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Ex-cardeal McCarrick tinha um sacerdote que aliciava suas vítimas, assegura denúncia


O ex-cardeal Theodore McCarrick. Crédito: US Institute of Peace (CC BY-NC 2.0)

WASHINGTON DC, 25 Jul. 20 / 07:00 am (ACI).- Um processo nos Estados Unidos acusa o ex-cardeal Theodore McCarrick, expulso do estado clerical em fevereiro de 2019, de liderar o abuso grupal contra um adolescente de 14 anos e de ter tido um sacerdote, que era diretor de uma escola de ensino médio, que aliciava as vítimas para ele na década de 1980.

O controverso advogado do demandante, Jeff Anderson, é conhecido por apresentar denúncias contra a Igreja durante décadas. Nesta, o jurista acusa McCarrick de ter liderado o "abuso grupal" contra John Doe, pseudônimo da vítima, e incorpora as acusações não comprovadas feitas pelo ex-núncio Carlo María Viganó contra o Papa Francisco e o Vaticano sobre sua resposta ao caso.

Em uma coletiva de imprensa na quarta-feira, 22 de julho, Anderson disse que o demandante é "muito corajoso" e "um sobrevivente da depredação sexual cometida pelo cardeal Theodore McCarrick e outros clérigos".

O advogado do ex-cardeal, Barry Coburn, se recusou a comentar.

No processo aberto na terça-feira, os outros demandados são a Arquidiocese de Newark, a Diocese de Metuchen, outras paróquias católicas e uma escola de ensino médio. Segundo o texto, outros quatro sacerdotes e um religioso da congregação dos Irmãos Cristãos teriam abusado da vítima.

Em declarações à CNA, agência em inglês do Grupo ACI, a Arquidiocese de Newark disse que seria "inapropriado" comentar os assuntos em litígio.

"A Arquidiocese de Newark continua plenamente comprometida com a transparência em nossos programas estabelecidos há muito tempo para proteger os fiéis e continuará trabalhando com as vítimas, seus representantes legais e as autoridades da lei, em um esforço contínuo para resolver as acusações e aliviar as vítimas”, acrescentou.

Anthony Kearns, porta-voz da Diocese de Metuchen, disse à CNA que eles ainda não foram notificados sobre o processo, mas "fazemos nossas orações pelos sobreviventes dos abusos, hoje e sempre, e estamos com eles em seu caminho de cura e de esperança”.

O processo afirma que McCarrick começou a abusar do demandante em 1982 e continuou até algum momento de 1983. Doe tinha entre 14 e 16 anos na época, e afirma que o primeiro a abusar dele foi um pároco e depois um diretor da escola dos Irmãos Cristãos. Foi ele quem o levou a McCarrick para que abusasse dele.

McCarrick foi nomeado primeiro Bispo de Metuchen, no estado de Nova Jersey, em 1981, depois de trabalhar como Bispo Auxiliar de Nova York.

O processo indica que Doe e outras vítimas foram levadas para uma casa de praia em Sea Girt, Nova Jersey, nos fins de semana.

"McCarrick fazia as coordenações para que ficassem para dormir, escolhendo suas vítimas entre os meninos, seminaristas e clérigos na casa de praia", indica a denúncia. "Nessas ocasiões, os menores eram designados para diferentes quartos, junto com clérigos adultos".

O demandante pertencia a uma família católica devota e frequentava a Shrine of Divine Mercy / St. Francis Xavier Parish, em Newark, bem como a Essex Catholic Boys’ High School. Participava de diferentes atividades eclesiais e desenvolveu "grande admiração, confiança, reverência e respeito" pela Igreja Católica e pelos demandados, indica o texto.

Pe. Anthony Nardino, da St. Francis Xavier Church, teria abusado sexualmente do demandante em 1978, quando tinha 11 anos. Anderson disse que este o teria levado ao diretor da escola, o irmão Andrew Hewitt, dos Irmãos Cristãos, que morreu em 2002.

Segundo Anderson, Hewitt teria sido quem "aliciava" as vítimas para McCarrick e enfatizou que os Irmãos Cristãos assinalam que o religioso foi acusado de forma crível em outro caso de abuso sexual.

