O retrato bem-feito da pessoa feliz
5º Domingo do Tempo Comum - Ano A
Evangelho de Mateus 5,13-16
– Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 13“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. 14Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde brilha para todos os que estão na casa. 16Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”.
REFLEXÃO
Jesus se refere a seus seguidores como “sal da terra e luz do mundo”. Todos conhecemos o valor e a importância do sal e da luz. O sal dá sabor ao alimento e o preserva; e a luz ilumina o caminho a seguir. O Mestre atribui a seus discípulos grande responsabilidade e enorme desafio: ser sal da terra e luz do mundo, sem pretensão de grandeza. Sal insosso não serve para nada, cristão sem testemunho não contribui para a construção do Reino. Luz apagada não ilumina, cristão indiferente não ilumina a sociedade. Não é suficiente ser sal e luz, é preciso agir como sal e como luz. Sal é para salgar, dar gosto e sentido à vida. A luz serve para iluminar o caminho que leva a Jesus. Assim, o cristão deve ser aquela pessoa que é fiel ao projeto de Jesus e procura mantê-lo sempre vivo na sociedade, preservando-o do desvio. O cristão é luz enquanto segue Jesus, luz do mundo. O discípulo brilha na sociedade com suas boas obras, não para se vangloriar, mas para que as pessoas louvem o Pai.
(Dia a Dia com o Evangelho 2026 - PAULUS)[1]
Coleta
Velai, Senhor, nós vos pedimos, com incansável amor sobre vossa família; e porque só em vós coloca a sua esperança, defendei-a sempre com vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
O retrato bem-feito da pessoa feliz
Compreenderemos melhor esse Evangelho, se nos lembrarmos de que imediatamente antes vêm as Bem-aventuranças. Por meio de três imagens, Jesus mostra as consequências do bem-aventurado, que, exatamente por sê-lo, é perseguido e provado. Podemos dizer que as bem-aventuranças são a estrada a caminhar, ou o campo a cultivar. O ser sal, luz, sinal- as três imagens do Evangelho de hoje – é a consequência, quase diria que é a colheita, de quem plantou no campo das Bem-aventuranças.
As três imagens são ricas de sentido, sobrepõem-se, completam-se, exigem-se. Não são símbolos novos ou estranhos. O sal era usado no culto (Lv 2,13). O Levítico fala em ‘sal da aliança’, por isso se dizia ‘comer sal com alguém’ para dizer que se fez com ele um pacto. A criança, ao nascer, era lavada em sal, não por razões higiênicas, mas por razões religiosas (Ez 16,4), para simbolizar que o recém-nascido estava pronto para ser uma oferta ao Senhor. A luz perpassa a Sagrada Escritura como ‘vestimenta de Deus’ e era símbolo da presença do Senhor. Morar na cidade construída sobre a colina (Jerusalém) era o sonho de todos. Com as três imagens, Jesus pinta o retrato da pessoa “perfeita como o Pai do Céu” (Mt 5,48), da criatura realizada, perfeita tal como Cristo a descreve e a quer ao longo de todo o Evangelho, ou seja, o retrato completo do cidadão do Reino dos Céus.
FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.[2]
Fontes:
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