Justiça britânica manda desligar aparelhos e bebê morre

Indi Gregory. | Christian Concern

Por Hannah Brockhaus

13 de nov de 2023 às 15:29

A bebê britânica Indi Gregory morreu na madrugada de hoje (13) depois que os aparelhos que a mantinham viva foram removidos no fim de semana por ordem judicial.

Gregory, de oito meses, morreu nos braços da mãe em uma clínica para doentes com expectativa de vida menos do que seis meses à 1h45 de hoje (13), horário de Londres, segundo o grupo de defesa da liberdade religiosa britânico Christian Concern.

Em comunicado divulgado pela Christian Concern, os pais de Gregory disseram que “estão zangados, com o coração partido e envergonhados. O NHS e os tribunais não só lhe tiraram a oportunidade de viver uma vida mais longa, mas também a dignidade de morrer na casa da família que era seu lugar”.

O processo para remover os aparelhos de Gregory começou no sábado (11), com a extubação de seu tubo respiratório e a transferência para a clínica, onde os demais aparelhos foram retiradas, segundo o grupo pró-vida italiano, “Pro Vita e Famiglia”.

Indi Gregory, nascida em fevereiro e batizada em setembro, sofria de uma rara doença mitocondrial degenerativa. Ela estava no Queen's Medical Center em Nottingham, Inglaterra.

Depois que o tribunal superior da Inglaterra decidiu que era do “melhor interesse” da criança ter os aparelhos retirados, contra a vontade dos pais, o governo italiano concedeu à criança cidadania italiana em 6 de novembro e aceitou cobrir os custos dos cuidados médicos no hospital pediátrico da Santa Sé, Bambino Gesù.

Os pais de Gregory, Dean Gregory e Claire Staniforth, apelaram aos tribunais do Reino Unido para poderem levar o bebê a Roma para tratamento, mas o segundo tribunal mais alto do Reino Unido decidiu na sexta-feira (10) que os aparelhos que a mantinham viva tinham que ser removidos “imediatamente”.

A decisão de sexta (10) declarou que a tentativa de intervenção italiana no caso de Gregory é “totalmente mal concebida” e “não está no espírito” da Convenção de Haia de 1996, da qual tanto o Reino Unido como a Itália são partes.

“Claire e eu estamos novamente enojados com outra decisão unilateral dos juízes. O mundo inteiro está assistindo e está chocado com a forma como fomos tratados”, disse Dean Gregory, segundo Christian Concern.

O Bambino Gesù, administrado pela Santa Sé, ofereceu-se para tratar outras crianças britânicas com doenças terminais no passado, como Alfie Evans em 2018 e Charlie Gard em 2017.

O tratamento de Indi Gregory no Bambino Gesù teria sido realizado sem nenhum custo para os contribuintes do Reino Unido.

Uma declaração da Santa Sé no sábado (11) dizia que o papa Francisco estava rezando por Gregory e por sua família.

---

Comentários

Newsletter

Receba novos posts por e-mail: