Celebrada em 26 de agosto, Santa Maria de Jesus Crucificado, também conhecida como Mariam Baouardy e “Pequena Árabe”, foi uma carmelita descalça da Terra Santa cuja vida extraordinária foi marcada pela humildade, pela oração, pelo amor à Igreja e por uma profunda devoção ao Espírito Santo.
Quem foi Santa Maria de Jesus Crucificado?
No dia 26 de agosto, recordamos Santa Maria de Jesus Crucificado, religiosa da Ordem dos Carmelitas Descalços.
Seu nome de nascimento era Mariam Baouardy. Nascida na Galileia em 1846, em uma família árabe católica de rito greco-católico, ela percorreu um caminho impressionante até chegar ao Carmelo.
Órfã ainda pequena, viveu entre diferentes países, trabalhou como empregada doméstica, enfrentou sofrimentos e incompreensões e, finalmente, encontrou na vida carmelita a vocação pela qual tanto ansiava.
Sua existência foi marcada também por fenômenos místicos extraordinários. Mas, por trás deles, encontramos algo ainda mais importante: uma religiosa simples, humilde e profundamente apaixonada por Deus.
São João Paulo II, ao falar de Mariam depois de sua beatificação, chamou-a de uma “pequena flor da Terra Santa” que, em pouco tempo, chegou à plenitude da vida mística e da santidade.
Nascida na Terra Santa
Mariam nasceu em Ibillin, na Galileia, em 5 de janeiro de 1846, em uma família greco-católica.
Foi batizada com o nome de Mariam.
Sua infância foi marcada muito cedo pela dor. Aos dois anos ficou órfã e passou a ser criada por um tio.
Anos depois, em 1854, mudou-se com ele para Alexandria, no Egito.
Mesmo tão jovem, demonstrava uma personalidade decidida e uma profunda ligação com a fé cristã.
A recusa de um casamento
Quando Mariam tinha cerca de doze anos, sua família havia preparado seu casamento sem que ela desejasse aquela união.
Para demonstrar que não pretendia se casar, cortou os próprios cabelos.
Sua decisão provocou forte reação dentro da família, mas Mariam permaneceu firme.
Ela sentia que pertencia inteiramente a Deus.
Essa convicção ainda passaria por uma prova extremamente dolorosa.
Uma experiência dramática por causa da fé
Segundo a biografia apresentada pela Santa Sé por ocasião de sua canonização, um antigo empregado da família, conhecendo as dificuldades que Mariam enfrentava, tentou convencê-la a abandonar a fé cristã.
Mariam recusou.
Sua resposta provocou uma agressão gravíssima: ela recebeu um golpe de cimitarra na garganta e foi abandonada, aparentemente morta.
A própria Mariam relataria posteriormente que, durante sua recuperação, foi cuidada por uma mulher vestida de azul, que ela identificava como sendo Nossa Senhora.
Ao apresentar esse episódio, é importante distinguir o fato biográfico registrado em sua história do caráter místico de sua interpretação: foi Mariam quem testemunhou ter reconhecido naquela mulher a Virgem Maria.
Depois de recuperar-se, continuou sua vida trabalhando como doméstica em diferentes lugares do Oriente Médio.
O chamado para a vida religiosa
Em 1862, Mariam chegou a Marselha, na França, onde pôde buscar com maior liberdade sua vocação religiosa.
Em 1865 ingressou nas Irmãs de São José da Aparição.
Durante esse período começaram a se manifestar de maneira mais evidente alguns fenômenos extraordinários associados à sua vida espiritual, como êxtases e visões.
Em 1867 foram relatados também os estigmas.
Essas experiências provocaram perplexidade e contribuíram para que ela não permanecesse naquela congregação.
Pouco depois, porém, uma nova porta se abriria.
Era o Carmelo.
Mariam encontra sua casa no Carmelo
Em 14 de junho de 1867, Mariam ingressou no Carmelo de Pau, na França.
Ali encontrou finalmente a forma de vida religiosa que marcaria definitivamente sua história.
No dia 27 de julho, recebeu o hábito carmelita e passou a chamar-se Maria de Jesus Crucificado.
A espiritualidade do Carmelo, profundamente contemplativa e centrada na oração e na união com Deus, encontrou terreno fértil naquela jovem que desejava pertencer inteiramente a Cristo.
Apesar das experiências místicas pelas quais ficou conhecida, Mariam exercia tarefas simples e procurava viver com humildade.
