Transfiguração de Jesus - 2º Domingo da Quaresma - Devoção e Fé - Blog Católico

sábado, 3 de março de 2012

Transfiguração de Jesus - 2º Domingo da Quaresma


 Transfiguração de Jesus - 2º Domingo da Quaresma
Evangelho de Mc 9, 2-10 
Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e os levou, sozinhos, para um lugar retirado sobre uma alta montanha. Ali foi transfigurado diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes, extremamente brancas, de uma alvura tal como nenhum lavadeiro na terra as poderia alvejar. E lhes apareceram Elias  com Moisés, conversando com Jesus. Então Pedro, tomando a palavra, diz a Jesus: "Rabi, é bom estarmos aqui. Façamos, pois três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias". Pois não sabia o que dizer, porque estavam atemorizados. E uma nuvem desceu, cobrindo-os com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: "Este é o meu Filho amado; ouvi-o". E, de repente, olhando ao redor, não viram mais ninguém: Jesus estava sozinho com eles. Ao descerem da montanha, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, até quando o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos. Eles observaram a recomendação perguntando-se o que significaria "ressuscitar dos mortos".

A tranfiguração é sobretudo uma palavra de consolação que Jesus dirige a seus discípulos, que pouco antes estavam amedrontados com o anúncio de seu fim nada glorioso (cf. 8,31).
A observação do evangelista "seis dias depois", com que se abre a cena, liga a primeira profecia da paixão com a manifestação atual. O desconforto dos discípulos é então expresso por Pedro, mas não consegue fazer com que Jesus abandone seu propósito de submissão à vontade do Pai. Contudo, uma semana depois Jesus não volta ao assunto, mas procura explicar o sentido do último trecho do seu discurso: ressuscitar. E o faz diante de três discípulos seus, porque, segundo a bíblia, trata-se de testemunho válido ((Dt 19,15).

A montanha é real e simbólica; indica um lugar alto, mas sobretudo o desejo de se elevar para o alto, sair da contingência e da materialidade a fim de ir ao encontro de realidades superiores, transcendentes. Marcos acrescenta "sozinhos"; é, portanto, uma espécie de retiro, um momento de "oração", confirma Lucas (cf. Lc 9,29). O autor recorre aos símbolos habituais para mostrar a situação de triunfo, de felicidade, de glória em que Cristo ressuscitado se encontra. Em contraposição com as trevas que suspiram algo de perverso ou de maléfico, a luz é sinônimo de exultação, de vitória, de segurança. Deus é luz (cf. 2Sm 22,19 ; Sl 18,29 ; Mq 7,8 ; Sb 5,26) e habita numa luz inacessível (cf. 1Tm 6,16).

O testemunho dos três discípulos é valorizado pela presença das pessoas mais respeitáveis na tradição bíblica, Moisés e Elias, representantes da lei e da profecia, ou seja, a expressão de todo o antigo testamento.
A conversa que eles têm com o Messias não é polêmica, mas confortadora; mostra, à luz dos oráculos antigos, os fatos novos que estão se realizando em Jesus de Nazaré.
Com a sua habitual impetuosidade, o apóstolo procura deter o momento que foge! A tenda é uma morada provisória, insegura, mas suficiente em vista do lugar onde se encontram. Não pede nada para si e para seus companheiros, somente que possam ficar naquele êxtase em que se encontram imersos.

O evangelista não ousa condenar a aspiração de Pedro; se contenta em sublimar que ele não sabia o que dizer e acrescenta que todos estavam com medo, talvez mais no sentido do temor reverencial do que de pânico. O erro de Pedro é querer chegar à meta, ao fim da corrida, à vitória final sem as condições exigidas. Todavia, a intervenção de Pedro provoca um aprofundamento da manifestação que está acontecendo. Jesus se transfigura num halo de luz, mas acaba sendo envolvido por uma nuvem (luminosa) que cobre (todos) com a sua sombra. A nuvem muitas vezes é sinônimo de glória, o reflexo que Deus deixa filtrar de si mesmo quando se dá a ver aos homens.
Na cena ficou somente Jesus, ressaltam unanimemente os evangelistas. Somente Ele é o profeta que os homens, de agora em diante, devem seguir. Todos aqueles que falaram antes dele agora devem se calar; se ainda quiserem falar, o façam somente para apresentar a sua pessoa e os seus ensinamentos. E não é facultativo aceitar a palavra e as propostas de Jesus, mas obrigatório. O verbo ("escutem o que Ele diz") está no imperativo. Ele veio de Deus e aquilo que Ele diz vem do próprio Deus.

Fonte: Revista O Mílite - março/2012



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