Eucaristia foi profanada em Curitiba “por causa da intolerância religiosa”, diz diácono


Catedral de Curitiba-Missa celebrada na catedral em setembro de 2023 | Facebook/Catedral de Curitiba

Por Monasa Narjara

4 de jan de 2024 às 15:35

Um “homem, muito bem vestido” e com “uma cruz vistosa no peito” foi à missa da solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, no dia 1º de janeiro, às 10h, na catedral de Curitiba (PR) e na hora que recebeu a comunhão “simplesmente levantou a Eucaristia e a partiu. Ele esmigalhou a Eucaristia, ele jogou no chão em nossa frente e saiu”, disse em vídeo o diácono da catedral de Curitiba e mestre de cerimônias da arquidiocese, Cleverson Martins Teixeira.

Cleverson disse a ACI Digital que o vídeo “foi postado num ato de desabafo com relação aquilo que havia se realizado com relação à profanação, sim, mas, mais do que isso, à intolerância religiosa”.

“A profanação aconteceu por causa da intolerância religiosa. O fato de o homem fazer o que fez foi após o bispo ter afirmado que acreditava na presença de Deus na Eucaristia”, ressaltou o diácono.

Segundo Teixeira, antes do ocorrido, o homem chegou até o arcebispo de Curitiba, dom José Antonio Peruzzo e “tomou a Eucaristia nas mãos e disse a ele: posso fazer uma pergunta?” e dom Peruzzo disse que podia, mas ele “ameaçou fazer essa pergunta no microfone” e “dom Peruzzo impediu”. O homem ainda estava “com a Eucaristia na mão” quando perguntou ao arcebispo: “você acredita em Deus? Dom Peruzzo disse: sim, acredito!”. Em seguida, o homem profanou a Eucaristia.

Depois da profanação, Teixeira disse que recolheu “todos os pedaços de Jesus ali espalhados” e levou para a sacristia. “Nós não somos preparados para isso. Nós acreditamos que todos os fiéis que vêm à igreja, temos como ideia de que todos acreditam em Deus e acreditam na Eucaristia”, declarou o diácono no vídeo. Ele também destacou que “dom Peruzzo ficou um tanto quanto consternado porque, claro, foi vítima direta dessa situação”.

“E eu pensei, isso não pode passar em branco, não podemos deixar isso acontecer. Porque pode ser que essa pessoa entre na sua comunidade, na sua igreja, faça a mesma coisa e o que nós devemos fazer? É claro que, num impulso primeiro ali na hora, a gente tem um instinto, né? Não só de defender, mas também de agredir muitas vezes e dom Peruzzo me ensinou uma coisa tão bonita hoje: estamos no dia da paz! Então devemos fazer o quê? Rezar! Rezar por essa pessoa e, por tantas outras pessoas que não acreditam em Deus e que entram em nossas comunidades, entram em nossas igrejas para agredir Jesus Eucarístico”, frisou no vídeo.

Sobre como receber a comunhão, o diácono comentou a ACI que a primeira coisa que se deve ter “é o cuidado e o zelo” com “a Eucaristia”.

“Nós sabemos que o fiel, ele tem a condição de receber a Eucaristia de três maneiras distintas. A primeira é em pé, nas mãos. Depois ela pode tomar a Eucaristia em pé, na boca ou de joelho e na boca. Mas aqueles que comungam na mão, que comunguem na frente do ministro. É importante ressaltar isto, que faça esta comunhão, que receba esta comunhão, que comunguem de fato na frente do ministro, para que evitemos profanações. Nós temos muitos irmãos que, não só fazem que o homem fez, mas outros levam inclusive a Eucaristia para outros lugares e para outros fins”, reforçou Teixeira.

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