdão recebemos novo alento, somos encorajados, pois nos sentimos cada vez mais amados.”

Dirigindo-se aos 50 mil fiéis presentes na Praça São Pedro no Domingo da Divina Misericórdia – festa instituída por São João Paulo II – o Papa Francisco recordou do perdão, afirmando que diante das passagens que parecem bloqueadas pela vergonha, pela resignação e pelo nosso pecado, justamente ali “Deus faz maravilhas”, pois Ele adora entrar através das portas fechadas”, pois para Ele, “nada é intransponível”.

Os discípulos reconheceram Jesus pelas suas chagas. Inspirando-se no Evangelho do dia que descreve a incredulidade de Tomé que diz que acreditaria somente se pusesse “o dedo nas marcas dos pregos" e  "a mão no seu lado”, o Papa iniciou dizendo que “temos de agradecer a Tomé, pois a ele não bastou ouvir dizer dos outros que Jesus estava vivo, e tampouco de vê-Lo em carne e osso, mas quis ver dentro, tocar com a mão nas suas chagas, os sinais do seu amor."

“Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.

Vemos Jesus pelas suas chagas

Tomé, o «Dídimo», “é verdadeiramente nosso irmão gêmeo. Pois também a nós não basta saber que Deus existe”:

“Um Deus ressuscitado, mas longínquo, não nos preenche a nossa vida; não nos atrai um Deus distante, por mais que seja justo e santo. Não. Nós também precisamos “ver a Deus”, de “tocar com a mão” que Ele tenha ressuscitado por nós”.

E podemos vê-Lo, “por meio das suas chagas”:

“Entrar nas suas chagas significa contemplar o amor sem medidas que brota do seu coração.  Este é o caminho. Significa entender que o seu coração bate por mim, por ti, por cada um de nós. Queridos irmãos e irmãs, podemos nos considerar e chamar-nos cristãos, e falar sobre muitos belos valores da fé, mas, como os discípulos, precisamos ver Jesus tocando o seu amor. Só assim podemos ir ao coração da fé e, como os discípulos, encontrar uma paz e uma alegria mais fortes que qualquer dúvida”.

O Papa a seguir, chamou a atenção para o pronome usado por Tomé ao exclamar «Meu Senhor e meu Deus!»:

“Trata-se de um pronome possessivo e, se refletimos sobre isso, podia parecer fora do lugar referi-lo a Deus: como Deus pode ser meu? Como posso fazer que o Todo-poderoso seja meu? Na realidade, dizendo meu, não profanamos a Deus, mas honramos a sua misericórdia, pois foi Ele que quis “fazer-se nosso””.

Deus – ressaltou o Pontífice – “não se ofende de ser “nosso”, pois o amor exige familiaridade, a misericórdia requer confiança”, como Ele mesmo se apresenta no primeiro dos Dez Mandamentos e também a Tomé:

“Entrando hoje, através das chagas, no mistério de Deus, entendemos que a misericórdia não é mais uma de suas qualidades entre outras, mas o palpitar do seu coração. E então, como Tomé, não vivemos mais como discípulos vacilantes; devotos, mas hesitantes; nós também nos tornamos verdadeiros enamorados do Senhor! Não tenhamos medo desta palavra: enamorados do Senhor!”

Deixar-se perdoar

Mas, “como saborear este amor, como tocar hoje com a mão a misericórdia de Jesus?” Logo depois de ressuscitar – explica o Papa – Jesus “dá o Espírito para perdoar os pecados”:

“Para experimentar o amor, é preciso passar por ali. Eu me deixo perdoar? Mas, Padre, ir confessar-se parece difícil. Diante de Deus, somos tentados a fazer como os discípulos no Evangelho: trancarmo-nos por detrás de portas fechadas. Eles faziam isso por temor e nós também temos medo, vergonha de abrir-nos e contar os nossos pecados. Que o Senhor nos dê a graça de compreender a vergonha: de vê-la não como uma porta fechada, mas como o primeiro passo do encontro".

Da vergonha ao perdão

Sentir-se envergonhados, reitera Francisco, é um motivos para sermos agradecidos, pois “quer dizer que não aceitamos o mal, e isso é bom”:

    “ A vergonha é um convite secreto da alma que tem necessidade do Senhor para vencer o mal. ”

"O drama está quando não se sente vergonha por coisa alguma. Nós não devemos ter medo de sentir vergonha! E passemos da vergonha ao perdão!”

