Novo comportamento na nova família de Deus - 6° Domingo do Tempo Comum (Ano A )


Novo comportamento na nova 
família de Deus

6° Domingo do Tempo Comum – 
Ano A

Evangelho de Mateus 5,17-37
ou 20-22.27-28.33-34.37

[Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:] 17“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18Em verdade eu vos digo, antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus. 20Porque [eu vos digo, se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus. 21Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. 22Eu, porém, vos digo, todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo;] quem disser ao seu irmão ‘patife!’ será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de tolo será condenado ao fogo do inferno. 23Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar e aí te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24deixa a tua oferta aí diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta. 25Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. 26Em verdade eu te digo, daí não sairás, enquanto não pagares o último centavo. [27Ouvistes o que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. 28Eu, porém, vos digo, todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la já cometeu adultério com ela no seu coração.] 29Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e joga-o para longe de ti! De fato, é melhor perder um de teus membros do que todo o teu corpo ser jogado no inferno. 30Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perder um dos teus membros do que todo o teu corpo ir para o inferno. 31Foi dito também: ‘Quem se divorciar de sua mulher, dê-lhe uma certidão de divórcio’. 32Eu, porém, vos digo, todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por motivo de união irregular, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada comete adultério. [33Vós ouvistes também o que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso’, mas ‘cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor’. 34Eu, porém, vos digo, não jureis de modo algum:] nem pelo céu, porque é o trono de Deus; 35nem pela terra, porque é o suporte onde apoia os seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande rei. 36Não jures tampouco pela tua cabeça, porque tu não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo. [37Seja o vosso ‘sim’ sim, e o vosso ‘não’ não. Tudo o que for além disso vem do maligno.]

 

REFLEXÃO:

Doutores da Lei e fariseus eram pessoas esclarecidas, ligadas à elite da sociedade, o grupo governante aliado a Roma. Eles estavam interessados em manter a estrutura social injusta, mais do que em ajudar a luta do povo. Jesus exige retidão maior, justiça maior: “Se a justiça de vocês não superar a justiça dos doutores da Lei e fariseus, vocês não entrarão no Reino dos céus”. Jesus não está abolindo a Lei de Moisés, mas quer e espera de sua comunidade um salto de qualidade em relação às exigências da Lei. Ele quer uma justiça acompanhada de misericórdia e fé. Esta justiça, sim, será capaz de transformar as relações humanas. O amor sem limites a Deus e ao irmão é a plenitude da lei de Cristo, a nova justiça do Reino de Deus. São Paulo resume: “O amor é o cumprimento total da Lei” (Rm 13,10).

(Dia a dia com o Evangelho 2023)[1]

Oração do Dia

Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Novo comportamento na nova família de Deus

Há três domingos lemos o Sermão da Montanha. Começamos com as bem-aventuranças, que são o portal de todo o Sermão e os valores que fundamentarão todo o Evangelho, valores bastante diferentes dos normalmente apresentados pela psicologia e pela economia. No domingo passado, Jesus chamou àqueles que aceitavam os valores das bem-aventuranças de sal da terra e luz do mundo e os comparou a uma cidade construída sobre um monte, isto é, na segurança.

Hoje, Jesus nega que as Bem-aventuranças contrariam o Antigo Testamento, as Leis e as tradições. Diz expressamente que não contrariam, mas também não se identificam. Inovam. Completam. Jesus não é um subversivo em sua pregação, mas se comporta como um profeta, como um novo Moisés, que “retira e propõe coisas novas e velhas” (Mt 13,52). E as propõe como quem tem autoridade (Mc 1,22) e exige radical idade, isto é, que não sejam apenas palavras, mas vida que brote do coração e valores que sejam vividos sem meios-termos.

Talvez pudéssemos dizer que Jesus em toda a Lei do Antigo Testamento procurou o miolo, sem dar maior valor à casca, encostada à Lei pelos escribas e fariseus e pela convivência com outros povos.

FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.[2]

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