Agosto 2018 - Devoção e Fé - Blog Católico

terça-feira, 28 de agosto de 2018

O que o Papa Francisco realmente disse no avião sobre pessoas homossexuais


Redação da Aleteia | Ago 28, 2018

Como sempre, a polêmica foi intensificada por interpretações forçadas de matriz ideológica - além do desejo da mídia de fazer barulho

Na tradicional coletiva de imprensa que concede a bordo do avião nos retornos de suas viagens, o Papa Francisco respondeu durante 45 minutos a perguntas de jornalistas que o acompanhavam na volta do IX Encontro Mundial das Famílias, realizado em Dublin no último fim de semana.

As perguntas abordaram desde a conversa do Papa com a ministra irlandesa para a infância até o trabalho da Igreja com os migrantes, passando pela luta contra os abusos sexuais cometidos por membros do clero.

Quando um jornalista perguntou o que ele diria ao pai de uma pessoa homossexual, o Papa respondeu:

    “Sempre houve homossexuais e pessoas com tendências homossexuais, sempre. Os sociólogos dizem, não sei se é verdade, que nos tempos de mudança de época crescem alguns fenômenos sociais e éticos. Um deles seria este, mas essa é a opinião de alguns sociólogos.

    A sua pergunta é clara: o que eu diria a um pai que vê que o filho ou filha tem essa tendência. Primeiro eu diria para rezar: reza. Não condenar. Dialogar. Entender, dar espaço ao filho ou à filha para se expressarem. Depois, com quantos anos se manifesta essa inquietação do filho? Isto é importante. Uma coisa é quando se manifesta na infância, porque há muitas coisas que podem ser feitas através da psiquiatria, para ver como estão as coisas. Outra coisa é quando se manifesta depois dos 20 anos ou algo assim…

    Eu nunca diria que o silêncio é um remédio. Ignorar o filho ou a filha com tendência homossexual é uma falta de paternidade e maternidade. Você é meu filho, você é minha filha, do jeito que você é. Eu sou seu pai, sua mãe, vamos conversar. Se você, pai ou mãe, não se sentir capaz, peça ajuda, mas sempre através do diálogo, porque esse filho ou essa filha tem direito a uma família. E essa família, quem é? Não tire da família. Este é um desafio sério para a paternidade e a maternidade”.

Por que “psiquiatria”?

A palavra “psiquiatria” gerou polêmica e a frase “através da psiquiatria” chegou a ser retirada da transcrição oficial publicada pelo Vaticano nesta segunda-feira, 27 de agosto.

Como sempre, a polêmica foi intensificada por interpretações forçadas de matriz ideológica – além do desejo da mídia de fazer barulho para atrair atenções. Sites chegaram a dizer, tendenciosamente, que o “Papa foi desautorizado pelo Vaticano“.

A vice-diretora da Sala de Imprensa da Santa Sé, Paloma García Ovejero, explicou à agência AFP que a palavra foi retirada da transcrição “para não alterar o pensamento do Papa“:

    “Quando o Papa se refere à ‘psiquiatria’, fica claro que ele queria dar um exemplo sobre as diferentes coisas que podem ser feitas”.

Além disso, não é inusual que se use inadvertidamente um termo pelo outro quando se fala de psiquiatria, psicologia e psicanálise. A psiquiatria é um ramo da medicina que aborda transtornos mentais. A psicologia estuda a pessoa como um todo para ajudá-la a entender e superar problemas ou sintomas. E a psicanálise é um método de pesquisa psicológica baseado nas teorias de Sigmund Freud.

É importante considerar as palavras de Francisco levando em conta as suas origens: na Argentina, o desenvolvimento da psicanálise está intimamente ligado à psiquiatria, tanto que Buenos Aires é frequentemente apontada como a “capital” das ideias freudianas.

Durante as entrevistas com Dominique Wolton publicadas em 2017, o pontífice revelou que ele próprio havia passado pela psicanálise aos 42 anos de idade.

Em 2013, pouco depois de eleito, o Papa Francisco tinha feito confusão involuntária com os termos “psiquiatria” e “psicologia”: ele explicou que tinha escolhido morar na Casa Santa Marta em vez do Palácio Apostólico por razões de “personalidade, […] por razões psiquiátricas“. Ele queria dizer “razões psicológicas“.

A Igreja e os questionamentos pessoais sobre sexualidade

A Igreja considera que os fatores psicológicos envolvidos em questionamentos pessoais sobre a própria sexualidade e identidade devem ser cuidadosamente levados em conta, sem imposições ideológicas.

Isto não é novidade para ninguém que seja intelectualmente honesto, nem é algo contestado pela própria psicologia – pelo contrário.

Quem contesta a necessidade de se levarem em conta os fatores psicológicos que permeiam inquietações particulares sobre esses aspectos da personalidade costumam ser os impositores da ideologia de gênero, que, em vários casos, se mostram fechados ao diálogo a ponto de tacharem como “tentativa de cura gay” qualquer abordagem que procure ajudar pessoas a dissiparem dúvidas sobre a sua sexualidade.

Fonte: Aleteia



Confissão sacramental: não é preciso fazer “detalhamentos angustiados”


Pe. José Eduardo Oliveira / Redação da Aleteia | Ago 28, 2018

"Algumas pessoas querem repetir confissões inteiras por sentirem que as mesmas são invalidadas por causa de um esquecimento"

O pe. José Eduardo de Oliveira se tornou especialmente conhecido no Brasil após defender com brilhantismo a vida do nascituro na audiência pública do Supremo Tribunal Federal a respeito da descriminalização do aborto no país (veja link recomendado ao final deste artigo).

Nesta semana, abordando outro assunto de grande relevância espiritual, o sacerdote publicou uma esclarecedora postagem em seu Facebook sobre o “funcionamento” da absolvição sacramental.

O padre explica não é preciso angustiar-se com um detalhamento exaustivo e exagerado na hora de se confessar, com medo de não ser absolvido caso algum pecado seja esquecido ou não seja descrito minuciosamente. Calma: não é assim que “funciona” a misericórdia de Deus. Deus é muito mais simples e generoso do que isso!

A tendência a supervalorizar e exagerar o peso de cada mínimo deslize pessoal com medo do castigo divino é uma doença espiritual chamada escrupulosidade. Pela relevância do assunto, que deixa algumas pessoas angustiadas e com dúvidas, republicamos a seguir o texto postado pelo pe. José Eduardo:

*

    A IGNORÂNCIA SOBRE O MODO DE ATUAR DA ABSOLVIÇÃO SACRAMENTAL

    Há em circulação certa glamourização de uma delicadeza de consciência encenada, mais fruto da mania de minúcias que de uma reta compreensão doutrinal das devidas disposições do penitente.

    Segundo o Catecismo de São Pio X (preste-se atenção à citação): “Quais são os efeitos do Sacramento da Penitência? O Sacramento da Penitência confere a graça santificante, pela qual são perdoados os pecados mortais e também os veniais que se confessaram com sincero arrependimento” (n. 691).

    No imaginário do pseudo-escrupuloso existe a necessidade nervosa de uma confissão exaustiva dos pecados, para além da espécie e do número (ou seja, ele tem a necessidade psicológica de contar cada falta detalhadamente para sentir-se aliviado), como se a absolvição fosse conferida individualmente a cada idem do check-list apresentado, como se dependesse mais disso que do poder sacramental mesmo.

    Na resposta de São Pio X fica claro que o efeito principal da absolvição sacramental é conferir a graça santificante perdida pelos pecados mortais ou danificada pelos pecados veniais e é mediante a graça santificante que são perdoados os pecados, não o contrário.

    A força dessa infusão da graça é tão exuberante que São Pio X afirma: “quem deixou de confessar por esquecimento um pecado mortal, ou uma circunstância necessária, fez uma boa confissão, desde que tenha empregado a devida diligência no exame de consciência” (n. 754), embora com a ressalva de que, “se um pecado mortal esquecido na confissão volta depois à lembrança, somos obrigados, sem dúvida, a acusá-lo na primeira vez que nos confessarmos novamente” (n. 755).

    Algumas pessoas, movidas por pura ignorância, querem repetir confissões inteiras por sentirem que as mesmas são invalidadas por causa de um esquecimento.

    São Tomás mesmo explica que quem confessa todos os pecados que tem na memória e, de maneira geral, aqueles que sinceramente se esqueceu não está procedendo dissimuladamente, mas com toda a simplicidade, e, deste modo, alcança o perdão (cf. Suma Teológica, Suplemento, q. 10, a. 5, sed contra), de modo que não há cabimento para considerar como dissimulação aquilo que é apenas um involuntário esquecimento.

    Se entendemos bem aquilo que escrevi ontem, ou seja, que os pecados se confessam pela espécie e pelo número, e que se devem confessar integralmente aqueles de que se tenha lembrança, não há dúvida de que a graça divina é comunicada pela absolvição sacramental e, portanto, que se recebe validamente o perdão divino dos pecados por força da absolvição mesma.

    Quando acentuamos a tônica mais na confissão, e nessa abusivamente detalhada, que na absolvição decaímos em certa tendência protestante, que considera esta última apenas como uma mera declaração de que os pecados confessados são perdoados (cf. Concílio de Trento, Cânones sobre o sacramento da penitência, c. 9) e não como causa instrumental para a infusão da graça.

    Em resumo, não quero aqui retirar importância da integridade da confissão, quero apenas mostrar que certa impressão de escrupulosidade é tão somente falta de Catecismo! Para ser íntegra, a confissão precisa ser clara, completa, concisa e concreta: ir direto à espécie do pecado e ao seu número, sem precisar descer a detalhamentos angustiados e a histórias intermináveis.

    Assim como um promotor de justiça acusa o réu apenas da espécie do crime, nós devemos sobriamente nos acusar ao sacerdote de nossos pecados. Isto é resultado de uma fé doutrinalmente formada acerca da natureza da absolvição. O que passa disso é ignorância disfarçada de requinte de informação e daí sobra teologia moral mal aprendida e falta o velho e bom catecismo da doutrina cristã.
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Pe. José Eduardo de Oliveira, via Facebook

Fonte: Aleteia



Hoje é celebrado Santo Agostinho, Doutor da Igreja (28 de agosto)


REDAÇÃO CENTRAL, 28 Ago. 18 / 05:00 am (ACI).- A Igreja celebra neste dia 28 de agosto Santo Agostinho, Doutor da Igreja e “padroeiro dos que procuram Deus”, o qual em suas “Confissões” disse a Deus sua famosa frase: “Tarde te amei, ó Beleza sempre antiga, sempre nova. Tarde te amei”.

Santo Agostinho nasceu em 13 de novembro de 354, em Tagaste, ao norte da África. Foi filho de Patrício e Santa Mônica, que ofereceu orações pela conversão de seu marido e de seu filho.

Em sua juventude, entregou-se a uma vida dissoluta. Conviveu com uma mulher por aproximadamente 14 anos e tiveram um filho chamado Adeodato, que morreu ainda jovem.