Por sua pequena estatura, simplicidade e origem árabe, ficou conhecida carinhosamente como a “Pequena Árabe”.
Uma carmelita missionária sem deixar a clausura
A vida contemplativa não impediu que a história de Mariam atravessasse continentes.
Em 1870, ela partiu para a Índia com um grupo de religiosas para colaborar na fundação de um Carmelo em Mangalore.
Dois anos depois retornou a Pau.
Mas seu coração continuava voltado para a terra onde havia nascido.
Em 1872, comunicou às superioras seu desejo de que fosse fundado um Carmelo em Belém.
O projeto tornou-se realidade.
O Carmelo de Belém
Em 11 de setembro de 1875, Mariam chegou a Belém.
A fundação de um Carmelo na cidade do nascimento de Jesus tinha um significado profundamente especial.
Mariam participou ativamente da realização do projeto e acompanhou inclusive aspectos da construção do mosteiro.
Assim, aquela menina nascida na Galileia, que havia atravessado tantos lugares e sofrimentos, retornava à Terra Santa como carmelita.
Seu nome ficaria para sempre ligado ao Carmelo de Belém.
Os fenômenos místicos de Santa Maria de Jesus Crucificado
A vida de Mariam foi acompanhada por numerosos relatos de experiências místicas.
Entre eles aparecem êxtases, visões, estigmas e outras experiências extraordinárias de oração.
A própria Igreja, entretanto, ao apresentar sua santidade, não reduz sua vida a esses fenômenos.
O centro de seu testemunho está em sua união com Cristo, na humildade, na obediência, na oração e no amor.
Os dons extraordinários nunca são a medida da santidade cristã.
O que verdadeiramente importa é permitir que a graça de Deus transforme a vida.
E nisso a “Pequena Árabe” deixou um testemunho extraordinário.
Uma profunda devoção ao Espírito Santo
Um dos aspectos mais belos da espiritualidade de Santa Maria de Jesus Crucificado foi sua devoção ao Espírito Santo.
Mariam compreendia profundamente a necessidade de pedir a luz e a ação do Espírito de Deus.
Em sua espiritualidade, o Espírito Santo aparece como aquele que ilumina, orienta e conduz a alma no caminho da vontade divina.
Essa característica fez com que sua figura se tornasse particularmente querida por aqueles que desejam aprofundar a devoção ao Espírito Santo.
Sua vida nos recorda uma oração que todo cristão pode fazer diariamente:
Espírito Santo, conduzi-me e ensinai-me a fazer a vontade de Deus.
Amor à Igreja
Mariam possuía também um profundo amor pela Igreja.
Esse aspecto aparece de maneira impressionante justamente em um dos episódios mais dolorosos de sua juventude: diante da possibilidade de renunciar à fé, preferiu permanecer fiel.
Sua espiritualidade nunca foi uma experiência individualista.
Sua união com Deus estava profundamente ligada à Igreja, à comunidade religiosa e à missão.
Por isso, sua vida contemplativa produziu frutos que ultrapassaram os muros do Carmelo.
A morte da “Pequena Árabe”
Em agosto de 1878, enquanto acompanhava os trabalhos relacionados ao Carmelo de Belém, Mariam sofreu uma queda e fraturou um braço.
A situação se agravou com uma infecção.
No dia 26 de agosto de 1878, Santa Maria de Jesus Crucificado morreu em Belém.
Tinha apenas 32 anos.
Uma vida muito curta aos olhos humanos, mas extraordinariamente intensa.
Beatificada por São João Paulo II
Mais de um século depois de sua morte, Mariam foi elevada às honras dos altares.
Em 13 de novembro de 1983, o Papa São João Paulo II a beatificou na Basílica de São Pedro.
No dia seguinte, falando aos peregrinos do Oriente Médio que haviam participado da celebração, João Paulo II recordou aquela pequena filha da Terra Santa que havia alcançado a santidade por meio de uma vida profundamente unida a Deus.
Sua beatificação ganhou significado especial para os cristãos do Oriente Médio.
Mariam era filha daquela terra onde Jesus nasceu, viveu, morreu e ressuscitou.
Canonizada pelo Papa Francisco
Em 17 de maio de 2015, na Praça de São Pedro, o Papa Francisco canonizou Maria de Jesus Crucificado.
Na mesma celebração também foi canonizada outra filha da Terra Santa, Santa Maria Alfonsina Danil Ghattas.
A canonização de Mariam levou novamente aos olhos da Igreja universal o testemunho daquela pequena religiosa árabe que viveu entre a Galileia, o Egito, a França, a Índia e Belém.
