Novo comportamento na nova família de Deus
6º Domingo do Tempo Comum - Ano A
Evangelho de Mateus 5,20-22a.27-28.33-34a.37
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 20 “Eu vos digo: Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus. 21 Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás!’ Quem matar será condenado pelo tribunal. 22a Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo. 27 Ouvistes o que foi dito: ‘Não cometerás adultério. 28 Eu, porém, vos digo: Todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possuí-Ia, já cometeu adultério com ela no seu coração. 33 Vós ouvistes também o que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso’, mas ‘cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor’. 34a Eu, porém, vos digo: Não jureis de modo algum. 37 Seja o vosso ‘sim’: ‘Sim’, e o vosso ‘não’: ‘Não’. Tudo o que for além disso vem do Maligno”.
REFLEXÃO
O texto que lemos hoje faz parte do Sermão da montanha, segundo o Evangelho de Mateus. Jesus começa se defendendo ao dizer que não veio abolir a “Lei e os Profetas”, mas mostrar o valor além da superficialidade ou da interpretação fundamentalista. O Mestre defende a Escritura, pois foi dada a Israel para ensinar o caminho da justiça, vista como cumprimento da vontade de Deus. Nos exemplos apresentados, Jesus mostra o jeito correto de interpretar o “espírito da Lei”. Jesus esclarece ou reinterpreta os três mandamentos: do respeito pela vida dos outros, da fidelidade conjugal e da verdade das palavras. “Não matar” significa muito mais do que derramar o sangue do outro. “Não cometer adultério e não repudiar a mulher”: propõe fidelidade mútua e direitos e deveres iguais entre marido e mulher, de modo que haja transparência e honestidade entre eles. “Não jurar falso”: os juramentos não garantem relações baseadas na verdade e na confiança. O cumprimento dos Mandamentos de Deus leva à perfeição do amor.
(Dia a Dia com o Evangelho 2026 - PAULUS)[1]
Coleta
Ó Deus, que prometeis permanecer nos corações retos e sinceros, concedei-nos por vossa graça viver de tal maneira que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Novo comportamento na nova família de Deus
Há três domingos lemos o Sermão da Montanha. Começamos com as bem-aventuranças, que são o portal de todo o Sermão e os valores que fundamentarão todo o Evangelho, valores bastante diferentes dos normalmente apresentados pela psicologia e pela economia. No domingo passado, Jesus chamou àqueles que aceitavam os valores das bem-aventuranças de sal da terra e luz do mundo e os comparou a uma cidade construída sobre um monte, isto é, na segurança.
Hoje, Jesus nega que as Bem-aventuranças contrariam o Antigo Testamento, as Leis e as tradições. Diz expressamente que não contrariam, mas também não se identificam. Inovam. Completam. Jesus não é um subversivo em sua pregação, mas se comporta como um profeta, como um novo Moisés, que “retira e propõe coisas novas e velhas” (Mt 13,52). E as propõe como quem tem autoridade (Mc 1,22) e exige radical idade, isto é, que não sejam apenas palavras, mas vida que brote do coração e valores que sejam vividos sem meios-termos.
Talvez pudéssemos dizer que Jesus em toda a Lei do Antigo Testamento procurou o miolo, sem dar maior valor à casca, encostada à Lei pelos escribas e fariseus e pela convivência com outros povos. (Mt 7,14).
FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.[2]
Fontes:
[2]
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