Resignação

Mas diante deste perdão do Senhor, há uma porta fechada: a resignação, experimentada pelos discípulos quando  “na Páscoa, constatavam que tudo tivesse voltado a ser como antes: ainda estavam lá, em Jerusalém, desalentados; o “capítulo Jesus” parecia terminado e, depois de tanto tempo com Ele, nada tinha mudado”.

Fonte: Vatican News

Homilia Completa

SANTA MISSA DA DIVINA MISERICÓRDIA

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

Praça São Pedro
II Domingo de Páscoa, 8 de abril de 2018


No Evangelho de Hoje, o verbo ver aparece várias vezes «Os discípulos se alegraram por verem o Senhor» (Jo 20,20); depois disseram a Tomé: «Vimos o Senhor» (v. 25). Mas o Evangelho não descreve como o viram, não descreve o Ressuscitado, apenas destaca um detalhe: «Mostrou-lhes as mãos e o lado» (v. 20). Parece significar que os discípulos reconheceram Jesus desse modo: através das suas chagas. O mesmo acontece com Tomé: ele também queria ver «a marca dos pregos em suas mãos » (v. 25) e, depois de ter visto, acreditou (cf. v. 27).

Apesar da sua incredulidade, temos de agradecer a Tomé, pois a ele não bastou ouvir dizer dos outros que Jesus estava vivo, e nem sequer com poder vê-Lo em carne e osso, mas quis ver dentro, tocar com a mão nas suas chagas, os sinais do seu amor. O Evangelho chama Tomé de «Dídimo» (v. 24), ou seja, gêmeo; e nisso ele é verdadeiramente nosso irmão gêmeo. Pois também a nós não basta saber que Deus existe: um Deus ressuscitado, mas longínquo, não nos preenche a nossa vida; não nos atrai um Deus distante, por mais que seja justo e santo. Não: Nós também precisamos “ver a Deus”, de “tocar com a mão” que Ele tenha ressuscitado, e ressuscitado por nós.

Como podemos vê-Lo? Como os discípulos: por meio das suas chagas. Olhando por ali, compreenderam que Ele não os amava de brincadeira e que os perdoava, embora entre eles houvesse quem O tivesse negado e O tivesse abandonado. Entrar nas suas chagas significa contemplar o amor sem medidas que brota do seu coração. Esse é o caminho. Significa entender que o seu coração bate por mim, por ti, por cada um de nós. Queridos irmãos e irmãs, podemos nos considerar e chamar-nos cristãos, e falar sobre muitos belos valores da fé, mas, como os discípulos, precisamos ver Jesus tocando o seu amor. Só assim podemos ir ao coração da fé e, como os discípulos, encontrar uma paz e uma alegria mais fortes que qualquer dúvida (cf. vv. 19-20).

Tomé, depois de ter visto as chagas do Senhor, exclamou: «Meu Senhor e meu Deus!» (v. 28). Queria chamar a atenção para esse pronome que Tomé repete: meu. Trata-se de um pronome possessivo e, se refletimos sobre isso, podia parecer fora do lugar referi-lo a Deus: como Deus pode ser meu? Como posso fazer que o Todo-poderoso seja meu? Na realidade, dizendo meu, não profanamos a Deus, mas honramos a sua misericórdia, pois foi Ele que quis “fazer-se nosso”. E, como numa história de amor, dizemos-Lhe: “Fizestes-vos homem por mim, morrestes e ressuscitastes por mim e agora não sois somente Deus; sois o meu Deus, sois a minha vida. Em vós encontrei o amor que eu procurava e muito mais, como nunca teria imaginado”.

Deus não se ofende de ser “nosso”, pois o amor exige familiaridade, a misericórdia requer confiança. Já no início dos dez mandamentos, Deus dizia: «Eu sou o Senhor, teu Deus» (Ex 20,2) e reiterava: «pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus zeloso» (v.5). Aqui está a proposta de Deus, amante zeloso, que se apresenta como teu Deus; e do coração comovido de Tomé brota a resposta: «Meu Senhor e meu Deus!». Entrando hoje, através das chagas, no mistério de Deus, entendemos que a misericórdia não é mais uma de suas qualidades entre outras, mas o palpitar do seu coração. E então, como Tomé, não vivemos mais como discípulos vacilantes; devotos, mas hesitantes; nós também nos tornamos verdadeiros enamorados do Senhor! Não devemos ter medo desta palavra: enamorados do Senhor!

