Assunção de Nossa Senhora
Causa de esperança
16º Domingo do Tempo Comum - Ano A
Evangelho de Lucas 1,39-56
Naqueles dias, 39Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.
46Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. 51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.
REFLEXÃO
Símbolo da presença de Deus, a arca da Aliança é transportada, com alegre e solene liturgia, para o lugar determinado em Jerusalém. A transladação da arca evoca a entronização da Imaculada no céu. Maria é a arca da Nova Aliança, porque carregou em seu ventre o Filho de Deus. / Vencedora da morte por Jesus Cristo, a Igreja entoa o hino da segunda leitura, verdadeiro cântico de ação de graças que celebra a entrada da Virgem Maria no céu. Nosso corpo corruptível e mortal será transformado em incorruptível e imortal, a exemplo do corpo de Cristo. / Ao ver sua mãe sendo felicitada por tê-lo gerado e amamentado, o Mestre responde que são muito mais felizes os que acolhem e vivem a Palavra de Deus. Maria é duplamente feliz, por ser, ao mesmo tempo, mãe e discípula – a primeira e mais fiel.
(Dia a Dia com o Evangelho 2026 - PAULUS)[1]
Coleta
Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do céu em corpo e alma a imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, dai-nos viver sempre atentos às coisas do alto para merecermos participar de sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Quando o Papa Pio XII proclamou verdade de fé a Assunção de Maria ao céu, destacou quatro razões. A primeira delas seria para maior glória da Santíssima Trindade (…) A segunda razão, apontada por Pio XII, seria a de provocar na Igreja o aumento do amor a Maria (…), a terceira razão seria a de alcançar de Maria, Mãe do Cristo-Cabeça, uma maior unidade entre os membros do corpo de Cristo, que é a Igreja (…)
A quarta razão seria para a sociedade tomar consciência do valor da vida humana e das funções do nosso corpo. Como andamos necessitados dessa consciência! Fala-se muito numa teologia do corpo, numa teologia da vida. Mas a sociedade perdeu o sentido da sacralidade do corpo humano e do caráter divino da vida. O documento do papa João Paulo II – Evangelium Vitae – e suas inúmeras intervenções em defesa dos nascituros, dos famintos, das etnias perseguidas, da mulher escravizada, dos anciãos e doentes soam como um contínuo e insistente alerta.
Maria de Nazaré, que gerou o Autor da Vida (At 3,15), aquele que se definiu como sendo “a Vida” (Jo 14,6), aquele que disse ter vindo ao mundo para “dar a vida e dá-la em abundância” (Jo 10,10), é hoje glorificada em corpo e alma ao céu para mostrar-nos a dignidade da pessoa humana e o destino eterno da vida, que de Deus recebemos. Maria, elevada ao céu e coroada rainha dos anjos e dos santos, foi e continua o exemplo de mulher forte que não duvidou em afirmar que Deus é o vingador dos humildes e dos oprimidos e derruba do trono os poderosos do mundo (w. 51-53).
Joia da Santíssima Trindade, mulher cheia de graça, encarnação do amor mais terno e puro, que mereceu dar vida humana ao Filho de Deus, mãe venerada de todas as criaturas, primogênita da eternidade, a ti cantam os anjos e aplaudem os santos, enquanto nós na terra exultamos de esperança.
FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.[2]
Fontes:
https://franciscanos.org.br/vidacrista/liturgia/solenidade-da-assuncao-de-nossa-senhora-2/#gsc.tab=0
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