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Padres alemães desafiam Santa Sé e abençoam uniões homossexuais


Um serviço de bênção para homossexuais na Igreja da Juventude em Würzburg, Alemanha, 10 de maio. Foto: Gehrig / CNA Deutsch

BERLIM, 10 mai. 21 / 05:30 pm (ACI).- Desafiando o "não" do Vaticano às bênçãos das uniões homossexuais na Igreja Católica, padres e agentes pastorais de toda a Alemanha conduziram cerimônias de bênção para casais do mesmo sexo neste 10 de maio.

Os organizadores da bênção, realizada em protesto contra um documento do Vaticano publicado no dia 15 de março que indica que a Igreja não tem poder de abençoar estas uniões, utilizaram a hashtag "#liebegewinnt" ("o amor vence") e chamaram o evento "Segnungsgottesdiensten für Liebende", ou "serviços de bênção para aqueles que se amam".

O evento teve basicamente conotação política. CNA Deutsch, agência em alemão do grupo ACI, relatou que algumas bênçãosforam feitas longe do  público. Em Würzburg, Aachen, Berlim, Frankfurt, Mainz e Colônia, vários serviços foram realizados ao mesmo tempo. Quase 130 participantes se reuniram na igreja de Santo Agostinho não muito longe da catedral de Würzburg, ao mesmo tempo em que cerca de 40 pessoas assistiam à missa. 

Um participante que esteve na cerimônia de bênção em Colônia disse à CNA Deutsch que foi mais um "evento político". Depois de algumas declarações políticas, o Evangelho foi lido em voz alta, seguido de um discurso. "Não havia rito, não havia liturgia, e em geral uma atmosfera triste", afirmou. Ao final, foi tocada a canção "Imagine" de John Lennon.


Na Igreja da Juventude em Würzburg, um dos organizadores falou da "raiva e tristeza" com a proibição às bênçãos da Santa Sé. Um "muro de lamentação" foi instalado no presbitério e os participantes foram convidados a escrever "tudo o que os incomodava" e a colocá-lo lá, imitando o Muro das Lamentações de Jerusalém.
O padre Burkard Hose, de Würzburg, disse que muitos casais já foram abençoados "secretamente". "Continuaremos a fazer isso", anunciou o clérigo, 
"a Igreja não tem autoridade para impedir bênçãos".

A mídia católlica na Alemanha já havia relatado um evento no último 7 de maio na cidade alemã de Geldern, onde dois padres católicos conduziram bênçãos de 35 casais diante de um altar coberto com a bandeira do arco-íris do movimento LGBT. 

Helmut Hoping, professor de teologia dogmática da Universidade de Freiburg, disse à CNA Deutsch, agência de notícias em língua alemã do grupo ACI, que alguns dos padres que conduzem as bênçãos "também defendem abertamente a abertura do sacramento do casamento a casais do mesmo sexo a médio prazo".  

O teólogo também falou de "tendências cismáticas" na Igreja na Alemanha, observando que "em várias áreas da doutrina e disciplina da Igreja, a comunhão com o papa está sendo lesada, por exemplo, quando os padres violam o claro "não" da Congregação para a Doutrina da Fé às bênçãos de casais do mesmo sexo, que foi publicada com a aprovação do papa ".

Em abril último, o bispo de Essen, Franz-Josef Overbeck, disse em uma entrevista que "não suspenderia um padre em sua diocese ou lhe imporia outras penalidades da Igreja" se o clérigo abençoasse casais do mesmo sexo.

A diocese de Essen também sediou um evento declarando que as bênçãos para pessoas do mesmo sexo são uma questão de " se, mas de como" devem ser introduzidas nesta Igreja local.

Vários bispos alemães falaram anteriormente a favor de bênçãos para as uniões homossexuais, incluindo Overbeck, Georg Bätzing (Limburg), Helmut Dieser (Aachen), Reinhard Marx (Munique e Freising), Franz-Josef Bode (Osnabrück), Peter Kohlgraf (Mainz) e Heinrich Timmerevers (Dresden-Meissen).

Mas outros bispos acolheram favoravelmente a intervenção da CDF. Entre eles estão Rainer Maria Woelki (Colônia), Stephan Burger (Freiburg), Ulrich Neymeyr (Erfurt), Gregor Maria Hanke (Eichstätt), Wolfgang Ipolt (Görlitz), Stefan Oster (Passau) e Rudolf Voderholzer (Regensburg).

Antes do dia do protesto, o presidente da Conferência Episcopal Alemã, Dom Georg Bätzing, disse à ACI Stampa, agência de notícias em italiano do grupo ACI, que a Igreja na Alemanha permaneceu próxima a Roma, apesar das tensões sobre as bênçãos para pessoas do mesmo sexo, a Comunhão para Protestantes e o "Caminho Sinodal" do país. Embora ele mesmo seja um defensor da existência de um ritual para as bênçãos das uniões homossexuais, ele advertiu que o caráter de protesto do evento o tornava "inútil".

A Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) publicou um "Responsum ad dubium" no dia 15 de março, respondendo à pergunta: "a Igreja tem o poder de dar a bênção às uniões de pessoas do mesmo sexo? A CDF respondeu, "Negativo", delineando seu raciocínio em uma nota explicativa e comentário anexo.

A declaração do Vaticano, emitida com a aprovação do Papa Francisco, suscitou protestos no mundo católico de língua alemã. Vários bispos expressaram apoio às bênçãos de casais do mesmo sexo, enquanto as igrejas exibiam bandeiras do orgulho LGBT, e um grupo de mais de 200 professores de teologia assinaram uma declaração criticando o Vaticano.

O bispo Bätzing, que disse à ACI Stampa que os bispos alemãos não devem ser chamados de cismáticos, afirmou também que a questão da bênção de casais do mesmo sexo era um dos muitos tópicos a serem tratados pelo fórum do Caminho Sinodal que analisa os temas relativos a moralidade Sexual. Bätzing disse: "Casais homossexuais e casais que não podem e não querem se casar na Igreja, mas que mesmo assim desejam a bênção da Igreja, são parte de nossa sociedade e da Igreja".

"Na Alemanha e em outras partes da Igreja Universal há muito se discute sobre como desenvolver o Magistério com argumentos sólidos - com base nas verdades fundamentais da fé e da moral, no progresso da reflexão teológica e em um espírito de abertura aos últimos resultados das ciências humanas e às situações de vida das pessoas de hoje", disse o presidente dos bispos alemães.

Ele sugeriu que o Papa Francisco havia encorajado os católicos alemães a abordarem esta questão em sua carta de outubro de 2019 à Igreja local. Entretanto, nesta carta, o papa advertiu os católicos alemães a não sucumbirem a uma "tentação" particular de “reorganizar as coisas” para “facilitar a vida eclesial”.

"Na base desta tentação, existe a crença de que a melhor resposta aos muitos problemas e deficiências que existem é reorganizar as coisas, mudá-las e 'colocá-las de novo juntas' para trazer ordem e facilitar a vida eclesial, adaptando-a à lógica atual ou à de um grupo em particular", foram as palavras do Pontífice aos prelados alemães.

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