Santíssima Trindade
Mistério de amor que envolve os homens
9º Domingo do Tempo Comum - Ano A
Evangelho de João 3,16-18
16Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.
REFLEXÃO
O capítulo três do Evangelho de João inicia com um diálogo entre Jesus e Nicodemos e depois se transforma num monólogo, quando Jesus se revela não apenas a Nicodemos, mas a todos. No texto de hoje, Jesus revela o motivo de sua vinda ao mundo: trazer o amor de Deus pela salvação da humanidade. O Filho de Deus veio para que as pessoas tenham vida plena. A condição exigida é a fé nele, que implica adesão a ele. A acolhida do amor de Deus é um desafio à liberdade humana, que pode acolhê-lo ou rejeitá-lo. Só com pessoas capazes de amar é que se podem construir verdadeiras comunidades seguidoras de Jesus. Deus, no seu Filho, oferece vida plena a todas as pessoas. Estas são convidadas a acolher esse dom precioso. Ao celebrarmos a solenidade da Santíssima Trindade, revela-se o amor do Pai por meio de seu Filho e comunicado pelo Espírito Santo. A solenidade revela um Deus misericordioso para conosco: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito descem juntos ao encontro da humanidade.
(Dia a Dia com o Evangelho 2026 - PAULUS)[1]
Coleta
Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito santificador, revelastes o vosso admirável mistério. Concedei-nos, na profissão da verdadeira fé, reconhecer a glória da Trindade e adorar a Unidade na sua onipotência. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
O mistério da Santíssima Trindade, embora mistério, é a luz que ilumina todas as verdades da fé. E é um mistério de amor. A Santíssima Trindade é uma comunidade de amor. O Pai cria tudo por amor; o Filho, muito amado pelo Pai (Mt 17,5; Mc 9,7), constrói no mundo, com sua vida, um reino de amor, e o amor é um dos grandes dons do Espírito Santo. O Evangelho de hoje, tirado do diálogo de Jesus com Nicodemos, recorda o imenso amor (v. 16) de Deus pelas criaturas, sobretudo pela criatura humana; um amor tão grande que vence a barreira do pecado à custa do sangue derramado de seu próprio Filho. Um amor tão grande que quer ter todas as criaturas juntas a si, participando de sua feliz vida eterna (v. 16). De tal modo nos ama Deus, que nos enviou o Espírito Santo em auxílio da fraqueza de nossa fé (Rm 8,26), enchendo nosso coração de esperança, avivando a fé em Jesus Cristo, revestindo de tal maneira nossa vida que São Francisco de Assis chega a dizer que é ele que reza em nós e em nós rende louvores e graças a Deus. Então, o Pai já não olha para o nosso pecado e nossa ignorância, mas vê “o próprio Espírito, que advoga por nós em gemidos inefáveis” (Rm 8,26).
O pequeno trecho do diálogo com Nicodemos, que lemos hoje, formula o cerne da fé cristã, que é uma resposta da criatura humana a uma proposta de Deus, que nasce do amor, explícita-se na encarnação e morte de Jesus e tem por finalidade dar a todos a vida eterna. Esses elementos são facilmente encontrados no versículo 16. A resposta da criatura humana consistirá em aceitar ou não a missão do Filho. Aceitar ou não exige uma decisão pessoal, que o Evangelho chama de julgamento. Jesus garante que o Espírito Santo nos ajudará a conhecer a verdade (Jo 16,13) e a discernir as coisas. Mas não nos tolherá a liberdade. A maneira de respondermos, positivamente, e decidir-nos pela vida eterna é crer em Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador. Uma resposta de fé que se transforma em uma atitude amorosa (Jo 15,9-10), porque “se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15).
FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.[2]
Fontes:
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