Agostinho pertenceu à seita do maniqueísmo até que conheceu Santo Ambrósio, por quem ficou impactado e começou a ler a Bíblia.

No ano 387, foi batizado junto com seu filho. Sua mãe faleceu naquele mesmo ano. Mais tarde, em Hipona, foi ordenado sacerdote e em seguida Bispo, ficando a cargo dessa Diocese por 34 anos. Combateu as heresias de seu tempo e escreveu muitos livros, sendo o mais famoso sua autobiografia intitulada “Confissões”.

Em 28 de agosto de 430, adoeceu e faleceu. Seu corpo foi enterrado em Hipona, mas logo foi transladado a Pavia, Itália. É um dos 33 Doutores da Igreja, recordado como o Doctor Gratiae (Doutor da Graça).

Para o Papa Emérito Bento XVI, Santo Agostinho foi um “bom companheiro de viagem” em sua vida e ministério. Em janeiro de 2008, referiu-se a ele como “homem de paixão e de fé, de alta inteligência e de incansável solicitude pastoral… deixou um rastro profundo na vida cultural do Ocidente e de todo o mundo”.

Em agosto de 2013, o Papa Francisco, durante a Missa de abertura do Capítulo Geral da Ordem de Santo Agostinho, referiu-se ao santo como um homem que “comete erros, toma também caminhos equivocados, é um pecador; mas não perde a inquietação da busca espiritual. E deste modo descobre que Deus lhe esperava; mais ainda, que jamais tinha deixado de lhe buscar primeiro”.

Quem também fez grande difusão da vida e obra deste Doutor da Igreja foi São João Paulo II, que redigiu a Carta Apostólica “Augustinum Hipponensem”, em 1986, por ocasião do XVI Centenário da conversão de Santo Agostinho.

Fonte: ACI digital

7 dados que deve conhecer sobre Santo Agostinho de Hipona

REDAÇÃO CENTRAL, 28 Ago. 18 / 11:01 am (ACI).- No artigo a seguir, você encontrará sete dados que deve conhecer e compartilhar sobre Santo Agostinho de Hipona, bispo, médico e padre da Igreja, cuja festa é celebrada neste dia 28 de agosto.

1. Nasceu na África

Santo Agostinho nasceu no ano 354, em Thagaste, Numídia (atual Argélia) em uma família de classe alta.

Seu pai, Patrício, era pagão, embora tenha se convertido ao cristianismo pouco antes de morrer. Por outro lado, sua mãe, Santa Mônica, era cristã e rezou durante vários anos pela conversão de seu esposo e de seu filho.

2. Levou uma vida libertina em sua juventude

Santo Agostinho participou do que São Paulo chama delicadamente de "paixões juvenis" (2 Timóteo 2,22), ou seja, entregou-se a uma vida libertina e cometeu vários pecados de impureza.

Aos 19 anos, começou a conviver com uma mulher. Seu nome é desconhecido, porque Agostinho não a registrou deliberadamente, talvez por causa da sua reputação.

A mulher não pertencia à classe social de Agostinho e nunca se casaram. Entretanto, tiveram um filho chamado Adeodato (Adeodatus em latim, "Dado por Deus" ou, mais coloquialmente, "dom de Deus").

3. Pertenceu a uma seita

Apesar de sua educação cristã, Agostinho abandonou a fé e se tornou maniqueísta, o que surpreendeu a sua mãe.

O maniqueísmo era uma seita gnóstica e dualista fundada no ano 200 d.C. por um homem iraniano chamado Mani.

4. Começou a sua conversão lendo dois versículos da Bíblia

Quando ensinava retórica em Milão (Itália), com o apoio da sua mãe, começou a ter mais contato com os cristãos e com a literatura cristã.

Um dia, no verão do ano 386, ouviu a voz de uma criança cantando em latim "Tolle, lege", que significa "Pega e lê; pega e lê". O Santo abriu uma bíblia que estava do seu lado e abriu uma página aleatória. Encontrou o capítulo 13, 13-14 da carta de São Paulo aos romanos que dizia:

“Não em orgias e bebedeiras, não em imoralidade sexual e depravação... Revistam-se do Senhor Jesus Cristo, e não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da carne”.

Aplicando isto à sua própria vida, Agostinho começou seriamente o seu processo de conversão. Foi batizado, junto com Adeodato, na Vigília Pascal mais próxima.

5. Tornou-se um Padre da Igreja

No ano de 388, Agostinho, Mônica e Adeodato se prepararam para voltar ao norte da África. Infelizmente, Mônica só chegou a Ostia, porto da cidade de Roma, onde faleceu. Adeodato também faleceu quando chegou à África.

Isso deixou Agostinho sozinho. Depois, decidiu vender quase todos os seus bens para dar seu dinheiro aos pobres. Ficou somente com a casa da sua família, que converteu em um mosteiro.

Em 391, foi ordenado sacerdote da Diocese de Hipona (na Argélia) e quatro anos depois se tornou bispo coadjutor da cidade e depois bispo titular.

Como bispo, escreveu extensa e prodigiosamente. Foi por essa razão que o valor dos seus escritos o converteram em um Padre da Igreja.

6. Também é um Doutor da Igreja

Junto com São Gregório Magno, Santo Ambrósio e São Jerônimo, Santo Agostinho foi um dos quatro doutores originais da Igreja. Foi proclamado Doutor pelo Papa Bonifácio VII, em 1298.

Esta nomeação ocorreu devido ao valor extraordinariamente grande dos seus escritos, que incluem importantes obras teológicas, filosóficos e espirituais.

Entre suas obras mais conhecidas estão: "Confissões" (sua autobiografia espiritual), "A cidade de Deus", "Na Doutrina Cristã", "Manual de Fé, Esperança e Amor".

Esta é apenas uma pequena seleção do que escreveu, porque nunca deixou de escrever.

7. Foi canonizado por clamor popular

Foi canonizado por aclamação popular, pois o costume da canonização papal ainda não havia surgido.

Fonte: ACI digital



segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Papa sobre acusações de ex-núncio no caso McCarrick: “Não direi uma palavra”


AVIÃO PAPAL, 26 Ago. 18 / 08:45 pm (ACI).- Como de costume após suas viagens apostólicas, o Papa Francisco conversou com os jornalistas sobre diversos temas, entre os quais esteve presente o das acusações do Arcebispo italiano Carlo Maria Viganò, ex-núncio Papal nos EUA, quem afirmou em um documento que o Papa sabia dos abusos do ex-cardeal McCarrick e nada fez a respeito.

A pergunta veio da jornalista Anna Matranga, jornalista da rede de televisão norte-americana CBS quem perguntou ao Papa:

“Voltarei ao tema dos abusos, sobre os quais já falou. Esta manhã bem cedo, foi publicado um documento do Arcebispo Carlo Maria Viganò no qual ele afirma que em 2013 teve uma conversa pessoal com você no Vaticano e que nesta conversa, ele falou com você explicitamente, do comportamento... dos abusos sexuais do ex-cardeal McCarrick, e queria pergunta se isto é verdade. E quisera também perguntar-lhe outra coisa, o Arcebispo também disse que o Papa Bento havia sancionado McCarrick, que lhe havia comunicado que não podia viver no seminário, não podia celebrar missa pública, não podia viajar, era sancionado pela Igreja. Posso perguntar se essas duas coisas são verdade?”

Esta foi a resposta do Santo Padre:

“Eu respondo, mas preferiria que falemos primeiro sobre a viagem, depois de outras coisas.

Eu li na manhã de hoje o comunicado. Eu o li, e lhes digo sinceramente, que devo dizer-lhes o seguinte, a você e a todos vocês que estão interessados: Leiam vocês atentamente o comunicado, e tirem suas próprias conclusões. Eu não vou dizer uma palavra sobre isso. Acredito que o comunicado fala por si mesmo, e vocês têm a capacidade jornalística suficiente para chegar às conclusões. É um ato de confiança. Depois de já ter passado algum tempo, e vocês tenham as conclusões, talvez eu fale. Mas eu desejaria que a vossa maturidade profissional faça este trabalho, vos fará bem, de verdade...”.

Anna Matranga voltou a tomar o microfone e fez um complemento à sua pergunta:
“Marie Collins disse que falou com Sua Santidade depois do encontro que teve com as vítimas, e disse que falou com Sua Santidade diretamente sobre o cardeal McCarrick, e que Sua Santidade foi muito duro em sua condenação ao cardeal. Queria perguntar: quando foi que escutou pela primeira vez sobre os abusos do ex-cardeal?”

E o Papa respondeu-lhe:

“Isto é parte do comunicado do McCarrick. Estudem-no, e depois eu direi. Como ontem não o havia lido, me permiti falar abertamente com Marie Collins e o grupo, o que deve ter durado uma hora e meia e eu sofri muito com aquilo, mas acredito que precisava escutar aquelas 8 pessoas. E desta reunião saiu a proposta, eu a fiz, eles aceitaram e me ajudaram, a pedir o perdão hoje na missa por fatos concretos. Como a última petição, sobre algo que eu jamais ouvi falar. O caso das mães e da “lavanderia das mulheres”... Quando uma mulher ficava grávida fora do matrimônio, iam a um hospital ou a uma escola, não sei... uma instituição regida por freiras. Lá as irmãs a recebiam e depois pegavam o bebê e davam aquele filho em adoção. Os filhos depois tentavam procurar as mães e lhes diziam que isso era pecado mortal e às mães que amavam seus filhos, diziam-lhes que procurá-los era um pecado mortal. As coisas que abordei hoje, algumas eu desconhecia. Foi doloroso para mim, mas foi de consolo poder esclarecer estas coisas.

Terminando sua resposta e referindo-se ao documento do Arcebispo Viganò que acusa o Papa Francisco de ter encoberto o ex-cardeal McCarrick, o Santo Padre disse:

“Espero vossos comentários sobre o documento, eu gostaria de escutá-los”.

Fonte: ACI digital



Ex-núncio acusa o Papa de ter encoberto denúncias contra o Arcebispo McCarrick


REDAÇÃO CENTRAL, 26 Ago. 18 / 02:00 pm (ACI).- Em um testemunho de 11 páginas, o ex-núncio apostólico nos Estados Unidos acusou vários prelados de cumplicidade com o Arcebispo Emérito de Washington Theodore McCarrick, envolvido em denúncias de abusos sexuais, e assegurou que o Papa Francisco retirou as sanções impostas por Bento XVI.

Dom Carlo Maria Viganò, de 77 anos, que serviu como núncio apostólico em Washington D.C. (Estados Unidos) de 2011 a 2016, disse que ao final da década do 2000, o hoje Papa Emérito Bento XVI “impôs ao Cardeal McCarrick sanções similares às agora impostas pelo Papa Francisco”.

Dom Viganò assegurou ainda em seu escrito que ele mesmo falou com o Papa Francisco em 2013 sobre essas sanções.

