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sábado, 19 de outubro de 2019

Qualquer pessoa pode viver o celibato, diz sacerdote indígena no Sínodo


Pe. Justino Sarmento Rezende, durante sua intervenção. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

Vaticano, 17 Out. 19 / 02:30 pm (ACI).- O sacerdote salesiano pertencente à comunidade indígena brasileira Tuyuka e que participa do Sínodo da Amazônia, Pe. Justino Sarmento Rezende, afirmou que, com oração e esforço, qualquer pessoa de qualquer cultura do mundo pode viver o celibato, também os indígenas.

Durante sua intervenção para os meios de comunicação credenciados ante o Vaticano no briefing informativo realizado nesta quinta-feira, 17 de outubro, na Sala de Imprensa da Santa Sé, para informar sobre os avanços dos trabalhos sinodais, Pe. Sarmento disse que “é importante que as pessoas vivam o celibato com esforço, com oração e com a ajuda das pessoas. Vivê-lo da forma mais equilibrada possível”.

Contradizendo o que afirmou o Bispo Emérito de Xingu (Brasil), que assegurou aos meios de comunicação, em 9 de outubro, que "os povos indígenas não entendem o celibato", Pe. Sarmento assinalou que “o celibato é uma virtude que pode ser vivida por qualquer pessoa, homem ou mulher”.

O presbítero indígena deixou claro que se “pensasse que o celibato não é para mim, eu deixaria o sacerdócio. Porque, se algum dia de minha vida eu ver que estou sofrendo muito com isso e que já não estou sendo mais testemunho de vida para as pessoas de minha comunidade, de minha Igreja, já não teria nenhum sentido para mim”.

 "O celibato não é algo que nasce com a pessoa humana, é algo que se estabelece ao longo da história", continuou.

“Nenhum de nós que estamos aqui, nem eu nem vocês, estamos preparados para viver o celibato. Por isso, eu já escrevi artigos nos quais falo que o celibato é um dom de Deus”, assinalou.

Assegurou que “pessoas de qualquer cultura que existe no mundo podem conseguir viver o celibato a partir do momento em que, livremente, não forçadamente, diga ‘eu quero assumir este estilo de vida’”.

“Eu digo isso por experiência própria. Minha mãe não me disse 'você vai ser sacerdote, viva o celibato'. Pelo contrário, quando entrei no seminário, ela chorou porque queria ter um filho casado para ter a alegria de criar seus netos. Meu avô, que era mestre de grandes cerimônias tuyuka, também me disse: ‘Ser sacerdote não é para nós, os tuyuka. De onde você tirou essa ideia?'".

Recordou que “para nós, também para mim, os únicos capazes de serem sacerdotes eram os brancos, e não nós (os tuyuka). Quando os indígenas se tornam sacerdotes, surgem as perguntas ou dúvidas. Dizem: os indígenas têm muita dificuldade para viver o celibato. Sim, eu tenho porque sou uma pessoa normal. Talvez outras pessoas não tenham isso”.

No entanto, apesar das dificuldades que possam existir, "o celibato é uma virtude que pode ser experimentada por qualquer pessoa, homem ou mulher".

Fonte: ACI digital



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