A esperança, a virtude menor, mas a mais forte - Devoção e Fé - Blog Católico

sexta-feira, 8 de maio de 2020

A esperança, a virtude menor, mas a mais forte


Papa Francisco fala muito de esperança, estimulando-nos a olhar com novos olhos para a nossa existência, principalmente agora que estamos submetidos a uma dura prova, e olhá-la através dos olhos de Jesus, o “autor da esperança”. Palavras dos Papas João Paulo I, João Paulo II e Bento XVI sobre a esperança
Maria Milvia Morciano – Cidade do Vaticano

Francisco fala com frequência da esperança, que define como “a menor das virtudes, mas a mais forte. E a nossa esperança tem um rosto: o rosto do Senhor ressuscitado, que vem ‘com grande poder na glória’” (Angelus de 15 de novembro de 2015). Portanto a esperança não é algo, mas alguém, exatamente como exclama São Francisco nas Laudes de Deus Altíssimo: “Tu és a nossa esperança!”. E “Ele não abandonará os que esperam n’Ele” (Cf. Sal 33, 23).

Uma virtude escondida, tenaz e paciente


“É a mais humilde das três virtudes teologais, porque fica escondida”, explica Papa Francisco: “A esperança é um risco, uma virtude, como diz São Paulo, de uma expectativa fervorosa pela revelação do Filho de Deus. Não é uma ilusão” (Homilia de Santa Marta, 29 de outubro de 2015). “É uma virtude que nunca desilude: se esperares, nunca serás desiludido”, é uma virtude concreta, “de todos os dias porque é um encontro. E todas as vezes que encontramos Jesus na Eucaristia, na oração, no Evangelho, nos pobres, na vida comunitária, damos mais um passo em direção a este encontro definitivo (Homilia de Santa Marta, 23 de outubro de 2018). “A esperança precisa de paciência”, assim como precisa ter esperança para ver crescer a semente de mostarda. É a paciência de saber que nós semeamos, mas é Deus que faz crescer” (Homilia de Santa Marta, 29 de outubro de 2019). A esperança não é um passivo otimismo, ao contrário, “é combativa, com a tenacidade de quem caminha rumo a uma meta segura” (Angelus, 6 de setembro de 2015).

João Paulo I: a esperança é uma virtude obrigatória

Durante seu breve pontificado, João Paulo I dedicou uma catequese à esperança, onde afirma: “é uma virtude obrigatória para todo cristão” que nasce da confiança em três verdades: “Deus é omnipotente, Deus ama-me imenso e Deus é fiel às promessas. E é Ele, o Deus da misericórdia, que acende em mim a confiança; por isso não me sinto nem só, nem inútil, nem abandonado, mas integrado num destino de salvação, que um dia virá a levar-me ao Paraíso” (Audiência Geral de 20 de setembro de 1978).

João Paulo II: os cristãos são testemunhas de esperança

São João Paulo II convida a redescobrir a virtude teologal da esperança que “por um lado impele o cristão a não perder de vista a meta final que dá sentido e valor à sua existência inteira, e por outro oferece-lhe motivações sólidas e profundas para o empenhamento quotidiano na transformação da realidade a fim de a tornar conforme ao projeto de Deus” (Tertio millennio adveniente)

Bento XVI: a esperança muda a vida

Bento XVI dedica toda uma encíclica à esperança, a Spe Salvi. Descreve-a como uma virtude performativa, capaz de “produzir fatos e mudar a vida”. Na sua encíclica escreve: “A redenção é-nos oferecida no sentido que nos foi dada a esperança, uma esperança fidedigna, graças à qual podemos enfrentar o nosso tempo presente: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceito, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho” (Spe salvi)

Papa Francisco: a esperança é luz que vence as trevas

“A esperança – afirma Papa Francisco – faz entrar na escuridão de um futuro incerto para caminhar na luz. É bela a virtude da esperança; dá-nos tanta força para caminhar na vida” (Audiência Geral de 28 de dezembro de 2016). E nesse momento tão delicado da nossa história, Papa Francisco fala de um outro contágio: “que se transmite de coração a coração, porque todo o coração humano aguarda esta Boa Nova. É o contágio da esperança: ‘Cristo, minha esperança, ressuscitou!’ Não se trata de uma fórmula mágica, que faça desvanecerem-se os problemas. Não! A ressurreição de Cristo não é isso. Mas é a vitória do amor sobre a raiz do mal, uma vitória que não ‘salta’ por cima do sofrimento e da morte, mas atravessa-os abrindo uma estrada no abismo, transformando o mal em bem: marca exclusiva do poder de Deus (Mensagem Urbi et Orbi, 12 de abril de 2020). Com a Páscoa conquistamos “um direito fundamental, que não nos será tirado: o direito da esperança. É uma esperança nova, viva, que vem de Deus” e “coloca no coração a certeza de que Deus sabe transformar tudo em bem, pois até do túmulo faz sair a vida (Sábado Santo, 11 de abril de 2020).

07 maio 2020

Fonte: Vatican News



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