Batismo do Senhor
Por que Jesus foi batizado?
3º Domingo do Tempo do Natal
- Ano A
Evangelho de Mateus 3,13-17
Naquele tempo, 13 Jesus veio da Galileia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João e ser batizado por ele. 14 Mas João protestou, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” 15 Jesus, porém, respondeu-lhe: “Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!” E João concordou. 16 Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele. 17 E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”.
REFLEXÃO
Em torno dos 30 anos, Jesus, saindo do anonimato, vai ao encontro de João Batista e, misturado com a multidão pecadora, busca o batismo. Eis o paradoxo da justiça de Deus: o santo e inocente fez-se pecador por nós. Com o batismo, Jesus inaugura sua vida pública e dá início à missão. João tenta resistir; Jesus, porém, insiste para ser batizado, pois tem a missão de “cumprir toda a justiça”. Durante o batismo, uma voz do alto se faz ouvir: “Este é o meu Filho amado”. Com o batismo de Jesus, o céu se abriu, não há mais obstáculos entre Deus e a humanidade. Batizado, inicia sua caminhada missionária, manifestando-se publicamente ao mundo com a prática que é a própria ação de Deus. Sua grande missão é revelar a justiça, a misericórdia e a bondade do Pai, contagiando a humanidade para torná-la mais fraterna e solidária. A exemplo de Jesus Cristo, pelo batismo, somos inseridos no mundo para realizar a missão que o Pai nos confiou. Com o batismo de Jesus, conclui-se o tempo natalino.
(Dia a Dia com o Evangelho 2026 - PAULUS)[1]
Coleta
Deus eterno e todo-poderoso, que, tendo sido o Cristo batizado no rio Jordão, e descendo sobre ele o Espírito Santo, o declarastes solenemente vosso dileto Filho, concedei aos vossos filhos adotivos, renascidos da água e do Espírito Santo, perseverar constantemente em vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Por que Jesus foi batizado?
Quando se fala do Batismo de Jesus, vem a pergunta: “Por que Jesus foi batizado, se não tinha pecado nenhum?” A pergunta se prende ao fato de nós ligarmos o batismo à purificação do pecado original. Mas essa não é a única razão de ser do batismo. E, mesmo que fiquemos com a purificação do pecado, compreende-se que Jesus – “cordeiro de Deus, que carrega os pecados do mundo”, como o chama o Batista, na versão de João Evangelista (1,29) – tenha-se sujeitado ao batismo por causa dos pecados nossos, que ele veio tirar. Nem foi a única vez que Jesus praticou gestos de que não tinha necessidade. Bastaria lembrar o rito da circuncisão (Lc 2,21) ou a apresentação no templo (Lc 2,22-24).
Se a circuncisão tinha como sentido religioso marcar a aliança com Deus (Gn 17,9), de que outra aliança poderia Jesus se lembrar senão a de sua própria filiação? A apresentação no templo era a consagração do primogênito ao serviço de eus (Nm 8,17). E tinha Jesus necessidade dessa consagração, se toda a sua entrada na história humana era um serviço consagrado por excelência? Poderíamos também nos perguntar: por que se sujeitou a uma morte reservada a malfeitores e morreu como se fosse um criminoso?
FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.[2]
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