Rosário: Ave Cheia de Graça, ave cheia de amor (Maio)


Neste mês que é dedicado a Nossa Senhora, gostaríamos de refletir juntos sobre a beleza da oração da Ave-Maria, como elemento principal do rosário, que encerra as riquezas do Mistério de Deus na vida da jovem de Nazaré. É composta pela saudação do anjo Gabriel a Maria (Lc 1,28), pelo louvor que Isabel faz de Maria (Lc 1,42) e pela súplica das comunidades de fé.

Repetir continuamente a recitação das Ave-Marias é uma característica peculiar do Rosário. que leva à contemplação e à intimidade com os mistérios da vida de Jesus, e que se tornou muito particular à Virgem Maria. A Ave-Maria é a oração de todos e para todas as circunstâncias. É a oração mais universal da igreja depois do Pai-Nosso. Isto ocorre por diversos motivos, seja pelo fato de nos relembrar os princípios da redenção da humanidade com a encarnação do Filho de Deus, como por dirigir-se a Maria, mãe de Jesus e nossa.

João Paulo II nos lembrava na Carta Apostólica Rosário da Virgem Maria que: "A repetição da Ave-Maria no Rosário sintoniza-nos com este encanto de Deus: é júbilo, admiração, reconhecimento do maior milagre da história. É o cumprimento da profecia de Maria: 'Desde agora, todas as gerações Me hão de chamar ditosa' (Lc 1,48). (...) O baricentro da Ave-Maria, uma espécie de charneira entre a primeira parte e a segunda, é o nome de Jesus. Às vezes, na recitação precipitada, perde-se tal baricentro e, com ele, também a ligação ao mistério de Jesus que se está a contemplar. Ora, é precisamente pela acentuação dada ao nome de Jesus e ao seu mistério que se caracteriza a recitação expressiva e frutuosa do Rosário" (RVM 33).

Muitos pensam que a repetição desta oração é sem sentido e cansativa. Mas lembremos que a repetição das Ave-Marias funciona como uma espécie de fundo musical, de cortina mística para a contemplação dos mistérios de toda a vida de Jesus. A contemplação e a meditação dos mistérios de Jesus Cristo são o que constitui o miolo do Rosário, que forma a oração propriamente dita. Assim como um adequado fundo musical favorece nossa concentração na leitura de um bom livro ou na contemplação da cena de um filme, a repetição das Ave-Marias é este fundo que nos ajuda a mergulhar com os olhos do coração na contemplação dos mistérios da vida de Jesus, que rezamos em cada dezena do Rosário.

Portanto, a Ave-Maria não se trata de uma oração dirigida direta e unicamente a Maria, mas de uma oração por Ela e com Ela. Seu propósito é a obra trinitária de nossa redenção em e por seu Filho.

O saudoso Papa Paulo VI, a este respeito dizia: "a repetição da Ave-Maria constitui a urdidura sobre a qual se desenrola a contemplação dos mistérios; aquele Jesus que cada Ave-Maria relembra é o mesmo que a sucessão dos mistérios propõe, uma e outra vez, como Filho de Deus e da Virgem Santíssima; nascido numa gruta de Belém; apresentado pela mesma Mãe no Templo; um rapazinho ainda, a demonstrar-se cheio de zelo pelas coisas de seu Pai; depois, Redentor, agonizante no horto, flagelado e coroado de espinhos; a carregar a cruz e a morrer sobre o Calvário; por fim, ressuscitado da morte e elevado à glória do Pai, para efundir o dom do Espírito. É coisa conhecida que, exatamente para favorecer a contemplação e para que a mente estivesse sempre em sintonia com as palavras, se costumava outrora, e tal costume conservou-se em diversas regiões, ajuntar ao nome de Jesus, em cada Ave-Maria, uma cláusula, que chamasse a atenção para o mistério enunciado" (Marialis Cultus 46).

Fonte: Revista O Mílite (maio/2013)

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