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Dom Gänswein celebrou missa pelo primeiro ano da morte de Bento XVI na Basílica de São Pedro

Dom Georg Gänswein reza no túmulo de Bento XVI, 31 de dezembro de 2023. | Elizabeth Alva/ACI Prensa.

Por Angela Ambrogetti

2 de jan de 2024 às 10:55

Uma escolha de fé contemplativa e missionária para continuar formando a Igreja Católica como família. Esta foi a escolha de Bento XVI, segundo dom Georg Gänswein, que era seu secretário pessoal.

Dom Gänswein rezou a missa às 8h (hora local) do dia 31 de dezembro na Basílica de São Pedro, com a presença dos cardeais Gerhard Müller e Kurt Koch.

Às 9h34, hora exata da morte de Bento XVI, há um ano, os sinos da Basílica de São Pedro tocaram.

A homilia de dom Gänswein foi uma longa reflexão sobre a família baseada nas palavras de Bento XVI. “Viver em profunda comunhão com Jesus, como Maria”, disse o arcebispo, “para poder contagiar os corações dos irmãos e irmãs: esta é uma dimensão fundamental de uma Igreja atrativa e missionária. Nos anos seguintes à sua renúncia ao ministério petrino, Bento XVI se dedicou principalmente a essa dimensão da vida de fé”.

E em relação a são José, dom Gänswein recordou que “Bento XVI não só levava o nome de José, mas também procurava imitar o seu padroeiro, especialmente com o seu profundo amor por Jesus e Maria, e a sua fidelidade a uma vida cotidiana marcada pela oração e o trabalho. Para ele, o coração de cada dia era a eucaristia, fonte de luz, força e consolo”.

“Ele também cultivava fielmente a Liturgia das Horas e o rosário, orações que conferiam ao seu dia uma estrutura. A relação íntima com o Senhor se refletia depois nas relações com as pessoas que o rodeavam, marcadas por uma grande cordialidade, humildade e simplicidade, e também no seu trabalho teológico e pastoral, sempre orientado ao primado de Deus e à edificação da Igreja”.

E concluiu: “na Eucaristia o mistério do Natal permanece presente, na eucaristia a Igreja é construída como família de Deus, na eucaristia estamos unidos a todos os fiéis, incluindo os santos e os nossos entes queridos falecidos. Na Eucaristia permanecemos também unidos a Bento XVI, sinceramente gratos a Deus pelo dom da sua vida, pela riqueza do seu magistério, pela profundidade da sua teologia e pelo exemplo luminoso deste “simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor”.

Imediatamente depois da celebração da missa, dom Gänswein foi convidado para uma conferência, realizada com o apoio da EWTN, grupo de comunicação católico ao qual pertence a ACI Digital, que durante dois dias recordou Bento XVI, com reflexões sobre o seu legado moral e a centralidade de Cristo na sua vida.

Dom Gänswein, em inglês, recordou com emoção alguns momentos dos anos em que Bento XVI foi papa emérito. Nunca escolheu um tipo de funeral e dedicou-se à oração, verdadeiro exercício espiritual para o seu secretário, que aprendeu a preparar-se para a vida eterna. O guia do papa Bento XVI é o que está escrito na Spe salvi, uma esperança que nos últimos anos esteve em primeiro lugar em todos os momentos da vida.

Bento XVI foi um exemplo de preparação para a vida eterna que, segundo dom Gänswein, “vale mais do que todos os meus estudos de escatologia”. Para ele, Jesus era verdadeiramente um amigo a quem frequentou durante toda a vida.

O arcebispo falou das homilias privadas e manifestou a esperança de que Bento XVI se torne em breve santo e doutor da Igreja.

No dia anterior, a vida, a doutrina e o legado de Bento XVI foram os temas das apresentações do professor Vincent Twomey e do padre Federico Lombardi, da Fundação Ratzinger. O cardeal Gerhard Ludwig Müller e Matthew Bunson, vice-presidente da EWTN News, falaram sobre a cristologia de Bento XVI, que recordaram que “certamente Deus toca o homem de muitas maneiras, mesmo fora dos sacramentos. Mas sempre o toca através do homem Jesus, que é a sua automediação na história e a nossa mediação na eternidade. Cristo não é apenas uma mera teofania, uma aparência de Deus, mas antes n’Ele o próprio ser de Deus entra em unidade com o ser do homem”.

O cardeal Kurt Koch propôs uma reflexão sobre “A Morte de Bento XVI à Luz da Vida Eterna”, explicando como “aos olhos do papa Bento, a questão da justiça constitui o tema essencial, ou pelo menos, o argumento mais forte, em favor da fé na vida eterna.”

O professor Ralph Weimann, concluindo, disse: “O Papa Bento XVI foi um ‘colaborador da verdade’, isto não se refletiu apenas no seu lema episcopal, mas também no seu estilo de vida. Quando ele pronunciou suas últimas palavras “Senhor, eu te amo” no final de sua vida, ele disse tudo. Expressou o fato de que esse amor é mais forte que a morte e que ele permaneceu nesse amor inclusive no momento da morte”.

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