O ex-núncio disse em seu testemunho, que foi enviado ao 'National Catholic Register' e a outros meios de comunicação, que o Papa Francisco “seguiu encobrindo” o ex-cardeal McCarrick e não só “desconsiderou as sanções que o Papa Bento lhe havia imposto”, como converteu McCarrick em “seu conselheiro de confiança”.

Além disso, de acordo ao ex-núncio, o Arcebispo Emérito de Washington teria aconselhado o Papa Francisco a nomear alguns bispos nos Estados Unidos, entre eles o novo Arcebispo do Chicago, Cardeal Blase Cupich, e o Arcebispo do Newark, Cardeal Joseph William Tobin.

Dom Viganò assegurou que realiza estas denúncias porque sua “consciência manda” que a verdade seja conhecida, pois “a corrupção alcançou o mais alto nível da hierarquia da Igreja”.

Ao finalizar seu extenso testemunho, o ex-núncio nos Estados Unidos pediu a renúncia do Papa Francisco, assim como de todos os bispos envolvidos no encobrimento dos abusos de McCarrick.

“Neste momento extremamente dramático para a Igreja universal, ele deve reconhecer seus erros e, seguindo o proclamado princípio de tolerância zero, o Papa Francisco deve ser o primeiro a dar um bom exemplo para cardeais e bispos que encobriram os abusos de McCarrick e renunciar junto com todos eles”, escreveu.

No dia 20 de junho, o Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, por ordem do Papa Francisco, proibiu o ex-cardeal McCarrick de exercer o ministério público depois que uma investigação da Arquidiocese de Nova York concluiu que a acusação de abuso sexual de menores era "crível e fundamentada". No mesmo dia, o público ficou sabendo que a Arquidiocese de Newark e a Diocese de Metuchen, em Nova Jersey, tinham recebido três acusações de má conduta sexual contra McCarrick envolvendo adultos.

Desde então, relatos da mídia sobre vítimas do abuso incluem um adolescente, três jovens padres ou seminaristas e um homem de 60 anos que alega que McCarrick abusou dele quando este tinha 11 anos. O Papa aceitou a renúncia de McCarrick do Colégio dos Cardeais.

Mas Viganò escreveu que o Papa Bento, muito antes de tudo isto, já havia imposto sanções a McCarrick "similares" àquelas dadas através do Cardeal Parolin. “O cardeal teria que ter deixado o seminário onde morava”, disse Viganò, “ele também estava proibido de celebrar [a missa] em público, de participar de reuniões públicas, de dar palestras, de viajar, com a obrigação de se dedicar a uma vida de oração e penitência". Viganò não documentou a data exata, mas lembrou que a sanção foi aplicada já em 2009 ou 2010.

As medidas de Bento XVI vieram anos depois dos antecessores de Viganò na nunciatura - Dom Gabriel Montalvo e Dom Pietro Sambi - terem informado "prontamente" a Santa Sé sobre "comportamento gravemente imoral do arcebispo com seminaristas e padres" assim que tomaram conhecimento dos mesmos, escreve o arcebispo italiano e ex-representante do Vaticano em Washington D.C.

Segundo Viganò, o arcebispo Montalvo foi o primeiro que alertou o Vaticano em 2000, solicitando que o padre dominicano Boniface Ramsey escrevesse a Roma confirmando as acusações. Em 2006, Viganò disse que ele, pessoalmente, como delegado para representações pontifícias na Secretaria de Estado, escreveu um memorando ao seu superior, o Cardeal Leonardo Sandri, propondo uma “medida exemplar” contra McCarrick que poderia ter uma “função medicinal” para prevenir futuros abusos e aliviar um “escândalo seríssimo para os fiéis”.

Entretanto, diz a carta do ex-núncio, nenhuma ação foi tomada até o final dos anos 2000 - um atraso que, segundo o arcebispo Viganò, deveu-se à cumplicidade dos respectivos Secretários de Estado de João Paulo II e Bento XVI, os Cardeais Angelo Sodano e Tarcisio Bertone.

Em 2008, o arcebispo Viganò afirma que escreveu sobre o caso ao sucessor do Cardeal Sandri como substituto na Secretaria de Estado, o Cardeal Fernando Filoni. Ele incluiu um resumo da investigação realizada por Richard Sipe, um psicoterapeuta e especialista em abusos sexuais realizados por clérigos, que Sipe enviou diretamente a Bento XVI na forma de uma declaração. Viganò disse que encerrou o seu escrito “repetindo aos meus superiores que achei necessário intervir o quanto antes, retirando o chapéu vermelho do cardeal McCarrick”.

Novamente, de acordo com Viganò, seu pedido caiu em ouvidos surdos e ele escreveu que ficou "muito consternado" por ambos memorandos terem sido ignorados até que a declaração "corajosa e meritória" de Sipe veio a obter "o resultado desejado".

"O Papa Bento fez o que tinha que fazer", disse o arcebispo Viganò ao 'National Catholic Register' neste 25 de agosto, "mas seus colaboradores - o Secretário de Estado e todos os outros - não aplicaram as medidas como deveriam, o que levou à demora."

“O que é certo”, escreve Viganó em seu depoimento, “é que o Papa Bento XVI já havia imposto as citadas sanções canônicas a McCarrick e que elas foram comunicadas a ele pelo núncio apostólico nos Estados Unidos, Dom Pietro Sambi”.

Em 2011, na sua chegada a Washington D.C., o arcebispo Viganò disse que pessoalmente repetiu a sanção a McCarrick. "O cardeal, resmungando de maneira pouco compreensível, admitiu que talvez tivesse cometido o erro de dormir na mesma cama com alguns seminaristas em sua casa de praia, mas o disse como se isso não tivesse importância alguma", recordou Viganò em seu depoimento.

Em sua declaração escrita, Viganò, em seguida, delineou sua compreensão de como, apesar das alegações contra ele, McCarrick chegou a ser nomeado arcebispo de Washington D.C. em 2000 e como seus erros foram encobertos. Sua declaração implica os Cardeais Sodano, Bertone e Parolin e insiste que vários outros cardeais e bispos estavam muito cientes do fato, incluindo o Cardeal Donald Wuerl, sucessor de McCarrick como Arcebispo de Washington D.C.

"Eu mesmo levei o assunto ao Cardeal Wuerl em várias ocasiões, e certamente não precisei entrar em detalhes porque ficou imediatamente claro para mim que ele estava plenamente ciente dos fatos", escreveu ele.

Ed McFadden, porta-voz da Arquidiocese de Washington, disse à CNA, a agência em inglês do grupo ACI, que Wuerl categoricamente nega ter sido informado de que o ministério de McCarrick havia sido restringido pelo Vaticano.

A segunda metade do testemunho de Viganò lida principalmente com o que o Papa Francisco sabia sobre McCarrick e como ele agiu.

Ele lembrou ter encontrado o Cardeal McCarrick em junho de 2013 na residência do Papa, Domus Sanctae Marthae (Casa de retiros Santa Marta), durante a qual McCarrick disse "em um tom entre ambíguo e triunfante: 'O Papa me recebeu ontem, amanhã estou indo para a China'". O que significa que Francisco havia levantado a proibição de viajar imposta por Bento XVI (outra prova disso pode ser vista na entrevista que McCarrick deu ao 'National Catholic Reporter' em 2014).

Em uma reunião privada alguns dias depois, o arcebispo Viganò disse que o Papa lhe perguntou: "Como é o Cardeal McCarrick?", e Viganò respondeu: "Ele corrompeu gerações de seminaristas e sacerdotes e o Papa Bento ordenou que ele se retirasse para uma vida de oração e penitência”. O ex-núncio disse acreditar que o propósito do Papa ao perguntar a ele era “descobrir se eu era um aliado de McCarrick ou não ”.

Ele disse que estava "claro" que "desde o momento da eleição do Papa Francisco, McCarrick estava liberado de todas as restrições e sentiu-se livre para viajar continuamente, dar palestras e entrevistas".

Além disso, acrescentou, McCarrick “se tornou um articulador para nomeações na Cúria e nos Estados Unidos, e o mais escutado conselheiro no Vaticano para as relações com o governo Obama”.

Viganò afirmou que as nomeações do Cardeal Cupich para Chicago e do Cardeal Joseph Tobin para Newark, entre outras, “foram orquestradas por McCarrick”. Ele disse que nenhum dos nomes foi apresentado pela nunciatura, cujo trabalho é tradicionalmente apresentar uma lista de nomes, chamada de terna, à Congregação para os Bispos. Ele também acrescentou que a nomeação do bispo Robert McElroy para San Diego foi orquestrada “de cima” e não através do núncio nos EUA.

“Ele [o Papa Francisco] soube ao menos no dia 23 de junho de 2013 que McCarrick era um predador em série”, declarou o arcebispo Viganò, mas embora “ele soubesse que era um homem corrupto, cobriu-o até o amargo fim”.

"Só quando [o Papa Francisco] foi forçado pelo relato do abuso de um menor, novamente fundamentado na repercussão da mídia, ele tomou medidas [em relação a McCarrick] para salvar sua imagem na mídia", escreveu Viganò.

Em comentários para a mídia em 25 de agosto Viganò disse que sua principal motivação para escrever seu testemunho agora era “parar o sofrimento das vítimas, prevenir novas vítimas e proteger a Igreja: só a verdade pode libertá-la”. Ele também disse que já é “um homem de idade” e que deseja se apresentar a Deus “com uma consciência limpa ”.

“ O povo de Deus tem o direito de conhecer toda a verdade também a respeito de seus pastores ”, disse ele.

“Eles têm o direito de serem guiados por bons pastores. Para poder confiar neles e amá-los, precisam conhecê-los abertamente, em transparência e verdade, como eles realmente são. Um padre deve ser sempre uma luz sobre a vela, em todo lugar e para todos”.

Escrito por Edward Pentin, traduzido e adaptado por Rafael Tavares para ACI Digital.

Fonte: ACI digital



Hoje é celebrada Santa Mônica, padroeira das mães cristãs (27 de agosto)


REDAÇÃO CENTRAL, 27 Ago. 18 / 05:00 am (ACI).- “Continue a rezar, pois é impossível que se perca um filho de tantas lágrimas”. Este foi o conselho dado por um Bispo a Santa Mônica, cuja memória litúrgica a Igreja celebra neste dia 27 de agosto.

A santa seguiu este conselho, não se deixou abater pelas dificuldades até ver seu filho, Santo Agostinho, convertido. Por essa razão, tornou-se a padroeira das mães cristãs.

Ao recordar a vida desta santa, em 2013, o Papa Francisco destacou o exemplo que ela deixa a tantas mulheres que atualmente choram por seus filhos. “Quantas lágrimas derramou aquela santa mulher pela conversão do filho! E quantas mães, também hoje, vertem lágrimas a fim de que os seus filhos voltem para Cristo! Não percais a esperança na graça de Deus!”, disse.

Santa Mônica nasceu em Tagaste, atual Argélia, na África, em 331. Ainda jovem e por um acordo dos seus pais, casou-se com Patrício, um homem violento e mulherengo.

