Padres em cargos políticos: Pe. Zezinho afirma que "o clero não foi feito para isto"


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Reportagem local - publicado em 01/12/20

O sacerdote recorda a posição da Igreja: religiosos podem ajudar a preparar fiéis para governarem, mas não devem exercer cargos na política

Padres em cargos políticos: o pe. Zezinho se manifestou sobre o assunto num breve texto que publicou via rede social, afirmando que “o clero não foi feito para isto”. Eis o texto:

O clero no poder

“No Paraguai um ex-bispo católico jogou alto na política e chegou à presidência. Não demorou para que suas ambições políticas se esfacelassem! No Rio de Janeiro, um bispo da Igreja Universal também jogou alto. Foi eleito para governar como prefeito uma da cidades mais conhecidas do mundo. Tinha o apoio da sua igreja e de outras. Seu sonho durou uma eleição! O mundo parece não aceitar religiosos no poder político de nenhum país. Veremos quanto tempo vai durar a vitória dos aiatolás e imãs. Tudo indica que religiosos até podem ajudar a formar opiniões e preparar crentes para governar. Mas o clero não foi feito para isto. Quando aconteceu, em geral não deu certo”.

Padres em cargos políticos

De fato, a Igreja determina explicitamente que os membros do clero não devem exercer cargos políticos.

O Código de Direito Canônico afirma que os padres são proibidos de “assumir cargos políticos que impliquem participação no exercício do poder civil” (cân. 285) e mesmo de “filiar-se a partidos políticos” (cân 287). Além disso, o código também determina que o clero não deve participar de atividades político-partidárias nem disponibilizar espaços físicos e meios de comunicação das paróquias para apoiar candidatos ou partidos políticos.
Em agosto deste ano, dom Severino Clasen, arcebispo de Maringá, no Paraná, divulgou um comunicado público no qual recordava a proibição aos membros do clero de se candidatarem a cargos políticos. E reforçou: em sua diocese, quem se candidatasse seria suspenso do exercício das sagradas ordens. Enfatizando que a Igreja não é “palco” para política, dom Severino afirmou:

“Quem acha que tem que ser candidato, que seja honesto e não utilize a Igreja. A Igreja não é palco para campanha política. Se alguém usar a Igreja como palco, eu faço propaganda contra, porque já não está sendo honesto e também não vai administrar honestamente. É importante a gente ter isso bem claro: nós servimos ao Senhor. É claro, toda injustiça deve ser denunciada. Nós estamos a serviço da misericórdia do Pai. Então, sejamos prudentes, firmes, profetas, sacerdotes, para fazer com que o Cristo reine pela nossa missão”.

Papa Francisco: “envolver-se na política é obrigação para o cristão”

No entanto, uma coisa é a determinação para que o clero não exerça cargos políticos e outra coisa muito diferente é concluir que a Igreja não deva se envolver na política. A Igreja não só pode como deve participar da vida cidadã e incentivar o debate objetivo e transparente com base na sua Doutrina Social.

Neste sentido, o Papa Francisco é perfeitamente claro ao afirmar:

“Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão. Nós, cristãos, não podemos nos fazer de Pilatos e lavar as mãos. Não podemos! Devemos nos envolver na política porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, porque ela procura o bem comum. Os leigos cristãos devem trabalhar na política. A política está muito suja, mas eu me pergunto: está suja por quê? Porque os cristãos não se envolveram nela com espírito evangélico? É uma pergunta que eu faço. É fácil dizer que a culpa é dos outros… Mas eu, o que eu faço? Isto é um dever! Trabalhar pelo bem comum é um dever do cristão”.

Fonte: Aleteia

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