Segundo a vítima, Hewitt lhe apresentou McCarrick como alguém que poderia ajudá-lo a pagar as mensalidades da escola. Em seguida, foi levado para a casa de praia nos fins de semana, onde foi abusado sexualmente por McCarrick e outros sacerdotes mencionados no processo.

Gerald Ruane, Michael Walters e John Laferrera seriam os sacerdotes que abusaram do demandante no mesmo período. Todos os três pertencem à Arquidiocese de Newark e estão em uma lista de acusados ​​com credibilidade nesta jurisdição. Walters e Laferrera foram expulsos do estado clerical.

Anderson indica no processo que McCarrick era "o chefe" e os outros sacerdotes seus seguidores. Ruane, já falecido, era "o facilitador e participante na depredação desse jovem".

O processo alega que McCarrick abusou sexualmente de pelo menos sete menores e que a diocese, a arquidiocese e suas entidades sabiam ou deveriam saber que McCarrick e os outros sacerdotes mencionados eram um perigo para as crianças, e não informaram das suspeitas de abuso.

As outras paróquias mencionadas no processo são a Holy Trinity Parish, em Hackensack; Our Lady of the Lake, em Verona; St. Cassian’s Parish, em Upper Montclair; e a Immaculate Conception, em Newark.

De acordo com uma linha do tempo apresentada por Anderson, em 1993, Pe. Boniface Ramsey, O.P., informou sobre a conduta de McCarrick com seminaristas, em uma carta enviada ao então arcebispo de Louisville, Dom Thomas Kelly, OP. Além disso, o Pe. Ramsey enviou uma carta em 2000 ao então Núncio Apostólico nos Estados Unidos, Dom Gabriel Montalvo, sobre o mesmo assunto.

A denúncia relata que em 1993, o então Bispo de Metuchen, Dom Thomas Hughes, soube que McCarrick havia explorado sexualmente a um jovem seminarista, e que em 1995 outro jovem disse a Dom Hughes que McCarrick o havia tocado de maneira inadequada.

O Papa João Paulo II nomeou McCarrick como Bispo de Metuchen, depois como Arcebispo de Newark e depois Arcebispo de Washington. Ele foi criado cardeal em 2001. O Papa Bento XVI teria imposto restrições a McCarrick, que este teria desobedecido.

“É uma permissão papal para se envolver em um abuso de poder sem controle, uma e outra vez. Essa é uma verdade dolorosa e agora é o momento de que aqueles que o permitiram possam conta-lo”, disse Anderson.

O processo também assinala que o Papa Francisco "está em cumplicidade com o acobertamento de McCarrick" e não tomou medidas até 2018.

Mike Finnegan, advogado que trabalha com Anderson, disse que "é hora das principais autoridades, dos bispos e do Papa dizerem tudo o que sabiam sobre o Cardeal McCarrick".

O advogado também disse que o Cardeal Joseph Tobin, atual arcebispo de Newark; e Dom James Checchio, bispo de Metuchen, devem "fazer o mesmo".

O caso McCarrick

As denúncias contra McCarrick remontam ao ano 2000, quando o Cardeal Donald Wurel, Arcebispo Emérito de Washington, DC, recebeu uma denúncia do ex-sacerdote da Diocese de Metuchen, Robert Ciolek, por "conduta inadequada" de McCarrick, que foi bispo de diocese de 1981 a 1986.

Nesta denúncia se informava sobre outros incidentes de abuso sexual, como um relacionado a um sacerdote de Pittsburgh. Naquela época, Wuerl era Bispo de Pittsburgh.

Em 20 de junho de 2018, a Arquidiocese de Nova York anunciou que tinha considerado crível uma acusação de abuso sexual de um menor contra McCarrick, que atuou como sacerdote em Nova York na década de 1970.

Os informes dos meios posteriormente revelaram denúncias de que McCarrick tinha abusado sexualmente em série, de pelo menos dois adolescentes, e que tinha participado de conduta sexual coercitiva com sacerdotes e seminaristas durante décadas.

O Vaticano o expulsou do estado clerical em fevereiro de 2019 e o Papa Francisco estabeleceu que a sentença era definitiva e, portanto, sem possibilidade de recursos.

Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.

Fonte: ACI digital

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