O papa Leão XIV hoje (17) na oração do Ângelus em Castel Gandolfo, Itália. | Vatican Media
Por Eduardo Berdejo
17 de ago de 2025 às 11:11
Cristo chama seus discípulos a seguir adiante com a verdade, apesar dos mal-entendidos e até mesmo da perseguição, pois eles são chamados a ser "sinais de contradição" diante do mundo, disse o papa Leão XIV antes da oração do Ângelus que ele rezou hoje (17) em Castel Gandolfo.
O papa voltou a Castel Gandolfo em 13 de agosto. Nessa cidade da região italiana do Lácio, ele rezou a oração do Ângelus depois de celebrar a missa em Albano, cidade que fica na mesma região.
Leão XIV começou falando sobre a leitura de hoje, do Evangelho de são Lucas, em que Jesus diz que veio "trazer fogo à terra".
Nossa missão não é só “um mar de rosas”, mas é sinal de contradição, diz Leão XIV
“Hoje, o Evangelho apresenta-nos um texto exigente (cf. Lc 12, 49-53), no qual, com imagens fortes e grande franqueza, Jesus diz aos discípulos que a sua missão, e também a dos que o seguem, não é só um mar de rosas, mas é sinal de contradição (cf. Lc 2, 34)”, disse o papa.
Leão XIV disse que, dessa forma, Jesus “antecipa o que terá de enfrentar quando, em Jerusalém, for contestado, preso, insultado, maltratado, crucificado; quando a sua mensagem, apesar de falar de amor e justiça, for rejeitada; quando os chefes do povo reagirem cruelmente à sua pregação”.
“Aliás”, disse também o papa, “muitas das comunidades às quais o evangelista Lucas se dirigia com os seus escritos passavam pela mesma experiência. Eram, como nos dizem os Atos dos Apóstolos, comunidades pacíficas que, apesar das suas limitações, procuravam viver da melhor forma a mensagem de caridade do Mestre (cf. At 4, 32-33). E, no entanto, eram perseguidas”.
O papa Leão XIV disse que “tudo isso nos lembra que nem sempre o bem encontra, à sua volta, uma resposta positiva. Pelo contrário, por vezes, precisamente porque a sua beleza incomoda aqueles que não o acolhem, quem o pratica acaba por encontrar uma forte oposição, chegando mesmo a ter de suportar prepotência e injustiças”.
"Agir segundo a verdade tem um custo, porque no mundo há quem opte pela mentira e porque o diabo, aproveitando-se disso, muitas vezes procura impedir a ação dos bons", disse ele.
“Jesus, porém, convida-nos, com a sua ajuda, a não desistir e a não nos conformarmos com esta mentalidade, mas a continuar a agir em prol do nosso bem e do bem de todos, mesmo de quem nos faz sofrer”, disse o papa.
“Ele convida-nos a não responder à prepotência com a vingança, mas a permanecer fiéis à verdade na caridade. Os mártires dão testemunho disso derramando o seu sangue pela fé; também nós, em circunstâncias diferentes e de outro modo, os podemos imitar”, disse Leão XIV.
O papa deu como exemplo "o preço que deve pagar um bom pai, se quer educar bem os seus filhos segundo princípios sãos: mais cedo ou mais tarde terá de saber dizer não, fazer algumas correções, e isso custar-lhe-á sofrimento”.
“O mesmo vale para um professor que queira formar corretamente os seus alunos, para um profissional, um religioso, um político que se proponham levar a cabo honestamente a sua missão, e para qualquer outra pessoa que se esforce por exercer com coerência, seguindo os ensinamentos do Evangelho, as suas responsabilidades".
Ele disse também que “santo Inácio de Antioquia, enquanto viajava para Roma, onde sofreria o martírio, escreveu aos cristãos dessa cidade: Não quero que sejais estimados pelos homens, mas por Deus (Carta aos Romanos, 2,1), e acrescentou: Prefiro morrer em Cristo Jesus a reinar sobre todos os confins da terra (ibid., 6,1)”.
“Irmãos e irmãs, peçamos a Maria, Rainha dos Mártires, que nos ajude a ser, em todas as circunstâncias, testemunhas fiéis e corajosas do seu Filho, e sustenha os nossos irmãos e irmãs que hoje sofrem pela fé”, disse Leão XIV aos fiéis.
Fonte: ACI digital
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