Dom Mário Antônio da Silva será o oitavo arcebispo de Aparecida (SP) | Divulgação/Arquidiocese de Aparecida
Por Monasa Narjara
2 de mar de 2026 às 14:39
O atual arcebispo de Cuiabá (MT), dom Mário Antônio da Silva foi nomeado hoje (2) arcebispo de Aparecida (SP) pelo papa Leão XIV. Ele assume o lugar de dom Orlando Brandes, que teve seu pedido de renúncia aceito pelo papa Leão XIV por limite de idade, conforme previsto no Código de Direito Canônico (Cân. 401 – §1).
O lema escolhido pelo novo arcebispo é Testificari et ministrare (Testemunhar e Servir). Aparecida abriga a basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, o mais importante santuário mariano do Brasil.
“Deveria ser o normal, mas parece que quando uma Igreja defende a causa dos mais pobres é algo extraordinário, como se fosse algo anormal”, disse dom Mário quando era bispo de Roraima (RR). “Isso simboliza que nós estamos fugindo um pouco da nossa missão, é importante que como católicos nos unamos em defesa da vida e da vida concreta”.
Para ele, “hoje existem muitos discursos de defesa da vida, da fecundação até a morte natural, mas pouca prática em defesa da vida concreta existente diante dos nossos olhos, sobretudo quando ela está fragilizada”, como no caso dos povos indígenas.
Em entrevista à Rádio Bom Jesus de Cuiabá, da paróquia Senhor Bom Jesus, dom Mário Antônio disse que foi “surpreendido na semana passada, de quarta-feira para cá, com os encaminhamentos” para sua “nomeação”.
“Foi algo que aconteceu de forma inesperada, de maneira bastante rápida. Mas são os caminhos de Deus para a nossa vida”, disse dom Mário. Ele disse acolher a nomeação “na obediência e na disponibilidade de continuar servindo a Igreja de Cristo, em uma outra arquidiocese”, mas também “com gratidão e com até um sentimento de tão pouco tempo em Cuiabá, de deixar a missão”.
Currículo
Dom Mário Antônio da Silva nasceu no dia 17 de outubro de 1966, em Itararé (SP). Foi ordenado padre em 21 de dezembro de 1991, na diocese de Jacarezinho (PR). Ele tem mestrado em Teologia Moral, pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, na Itália.
Entre 1992 a 1993, foi diretor espiritual do Seminário Menor Nossa Senhora da Assunção; Entre 1994 a 1996, foi reitor do Seminário Menor Nossa Senhora da Assunção e coordenador da pastoral vocacional; Em 1999, foi diretor espiritual da Comunidade de Assistência aos Dependentes de Drogas (CADD) e professor de teologia moral no Seminário Maior Divino Mestre; Entre 1999 a 2001, foi coordenador da pastoral vocacional; Entre 1999 a 2006, foi diretor espiritual do Seminário Maior Divino Mestre; Entre 2003 a 2006, foi orientador geral da Comunidade Feminina de Assistência à Dependentes de Drogas (COFADD) e professor de ética filosófica no Seminário Maior Rainha da Paz; Em 2004, foi coordenador diocesano da ação evangelizadora; Em 2006, foi pároco da paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Jacarezinho.
Em 2007, foi nomeado bispo auxiliar de Manaus (AM) pelo papa Bento XVI. Dom Mário, segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), “desempenhou um papel significativo no fortalecimento das comunidades eclesiais de base e na defesa dos direitos das populações do bioma”, em Manaus.
“Sua atuação" foi "marcada pela proximidade com o povo, especialmente com os mais pobres e marginalizados", disse a CNBB.
Entre 2013 a 2015, foi professor de Teologia Moral e Bioética no Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia (ITEPES), em Manaus. Em 2015, foi nomeado bispo de Roraima (RR), pelo papa Francisco, “onde enfrentou grandes desafios, como a crise migratória decorrente do fluxo de refugiados venezuelanos”, disse a CNBB.
“Sua liderança pastoral foi essencial na organização de uma resposta humanitária da Igreja, articulando esforços para acolher e assistir milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade”, destacou a Conferência.
Entre 2015 a 2019, foi eleito presidente do regional Norte 1 da CNBB, que compreende os Estados do Amazonas e Roraima; Em 6 de maio de 2019, durante a 57ª Assembleia Geral da CNBB, foi eleito segundo vice-presidente da Conferência para o quadriênio 2019 a 2023. Em 7 de outubro de 2019, foi eleito membro da comissão para a redação do documento final do Sínodo da Amazônia.
Em 2022, foi nomeado arcebispo de Cuiabá, pelo papa Francisco. A trajetória de dom Mário Antônio, segundo a CNBB é marcada por “um espírito missionário e uma visão pastoral voltada para a sinodalidade e para a construção de uma Igreja em saída”.
“O arcebispo de Cuiabá tem se destacado por sua habilidade em dialogar com diversos setores da sociedade, promovendo a paz, a justiça e o bem comum”, disse a CNBB destacando que a “sua liderança” na arquidiocese de Cuiabá “tem reforçado seu compromisso com a evangelização, a formação de lideranças leigas e a ação social, sempre inspirada pelo Evangelho e pela Doutrina Social da Igreja”.
Até o momento, dom Mário Antônio é o presidente da Cáritas Brasileira. Ele “atua diretamente nas ações de solidariedade às comunidades e pessoas afetadas por situações socioambientais ou em situação de vulnerabilidade”, segundo a CNBB.
‘Muito aprendizado’ com ‘os povos e comunidades indígenas’
Em janeiro de 2023, durante uma entrevista ao padre Luiz Modino, assessor de comunicação do Regional Norte 1 da CNBB, dom Mário Antônio disse que entre 2016 a 2022, quando esteve em Roraima, “foi um período de muitos desafios, mas também de muito aprendizado” com “os povos e comunidades indígenas”.
“Das muitas coisas que eu aprendi lá e procurei retribuir é a proximidade com as pessoas, a proximidade no aspecto de estar junto, não só para celebrar a missa, mas também para a convivência”, disse o arcebispo. “O que eu procurei também partilhar com as comunidades da diocese de Roraima é que nós precisamos ter uma fé que é mais do que normas, sejam católicas ou bíblicas. Mas a nossa fé é a adesão a Jesus Cristo, e essa adesão é visibilizada pelo seguimento a Ele, na prática da paz, da justiça e da solidariedade. Foi isso que eu procurei partilhar com as pessoas, recebendo deles impulso e motivação para uma missão diante de tantos desafios”.
Esta matéria foi corrigida. A versão anterior dizia que dom Mário, "Em 2007, foi nomeado bispo auxiliar de Manaus (AM) pelo papa Bento XVI, para auxiliar o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner", mas o cardeal Steiner foi nomeado arcebispo de Manaus em 27 de novembro de 2019, pelo papa Francisco.
Fonte: ACI digital
---





Comentários
Postar um comentário