Algumas mulheres lhe perguntaram por que o seu marido nunca lhe batia, então lhes disse: “É que, quando meu marido está de mau humor, eu me esforço por estar de bom humor. Quando ele grita, eu me calo. E para brigar é preciso de dois e eu não aceito a briga, pois... não brigamos”.

Suportando tudo no silêncio e mansidão, encontrava o consolo nas orações que elevava a Cristo e à Virgem Maria pela conversão do esposo, que mudou de vida, batizou-se e morreu como bom cristão.

Mas a dor dessa mulher não terminaria aí. Agostinho, seu filho mais velho, tinha atitudes egoístas, caprichosas e não se aproximava da fé. Levava uma vida dissoluta e ela sofria por ver o seu filho afastado de Deus. Por isso, durante anos continuou rezando e oferecendo sacrifícios.

Agostinho se tornou um brilhante professor de retórica em Cartago. Mais tarde, foi, às escondidas, para Roma e depois para Milão, onde conseguiu o cargo de professor em uma importante universidade. Em Milão começaria também sua busca por respostas que a vida intelectual não oferecia. Abraçou o maniqueísmo e rejeitava a proposta da fé cristã.

Mônica não desistiu e viajou atrás de seu filho. Ela sentiu que a sua missão foi realizada quando, tempos depois, Santo Agostinho foi batizado na Páscoa de 387. Mãe e filho decidiram voltar para a terra natal, mas, chegando ao porto de Óstia, perto de Roma, Mônica adoeceu e logo depois faleceu, em 27 de agosto de 387.

O Papa Alexandre III confirmou o tradicional culto à Santa Mônica, em 1153, quando a proclamou padroeira das mães cristãs.

Sobre sua mãe, Santo Agostinho, que se tornou Bispo e doutor da Igreja, escreveu: “Ela me gerou seja na sua carne para que eu viesse à luz do tempo, seja com o seu coração para que eu nascesse à luz da eternidade”.

No Ângelus de 27 de agosto de 2006, o Papa Bento XVI, recordando estes dois santos, disse: “Santa Mônica e Santo Agostinho nos convidam a dirigirmo-nos com confiança a Maria, Sede da Sabedoria. A Ela confiemos os pais cristãos para que, como Mônica, acompanhem com o exemplo e a oração o caminho dos filhos”.

Fonte: ACI digital

No dia de Santa Mônica, o Papa Francisco dá 
este conselho a todas as mães

REDAÇÃO CENTRAL, 27 Ago. 18 / 12:40 pm (ACI).- Através de sua conta do Twitter, o Papa Francisco deu um especial conselho a todas as mães no dia em que a Igreja celebra a Santa Mônica, a mãe de Santo Agostinho.

“Queridas mães: como Santa Mônica, nunca desanimem; rezem incansavelmente por seus filhos”, escreveu hoje o Santo Padre.

Santa Mônica, cuja festa se celebra esta segunda-feira 27 de agosto, é a mãe de um dos santos católicos mais importantes e um doutor da Igreja: Santo Agostinho.

O pai do Agostinho, Patrício, era um homem violento e mulherengo. Santa Mônica sempre sofreu ao seu lado mas nunca deixou de rezar por sua conversão, algo que finalmente aconteceu ao receber o batismo e morrendo como um bom cristão.

Seu filho Agostinho viveu durante muitos anos uma vida libertina, muito afastado de Deus. Santa Mônica sofria muito por causa disto.

Um dia se aproximou de um bispo para lhe contar seu sofrimento e este lhe disse: “Fique tranquila, é impossível que se perca o filho de tantas lágrimas”.

Santo Agostinho foi batizado na Páscoa do ano 387, aos 33 anos, tornou-se sacerdote e depois bispo de Hipona. Uma de suas obras mais conhecidas são as Confissões e seu pensamento contribui para o desenvolvimento da filosofia e da teologia católica que foi reconhecido pela Igreja como Doutor da graça, devido à profundidade de seus ensinamentos sobre a ação da graça divina na vida cristã.

Santa Mônica foi canonizada pelo Papa Alexandre III, é considerada padroeira das mulheres casadas e das mães cristãs.

Tradicional Oração a Santa Mônica

Nobilíssima Santa Mônica, rogai por todas as mães, principalmente por aquelas mães que se esquecem que ser mãe é sacrificar-se.

Rogai, virtuosa Santa Mônica, para que abram-se as almas de todas as mães, para que elas enxerguem a beleza da vocação materna, a beleza do sacrifício materno.

Rogai, Santa Mônica, para que todas as mães saibam abraçar com Fé o sofrimento e a dor, assumam seus filhos com coragem, como instrumento de santificação para as famílias, e para sua própria santificação. Amém.

Fonte: ACI digital



[Íntegra] Homilia do Papa na Missa de encerramento do Encontro Mundial das Famílias 2018


DUBLIN, 26 Ago. 18 / 12:20 pm (ACI).- O Papa Francisco presidiu neste domingo, 26 de agosto, a multitudinária Missa de encerramento do Encontro Mundial das Famílias, no Phoenix Park, em Dublin (Irlanda), com a participação de famílias originárias de todo o mundo.

A seguir, o texto completo da homilia do Santo Padre:

«Tu tens palavras de vida eterna!» (Jo 6, 68).

No termo deste Encontro Mundial das Famílias, reunimo-nos como família ao redor da mesa do Senhor. Agradecemos ao Senhor pelas inúmeras bênçãos recebidas nas nossas famílias. Queremos empenhar-nos a viver plenamente a nossa vocação, para sermos, segundo as comoventes palavras de Santa Teresa do Menino Jesus, «o amor no coração da Igreja».

Neste momento precioso de comunhão de uns com os outros e com o Senhor, é bom fazer uma pausa e considerar a fonte de todas as coisas boas que recebemos. Jesus revela a origem destas bênçãos no Evangelho de hoje, quando fala aos seus discípulos. Muitos deles estavam perplexos, confusos e até irados, hesitando se aceitar ou não as suas «palavras duras», tão contrárias à sabedoria deste mundo. Em resposta, o Senhor diz-lhes diretamente: «As palavras que vos disse são espírito e são vida» (Jo 6, 63).

Com a sua promessa do dom do Espírito Santo, estas palavras aparecem transbordantes de vida para nós que as acolhemos na fé. Indicam a fonte última de todo o bem que experimentamos e celebramos aqui nestes dias: o Espírito de Deus, que sopra constantemente nova vida sobre o mundo, nos corações, nas famílias, nos lares e nas paróquias. Cada dia novo na vida das nossas famílias e cada nova geração trazem consigo a promessa dum novo Pentecostes, um Pentecostes doméstico, uma nova efusão do Espírito, o Paráclito, que Jesus nos envia como nosso Advogado, nosso Consolador e Aquele que verdadeiramente nos dá coragem.

Quanta necessidade tem o mundo deste encorajamento que é dom e promessa de Deus! Que vós possais, como um dos frutos desta celebração da vida familiar, regressar às vossas casas e tornar-vos fonte de encorajamento para os outros, para partilhar com eles «as palavras de vida eterna» de Jesus. Na verdade, as vossas famílias são quer um lugar privilegiado quer um meio importante para difundir estas palavras como «boas notícias» para cada um, especialmente para quantos desejam deixar o deserto e a «casa da escravidão» (cf. Js 24, 17) a fim de irem para a terra prometida da esperança e da liberdade.

Na segunda Leitura de hoje, São Paulo diz-nos que o matrimônio é uma participação no mistério da fidelidade perene de Cristo à sua esposa, a Igreja (cf. Ef 5, 32). Mas esta doutrina, embora magnífica, pode aparecer a alguém como uma «palavra dura». Porque viver no amor, como Cristo nos amou (cf. Ef 5, 2), implica a imitação do próprio sacrifício de Si mesmo, implica morrer para nós mesmos a fim de renascer para um amor maior e mais duradouro: aquele amor, o único que pode salvar o mundo da escravidão do pecado, do egoísmo, da ganância e da indiferença às necessidades dos menos afortunados. Este é o amor que conhecemos em Jesus Cristo. Encarnou-Se no nosso mundo por meio duma família, e em cada geração, através do testemunho das famílias cristãs, tem o poder de romper todas as barreiras para reconciliar o mundo com Deus e fazer de nós aquilo que desde sempre estamos destinados a ser: uma única família humana que vive conjuntamente na justiça, na santidade e na paz.

A tarefa de dar testemunho desta Boa Nova não é fácil. Mas, de certo modo, os desafios que hoje enfrentam os cristãos não são mais difíceis do que aqueles que tiveram de enfrentar os primeiros missionários irlandeses. Penso em São Columbano, que, com o seu pequeno grupo de companheiros, levou a luz do Evangelho às terras da Europa numa época de obscuridade e decadência cultural. O seu extraordinário sucesso missionário não se baseara em métodos táticos ou planos estratégicos, mas numa humilde e libertadora docilidade às sugestões do Espírito Santo. Foi o seu testemunho diário de fidelidade a Cristo e entre eles que conquistou os corações que desejavam ardentemente uma palavra de graça e que contribuiu para fazer nascer a cultura europeia. Tal testemunho permanece uma fonte perene de renovação espiritual e missionária para o povo santo e fiel de Deus.

Naturalmente, haverá sempre pessoas que se oporão à Boa Nova, que «murmurarão» contra as suas «palavras duras». Todavia, como São Columbano e os seus companheiros que enfrentaram águas geladas e mares tempestuosos para seguir Jesus, não nos deixemos jamais influenciar ou desanimar pelo olhar gelado da indiferença ou pelos ventos borrascosos da hostilidade.

Contudo reconheçamos humildemente que, se formos honestos com nós mesmos, poderemos também nós achar duros os ensinamentos de Jesus. Como permanece difícil perdoar àqueles que nos magoam! Que grande desafio continua a ser o acolhimento do migrante e do estrangeiro! Como é doloroso suportar a desilusão, a rejeição ou a traição! Como é incômodo proteger os direitos dos mais frágeis, dos nascituros ou dos mais idosos, que parecem estorvar o nosso sentido de liberdade!

Mas é precisamente em tais circunstâncias que o Senhor nos pergunta: «Também vós quereis ir embora?» (Jo 6,67). Com a força do Espírito que nos encoraja e com o Senhor sempre ao nosso lado, podemos responder: «Nós cremos e sabemos que Tu é que és o Santo de Deus» (v. 69). Com o povo de Israel, podemos repetir: «Também nós serviremos o Senhor, porque Ele é o nosso Deus» (Js 24,18).

Com os sacramentos do Batismo e da Confirmação, cada cristão é enviado para ser um missionário, um «discípulo missionário» (cf. Evangelii gaudium, 120). A Igreja, no seu conjunto, é chamada a «sair» para levar as palavras de vida eterna às periferias do mundo. Que a nossa celebração de hoje confirme cada um de vós – pais e avós, crianças e jovens, homens e mulheres, frades e freiras, contemplativos e missionários, diáconos e sacerdotes – na partilha da alegria do Evangelho! Possais partilhar o Evangelho da família como alegria para o mundo.

