Como um porteiro que abre portas - 1° Domingo do Advento (Ano B )


Como um porteiro que abre portas

1º Domingo do Tempo do Advento - Ano B

Evangelho de Marcos 
13,33-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 33“Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento. 34É como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando. 35Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer. 36Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo. 37O que vos digo, digo a todos: vigiai!”
REFLEXÃO:

Jesus alerta seus discípulos a não caírem no sono, mas a permanecerem acordados e ativos, porque “não sabem quando será o momento” da prestação de contas. Servos, patrão e casa indicam a comunidade cristã. O homem que partiu para o estrangeiro é uma alusão a Jesus e à sua morte. O porteiro é o responsável pela comunidade. O cristão que vive à espera do seu Senhor ou na presença do Senhor, que age nos acontecimentos, é convidado a assumir suas responsabilidades. Em outras passagens do Novo Testamento, a vigilância vem explicitada como oração, fé, caridade incansável e resistência ao mal. São Paulo fala da vigilância em termos de sobriedade, fé, amor e esperança: “Nós, que somos do dia, fiquemos sóbrios, revestindo a armadura da fé e do amor, e o capacete da esperança da salvação” (1Ts 5,8).

(Dia a dia com o Evangelho 2023)[1]

Oração do Dia

Ó Deus todo-poderoso, concedei aos vossos fiéis o ardente desejo de acorrer com boas obras ao encontro do vosso Cristo que vem, para que, colocados à sua direita, mereçam possuir o reino celeste. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

Como um porteiro que abre portas

Podemos ler o evangelho do primeiro domingo do Advento de duas maneiras. Uma, olhando para a chegada de Cristo no tempo. Ele ali estava. Ele, o Messias, com todos os sinais preditos pelos Profetas. Mas os fariseus e os escribas (os chefes intelectuais) não percebiam, não viam: eram como porteiros que dormiam e, por isso, não enxergavam as coisas maravilhosas que Deus estava fazendo (Mc 7,37). Além de perderem o sentido da história, frustravam os benefícios da chegada do Senhor. A lição seria esta: ficar atento a todos os sinais da presença de Deus e colaborar com ele, facilitando a passagem do Cristo, como um porteiro, que abre portas.

Pode-se ler o episódio também com sentido escatológico, isto é, olhando para o fim dos tempos, ou seja, para o momento de nossa morte biológica, que é, afinal, para cada um de nós o fim dos tempos e o começo da eternidade. Ninguém tem dúvida de que, mais dia menos dia, chegará sua hora de morrer. Ignoramos, porém, qual seja essa hora. Olhando para esse momento certo e incerto ao mesmo tempo, Jesus nos preveniu de outra verdade, que nossos sentidos e nossa inteligência desconhecem: ele virá ao nosso encontro na hora da morte e nos quer encontrar prontos para partir com ele.

Essa prontidão é chamada de vigilância. Um misto de estar acordado, estar atento e estar preparado para reagir. A vigilância, portanto, não é uma atitude passiva, mas dinâmica, que envolve todo o nosso ser embebido em fé e esperança, todo o nosso fazer honesto e misericordioso. A vigilância não é uma sala de espera, mas um caminho andado com o coração voltado para o Senhor. 

FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.[2]

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