No dia 24 de agosto, a Igreja celebra a Festa de São Bartolomeu Apóstolo, um dos Doze escolhidos por Jesus para acompanhá-lo e participar de maneira especial de sua missão.
São Bartolomeu permanece uma figura discreta nas páginas do Novo Testamento. Não encontramos longos discursos seus nem muitos episódios relacionados à sua vida. Ainda assim, a tradição cristã reconhece nele o discípulo identificado com Natanael, aquele homem sincero que, depois de alguma desconfiança inicial, encontrou-se pessoalmente com Cristo e fez uma extraordinária profissão de fé:
“Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel.”
(Jo 1,49)
Sua história recorda que a fé cristã nasce de um encontro: alguém nos conduz até Jesus, mas é o próprio Cristo quem conhece profundamente o coração de cada pessoa.
Quem foi São Bartolomeu?
Bartolomeu aparece nas listas dos Doze Apóstolos apresentadas pelos Evangelhos sinóticos e também nos Atos dos Apóstolos.
Seu nome provavelmente deriva do aramaico Bar-Tolmay, expressão que significa “filho de Tolmai”. Por isso, Bartolomeu pode ter sido originalmente um patronímico, isto é, uma maneira de indicar a família à qual pertencia.
No Evangelho segundo São João, entretanto, encontramos Natanael, chamado por intermédio do apóstolo Filipe.
Desde os primeiros séculos, uma tradição cristã muito difundida identificou Natanael com Bartolomeu. Essa identificação também se relaciona ao fato de que Bartolomeu aparece associado a Filipe nas listas apostólicas, enquanto João apresenta justamente Filipe conduzindo Natanael até Jesus.
É importante observar que o Novo Testamento não declara explicitamente que Bartolomeu e Natanael sejam a mesma pessoa. Trata-se de uma identificação tradicional acolhida amplamente na história da Igreja.
“Vem e vê”: o encontro com Jesus
O episódio mais conhecido relacionado a São Bartolomeu encontra-se no primeiro capítulo do Evangelho de São João.
Filipe havia encontrado Jesus e imediatamente procurou Natanael:
“Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré.”
Natanael respondeu com certo ceticismo:
“De Nazaré pode sair coisa boa?”
Filipe não iniciou uma discussão nem tentou apresentar longos argumentos. Sua resposta foi extremamente simples:
“Vem ver!”
Natanael aceitou o convite.
Quando Jesus o viu aproximar-se, declarou:
“Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade.”
Surpreso, Natanael perguntou:
“De onde me conheces?”
Jesus então lhe revelou:
“Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi.”
Não sabemos exatamente o que havia acontecido debaixo daquela figueira. O Evangelho não explica. Mas aquelas palavras foram suficientes para que Natanael percebesse que estava diante de alguém que conhecia profundamente seu coração.
Então veio sua profissão de fé:
“Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel.”
E Jesus lhe prometeu:
“Coisas maiores que esta verás!”
Jesus nos vê antes mesmo de nos aproximarmos dele
A passagem da figueira contém uma mensagem espiritual muito bonita.
Antes que Natanael soubesse quem era Jesus, Jesus já o havia visto.
Antes que Filipe o chamasse, Cristo já conhecia aquele homem.
Também em nossa vida espiritual muitas vezes pensamos que fomos nós que começamos a procurar Deus. Entretanto, a graça de Deus já estava agindo antes.
Cristo conhece nossas dúvidas, nossas perguntas, nossas fraquezas e também aquilo que existe de sincero em nosso coração.
A história de São Bartolomeu nos convida, portanto, a permitir que Jesus nos encontre exatamente como somos.
Um dos Doze Apóstolos
São Bartolomeu pertence ao grupo dos Doze, escolhido por Cristo para uma missão particular.
Depois da Ressurreição e da Ascensão do Senhor, seu nome aparece novamente no livro dos Atos dos Apóstolos (At 1,13).
Ele estava entre os discípulos reunidos em Jerusalém, perseverando na oração juntamente com Maria, Mãe de Jesus, e os demais seguidores do Senhor.
A partir desse ponto, entretanto, as informações historicamente seguras tornam-se muito mais escassas.
É justamente aqui que precisamos distinguir entre aquilo que está registrado no Novo Testamento e aquilo que chegou até nós através da tradição cristã antiga.
Onde São Bartolomeu anunciou o Evangelho?
Antigas tradições cristãs afirmam que São Bartolomeu partiu como missionário depois de Pentecostes.
Diferentes fontes antigas associam sua evangelização a regiões do Oriente. Entre os lugares mencionados pelas tradições encontram-se a Mesopotâmia, Pérsia, Índia e Armênia.
Uma antiga tradição registrada na história do cristianismo relaciona particularmente Bartolomeu à evangelização da Índia.
Outras tradições, que se tornaram muito populares no Oriente e no Ocidente, relacionam sua missão sobretudo à Armênia, razão pela qual São Bartolomeu é considerado um dos grandes evangelizadores ligados às origens do cristianismo armênio.
Não é possível reconstruir com absoluta certeza todo o itinerário missionário do Apóstolo. O essencial transmitido pela tradição é seu testemunho como missionário de Cristo até as últimas consequências.
O martírio de São Bartolomeu
A Igreja venera São Bartolomeu como Apóstolo e mártir.
Segundo antigas tradições, ele teria sofrido o martírio durante sua missão no Oriente, geralmente localizado na região da Armênia.
A forma de seu martírio aparece de maneiras diferentes nas tradições antigas. A versão que se tornou mais conhecida no Ocidente afirma que Bartolomeu teria sido esfolado vivo e depois morto.
