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Possível milagre de religiosa austríaca no Rio Grande do Sul é encaminhado a Roma

Bem-aventurada Bárbara Maix / Foto: Wikimedia

Caxias do Sul, 15 jul. 21 / 06:00 am (ACI).- A Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria (ICM) encaminhou a Roma o pedido de abertura do processo de canonização de sua fundadora, a Bem-aventurada Bárbara Maix, por causa de um possível milagre pela intercessão da religiosa ocorrido em Caxias do Sul (RS). Segundo a Diocese de Caxias do Sul, o milagre que está sendo investigado aconteceu em 2018, no distrito de Santa Lúcia do Piaí. Uma mulher sofreu queimaduras de segundo e terceiro graus enquanto fabricava sabão. Seus familiares e amigos rezaram pedindo a intercessão de madre Bárbara e, em 13 dias, a mulher teve alta do hospital sem sequelas e completamente curada. Não foi encontrada explicação à luz da ciência sobre a rápida cura.

Em 14 de outubro de 2019, o bispo de Caxias do Sul, dom José Gislon, abriu o processo diocesano para investigar o suposto milagre. Foi constituído um tribunal eclesiástico, composto por um juiz, um promotor, um notário e um médico perito que acompanhou o depoimento das testemunhas. A fase local do processo foi encerrada em 27 de fevereiro de 2020, quando o bispo presidiu uma missa na catedral diocesana e validou a documentação.

A documentação foi enviada para a Congregação para as Causas dos Santos, em Roma, em maio de 2020. Entretanto, por causa da pandemia, a postuladora da causa, irmã Gentila Richetti, não pôde viajar para a Itália até o mês passado. No dia 3 de julho, a postuladora apresentou o pedido de abertura do processo apostólico ao prefeito da Congregação, cardeal Marcello Semeraro.

Agora, segundo a diocese gaúcha, a solicitação aguarda o decreto de validade do Inquérito Diocesano e, sob a orientação de um relator elaborará a positio (posicionamento sobre o fato). Este trabalho será examinado por médicos e teólogos.

Bem-aventurada Bárbara Maix

Bárbara Maix nasceu em Viena, Áustria, em 27 de junho de 1818. Seu pai, José Maix, era funcionário do Palácio de Schönbrunn, porém, viu sua família enfrentar a pobreza e frequentes doenças. Bárbara teve sua infância e adolescência marcadas por sequelas do tifo e privações, o que lhe causou debilidade orgânica.

Foi neste contraste entre o luxo do palácio e a pobreza e dor de sua família que formou sua personalidade. Ao ver a situação social de desemprego e que o maior número de crianças nascidas era de mães solteiras, decidiu abrir um pensionato para a orientação e assistência a moças desempregadas e empregadas domésticas. Outras mulheres se uniram a ela em espírito de oração e solidariedade e, assim começou o Projeto das Irmãs do Imaculada Coração de Maria.

Entretanto, em 1848 ocorreu uma revolução liberal em Viena, perseguindo a Igreja Católica e as congregações religiosas. Por isso, Bárbara Maix e suas companheiras decidiram deixar o país. O objetivo era viajar para a América do Norte. Mas, quando aguardavam no porto, chegou um navio com destino ao Brasil. Bárbara entendeu que esta era a vontade de Deus e todos embarcaram neste navio. Chegaram ao Rio de Janeiro (RJ) em novembro de 1848, sem dinheiro, sem conhecer ninguém e sem saber o idioma, mas confiantes em Deus e Nossa Senhora.

Em 8 de maio de 1849, celebraram sua consagração na Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria. Trabalharam na educação de meninas, assumiram asilos onde acolhiam órfãos e pobres, abriram pensionatos para estudantes. Por causa das epidemias de febre amarela e cólera e também pela Guerra do Paraguai, assumiram atividades em enfermarias e hospitais.

Além do Rio de Janeiro, madre Bárbara também viveu em Porto Alegre (RS) e teve passagem pelas cidades de Rio Grande (RS) e Pelotas (RS).

A beata superou muitas dificuldades, pois chegou a ser acusada por algumas religiosas que alegavam que as Constituições eram muito rígidas e que a Priora Geral extrapolava suas funções.  Madre Bárbara morreu em 17 de março de 1873, no Rio de Janeiro. A causa de canonização foi iniciada em 1993, em Porto Alegre, e em 2010, a religiosa foi beatificada em 2010, após o reconhecimento da cura milagrosa de um menino que tinha sofrido queimaduras.

O milagre que levou à beatificação aconteceu em 1944, também em Santa Lúcia do Piaí. Aos quatro anos de idade, Onorino Ecker brincava com os irmãos ao redor do fogo quando a água ferevente de uma panela derramou-se sobre ele. O menino, então, caiu sobre as brasas e respirou vapor e cinzas. Ele foi levado ao hospital onde uma religiosa da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria iniciou junto com os familiares uma novena pedindo a intercessão de Bárbara Maix. Em 15 dias, Onorino estava completamente curado.

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