Arcebispo espanhol diz que não se importaria de ver mulheres sacerdotes


David Ramos

Dom Joan Planellas i Barnosell. Crédito: Arquidiocese de Barcelona.

BARCELONA, 12 jan. 22 / 03:02 pm (ACI).- Dom Joan Planellas i Barnosell, arcebispo de Tarragona, na Espanha, disse recentemente que “não me incomodaria” ver mulheres no sacerdócio católico.


Entrevistado em 9 de janeiro de 2022 pelo programa Signes dels temps (Sinais dos tempos), da emissora catalã TV3, o bispo espanhol disse que o sacerdócio exclusivo para homens se deve "à tradição que vem das origens", e disse que o tema do sacerdócio feminino só surgiu no século XXI.

“Estivemos mais de 19 séculos vindo da sucessão apostólica, que os apóstolos, os que Jesus escolheu, eram homens. Assim foi ao longo de toda a história da Igreja”, continuou.

Além disso, afirmou, que “há essas conotações sacramentais, de configuração em Jesus Cristo, que é o chefe da comunidade”.

“Este Jesus Cristo era um homem. Há uma tradição de 19 ou 20 séculos e por isso esta é a realidade que temos”, destacou.

Consultado se ele se importaria que houvesse mulheres no sacerdócio, dom Planellas i Barnosell disse que “eu, pessoalmente, não me importaria, mas o que pode acontecer, deixaria muitas outras pessoas ou grupos chateados porque o peso da tradição é muito grande”.

As palavras do arcebispo de Tarragona vão contra o ensinamento da Igreja Católica e são contrárias às repetidas mensagens do papa Francisco a esse respeito.

Consultado repetidamente sobre este tema, o papa Francisco disse que a porta está fechada para o sacerdócio feminino na Igreja Católica.

Em entrevista à Reuters em 2018, o papa Francisco disse que o sacerdócio feminino "dogmaticamente não cabe, e João Paulo II foi claro e fechou a porta, e eu não volto em relação a isso. Era algo sério, não um capricho".

Dois anos antes, na coletiva de imprensa no voo papal ao retornar de sua viagem apostólica à Suécia, o papa disse que “sobre a ordenação de mulheres na Igreja Católica, a última palavra é clara, foi dada por São João Paulo II e permanece”.

Em 1994, são João Paulo II escreveu a carta apostólica Ordinatio Sacerdotalis, na qual afirma que “a ordenação sacerdotal, pela qual se transmite a missão, que Cristo confiou aos seus Apóstolos, de ensinar, santificar e governar os fiéis, foi na Igreja Católica, desde o início e sempre, exclusivamente reservada aos homens”.

O cardeal Luis Ladaria, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, disse em uma declaração de 2018 que “Cristo quis dar este sacramento aos doze apóstolos, todos homens que, por sua vez, comunicaram isso a outros homens”.

“A Igreja sempre se reconheceu vinculada a esta decisão do Senhor, que exclui que o sacerdócio ministerial possa ser conferido validamente às mulheres”.

“A Congregação para a Doutrina da Fé, em resposta a uma dúvida sobre o ensinamento da Ordinatio sacerdotalis, confirma que se trata de uma verdade pertencente ao depósito da fé”, disse.

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