Bispo defende a missa tradicional e diz que ajuda a entender melhor o rito ordinário

missa tradicional Imagem referencial |Shutterstock/Thoom

Por Nicolás de Cárdenas

31 de jan de 2024 às 15:44

O bispo de Orihuela-Alicante, dom José Ignacio Munilla assistiu no último fim de semana uma missa tradicional e autorizou que fosse celebrada uma vez por mês na basílica de Santa Maria e ofereceu as chaves do seu valor como "farol" para iluminar o rito.

Durante a homilia, o bispo expôs sua interpretação sobre os benefícios que Bento XVI queria garantir a Igreja ao promulgar o motu proprio Summorum pontificum sobre as condições para a celebração da Eucaristia, segundo o rito anterior ao Concílio Vaticano II.

Na sua opinião, o papa alemão pretendia enfatizar "a continuidade, em contraposição a uma chave da descontinuidade com a qual o Concílio Vaticano II havia sido recebido" em muitos ambientes dentro e fora da igreja católica.

Dimensão sacrificial da Eucaristia

Dom Munilla também assinala que Bento XVI quis "sublinhar a dimensão sacrificial da santa missa", não porque não esteja presente no Novus Ordo, mas porque em sua implementação, " com frequência parecia que a Eucaristia tinha uma dimensão de convívio ao redor do altar daqueles que se reúnem ali, esquecendo a dimensão chave e central que é a da oferta do sacrifício de Cristo ao Pai pela salvação do mundo", destacou.

Neste sentido, o bispo insistiu que "a essência da santa missa é que cada vez que celebramos a Eucaristia, o sacrifício de Cristo é renovado novamente, embora de forma incruenta", uma questão que " inclusive em determinadas faculdades de teologia" foi "esquecida quando não negada explicitamente".

Referindo-se ao motu proprio Traditionis custodes promulgado pelo papa Francisco em 2021, o bispo detalhou que ele "regulamentou de forma mais restritiva a celebração da missa tradicional e, em grande parte, deixou nas mãos dos bispos o discernimento de como fazê-lo".

Assim, ele se dispôs a explicar as decisões que tomou a respeito na diocese de Orihuela-Alicante, onde permitiu a celebração mensal da Eucaristia segundo o rito tradicional desde o ano passado.

Embora reconheça que alguns fiéis tenham pedido uma frequência maior, o bispo deu as razões pelas quais considera prudente não celebrá-lo todos os domingos: "Isto não facilitaria sua integração em suas comunidades paroquiais e a grande contribuição que todos vocês são chamados a dar", explicou.

Ele acrescentou que se, em uma mesma paróquia se celebrassem os dois ritos ao mesmo tempo todas as semanas, "isso não facilitaria a união e a comunhão entre todos os católicos, porque a celebração litúrgica é a fonte e a expressão da comunhão da igreja".

Além disso, espaçar a celebração do Rito Extraordinário "também nos preserva de possíveis erros que poderiam ser introduzidos em alguns fiéis, como pensar que um rito tem mais valor do que o outro", acrescentou.

A missa tradicional não é uma alternativa ao rito ordinário

"A celebração do Vetus Ordo, do rito extraordinário, da missa tradicional, não é tanto uma alternativa ao rito ordinário, mas uma ajuda, um farol, se me permite usar essa expressão, para nos ajudar a entender bem e a celebrar o rito ordinário", disse o bispo.

"O fato de esta celebração existir deve ajudar a todos nós. Não é uma questão de sensibilidades", acrescentou dom Munilla, que incentivou os presentes a "caminhar na comunhão da igreja diocesana".

O que é a missa tradicional?

A missa tradicional tridentina de são Pio V ou Vetus Ordo é a forma de celebrar a Eucaristia segundo o Missal Romano de 1570, reformado em 1962 por são João XXIII. Para esta celebração usa-se o latim, a língua oficial da igreja católica, e tanto o celebrante quanto a assembleia estão voltados para o altar durante a consagração.

Depois do Concílio Vaticano II, em 1970, o papa Paulo VI promulgou um novo missal romano que é o que a maioria da igreja católica usa no rito latino. Desde então, o idioma de cada nação é usado e o padre fica de pé voltado para assembleia.

O papa são João Paulo II autorizou uso do missal de 1962, desde que com a concordância do bispo local. Com o motu proprio Summorum pontificum, Bento XVI estendeu a todos os padres o direito de rezar a missa no rito antigo, que chamou de forma extraordinária do rito latino, em contraposição à liturgia pós-conciliar, que seria o rito ordinário.

Em 2021, o papa Francisco, por meio da Traditionis custodes, restringiu a liturgia anterior à reforma do Concílio Vaticano II e revogou as decisões dos dois papas anteriores.

Segundo o papa, o uso do rito tradicional é, em alguns círculos, preferido "por uma rejeição não só à reforma litúrgica, mas ao próprio Concílio Vaticano II, alegando, com afirmações infundadas e insustentáveis, que atraiçoou a Tradição e a 'verdadeira igreja'".

Segundo Traditionis custodes, o bispo local pode autorizar ou não a celebração da missa tradicional. Se autorizar, deve ser em uma igreja não paroquial e deve estar a cargo de padres nomeados pelo bispo para isso. Essas celebrações visam atender grupos de fiéis ligados à missa tradicional e não podem ser criados novos grupos.

O papa Francisco determinou em 2023, entre outras medidas, que só a Santa Sé poderá conceder "licença aos sacerdotes ordenados depois da publicação do motu proprio Traditionis custodes para celebrar com o missal romano de 1962".

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