O arcebispo de Aparecida (SP), dom Mário Antônio da Silva na missa de posse. | Crédito: Santuário Nacional Aparecida.
Por Nathália Queiroz
4 de mai de 2026 às 14:25
“O verdadeiro programa de vida e até mesmo de ministério episcopal” é “viver a Páscoa e dar muitos frutos” disse o arcebispo de Aparecida (SP), dom Mário Antônio da Silva, na homilia da missa de posse no sábado (2), no Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida (SP).
“Não se trata de qualquer fruto, mas dos frutos que nascem de uma vida renovada pelo batismo, sustentada pela graça de Deus e fiel ao Evangelho”, continuou dom Mário.
Ele é o sexto arcebispo de Aparecida e assume o lugar de dom Orlando Brandes, que teve seu pedido de renúncia aceito pelo papa Leão XIV por limite de idade, no dia 2 de março, conforme previsto no Código de Direito Canônico (Cân. 401 – §1).
Com o lema Testificari et ministrare (Testemunhar e Servir), dom Mário assume Aparecida, arquidiocese que abriga a basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, o mais importante santuário mariano do Brasil.
“O ministério que hoje inicio nesta Igreja Particular é um chamado, antes de tudo, a ser fecundo no testemunho e no serviço, na caridade e na missão”, disse ele. “Se a Igreja deve dar muitos frutos, é porque está unida a Cristo”.
Ao comentar o Evangelho do dia Jo 14, 1-12, ele disse que “a palavra de Jesus, ‘Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida’, não é apenas uma bela frase, uma afirmação teológica, é uma luz, uma luz concreta para a missão do pastor com seu rebanho”.
Bispo é o que discerne e conduz
Ao refletir sobre a passagem “Eu sou o caminho”, dom Mário disse que “o bispo é chamado a ser pessoa de discernimento e condução”.
O bispo “não cria caminhos próprios, mas ajuda o povo a caminhar em Cristo”, disse. “É aquele que orienta, escuta, acompanha e mantém a Igreja unida no mesmo itinerário de fé. Seu ministério é garantir que todos caminhem juntos. uma I greja sinodal, peregrina, fiel ao evangelho”.
Bispo é o guardião da fé
Sobre a frase “Eu sou a Verdade”, disse que o “bispo é guardião da fé. Cabe a ele ensinar com fidelidade, anunciar o evangelho com clareza e fidelidade. Anunciar o evangelho protegendo o povo contra confusões e erros”.
“Sua palavra deve ser firme, mas sempre iluminada pela caridade”, disse.
Bispo é chamado a promover a vida
Já sobre “Eu sou a Vida”, disse que o bispo é chamado a promover a vida. “Vida plena, vida digna, vida em abundância”.
“Isso se realiza na evangelização, nos sacramentos, na pregação, na promoção da justiça e no cuidado com os mais frágeis”, continuou.
Apelo contra a violência e chamado à caridade
“Recordemos, as viúvas eram esquecidas. Isso nos interpela hoje na questão da violência, inclusive a violência contra a mulher”, disse ele ao comentar a primeira leitura. “Devemos combater diante do vergonhoso número de feminicídio no nosso Brasil”.
“Tudo isso também nos interpela a cuidar da dimensão caritativa do dízimo em nossas comunidades, paróquias e dioceses. Também nos interpela a concretizar a Campanha da Fraternidade a cada ano”, continuou.
“Neste ano, qual é o tema? Fraternidade e moradia. Moradia digna. Por isso, quero ainda, à luz do texto dos Atos dos Apóstolos, fazer um apelo: apoiemos todo o serviço da caridade”.
“E me permitam falar do serviço Cáritas e também as obras sociais da Igreja em nossas dioceses, paróquias e comunidades”, disse.
A posse marca o início de uma nova etapa para a arquidiocese de Aparecida, que abrange também as cidades de Guaratinguetá, Potim, Roseira e Lagoinha, e acolhe milhões de romeiros todos os anos.
Currículo
Dom Mário Antônio da Silva nasceu no dia 17 de outubro de 1966, em Itararé (SP). Foi ordenado padre em 21 de dezembro de 1991, na diocese de Jacarezinho (PR). Ele tem mestrado em Teologia Moral, pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, na Itália.
Entre 1992 e 1993, foi diretor espiritual do Seminário Menor Nossa Senhora da Assunção; entre 1994 e 1996, foi reitor do Seminário Menor Nossa Senhora da Assunção e coordenador da pastoral vocacional; em 1999, foi diretor espiritual da Comunidade de Assistência aos Dependentes de Drogas (CADD) e professor de teologia moral no Seminário Maior Divino Mestre; de 1999 a 2001, foi coordenador da pastoral vocacional; entre 1999 e 2006, foi diretor espiritual do Seminário Maior Divino Mestre; de 2003 a 2006, foi orientador geral da Comunidade Feminina de Assistência à Dependentes de Drogas (COFADD) e professor de ética filosófica no Seminário Maior Rainha da Paz; em 2004, foi coordenador diocesano da ação evangelizadora; em 2006, foi pároco da paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Jacarezinho.
Em 2007, foi nomeado bispo auxiliar de Manaus (AM) pelo papa Bento XVI. Dom Mário, segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), “desempenhou um papel significativo no fortalecimento das comunidades eclesiais de base e na defesa dos direitos das populações do bioma”, em Manaus.
“Sua atuação" foi "marcada pela proximidade com o povo, especialmente com os mais pobres e marginalizados", disse a CNBB.
De 2013 a 2015, foi professor de Teologia Moral e Bioética no Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia (ITEPES), em Manaus. Em 2015, foi nomeado bispo de Roraima (RR), pelo papa Francisco, “onde enfrentou grandes desafios, como a crise migratória decorrente do fluxo de refugiados venezuelanos”, disse a CNBB.
“Sua liderança pastoral foi essencial na organização de uma resposta humanitária da Igreja, articulando esforços para acolher e assistir milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade”, destacou a conferência.
Entre 2015 e 2019, foi eleito presidente do regional Norte 1 da CNBB, que compreende os Estados do Amazonas e Roraima; em 6 de maio de 2019, durante a 57ª Assembleia Geral da CNBB, foi eleito segundo vice-presidente da conferência para o quadriênio 2019 a 2023; em 7 de outubro de 2019, foi eleito membro da comissão para a redação do documento final do Sínodo da Amazônia.
Em 2022, foi nomeado arcebispo de Cuiabá (MT), pelo papa Francisco. A trajetória de dom Mário Antônio, segundo a CNBB é marcada por “um espírito missionário e uma visão pastoral voltada para a sinodalidade e para a construção de uma Igreja em saída”.
Dom Mário “tem se destacado por sua habilidade em dialogar com diversos setores da sociedade, promovendo a paz, a justiça e o bem comum”, disse a CNBB destacando que a “sua liderança” na arquidiocese de Cuiabá “tem reforçado seu compromisso com a evangelização, a formação de lideranças leigas e a ação social, sempre inspirada pelo Evangelho e pela Doutrina Social da Igreja”.
Dom Mário Antônio é o presidente da Cáritas Brasileira. Ele “atua diretamente nas ações de solidariedade às comunidades e pessoas afetadas por situações socioambientais ou em situação de vulnerabilidade”, segundo a CNBB.
Fonte: ACI digital
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