Ao preparar-se cada um para retomar a própria estrada, renovemos a nossa fidelidade ao Senhor e à vocação a que chamou cada um de nós. Fazendo nossa a oração de São Patrício, repita cada um com alegria: «Cristo dentro de mim, Cristo atrás de mim, Cristo ao meu lado, Cristo debaixo de mim, Cristo acima de mim». Com a alegria e a força conferidas pelo Espírito Santo, digamos-Lhe confiadamente: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna» (Jo 6, 68).

Fonte: ACI digital



domingo, 26 de agosto de 2018

Papa implora “o perdão de Deus” no santuário de Knock pelos casos de abusos

Papa Francisco visita santuário de Knock, local das aparições na Irlanda

DUBLIN, 26 Ago. 18 / 07:05 am (ACI).- No segundo e último dia da viagem do Papa Francisco à Irlanda, o santuário da cidade de Knock recebeu a visita do Pontífice, que foi rezar nele antes da Missa de encerramento do Encontro Mundial das Famílias.

Às 7h40 (hora local), o Papa deixou a Nunciatura Apostólica e se dirigiu ao aeroporto de Dublin, e chegou a Knock às 9h20.

Imediatamente, foi ao santuário que acolhe mais de um milhão e meio de peregrinos por ano.

Ao chegar, do papamóvel saudou os fiéis reunidos e foi recebido por algumas autoridades eclesiásticas e civis.

Já no interior do santuário, na Capela das Aparições, na qual se reuniram cerca de 200 fiéis, foi acolhido pelo reitor do santuário. Depois de um tempo reservado ao recolhimento e à meditação silenciosa diante da imagem da Virgem, o Papa ofereceu um terço de ouro e se deslocou até um pequeno palco na esplanada para recitar o Ângelus.

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DUBLIN, 26 Ago. / 07:25 am (ACI).- O Papa Francisco presidiu a oração do Ângelus na esplanada adjacente ao santuário de Knock, na Irlanda, e mais uma vez pediu perdão pelos abusos sexuais por parte do clero e rezou para que não voltem a acontecer.

“Ao rezar diante da sua imagem (da Virgem), apresentei-Lhe de modo particular todas as vítimas de abusos por membros da Igreja na Irlanda”, explicou diante dos fiéis reunidos.

“Nenhum de nós pode deixar de se comover perante as histórias de menores que sofreram abusos, foram despojados da sua inocência e abandonados à deformação de dolorosas recordações. Esta chaga aberta nos desafia a sermos firmes e decididos na busca da verdade e da justiça”.

“Imploro o perdão do Senhor para estes pecados, para o escândalo e a traição sentidos por muitos na família de Deus. Peço à nossa Bem-aventurada Mãe que interceda pela cura de todas as pessoas que sofreram abusos de qualquer tipo e confirme cada membro da família cristã no decidido propósito de nunca mais permitir que se verifiquem tais situações”, acrescentou.

O Papa agradeceu pela “oportunidade de visitar (o santuário)” e explicou que “na Capela da Aparição, confiei à amorosa intercessão de Nossa Senhora todas as famílias do mundo e, de modo especial, as vossas famílias, as famílias irlandesas. Maria, nossa Mãe, conhece as alegrias e as canseiras que se vivem em cada lar. Conservando-as no seu Imaculado Coração, apresenta-as amorosamente no trono de seu Filho”.

Francisco explicou o gesto que alguns minutos antes realizou na Capela das Aparições do Santuário: “Como recordação da minha visita, trouxe o dom de um terço de ouro. Sei como é importante, neste país, a tradição do terço em família. Quantos corações de pais, mães e filhos, no decorrer dos anos, tiraram consolação e força da meditação sobre a participação de Nossa Senhora nos mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos da vida de Cristo”, afirmou.

“Pedimos que as famílias sejam sustentadas no seu compromisso de espalhar o Reino de Cristo e cuidar dos últimos dentre os nossos irmãos e irmãs. Que elas sejam, no meio dos ventos e tempestades que enfuriam nos nossos tempos, baluartes de fé e bondade que, segundo as melhores tradições da nação, resistem a tudo o que pretenda diminuir a dignidade do homem e da mulher, criados à imagem de Deus e chamados ao destino sublime da vida eterna”.

Antes de concluir, o Papa enviou uma saudação à Irlanda do Norte e assegurou sua “estima” e “proximidade na oração”. “Peço a Nossa Senhora que sustente todos os membros da família irlandesa para que perseverem, como irmãos e irmãs, na obra de reconciliação”.

“Com gratidão pelos progressos ecumênicos e pelo significativo crescimento de amizade e colaboração entre as comunidades cristãs, rezo para que todos os discípulos de Cristo continuem com perseverança os esforços por fazer avançar o processo de paz e construir uma sociedade harmoniosa e justa para os filhos de hoje”, concluiu.

Fonte: ACI digital



Papa Francisco: Famílias, vós sois a esperança da Igreja e do mundo


DUBLIN, 25 Ago. 18 / 07:06 pm (ACI).- Ao presidir a Festa das Famílias na capital Dublin (Irlanda), o Papa Francisco assegurou que as famílias “são a esperança da Igreja e do mundo”.

No evento, no marco do Encontro Mundial das Famílias, o Santo Padre destacou que “Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, criaram a humanidade à sua imagem para fazê-la partícipe de seu amor, para que fosse uma família de famílias e gozasse dessa paz que só ele pode dar”.

Diante de mais de 70.000 pessoas reunidas no estádio Croke Park Stadium, o Papa destacou que “É bom estar aqui! É bom celebrar, porque nos torna mais humanos e mais cristãos. Também nos ajuda a partilhar a alegria de saber que Jesus nos ama, acompanha no percurso da vida e, cada dia, nos atrai para mais perto de Si”.

“Hoje, em Dublin, reunimo-nos para uma celebração familiar de ação de graças a Deus pelo que somos: uma única família em Cristo, espalhada por toda a terra. A Igreja é a família dos filhos de Deus; uma família, onde se regozija com aqueles que estão na alegria e se chora com aqueles que estão na tribulação ou se sentem desanimados com a vida. Uma família onde se cuida de cada um, porque Deus nosso Pai nos fez, a todos, seus filhos no Batismo”, assinalou.

O Papa assegurou que “o Evangelho da família é verdadeiramente alegria para o mundo”, pois na família “sempre se pode encontrar Jesus; lá habita, em simplicidade e pobreza, como fez na casa da Sagrada Família de Nazaré".

“Foi para nos ajudar a reconhecer a beleza e a importância da família, com as suas luzes e sombras, que escrevi a Exortação Amoris laetitia sobre a alegria do amor, e quis que o tema deste Encontro Mundial das Famílias fosse «O Evangelho da família, alegria para o mundo»”, disse o Papa Francisco.

“Deus quer que cada família seja um farol que irradia a alegria do seu amor pelo mundo. Que significa isto? Significa que nós, depois de ter encontrado o amor de Deus que salva, procuramos, com palavras ou sem elas, manifestá-lo através de pequenos gestos de bondade na vida rotineira de cada dia e nos momentos mais simples da jornada”.

“Isto é santidade”, acrescentou.

O Papa assegurou que “a graça de Deus ajuda dia a dia a viver com um só coração e uma só alma. Mesmo as sogras e as noras! Ninguém diz que seja fácil... É como preparar um chá: é fácil ferver a água, mas uma boa taça de chá requer tempo e paciência; é preciso deixar em infusão! Então, dia após dia, Jesus aquece-nos com o seu amor, fazendo de modo que penetre todo o nosso ser. Do tesouro do seu Sagrado Coração, derrama sobre nós a graça que precisamos para curar as nossas enfermidades e abrir a mente e o coração para nos escutarmos, compreendermos e perdoarmos uns aos outros”.

Francisco destacou além que “não existe uma família perfeita; sem o hábito do perdão, a família cresce doente e gradualmente desmorona-se”.

“Perdoar significa dar algo de si mesmo. Jesus nos perdoa sempre. Com a força de seu perdão, também nós podemos perdoar a outros, se realmente o quisermos”.

“É tarde e estais cansados! Mas deixai que vos diga uma última coisa. Vós, famílias, sois a esperança da Igreja e do mundo! Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, criou a humanidade à sua imagem para fazê-la participante do seu amor, para que fosse uma família de famílias e gozasse daquela paz que só Ele pode dar. Com o vosso testemunho do Evangelho, podeis ajudar Deus a realizar o seu sonho. Podeis contribuir para aproximar todos os filhos de Deus, para que cresçam na unidade e aprendam o que significa, para o mundo inteiro, viver em paz como uma grande família”.

O Santo padre depois rezou a oração do Encontro Mundial das Famílias com os presentes e outorgou a sua bênção apostólica.

A oração que rezou o Papa junto às famílias na Irlanda foi a seguinte:

Deus, Nosso pai,

Somos irmãos e irmãs em Jesus, vosso Filho,

Uma família, no Espírito do vosso amor.

Abençoai-nos com a alegria do amor.

Fazei-nos pacientes e bondosos,

Amáveis e generosos,

Acolhedores daqueles que têm necessidade.

Ajudai-nos a viver seu perdão e sua paz.

Protegei todas as famílias com seu cuidado amoroso,

Especialmente aqueles por quem que agora vos pedimos:

(“Pensemos especialmente em todas as queridas famílias”, pediu o Papa)

Aumentai a nossa fé,

Fortalecei nossa esperança,

Protegei-nos com vosso amor,

Fazei que sejamos sempre agradecidos pelo dom da vida que compartilhamos.

Nós vos pedimos por Jesus Cristo, nosso Senhor,

Amém.

Maria, mãe e guia, rogai por nós.

São José, pai e protetor, rogai por nós.

São Joaquim e Sant’Ana, rogai por nós.

São Luis e Santa Zélia Martin, rogai por nós.

Fonte: ACI digital



A fé em Jesus exige decisão-21° Domingo do Tempo Comum(Ano B)



A fé em Jesus exige decisão
 
21º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Evangelho de João 6, 60-69
* 60 Depois que ouviram essas coisas, muitos discípulos de Jesus disseram: «Esse modo de falar é duro demais. Quem pode continuar ouvindo isso?» 61 Jesus sabia que seus discípulos estavam criticando o que ele tinha dito. Então lhes perguntou: «Isso escandaliza vocês? 62 Imaginem então se vocês virem o Filho do Homem subir para o lugar onde estava antes! 63 O Espírito é que dá a vida, a carne não serve para nada. As palavras que eu disse a vocês são espírito e vida. 64 Mas entre vocês há alguns que não acreditam.» Jesus sabia desde o começo quais eram aqueles que não acreditavam e quem seria o traidor. 65 E acrescentou: «É por isso que eu disse: ‘Ninguém pode vir a mim, se isso não lhe é concedido pelo Pai.’ « 66 A partir desse momento, muitos discípulos voltaram atrás, e não andavam mais com Jesus. 67 Então Jesus disse aos Doze: «Vocês também querem ir embora?» 68 Simão Pedro respondeu: «A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. 69 Agora nós acreditamos e sabemos que tu és o Santo de Deus.».»

