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O santuário de Lourdes considera retirar os mosaicos do padre Rupnik em respeito às vítimas

Basílica do Rosário no Santuário de Lourdes / Wikipedia (CC BY-SA 4.0)

Almudena Martínez-Bordiú

LOURDES, 31 Mar. 23 / 10:06 am (ACI).- O bispo de Lourdes, França, dom Jean-Marc Micas, informou que os mosaicos do padre Rupnik que decoram a basílica do Santuário de Lourdes poderão ser retirados devido ao sofrimento das vítimas que chegam ao santuário em busca de consolação.

“Lourdes é um lugar onde muitas vítimas se voltam para a Imaculada Conceição em busca de consolo e cura. A angústia deles é grande diante dos mosaicos do padre Rupnik neste mesmo lugar: não podemos ignorar isso”, disse o bispo de Lourdes, dom Jean-Marc Micas, em comunicado divulgado hoje (31).

Por isso, durante o mês de abril será tomada uma decisão sobre os mosaicos feitos no santuário pelo padre Marko Rupnik, um jesuíta esloveno acusado de abusar sexualmente de freiras da Comunidade de Loyola, na Eslovênia, e de mulheres ligadas ao Centro Aletti, escola dedicada à promoção da arte sacra que o padre e artista fundou em Roma.

Esta obra foi encomendada para a fachada da basílica do Rosário do Santuário de Lourdes em 2008, por ocasião dos 150 anos das aparições.

Como disse o bispo de Lourdes, “como todas as obras de arte, são apreciadas por alguns, menos por outros, mas a grande maioria dos peregrinos e visitantes de Lourdes destacam sua beleza”.

Em seguida, disse que “há vários meses, o padre Rupnik tem estado nos noticiários após várias acusações de abuso sexual de adultos no âmbito do seu ministério em várias partes do mundo”.

Dom Jean-Marc Micas recordou que Rupnik “foi punido pelos seus superiores religiosos e pela Santa Sé” e que por isso “se coloca a questão o status das suas obras e do seu futuro”.

As vítimas no centro das reflexões

“Dada a especificidade do santuário de Nossa Senhora de Lourdes, -continua o bispo-, a questão geral do status das obras de artistas envolvidos em situações de abuso é aqui muito mais delicada”.

Por isso, informou que na segunda-feira (27), junto com o reitor do santuário, o padre Michel Daubanes, “levamos este assunto ao conhecimento do Conselho de Orientação do Santuário”.

“O assunto foi discutido com muita seriedade: sabemos que as vítimas devem estar no centro das nossas reflexões, e qualquer decisão terá graves consequências”, esclareceu.

Ele contou que criaram um grupo de reflexão, formado pelo bispo e pelo reitor junto com uma vítima, um especialista em arte sacra e um psicoterapeuta, cujo objetivo é chegar a uma determinação em abril.

Durante este tempo, pretendem “desenvolver os elementos necessários para tomar a melhor decisão, fazer esta reflexão da forma mais serena possível e não rejeitar a priori nenhuma hipótese de decisão”.

Por fim, dom Jean-Marc Micas confiou este processo e a decisão a ser tomada “à intercessão de Maria, Nossa Senhora de Lourdes, e à misericórdia de Deus”.

“Também conto com as orações e o apoio dos fiéis da diocese e dos que amam o santuário de Lourdes”, concluiu.

O caso Rupnik

O padre Marko Rupnik, responsável pelas meditações da Quaresma para a cúria romana em anos anteriores, é cofundador da Comunidade Loyola na Eslovênia, que surgiu na década de 1980, onde supostamente abusou de freiras adultas.

Após uma investigação preliminar confiada à Companhia de Jesus, a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) “considerou que os fatos em questão prescreveram, por isso arquivou o processo no início de outubro” de 2022, diz um comunicado dos jesuítas de 2 de dezembro.

O superior-geral da Companhia de Jesus, padre Arturo Sosa, confirmou em 14 de dezembro que Rupnik havia sido excomungado em maio de 2020 por ter atendido a confissão de uma de suas vítimas.

A cronologia publicada pelos jesuítas em 18 de dezembro, diz que a Congregação para a Doutrina da Fé declarou em maio de 2020 que, de fato, Rupnik havia sido excomungado, mas sua sentença foi revogada no mesmo mês.

Rupnik está proibido de atender confissões, exercer a direção espiritual e acompanhar exercícios espirituais. Também não pode fazer atividades públicas sem a autorização do seu superior.

Em entrevista à Associated Press, publicada em 25 de janeiro, o papa Francisco comentou sobre o caso Rupnik. “Não tive nada a ver com isso”, disse.


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