Rezar pressupõe aceitar o plano de Deus - 14° Domingo do Tempo Comum (Ano A )


Rezar pressupõe aceitar o plano de Deus

14º Domingo do Tempo Comum - Ano A

Evangelho de Mateus 
11,25-30

Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: 25“Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.


REFLEXÃO:

Jesus havia experimentado a resistência dos doutores da Lei e dos fariseus. Uns e outros eram especialistas em leis, mas julgavam-se justos e superiores aos demais. Teoricamente. eles teriam melhores condições para compreender as Escrituras e seguirem os ensinamentos de Jesus. A realidade, porém, era outra. Eles se uniam e se empenhavam em silenciar a voz de Jesus e tirá-lo de circulação. A esse grupo se acrescentam outros líderes e dirigentes do povo. São os “sábios e entendidos”, que se recusam a reconhecer os caminhos de Deus. Não pretendem certamente tornar-se discípulos de Jesus. Em contrapartida, no meio do povo simples e pobre, Jesus encontra mais fé e maior abertura de coração à sua mensagem. É com esses “pequeninos” que Jesus vai construir uma nova sociedade, o Reino de Deus.

(Dia a dia com o Evangelho 2023)[1]

Oração do Dia

Ó Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria, e dai aos que libertastes da escravidão do pecado o gozo das alegrias eternas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Rezar pressupõe aceitar o plano de Deus

Toda a tentativa de descobrir a maneira íntima de um santo rezar é frustrante, porque o jeito de um santo rezar é inacessível a explicações, ainda que ele tenha deixado orações por escrito; porque sua oração se confunde com sua experiência de Deus. E a experiência de Deus é totalmente pessoal.

Se assim é com a oração de um santo, o que não há de ser com a oração de Jesus, santíssimo, que tinha uma experiência do Pai não apenas a partir de seu coração humano, mas também, e em primeiro lugar, de seu coração divino, todo amor? Jesus agradece ao Pai. Mas não é um agradecimento, apenas. Ele acaba de ser rejeitado pelos fariseus e doutores da lei, que querem alcançar Deus pela sabedoria humana, por sua cabeça cheia de conhecimentos armazenados, por ritos executados. Mas têm um coração pesado de orgulho, de autossuficiência e não podem entender as propostas novas que Jesus lhes faz. O orgulhoso tende sempre a condenar e reduzir à humilhação (quando não à morte) os que pensam diferentemente.

No agradecimento de Jesus, está a aceitação do plano de Deus. Esse passo da inteligência e do coração só consegue dar quem se considera pequenino, vazio de preconceitos, transparente como uma gota de orvalho. Jesus ensina que,
para rezar verdadeiramente ao Pai, devemos ter o coração desamarrado de interesses egoístas e pronto a aceitar o plano de Deus, ainda que difícil de entender.

FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.[2]

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