Reflexão

A opção certa

Há cinco semanas estamos acompanhando o episódio do sinal do pão (Jo 6). Hoje ouvimos o desenlace.  No domingo anterior vimos como Jesus se apresentou como o “pão da vida” e proclamou que estava oferecendo sua carne como alimento para a vida do mundo.

Muitos não “engoliram” isso, porque “essa palavra é dura demais” (6,60). Dura, não apenas pela dificuldade de compreensão (alguns falavam até em antropofagia), mas sobretudo por causa das consequências práticas. Estranharam o que Jesus disse a respeito de sua carne. Estranhariam muito mais ainda sua “subida aonde estava antes”, sua glorificação, pois essa se manifesta na “exaltação” de Jesus…. no alto da cruz, quando ele revela plenamente o amor infinito de Deus, seu Pai. Só pelo Espírito de Deus é possível compreender isso (6,52-53). É difícil “alimentar-se” com a vida que Jesus nos propõe como caminho, com aquilo que ele disse e fez, sobretudo, com o dom radical de sua vida na morte – pois tudo isso significa compromisso.

A 1ª leitura dá um exemplo de compromisso. O povo de Israel, ao tomar posse da terra prometida, teve de escolher com quem ia se comprometer, com os outros deuses, ou com Javé, que os tirou do Egito. Visto que Javé mostrou de que ele era capaz, optaram por ele (Js 24). Optar significa decidir-se, não em cima do muro. É dizer sim ou não.

Jesus põe os seus discípulos diante da opção por ele ou pelo lado oposto. “Vós também quereis ir embora?” E Pedro responde, em nome dos Doze e dos fiéis de todos os  tempos: “A quem iríamos. Tu tens palavra de vida eterna”. O que Jesus ensina é o caminho da vida  eterna, da comunhão com Deus para sempre. Foi para isso que Jesus reuniu em torno de si os Doze, que representavam o novo Israel, o povo de Deus, para que o seguissem pelo caminho. Para que constituíssem comunidade, comungando da vida que ele dá pela vida do mundo. Nosso ambiente parece recusar essas palavras de vida eterna. Por diversas razões. Uns porque querem viver sua própria vidinha, sem se comprometer com nada, outros porque preferem um caminho próprio, individual… O difícil da palavra de Jesus consiste nesse compromisso concreto. Ao longo dos séculos, houve quem tornasse o cristianismo difícil por meio de penitências e exercícios, até reprimindo e deprimindo. Mas a verdadeira dificuldade é abdicar da auto-suficiência e entregar-se a uma comunidade reunida por Cristo para segui-lo pelo caminho da doação total. Só que este caminho é também o caminho da “perfeita alegria”, de que fala Francisco de Assis.


Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes.

Oração do Dia

Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.



Atividade homossexual golpeia a Igreja até a raiz, denuncia Cardeal


Por Walter Sánchez Silva

REDAÇÃO CENTRAL, 24 Ago. 18 / 03:00 pm (ACI).- O Arcebispo de Durban (África do Sul), Cardeal Wilfrid Fox Napier, afirmou que a atividade homossexual é o escândalo que golpeia a Igreja até a raiz.

O Cardeal Napier, conhecido defensor da vida, da família e da moral católica, a quem o Papa Francisco nomeou presidente delegado da Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos em 2015, fez esta declaração em sua conta no Twitter.

“A manchete de um jornal na manhã de hoje, ‘As Igrejas teriam que permitir as uniões do mesmo sexo’, ignora claramente o ponto de que é precisamente a atividade homossexual o escândalo que golpeia a Igreja até a raiz", escreveu o Purpurado africano.

"O desvio da lei de Deus sempre causa dor. Senhor, perdoai-nos, pois somos pecadores!", acrescentou.

O Cardeal Napier, que considera que a correção política é a maior heresia atual, não é o único que assinalou a atividade homossexual como a origem dos escândalos de abusos sexuais na Igreja.

Recentemente, o Bispo de Madison (Estados Unidos), Dom Robert Morlino, assinalou que “este é o momento de admitir que há uma subcultura homossexual dentro da hierarquia da Igreja Católica que está causando grande devastação na vinha do Senhor. O ensinamento da Igreja é claro quando se diz que inclinação homossexual não é um pecado em si mesmo, mas é intrinsecamente desordenada na maneira que faz com que um homem afligido por isso seja incapaz de ser sacerdote", acrescentou.

Por outro lado, o Cardeal Raymond Burke, prefeito emérito da Signatura Apostólica, assinalou em uma entrevista a Raymond Arroyo de EWTN, que "devemos reconhecer uma apostasia da fé. Acredito que tenha ocorrido uma apostasia prática da fé em relação a todos os temas relacionados à sexualidade humana".

O Purpurado advertiu que essa apostasia começa "com a ideia de que pode haver atividade sexual legítima fora do casamento, o qual obviamente é falso, completamente falso".

As palavras do Cardeal Napier se dão no contexto dos escândalos de abusos sexuais cometidos pelos membros do clero em diferentes lugares do mundo, como no Chile e nos Estados Unidos.

Em 14 de agosto, a Suprema Corte da Pensilvânia (Estados Unidos) publicou um relatório revelando mais de mil supostos casos de abusos sexuais cometidos por membros do clero ao longo dos últimos 70 anos na Diocese de Allentown, Erie, Greensburg, Harrisburg, Pittsburgh e Scranton.

O relatório de 884 páginas foi escrito por 23 membros de um grande júri, que durante 18 meses examinou meio milhão de páginas de documentos. O FBI ajudou na investigação destes casos ocorridos entre 1947 e 2017.

O outro escândalo que atingiu a Igreja nos Estados Unidos é a má conduta sexual de Theodore McCarrick, Arcebispo Emérito de Washington, cuja renúncia do Colégio Cardinalício foi aceita pelo Papa Francisco em 28 de julho deste ano.

A acusação contra McCarrick por um caso de abuso em Nova York, Arquidiocese onde esta acusação foi investigada, foi considerada "crível". Alguns dias depois, surgiram novas acusações contra ele, devido a más condutas sexuais com sacerdotes e seminaristas na Diocese de Metuchen e na Arquidiocese de Newark.

Em 16 de agosto, os bispos dos Estados Unidos pediram ao Vaticano que realizasse uma investigação sobre as denúncias de abusos sexuais e encobrimentos que envolvem o Arcebispo Theodore McCarrick.

Devido aos escândalos, o Papa Francisco dirigiu uma Carta ao Povo de Deus, em 20 de agosto, na qual expressou sua vergonha e dor; e na qual encorajou os fiéis a viver intensamente a oração e o jejum, “que desperte a nossa consciência, a nossa solidariedade e o compromisso com uma cultura do cuidado e o ‘nunca mais’ a qualquer tipo e forma de abuso”.

Fonte: ACI digital



[Íntegra]: Discurso do Santo Padre na Festa das Famílias em Dublin


DUBLIN, 25 Ago. 18 / 06:19 pm (ACI).- O Papa Francisco dirigiu um especial discurso aos milhares de fiéis presentes na Festa das Famílias no Croke Park em Dublin, no marco do Encontro Mundial das Famílias que se realiza até no domingo 26 de agosto na capital irlandesa.

A seguir a íntegra de sua intervenção:

“Queridos irmãos e irmãs, boa noite!

Obrigado pelas vossas calorosas boas-vindas. É bom estar aqui! É bom celebrar, porque nos torna mais humanos e mais cristãos. Também nos ajuda a partilhar a alegria de saber que Jesus nos ama, acompanha no percurso da vida e, cada dia, nos atrai para mais perto de Si.

Em cada celebração familiar, sente-se a presença de todos: pais, mães, avós, netos, tios e tias, primos, quem não pôde vir e quem vive demasiado longe. Hoje, em Dublin, reunimo-nos para uma celebração familiar de ação de graças a Deus pelo que somos: uma única família em Cristo, espalhada por toda a terra. A Igreja é a família dos filhos de Deus; uma família, onde se regozija com aqueles que estão na alegria e se chora com aqueles que estão na tribulação ou se sentem desanimados com a vida. Uma família onde se cuida de cada um, porque Deus nosso Pai nos fez, a todos, seus filhos no Batismo. Por isso mesmo, continuo a encorajar os pais a levar ao Batismo os filhos logo que possível, para que se tornem parte da grande família de Deus. É preciso convidar cada um para a festa!

Vós, queridas famílias, sois a grande maioria do povo de Deus. Que fisionomia teria a Igreja sem vós? Foi para nos ajudar a reconhecer a beleza e a importância da família, com as suas luzes e sombras, que escrevi a Exortação Amoris laetitia sobre a alegria do amor, e quis que o tema deste Encontro Mundial das Famílias fosse «O Evangelho da família, alegria para o mundo». Deus quer que cada família seja um farol que irradia a alegria do seu amor pelo mundo. Que significa isto? Significa que nós, depois de ter encontrado o amor de Deus que salva, procuramos, com palavras ou sem elas, manifestá-lo através de pequenos gestos de bondade na vida rotineira de cada dia e nos momentos mais simples da jornada.

Isto quer dizer santidade. Gosto de falar dos santos «ao pé da porta», de todas aquelas pessoas comuns que refletem a presença de Deus na vida e na história do mundo (cf. Exort. ap. Gaudete et exsultate, 6-7). A vocação ao amor e à santidade não é algo reservado para poucos privilegiados. Mesmo agora, se tivermos olhos para ver, podemos vislumbrá-la ao nosso redor. Está silenciosamente presente no coração de todas as famílias que oferecem amor, perdão e misericórdia, quando veem que há necessidade, e fazem-no tranquilamente, sem tocar a tromba. O Evangelho da família é, verdadeiramente, alegria para o mundo, visto que lá, nas nossas famílias, sempre se pode encontrar Jesus; lá habita, em simplicidade e pobreza, como fez na casa da Sagrada Família de Nazaré.

O matrimónio cristão e a vida familiar são compreendidos em toda a sua beleza e fascínio, se estiverem ancorados no amor de Deus, que nos criou à sua imagem para podermos dar-Lhe glória como ícones do seu amor e da sua santidade no mundo. Pais e mães, avôs e avós, filhos e netos são todos chamados a encontrar, na família, a realização do amor. A graça de Deus ajuda dia a dia a viver com um só coração e uma só alma. Mesmo as sogras e as noras! Ninguém diz que seja fácil... É como preparar um chá: é fácil ferver a água, mas uma boa taça de chá requer tempo e paciência; é preciso deixar em infusão! Então, dia após dia, Jesus aquece-nos com o seu amor, fazendo de modo que penetre todo o nosso ser. Do tesouro do seu Sagrado Coração, derrama sobre nós a graça que precisamos para curar as nossas enfermidades e abrir a mente e o coração para nos escutarmos, compreendermos e perdoarmos uns aos outros.

Acabamos de ouvir os testemunhos de Felicité, Isaac e Ghislain, que vêm do Burkina Faso. Contaram-nos uma história comovente de perdão em família. O poeta dizia que «errar é humano, perdoar é divino». É verdade! O perdão é um dom especial de Deus, que cura as nossas feridas e nos aproxima dos outros e d’Ele. Gestos humildes e simples de perdão, renovados dia a dia, são o fundamento sobre o qual se constrói uma vida familiar cristã sólida. Obrigam-nos a superar o orgulho, o isolamento e o embaraço, e a fazer paz. É verdade! Gosto de dizer que, nas famílias, precisamos de aprender três palavras: «desculpa», «por favor» e «obrigado». Quando tiveres discutido em casa, certifica-te, antes de ir dormir, que pediste desculpa dizendo que sentes pesar pelo sucedido. Mesmo se te sentires tentado a ir dormir noutro quarto, sozinho e isolado, bate simplesmente à porta e diz: «Por favor, posso entrar?» Basta um olhar, um beijo, uma palavra doce... e tudo volta a estar como antes! Digo isto porque as famílias, quando o fazem, sobrevivem. Não existe uma família perfeita; sem o hábito do perdão, a família cresce doente e gradualmente desmorona-se.

Perdoar significa doar algo de si mesmo. Jesus perdoa-nos sempre. Com a força do seu perdão, também nós podemos perdoar aos outros, se o quisermos de verdade. Não é isso que pedimos, quando rezamos o Pai Nosso? Os filhos aprendem a perdoar quando veem que seus pais se perdoam entre si. Se compreendermos isto, poderemos apreciar a grandeza da doutrina de Jesus sobre a fidelidade no matrimónio. Longe de ser uma fria obrigação legal, trata-se sobretudo duma promessa poderosa da fidelidade do próprio Deus à sua palavra e à sua graça sem limites. Cristo morreu por nós para que, por nossa vez, possamos perdoar-nos e reconciliar-nos uns com os outros. Deste modo, como pessoas e como famílias, aprendemos a compreender a verdade daquelas palavras de São Paulo: tudo passa, mas «o amor jamais passará» (1 Cor 13, 8).

Obrigado, Nisha e Ted, pelos vossos testemunhos da Índia, onde estais a ensinar aos vossos filhos a serem uma verdadeira família. Ajudastes-nos também a compreender que os meios de comunicação social não são necessariamente um problema para as famílias, mas podem contribuir para a construção duma «rede» de amizade, solidariedade e apoio mútuo. As famílias podem conectar-se através da internet e beneficiar disso. Os meios de comunicação social podem ser benéficos, se forem usados com moderação e prudência. Vós, por exemplo, que participais neste Encontro Mundial das Famílias, formais uma «rede» espiritual e de amizade, e os meios de comunicação social podem ajudar-vos a manter esta ligação e alargá-la a outras famílias em muitas partes do mundo. Contudo, importante que estes meios nunca se tornem uma ameaça para a verdadeira rede de relações de carne e sangue, prendendo-nos numa realidade virtual e isolando-nos das relações autênticas que nos estimulam a dar o melhor de nós mesmos em comunhão com os outros. Talvez a história de Ted e Nisha possa ajudar às famílias a interrogar-se sobre a obrigação de reduzir o tempo que gastam com esses meios tecnológicos, e de passar um tempo de qualidade entre eles e com Deus.

Ouvimos, de Enass e Sarmaad, como o amor e a fé em família podem ser fontes de força e paz, mesmo no meio da violência e da destruição, causadas pela guerra e a perseguição. A sua história recorda-nos as trágicas situações que sofrem quotidianamente muitas famílias, forçadas a abandonar as suas casas à procura de segurança e de paz. Mas Enass e Sarmaad indicaram-nos também como, a partir da família e graças à solidariedade manifestada por muitas outras famílias, a vida pode ser reconstruída e renascer a esperança. Vimos este apoio no vídeo de Rammy e seu irmão Meelad, onde Rammy expressou profunda gratidão pelo incentivo e a ajuda que a sua família recebeu de muitas outras famílias cristãs do mundo inteiro, fazendo com que fosse possível que eles voltassem para o seu vilarejo. Em cada sociedade, as famílias geram paz, porque ensinam o amor, o acolhimento e o perdão, que são os melhores antídotos contra o ódio, o preconceito e a vingança que envenenam a vida de pessoas e comunidades.

Como ensinou um bom padre irlandês, «a família que reza unida permanece unida» e irradia paz. Tal família pode ser um apoio especial para outras famílias que não vivem em paz. Depois da morte do padre Ganni, Enass, Sarmaad e as suas famílias optaram pelo perdão e a reconciliação, em vez do ódio e do rancor. À luz da Cruz, viram que o mal só se pode contrastar com o bem, e o ódio só se pode superar com o perdão. De forma quase incrível foram capazes de encontrar paz no amor de Cristo, um amor que faz novas todas as coisas. Nesta noite partilham esta paz connosco.

O amor de Cristo, que tudo renova, é o que torna possível o matrimónio e um amor conjugal caraterizado por fidelidade, indissolubilidade, unidade e abertura à vida. Foi o que quis evidenciar no quarto capítulo de Amoris laetitia. Vimos este amor em Mary e Damian e na sua família com dez filhos. Obrigado pelas vossas palavras e o vosso testemunho de amor e fé! Experimentastes a capacidade que o amor de Deus tem de transformar completamente a vossa vida e de vos abençoar com a alegria de uma linda família. Dissestes-nos que a chave da vossa vida familiar é a sinceridade. Pela vossa história, compreendemos como é importante continuar a ir àquela fonte da verdade e do amor que pode transformar a nossa vida: Jesus, que inaugurou o seu ministério público numa festa de núpcias. Lá, em Caná, mudou a água num vinho novo e doce que permitiu continuar magnificamente a jubilosa celebração. O mesmo se passa com o amor conjugal. O vinho novo começa a ferver durante o tempo do noivado, necessário mas passageiro, e matura ao longo da vida matrimonial num mútuo dom de si mesmo que torna os esposos capazes de se fazerem, de dois, «uma só carne». E de abrir, por sua vez, os corações a quem tem necessidade de amor, especialmente quem está sozinho, abandonado, fraco e, enquanto vulnerável, muitas vezes posto de lado pela cultura do descarte.

Por toda a parte, as famílias são chamadas a continuar a crescer e seguir em frente, mesmo no meio de dificuldades e limites, precisamente como fizeram as gerações passadas. Todos somos parte duma grande cadeia de famílias, que remonta ao início dos tempos. As nossas famílias são tesouros vivos de memória, com os filhos que, por sua vez, se tornam pais e, depois, avós. Deles recebemos a identidade, os valores e a fé. Vimo-lo em Aldo e Marissa, casados há mais de cinquenta anos. O seu matrimónio é um monumento ao amor e à fidelidade! Os seus netos os mantêm jovens; a sua casa está repleta de alegria, de felicidade e de danças. O seu amor mútuo é um dom de Deus, um dom que estão a transmitir com alegria aos seus filhos e netos.

Uma sociedade que não valorize os avós é uma sociedade sem futuro. Uma Igreja que não tenha a peito a aliança entre gerações acabará sem o que conta verdadeiramente, o amor. Os nossos avós ensinam-nos o significado do amor conjugal e paternal. Eles próprios cresceram numa família e experimentaram o afeto de filhos e filhas, de irmãos e irmãs. Por isso, constituem um tesouro de experiência e sabedoria para as novas gerações. É um grande erro não interpelar os idosos sobre as suas experiências ou pensar que seja uma perda de tempo conversar com eles. A propósito, quero agradecer a Missy o seu testemunho. A senhora nos disse que, entre os nómades, a família sempre foi uma fonte de força e de solidariedade. O seu testemunho nos lembra que, na casa de Deus, há um lugar à mesa para todos. Ninguém deve ser excluído; o nosso amor e a nossa atenção devem estender-se a todos.

É tarde e estais cansados! Mas deixai que vos diga uma última coisa. Vós, famílias, sois a esperança da Igreja e do mundo! Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, criou a humanidade à sua imagem para fazê-la participante do seu amor, para que fosse uma família de famílias e gozasse daquela paz que só Ele pode dar. Com o vosso testemunho do Evangelho, podeis ajudar Deus a realizar o seu sonho. Podeis contribuir para aproximar todos os filhos de Deus, para que cresçam na unidade e aprendam o que significa, para o mundo inteiro, viver em paz como uma grande família. Por este motivo, desejei entregar a cada um de vós uma cópia de Amoris laetitia, que escrevi para ser uma espécie de guia a fim de se viver com alegria o Evangelho da família. Que Maria nossa Mãe, Rainha da família e da paz, sustente a todos vós no percurso da vida, do amor e da felicidade!

E agora, no final do nosso serão, rezaremos a oração deste Encontro das Famílias”.

Após a oração o Papa ofereceu sua bênção aos presentes concluindo a Festa das Famílias.

Fonte: ACI digital



Papa Francisco na Irlanda: Abusos a menores é um fracasso das autoridades eclesiásticas


DUBLIN, 25 Ago. 18 / 09:31 am (ACI).- O Papa Francisco não duvidou em definir como “falimento das autoridades eclesiásticas” a forma como a Igreja na Irlanda enfrentou os casos de abusos a menores por parte de membros do clero neste país e considerou justa a indignação contra a Igreja e a vergonha para a comunidade católica.

Em seu primeiro discurso oficial diante de autoridades, sociedade civil e corpo diplomático na Irlanda por ocasião de sua viagem para participar do Encontro Mundial das Famílias de Dublin, o Santo Padre reconheceu “o grave escândalo causado na Irlanda pelos abusos sobre menores por parte de membros da Igreja encarregados de os proteger e educar”.

“O falimento das autoridades eclesiásticas – bispos, superiores religiosos, sacerdotes e outros – ao enfrentarem adequadamente estes crimes repugnantes suscitou, justamente, indignação e continua a ser causa de sofrimento e vergonha para a comunidade católica”, assegurou no discurso pronunciado no Castelo de Dublin.

Francisco assegurou: “Eu próprio partilho estes sentimentos. O meu predecessor, Papa Bento, não poupou palavras para reconhecer a gravidade da situação e pedir que fossem tomadas medidas ‘verdadeiramente evangélicas, justas e eficazes’ em resposta a esta traição de confiança”.

Neste sentido, quis destacar a atuação do atual Papa Emérito no trabalho de erradicação das dinâmicas de silêncio diante dos abusos e na busca de justiça e reparação para as vítimas.

“A sua intervenção franca e decidida continua a servir de incentivo aos esforços das autoridades eclesiais por remediar os erros passados e adotar normas rigorosas tendentes a assegurar que os mesmos não voltem a acontecer”, afirmou.

Do mesmo modo, sublinhou que deseja “a gravidade dos escândalos dos abusos, que fizeram emergir as culpas de muitos, sirva para evidenciar a importância da proteção de menores e adultos vulneráveis por parte da sociedade inteira”.

