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Juíza pede ao STJ apuração de suposta propina de Pe. Robson a desembargadores


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Pe. Robson de Oliveira / Foto: Facebook Padre Robson de Oliveira

GOIÂNIA, 09 mar. 21 / 12:13 pm (ACI).- Após denúncia de que desembargadores teriam recebido propina de Pe. Robson de Oliveira para favorecê-lo em um processo, a juíza responsável pelo caso no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), Placidina Pires, encaminhou todos os documentos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo explica o site especializado ‘Rota Jurídica’, como os desembargadores têm foro privilegiado, somente o STJ pode solicitar uma investigação sobre supostos crimes dos magistrados. Dessa forma, “o pedido dos autos se deu para que o ministro” Benedito Gonçalves, “relator do inquérito, possa analisar as condutas dos desembargadores no caso do Padre Robson”.

O processo que teria levado ao pagamento da suposta propina refere-se à compra de uma fazenda pela Associação dos Filhos do Pai Eterno (Afipe), que era presidida por Pe. Robson de Oliveira.

A entidade foi condenada a pagar R$ 15 milhões ao antigo dono da fazenda. Mas, a defesa da Afipe recorreu e ganhou em segunda instância no Tribunal de Justiça.

Entretanto, uma reportagem veiculada pelo programa Fantástico da TV Globo, em 21 de fevereiro, divulgou áudios que estavam armazenados no celular do padre, apreendido na Operação Vendilhões. Um era de uma conversa de Pe. Robson com advogados sobre o suposto pagamento de propina de R$ 1,5 milhão aos desembargadores de Goiás.

Por conta disso, a presidência do Tribunal de Justiça de Goiás também abriu um procedimento de sindicância para “apuração dos fatos, para que não paire nenhuma dúvida sobre a lisura da conduta dos magistrados mencionados na matéria e do julgamento do recurso por este Tribunal”, indica o próprio TJGO.

Sobre o encaminhamento do caso ao STJ, a defesa de Pe. Robson disse ao ‘Rota Jurídica’ que ainda não foi intimada ainda sobre a decisão. “Mas seguimos com a mesma tranquilidade, independentemente de onde tramite, pois não houve irregularidades. Esperamos que a verdade seja restabelecida”, afirmou.

Operação Vendilhões

Pe. Robson de Oliveira passou a ser investigado na Operação Vendilhões, deflagrada em agosto de 2020, acusado de delitos de lavagem de dinheiro, apropriação indébita e falsidade ideológica, todos eles cometidos na Associação dos Filhos do Pai Eterno (Afipe), da qual era fundador e presidente. Foi no material apreendido no contexto desta Operação que encontraram os áudios sobre a suposta propina aos desembargadores.

Segundo investigadores, em dez anos, teriam sido movimentados 2 bilhões de reais, em compras de patrimônios incondizentes com a natureza evangelizadora da associação como fazendas, um avião e uma casa de praia.

Após as primeiras denúncias, o sacerdote redentorista, que até então era reitor do Santuário do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), e presidente da Afipe, se afastou das duas funções.

Em outubro de 2020, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás determinou o arquivamento das denúncias contra Pe. Robson. Porém, em 4 de dezembro, o presidente do Tribunal expediu uma decisão permitindo a retomada das investigações.

Com isso, em 7 de dezembro, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) ofereceu novamente denúncia contra Pe. Robson e outras 17 pessoas, por supostos ilícitos cometidos com doações feitas à Afipe.

Uma semana depois, o desembargador Leobino Valente Chaves acatou um pedido da defesa do sacerdote e voltou a bloquear a investigação. Na ocasião, considerou que a decisão de retomada da investigação competia ao Superior Tribunal de Justiça e não à presidência da Corte estadual.

Posteriormente, em 18 de dezembro, uma sentença do STJ reforçou esta decisão do desembargador e o ministro Nefi Cordeiro suspendeu o andamento da ação penal contra Pe. Robson. Porém, o Ministério Público de Goiás recorreu.

Padre Robson encontra-se temporariamente afastado do uso de ordens desde agosto de 2020 por decreto do Arcebispo metropolitano de Goiânia, Dom Washington Cruz. A Congregação do Santíssimo Redentor (Redentoristas), à qual pertence o sacerdote também o proibiu temporariamente de celebrar os sacramentos e de realizar programas de rádio, TV ou internet, com a intenção de tentar proteger a boa reputação da Igreja, do próprio padre e evitar escândalos.

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