Como saborear este amor, como tocar hoje com a mão a misericórdia de Jesus? O Evangelho também nos sugere isso, quando aponta que na tarde mesma da Páscoa (cf. Jo 20, 19), ou seja, logo depois de ressuscitar, Jesus, em primeiro lugar, dá o Espírito para perdoar os pecados. Para experimentar o amor, é preciso passar por ali: deixar-se perdoar. Deixar-se perdoar: pergunto a mim mesmo e a cada um de vós: “deixo-me perdoar?”. “- Mas, Padre, ir confessar-se parece difícil...”. Diante de Deus, somos tentados a fazer como os discípulos no Evangelho: trancarmo-nos por detrás de portas fechadas. Eles faziam isso por temor e nós também temos medo, vergonha de abrir-nos e contar os nossos pecados. Que o Senhor nos dê a graça de compreender a vergonha: de vê-la não como uma porta fechada, mas como o primeiro passo do encontro. Quando nos sentimos envergonhados, devemos ser agradecidos: quer dizer que não aceitamos o mal, e isso é bom. A vergonha é um convite secreto da alma que precisa do Senhor para vencer o mal. O drama está quando não se sente vergonha por coisa alguma. Não devemos ter medo de sentir vergonha! E assim passemos da vergonha ao perdão! Não tenhais medo de vos envergonhar! Não tenhais medo.

Contudo, há uma porta fechada diante do perdão do Senhor: é a resignação. A resignação é sempre uma porta fechada. Os discípulos a experimentaram quando, na Páscoa, constatavam que tudo tivesse voltado a ser como antes: ainda estavam lá, em Jerusalém, desalentados; o “capítulo Jesus” parecia terminado e, depois de tanto tempo com Ele, nada tinha mudado: “-Resignemo-nos”. Também nós podemos pensar: “Sou cristão há muito tempo, porém nada muda em mim, cometo sempre os mesmos pecados”. Então, desalentados, renunciamos à misericórdia. Entretanto, o Senhor nos interpela: “Não acreditas que a misericórdia é maior do que a tua miséria? Estás reincidente no pecado? Sê reincidente em clamar por misericórdia, e veremos quem leva a melhor!”. E depois – quem conhece o sacramento do perdão o sabe – não é verdade que tudo permaneça como antes. Em cada perdão recebemos novo alento, somos encorajados, pois nos sentimos cada vez mais amados, mais abraçados pelo Pai. E quando, sentindo-nos amados, caímos mais uma vez, sentimos mais dor do que antes. É uma dor benéfica, que lentamente nos separa do pecado. Descobrimos então que a força da vida é receber o perdão de Deus, e seguir em frente, de perdão em perdão. Assim segue a vida: de vergonha em vergonha, de perdão em perdão; Esta é a vida cristã.

Depois da vergonha e da resignação, existe outra porta fechada, às vezes blindada: o nosso pecado; o próprio pecado. Quando cometo um grande pecado, se eu, com toda a honestidade, não quero me perdoar, por que o faria Deus? Esta porta, no entanto, está fechada só de um lado: o nosso; para Deus nunca é intransponível. Ele, como nos ensina o Evangelho, adora entrar justamente através “das portas fechadas” – como escutamos -, quando todas as passagens parecem bloqueadas. Lá Deus faz maravilhas. Ele nunca decide separar-se de nós, somos nós que o deixamos do lado de fora. Mas quando nos confessamos, tem lugar o inaudito: descobrimos que precisamente aquele pecado, que nos mantinha distantes do Senhor, converte-se no lugar do encontro com Ele. Ali o Deus ferido de amor vem ao encontro das nossas feridas. E torna as nossas chagas miseráveis semelhantes às suas chagas gloriosas. Trata-se de uma transformação: a minha chaga miserável torna-se semelhante às suas chagas gloriosas. Pois Ele é misericórdia e faz maravilhas nas nossas misérias. Como Tomé, pedimos hoje a graça de reconhecer o nosso Deus: de encontrar no seu perdão a nossa alegria; de encontrar na sua misericórdia a nossa esperança.

Fonte: Vatican.va



Avisos

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