Qual é a opinião do Cardeal Ouellet sobre os viri probati?


Cardeal Ouellet e o seu livro. Fotos: Daniel Ibáñez-ACI Prensa / Edições Cristo Rei

Vaticano, 14 Out. 19 / 02:30 pm (ACI).- O Cardeal Marc Ouellet, Prefeito da Congregação para os Bispos, fez uma defesa do celibato sacerdotal afirmando que: “Jesus é celibatário. Não é casual, não é por acaso”.

Assim expressou durante uma entrevista ao programa "Cara a cara", conduzido pelo diretor do Grupo ACI, Alejandro Bermúdez, que será transmitido em breve por EWTN, para falar sobre seu livro "Os amigos do Esposo. Por uma visão renovada do celibato sacerdotal”, publicado em português por Edições Cristo Rei e apresentado em Roma, em 3 de outubro, alguns dias antes da abertura do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia.

Na entrevista, o Cardeal Ouellet explica que Jesus “vinha como representante do Pai, de Deus e no mistério da aliança e nele entende-se com o símbolo nupcial, a aliança de Deus com a humanidade. Pensemos no Cântico dos Cânticos, que é a chave para a interpretação de toda a Bíblia”.

“Jesus é o esposo, por isso o título do meu livro é 'Amigos do Esposo' falando dos sacerdotes. Como São João Batista, que se apresenta como amigo do esposo. Ele deve crescer e eu diminuir. E assim deve ser a hospitalidade do sacerdote, não se expor e querer utilizar o ministério para suas vantagens pessoais. Isso é o clericalismo, diz o Papa e denuncia estas atitudes”.

Enfatizou que “o vínculo entre o sacerdócio e o celibato é muito próximo. Não é um dogma declarado, mas é o direito que Jesus estabeleceu chamando os apóstolos consigo para o ministério”.

Nesse sentido, insistiu que “a tradição latina sempre manteve essa opção de que os sacerdotes sejam escolhidos entre aqueles que têm o carisma do celibato, porque o celibato é uma confissão de fé, não é apenas uma disciplina. Se aceito seguir Jesus, é porque me chamou e reconheço quem é Ele”.

O Cardeal assinalou que se Jesus, em vez de filho de Deus, fosse um profeta que tivesse fundado uma nova seita, seria um pouco seguido “e depois o abandonariam. Mas se é o filho de Deus que veio à terra como o único salvador, tem o direito de dizer: ‘renunciem a tudo, porque eu tenho muito mais e muito melhor para lhes oferecer para contribuir com a humanidade’”.

"O estilo de vida e o estado de vida de um celibatário é uma confissão de fé em quem é Jesus", ressaltou. “Na vida do sacerdote celibatário há muita alegria, algumas lutas, talvez algumas dificuldades que podem ser mais ou menos graves, mas há a graça do Senhor, a misericórdia que volta a levantá-lo e levá-lo adiante, como o Papa Francisco nos insiste constantemente”.

Na entrevista, o Cardeal Ouellet também refletiu sobre o debate dentro do Sínodo da Amazônia sobre os viri probati, idosos de comprovada virtude que poderiam ser ordenados para distribuir os sacramentos em áreas remotas da Amazônia, onde os sacerdotes não chegam.

Assinalou que "sacerdotes casados existem ​​na Igreja Católica, nos ritos orientais, melquitas, maronitas, ucranianos". No entanto, afirmou que não acredita que ordenar viri probati seja a solução e, em vez disso, sugeriu centrar-se mais "em promover vocações para a vida consagrada, a vida sacerdotal, criando instituições e seminários".

"Pessoalmente, acredito que a prioridade deve estar na cultura vocacional e não na busca de uma alternativa rápida à falta de sacerdotes em comunidades distantes". “Se for feita uma exceção para a Amazônia, porque há 3 milhões de fiéis que estão dispersos em uma imensidão, então, o que seria da imensidão na África, na Austrália e na Oceania? Se devemos discutir sobre isso, deveria ser uma discussão mundial, não para um canto do planeta”.

Do mesmo modo, enfatizou a necessidade do sacerdócio no mundo de hoje, no qual o secularismo está causando grandes estragos. "Quanto menos fé, maior a necessidade de sacerdotes", defendeu. "Porque são administradores de sinais e ritos que são anunciadores do Evangelho".

O Cardeal Ouellet também ressaltou que o sacerdócio hoje "é mais necessário do que nunca", precisamente porque se perdeu "o sentido da vida. Com o aborto, as crianças são eliminadas. Com a eutanásia, os idosos e os doentes são eliminados. Quando não existe Deus no conjunto, o homem se torna deus e julga a vida e decide quem pode ou não viver. É uma cultura perigosa na qual rege o direito do mais forte”.

Os interessados em adquirir o livro do Cardeal Ouellet sobre o celibato, podem acessar o site das edições Cristo Rei em:

https://edicoescristorei.com.br/livros/amigos-do-esposo-por-uma-visao-renovada-do-celibato-sacerdotal/

Fonte: ACI digital

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