Uma santa verdadeiramente ligada ao encontro entre Oriente e Ocidente.
Uma santa da Terra Santa e uma mensagem de paz
A origem de Santa Maria de Jesus Crucificado torna seu testemunho especialmente significativo.
Ela nasceu na Galileia, viveu em diferentes culturas e terminou seus dias em Belém.
São João Paulo II destacou sua ligação com a Terra Santa e apresentou sua beatificação como motivo de esperança para os cristãos do Oriente Médio.
Sua história continua sendo um convite à oração pela paz na Terra Santa, pela unidade dos cristãos e por todos aqueles que sofrem em regiões marcadas por conflitos.
A “Pequena Árabe” nos lembra que daquela terra tantas vezes ferida continuam surgindo testemunhos de fé e santidade.
Santa Maria de Jesus Crucificado e a espiritualidade carmelita
Mariam pertence à grande família espiritual do Carmelo, que ofereceu à Igreja santos extraordinários como Santa Teresa de Jesus, São João da Cruz, Santa Teresinha do Menino Jesus e Santa Teresa Benedita da Cruz.
Cada um viveu o carisma carmelita de maneira particular.
Na vida de Maria de Jesus Crucificado encontramos de forma muito clara a oração contemplativa, a união com Cristo crucificado, a humildade, a ação do Espírito Santo e a entrega completa a Deus.
Conhecer sua história também é uma oportunidade para conhecer melhor a riqueza espiritual da Ordem dos Carmelitas Descalços.
O que Santa Maria de Jesus Crucificado nos ensina hoje?
Talvez os fenômenos extraordinários de sua vida sejam aquilo que inicialmente mais desperta nossa curiosidade.
Mas Mariam nos convida a olhar além deles.
Sua grande mensagem está na simplicidade.
Uma jovem sem grandes estudos, órfã, pobre e desconhecida tornou-se uma santa da Igreja.
Deus não necessita daquilo que o mundo considera grande para realizar grandes obras.
Santa Maria de Jesus Crucificado nos ensina a confiar na ação do Espírito Santo, permanecer fiéis à fé nas dificuldades, cultivar a oração e buscar a vontade de Deus com humildade.
Sua vida confirma uma verdade que atravessa toda a história dos santos:
quando uma alma se entrega verdadeiramente a Deus, Ele pode realizar maravilhas através dela.
Oração a Santa Maria de Jesus Crucificado
Santa Maria de Jesus Crucificado,
Pequena Árabe da Terra Santa,
que entregastes inteiramente vossa vida a Cristo,
intercedei por nós junto ao Senhor.
Ensinai-nos a amar a oração,
a permanecer firmes na fé durante as provações
e a confiar sempre na ação do Espírito Santo.
Alcançai-nos um coração humilde e simples,
capaz de reconhecer a vontade de Deus
e de responder com generosidade ao seu chamado.
Intercedei pelos cristãos da Terra Santa,
pelos que sofrem por causa das guerras e perseguições
e por todos aqueles que trabalham pela paz.
Que, seguindo vosso exemplo,
possamos viver unidos a Cristo
e permitir que o Espírito Santo
conduza cada passo de nossa vida.
Santa Maria de Jesus Crucificado,
rogai por nós!
Amém.
Santa Maria de Jesus Crucificado, rogai por nós!
Neste 26 de agosto, a história da “Pequena Árabe” nos convida a redescobrir uma santidade construída na oração, na humildade e na confiança absoluta em Deus.
Mariam viveu apenas 32 anos, mas sua pequena existência atravessou fronteiras e deixou marcas na história do Carmelo e da Igreja.
Que Santa Maria de Jesus Crucificado interceda por nós e nos ensine, sobretudo, a abrir o coração àquele que tanto amou e invocou:
o Espírito Santo.
Fontes e referências
- Santa Sé — Biografia oficial de Maria de Jesus Crucificado Baouardy preparada para a canonização de 2015.
- São João Paulo II — Discurso aos fiéis reunidos por ocasião da beatificação de Irmã Maria de Jesus Crucificado, 14 de novembro de 1983.
- Santa Sé — Registro da beatificação de Maria de Jesus Crucificado, realizada em 13 de novembro de 1983.
- Papa Francisco — Santa Missa e Canonização de Maria de Jesus Crucificado e outras três beatas, 17 de maio de 2015.
- Ordem dos Carmelitas Descalços — Calendário e memória litúrgica de Santa Maria de Jesus Crucificado.






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