Por essa razão, a iconografia cristã frequentemente representa São Bartolomeu segurando uma faca, instrumento associado ao seu martírio.
Como ocorre com diversos Apóstolos, os detalhes de sua morte pertencem principalmente à tradição cristã posterior e não são narrados no Novo Testamento.
O que permaneceu através dos séculos foi a memória de um homem que anunciou Cristo e permaneceu fiel ao Evangelho até entregar a própria vida.
São Bartolomeu na arte cristã
Uma das representações mais famosas de São Bartolomeu encontra-se no Juízo Final de Michelangelo, na Capela Sistina.
O Apóstolo aparece segurando a própria pele, referência tradicional ao seu martírio.
Essa representação tornou-se uma das imagens mais conhecidas do santo na história da arte cristã.
Por causa dessa tradição, seus principais atributos iconográficos são:
- a faca;
- a pele relacionada ao martírio;
- o livro ou Evangelho, símbolo de sua missão apostólica.
Esses elementos permitem reconhecer São Bartolomeu em muitas pinturas, esculturas e igrejas antigas.
As relíquias de São Bartolomeu
Ao longo dos séculos, diferentes tradições relatam a transferência das relíquias do Apóstolo.
Uma importante tradição afirma que parte delas chegou a Roma, onde são veneradas na Basílica de São Bartolomeu na Ilha, localizada na Ilha Tiberina.
A igreja tornou-se um importante lugar de veneração do Apóstolo e, posteriormente, também um espaço dedicado à memória dos mártires cristãos.
O que São Bartolomeu nos ensina?
Embora saibamos relativamente pouco sobre sua vida, São Bartolomeu deixa ensinamentos profundamente atuais.
1. Deus não teme nossas perguntas
Natanael começou desconfiado.
“De Nazaré pode sair coisa boa?”
Jesus não o rejeitou por causa de sua pergunta. Pelo contrário, reconheceu nele um homem sincero.
A fé verdadeira não exige falsidade diante de Deus. Podemos apresentar ao Senhor nossas perguntas e dificuldades com sinceridade.
2. É preciso aceitar o convite para encontrar Jesus
Filipe simplesmente disse:
“Vem ver!”
Existe uma diferença entre ouvir falar de Cristo e encontrar-se pessoalmente com Ele.
A oração, a Palavra de Deus, os sacramentos e a vida da Igreja nos conduzem continuamente a esse encontro.
3. Jesus conhece profundamente cada pessoa
“Eu te vi.”
Talvez estas estejam entre as palavras mais consoladoras do episódio.
Cristo nos vê quando ninguém mais vê.
Conhece nossas lutas silenciosas, nossas orações, nossos sofrimentos e nossos desejos mais profundos.
4. Quem encontra Cristo torna-se testemunha
Bartolomeu passou da dúvida à profissão de fé.
E, segundo a tradição da Igreja, daquela profissão de fé nasceu uma vida missionária que chegou até o martírio.
O encontro verdadeiro com Cristo transforma a vida.
Uma mensagem para os católicos de hoje
Vivemos em uma época na qual muitas pessoas repetem a pergunta de Natanael de maneiras diferentes:
“Será verdade?”
“Posso acreditar?”
“Quem é realmente Jesus?”
A resposta de Filipe continua atual:
“Vem e vê.”
O cristianismo não é apenas um conjunto de informações sobre Jesus Cristo. É o convite para entrar em comunhão com Ele.
São Bartolomeu nos ensina que uma dúvida sincera pode transformar-se em fé profunda quando temos coragem de aproximar-nos do Senhor.
E também nos recorda algo essencial: antes mesmo de começarmos nossa busca, Cristo já nos viu debaixo de nossa própria “figueira”.
Ele conhece nossa história.
Ele conhece nosso coração.
E continua nos chamando.
Oração a São Bartolomeu Apóstolo
Ó glorioso São Bartolomeu,
Apóstolo escolhido por Nosso Senhor Jesus Cristo,
vós que fostes reconhecido pelo Mestre
como um homem sincero e sem falsidade,
ajudai-nos a buscar a Deus com um coração verdadeiro.
Intercedei por nós
para que saibamos reconhecer Jesus
como Filho de Deus e nosso Salvador.
Dai-nos coragem para testemunhar o Evangelho,
fidelidade nas provações
e perseverança em nossa caminhada cristã.
Que, seguindo vosso exemplo,
possamos responder ao chamado do Senhor
e permanecer fiéis a Cristo
em todos os momentos de nossa vida.
São Bartolomeu Apóstolo,
rogai por nós!
Amém.
São Bartolomeu Apóstolo, rogai por nós!
Neste dia 24 de agosto, ao celebrarmos São Bartolomeu, podemos guardar especialmente as palavras que mudaram sua vida:
“Vem e vê.”
Que também nós tenhamos coragem de aproximar-nos cada vez mais de Cristo e, depois de encontrá-lo, levar outras pessoas até Ele através de nossa fé, de nossas palavras e principalmente de nosso testemunho.
São Bartolomeu Apóstolo, rogai por nós!
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Fontes e referências
- Bíblia Sagrada — João 1,45-51; Mateus 10,1-4; Marcos 3,13-19; Lucas 6,12-16; Atos dos Apóstolos 1,13.
- Vatican News — Santo do Dia: São Bartolomeu Apóstolo — informações biográficas, tradição apostólica e martírio.
- Vatican News — Palavra do Dia, 24 de agosto — liturgia da Festa de São Bartolomeu Apóstolo.
- Tradições antigas da Igreja sobre a atividade missionária e o martírio do Apóstolo, consideradas distinguindo-se os dados bíblicos historicamente documentados das tradições posteriores.






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