“Neste sentido, todos temos consciência da necessidade urgente de oferecer aos jovens um acompanhamento sábio e valores sadios para o seu caminho de crescimento”.

Uma família de famílias

Por outro lado, o Papa também refletiu no discurso sobre as famílias e sua situação no mundo atual. Destacou que a Igreja é “uma família de famílias e sente a necessidade de apoiar as famílias nos seus esforços por responder fiel e jubilosamente à vocação que Deus lhes deu na sociedade”.

Ressaltou que o Encontro Mundial das Famílias de Dublin “é uma oportunidade não só para reafirmar o seu compromisso de fidelidade amorosa, ajuda mútua e respeito sagrado pelo dom divino da vida em todas as suas formas, mas também para testemunhar o papel único desempenhado pela família na educação dos seus membros e no desenvolvimento de um tecido social sadio e vigoroso”.

Além disso, recordou os obstáculos que as famílias devem enfrentar na sociedade de hoje. “Não é preciso ser profeta para se dar conta das dificuldades que enfrentam as famílias na sociedade atual em rápida evolução ou para se preocupar com os efeitos que o transtorno do matrimônio e da vida familiar inevitavelmente implicará, a todos os níveis, para o futuro das nossas comunidades”.

“A família é a coesão da sociedade; o seu bem não pode ser dado como garantido, mas deve ser promovido e tutelado com todos os meios apropriados”, insistiu.

Em seguida, enfatizou que “é na família que cada um de nós deu os primeiros passos na vida. Lá aprendemos a conviver em harmonia, a controlar os nossos instintos egoístas, a conciliar as diversidades e, sobretudo, a discernir e procurar os valores que dão sentido autêntico e plenitude à vida”.

“Se falamos do mundo inteiro como de uma só família, é porque justamente reconhecemos os laços da nossa humanidade comum e intuímos a chamada à unidade e à solidariedade, especialmente em relação aos irmãos e irmãs mais vulneráveis”.

Entretanto, “muitas vezes, sentimo-nos impotentes face aos males persistentes do ódio racial e étnico, a conflitos e violências inextrincáveis, ao desprezo pela dignidade humana e os direitos humanos fundamentais e ao desnível crescente entre ricos e pobres”.

Frente a esta situação, “quanta necessidade temos de recuperar, em cada área da vida política e social, o sentido de ser uma verdadeira família de povos! E de nunca perder a esperança e a coragem de perseverar no imperativo moral de sermos obreiros de paz, reconciliadores e guardiões uns dos outros”.

Reconciliação na Irlanda

“Este desafio tem uma ressonância particular aqui, na Irlanda – assegurou o Papa –, visto o longo conflito que separou irmãos e irmãs de uma única família”.

Neste sentido, recordou que, “vinte anos atrás, a comunidade internacional acompanhou atentamente os acontecimentos na Irlanda do Norte, que levaram à assinatura do Acordo de Sexta-feira Santa”.

“O governo irlandês, juntamente com os líderes políticos, religiosos e civis da Irlanda do Norte e do governo britânico e com o apoio de outros líderes mundiais, deu vida a um contexto dinâmico tendente a resolver pacificamente um conflito que causara enormes sofrimentos em ambos os lados”.

Francisco deu graças “pelas duas décadas de paz que se seguiram a este Acordo histórico, ao mesmo tempo que expressamos a firme esperança de que o processo de paz supere qualquer obstáculo que ainda reste e favoreça o nascimento de um futuro de concórdia, reconciliação e confiança mútua”.

Antes de pronunciar seu discurso no Castelo de Dublin, o Papa visitou o presidente da República em sua residência oficial, onde assinou o livro de honra: “Com gratidão pelas calorosas boas-vindas que recebi, ofereço a você e ao povo da Irlanda minhas orações para que Deus Altíssimo os guie e proteja”, foram as palavras do Pontífice.

Após a assinatura, o Santo Padre plantou uma árvore nos jardins do complexo presidencial junto à que São João Paulo II plantou há 40 anos.

Do mesmo modo, o Bispo de Roma assinou também o livro de honra do Castelo de Dublin, no qual escreveu que “Deus Altíssimo abençoe o povo irlandês e lhe dê seus dons de paz e felicidade”.

Fonte: ACI digital



sábado, 25 de agosto de 2018

Encontros Mundiais das Famílias

Encontros Mundiais das Famílias

O ano de 1994 foi declarado pelas Nações Unidas o “Ano Internacional da Família”. Também na Igreja o Papa João Paulo II quis que se celebrasse simultaneamente um Ano da Família. Assim  ocorreu o primeiro Encontro Mundial das Famílias, realizado em Roma, nos dias  8 e 9 de outubro de 1994, promovido, como todos os sucessivos, pelo Pontifício Conselho para a Família.

Desde então, a cada três anos, em diferentes lugares do mundo, houve um Encontro Mundial das Famílias introduzido por um Congresso Teológico Pastoral Internacional. A conclusão normalmente conta com a presença do Papa, com uma vigília/festa das famílias e uma grande celebração eucarística final.

1.       S. João Paulo II – I Encontro Mundial: 1994 (8-9 outubro) Roma (Itália). No contexto do Ano da Família “Família: coração da civilização do amor”

2.       S. João Paulo II – II Encontro Mundial: 1997 (4-5 outubro) Rio de Janeiro (Brasil). “A família: dom e compromisso, esperança da humanidade”

3.       S. João Paulo II – III Encontro Mundial: 2000 (14-15 outubro) Roma (Itália). No contexto do Grande Jubileu de 2000 “Os filhos, primavera da família e da sociedade”

4.       S. João Paulo II – IV Encontro Mundial: 2003 (25-26 janeiro) Manila (Filipinas). “A Família cristã: uma boa nova para o terceiro milênio” *** S. João Paulo II (ao vivo pela TV)

5.       Bento XVI – V Encontro Mundial: 2006 (8-9 julho) Valença (Espanha). “Transmissão da fé na família”

6.       Bento XVI – VI Encontro Mundial: 2009 (17-18 janeiro) Cidade do México (México). “A família, formadora dos valores humanos e cristãos” *** Bento XVI (ao vivo pela TV)

7.       Bento XVI – VII Encontro Mundial: 2012 (2-3 junho) Milão (Itália) “A família – Trabalho e Festa”

8.       Papa Francisco – VIII Encontro Mundial: 2015 (26-27 setembro) Filadélfia (USA) “O amor é a nossa missão, a família plenamente viva”

9.       O IX Encontro Mundial está em programa para Dublin (Irlanda) de 22 a 26 de agosto de 2018 com o tema escolhido pelo Papa, “O Evangelho da Família: alegria para o mundo”, com base na Exortação Apostólica pós-sinodal “Amoris Laetitia” e coordenado pelo novo Dicastério pera os Leigos, a Família e a Vida, presidido pelo Cardeal K. Farrell.

Fonte:
http://www.laityfamilylife.va/content/laityfamilylife/pt/sezione-famiglia/incontro-mondiale-delle-famiglie.html



Papa visitará santuário onde apareceram a Virgem, São José, São João e o Agnus Dei


REDAÇÃO CENTRAL, 22 Ago. 18 / 05:00 pm (ACI).- No próximo domingo, 26 de agosto, o Papa Francisco visitará o impressionante Santuário de Nossa Senhora de Knock durante a sua viagem à Irlanda para o Encontro Mundial das Famílias (EMF).

A seguir, alguns dados que talvez você não conheça sobre o santuário e as aparições da Virgem, São José, São João Evangelista e o Agnus Dei (Cordeiro de Deus).

1. As aparições ocorreram ao mesmo tempo

Há 139 anos, aproximadamente às 20h de 21 de agosto de 1879, quinze pessoas de 5 a 74 anos presenciaram a aparição da Virgem Maria, São José, Agnus Dei e São Juan Evangelista, envoltos em uma luz brilhante dentro da paróquia do povoado de Knock.

Ao lado das figuras dos santos que estavam no centro do recinto, havia um altar grande e simples. Em cima do altar apareceu um Cordeiro olhando para o oeste e atrás dele havia uma grande cruz. Os anjos cercaram o Cordeiro durante toda a aparição.

A informação oficial do santuário indica que as testemunhas presenciaram a aparição durante uma tempestade de duas horas, enquanto rezavam o Santo Rosário.

2. O significado da aparição está na Bíblia

A aparição tem um profundo simbolismo do livro do Apocalipse. O cordeiro é Jesus. A cruz é onde se oferece o Cordeiro ao Pai como sacrifício. O altar da Missa é onde o sacrifício se torna presente.

Maria e São João estavam ao lado da cruz. São José não estava ao lado da cruz, mas agora está no Céu, a morte não pode separá-lo da Sagrada Família e dos benefícios do sacrifício de Jesus.

3. Uma comissão de investigação confirmou a aparição

Os testemunhos foram recolhidos seis semanas depois por uma Comissão de Investigação criada pelo Arcebispo de Tuam, Dom John MacHale, em outubro de 1879.

As quinze testemunhas foram examinadas e a comissão informou que o testemunho de todos, tomados juntos, era confiável e satisfatório.

Em 1936, foi criada outra comissão diante da qual compareceram os três videntes sobreviventes: Mary O'Connell (Mary Byrne), Patrick Byrne e John Curry. Os três confirmaram as suas declarações originais de muitos anos atrás.

Quando a comissão anunciou o seu relatório, milhares de doentes foram levados à Knock e os jornais locais informaram que ocorreram muitas curas extraordinárias.

4. Dois santos visitaram o Santuário de Knock

Entre os peregrinos ilustres que visitaram o santuário irlandês estão São João Paulo II e Santa Teresa de Calcutá.

5. O santuário não é o único templo do lugar

Há um complexo em Knock formado por cinco igrejas, incluindo a Capela das Aparições, uma igreja paroquial e a Basílica. Também há um centro de livros religiosos, caravanas e camping, o Museu de Knock, um café e um hotel.

Os serviços no santuário incluem peregrinações organizadas, Missas e confissões diárias, unção dos enfermos, serviço de acompanhamento, orientações para saber como rezar e um ministério de jovens.

Embora a igreja original ainda esteja de pé, ao lado dela foi construída uma nova Capela das Aparições com estátuas de Nossa Senhora, São José, o Cordeiro e São João Evangelista. A Basílica de Knock é um edifício separado que mostra uma tapeçaria da aparição.

Fonte: ACI digital



Avisos

Olá irmãs e irmãos de fé! Paz e Bem!

Para ajudar, tenho colocado as orações do programa de rádio Momento de Fé, porém muitos estão se confundindo e achando que meu blog é do Padre Marcelo Rossi. Irmãs(os), este blog não é do Padre Marcelo Rossi, para que sua mensagem chegue ao padre, você terá que acessar os sites dele : 1) Padre Marcelo Rossi 2) Facebook Padre Marcelo Rossi

Obrigada - Adriana/Devoção e Fé