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O Bom Pastor nos conduz a Deus - 4° Domingo do Tempo Paacal (Ano C )


O Bom Pastor nos conduz a Deus

4° Domingo do Tempo Pascal Ano C

Evangelho de João 10,27-30

* Naquele tempo, disse Jesus: 27“As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu dou-lhes a vida eterna, e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. 29Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um”.

REFLEXÃO:

O quarto domingo da Páscoa é conhecido como o “domingo do Bom Pastor”. Nos três anos do ciclo litúrgico, é lida uma passagem do capítulo 10 do Evangelho de João. O capítulo do Bom Pastor é um alerta sobre os maus pastores do tempo da comunidade joanina e ao longo da história da humanidade. Se há “bons pastores”, isso é sinal de que há também “maus pastores”. É importante distinguir o “bom pastor” do “mau pastor”. O texto de hoje apresenta algumas características do “bom pastor”: ele conhece seus seguidores, é capaz de doar a própria vida em favor deles, tem cuidado especial com cada um em particular. Diante desse cuidado todo do “bom pastor”, seus seguidores escutam sua voz e seguem suas pegadas. Ouvir a voz do Mestre e seguir seus passos significa aderir a ele não apenas com palavras, mas principalmente no compromisso do dia a dia. É importante se deixar conduzir pela voz do Mestre, pois ele sempre propõe a defesa da vida. Jesus, novo templo, revela a presença do próprio Pai, “eu e o Pai somos um”. O Pai está presente e se manifesta em Jesus, e, através dele, realiza sua obra. Jesus e seu Pai revelam perfeita unidade. A exemplo de Jesus, a vida de cada cristão deveria revelar a presença de Deus.

(Dia a dia com o Evangelho 2022) [1]

Oração do Dia

Deus eterno e todo-poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

O Bom Pastor nos conduz a Deus

Muitas pessoas procuram orientação, mas a sociedade em que vivemos mais manipula que orienta! Estamos sendo seduzidos pelos interesses do dinheiro e do poder. Pensando que somos livres e seguimos nosso próprio caminho, somos levados pelo sistema e pela propaganda … enquanto se esconde em nós, envergonhado, o desejo de ser conduzido de modo confiável e verdadeiro.

Na Bíblia, quem conduz chama-se pastor. É disso que trata o evangelho. Jesus se apresentou como o pastor fidedigno (Jo 10,11-18); no trecho que é lido hoje (10,27-30), ele fundamenta sua confiabilidade no amor que o une ao Pai (“Eu e o Pai somos um”). Por este amor, ele nos conduz a Deus, e ninguém nos poderá arrebatar dele e do Pai.

Deus é “mistério”. Não conseguimos concebê-lo com clareza. Ele é grande demais para que o possamos descrever. É a “instância última” de nossa vida. Mas Jesus o torna acessível, visível. Podemos orientar nossa vida para a instância última graças a Jesus que nos conduz, se a ele no confiamos. Jesus está tão unido a Deus que, para nós, ele é a presença de Deus em pessoa. Nele, estamos em Deus. Deus é a “pastagem”, a felicidade para onde Jesus-Pastor nos conduz.

Na 2ª leitura, este pastor é apresentado como sendo também “cordeiro”, vítima pascal, que resgata e liberta da escravidão as ovelhas que somos nós. Esta imagem vem completar a do pastor. Pois um pastor parece muito chefe. Jesus é também ovelha, igual a nós, porém totalmente consagrada a Deus. Ele nos conduz a Deus, vivendo a nossa própria situação.

Como somos conduzidos por Jesus? Não mecanicamente! Ele nos conduz, mas não nos força! A nós cabe o esforço. Devemos “conhecer” Jesus, gravar seu retrato em nosso coração. Depois, com esta imagem na cabeça e no coração, vamos olhar para a nossa vida e seus desafios. Vamos perguntar o que Jesus faria se estivesse em nossa situação. Finalmente, apoiados pela comunidade eclesial, vamos escolher o caminho que acreditamos sinceramente que ele escolheria. Este será o caminho de Jesus-Pastor.

Caminho para todos. As leituras de hoje nos mostram que as palavras e o caminho de Jesus se destinam a todos, judeus e não-judeus. Paulo rompeu o confinamento cultural da mensagem de Jesus dentro do mundo judeu. Também hoje, para que o rebanho possa ser integrado por quantos quiserem e siga sem impedimento o Cordeiro-Pastor, é preciso romper barreiras e confinamentos. Inculturar o evangelho em outras culturas que não a tradicional cultura ocidental. Nas culturas afro-brasileira e ameríndia do Brasil. E assim pelo mundo afora. Para constituir a grande multidão de todas as nações, tribos, povos e línguas que seguem o Cordeiro, como diz o Apocalipse (7,9).

PE. JOHAN KONINGS - professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Comentário do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes" [2]

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