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A história da consagração da Rússia ao Imaculado coração de Maria

Imagem de Nossa Senhora de Fátima / Joseph Ferrara (Flickr)

Andrea Gagliarducci / ACI Stampa

REDAÇÃO CENTRAL, 24 mar. 22 / 04:30 pm (ACI).- A última vez que houve consagração ao Imaculado Coração de Maria foi há dois anos, quando 24 países se consagraram ao Imaculado Coração de Maria para pedir o fim da pandemia (incluindo a Romênia, pela primeira vez). A consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria que o Papa Francisco fará em 25 de março, no entanto, tem um significado simbólico importante: pede o fim de uma guerra que estourou no coração da Europa, e marca o vínculo histórico entre a Rússia e a Ucrânia.

O povo russo se tornou cristão com o batismo do príncipe Vladimir do Rus' de Kiev, no século X. A cidade fundada por russos é hoje a capital da Ucrânia, mas foi o berço da civilização russa.

O papa Pio XII, na carta apostólica Sacro Vergente Anno, publicado em 7 de julho de 1952, recordava que já em 1942 havia consagrado o mundo inteiro ao Imaculado Coração de Maria, e que naquele aniversário o fazia explicitamente pelos povos da Rússia. Mas, sobretudo, também traçou a história das relações entre o cristianismo e a Rússia.

Pio XII lembrou a troca de legados em 977 entre Bento VII e Jaropolk, irmão de Vladimir. E depois as legações enviadas ao próprio Vladimir em 991 e 999. O envio de Iaropolk, filho do príncipe Isiaslav, a Gregório VII em 1075. A união de Florença assinada pelo metropolita Isidoro de Kiev. Comunicações sempre difíceis, mas nunca interrompidas.

Depois, Pio XII recordou as iniciativas de Bento XV e Pio XI durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Revolução Russa (1917) para ajudar os pobres e, depois, a decisão de Pio XI em 1930 de que no dia de são José se rezasse na basílica de São Pedro por causa "das difíceis condições da religião na Rússia".

Há uma história comum, que é antes de tudo a história de um cristianismo comum. No entanto, a Igreja Greco-Católica Ucraniana, que vê sua Igreja mãe em Constantinopla, uniu-se a Roma, enquanto Moscou permaneceu na ortodoxia. Então, a Rússia foi tomada pela revolução soviética. Uma onda de ateísmo que atingiu e ocupou todos os países do Leste Europeu partiu da Rússia.

Daí vem o pedido de Nossa Senhora de Fátima para consagrar a Rússia ao seu Coração. O pedido estava no segundo dos três segredos de Fátima e foi feito em 1917, meses antes da Revolução Russa.

Disse nossa Senhora: "Quando você virdes uma noite iluminada por uma luz desconhecida sabei que é o grande sinal que Deus vos dá que Ele está prestes a punir o mundo por seus crimes, por meio da guerra, fome e perseguição à Igreja e o Santo Padre. Para evitar isso, virei pedir a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se eles aceitarem os Meus pedidos, a Rússia se converterá e eles terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão destruídas. Finalmente, Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre me consagrará a Rússia, que se converterá, e um período de paz será concedido ao mundo”.

Em 13 de junho de 1929, irmã Lúcia, a única dos videntes de Fátima que viveu até a idade adulta, teve uma esplêndida visão da Santíssima Trindade e do Imaculado Coração de Maria, durante a qual Nossa Senhora lhe disse que "chegou o momento em que ela queria que revelasse à Santa Igreja seu desejo de consagração da Rússia e sua promessa de convertê-la”.

"Chegou o momento em que Deus pede que o Santo Padre, em união com todos os bispos do mundo, consagre a Rússia à minha Coração Imaculado, prometendo assim salvá-la. São tantas as almas que a justiça de Deus condena pelos pecados cometidos contra mim, por isso venho pedir reparação: sacrifique-se com esta intenção e reze”, disse Nossa Senhora segundo a irmã Lúcia.

Por meio de seus confessores e do bispo de Leria, irmã Lúcia conseguiu levar o pedido de Nossa Senhora a Pio XI, que prometeu levá-lo em consideração.

A Irmã Lúcia recorda que o Senhor então se queixou à Irmã Lúcia que a consagração da Rússia não tinha sido feita. “Eles não quiseram ouvir meu pedido. Como o rei da França, eles vão se arrepender. Mas será tarde. A Rússia já terá causado seus erros no mundo, causando guerras, perseguições à Igreja. O Santo Padre terá que sofrer muito”.

A alusão era ao Rei Sol, a quem em 1668 a vidente Maria Margarida Alacoque, que tivera a visão do Sagrado Coração de Jesus, pedira para colocar aquele símbolo do Sagrado Coração nas bandeiras reais. Luís XIV não o fez, e sua dinastia encerrou-se na guilhotina, com Luís XVI.

Em várias cartas, a irmã Lúcia salienta o descontentamento de Deus porque a promessa não foi feita. Até que, em 2 de dezembro de 1940, Irmã Lúcia escreveu diretamente ao papa, pedindo que abençoasse a devoção dos primeiros sábados. E assim, a 31 de outubro de 1942, numa mensagem a Portugal por ocasião do jubileu das aparições de Fátima, Pio XII consagrou a Igreja e o género humano ao Imaculado Coração de Maria.

Em 1952, Pio XII consagrou os povos da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Durante o Concílio Vaticano II, 510 arcebispos e bispos de 78 países assinaram um pedido ao Papa para consagrar o mundo inteiro, e de forma especial e explícita a Rússia e outras nações dominadas pelo comunismo, ao Imaculado Coração, e que no mesmo dia o fizessem todos os bispos católicos. Paulo VI, encerrando o Concílio Vaticano II em 21 de novembro de 1964, confiou o gênero humano ao Imaculado Coração de Maria e proclamou Nossa Senhora Mater Ecclesiae (Mãe da Igreja).

João Paulo II consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria duas vezes: uma em Fátima, em 13 de maio de 1982, e outra em Roma, em 25 de março de 1984. Em ambos os casos, pediu aos bispos de todo o mundo que se unissem a ele.

Até 1989, a irmã Lúcia disse que nenhuma consagração tinha respeitado as condições exigidas por Nossa Senhora.

Depois, ela disse que a segunda consagração tinha sido válida, talvez impressionada pelo colapso do império soviético iniciado em 1989.

É impressionante que este pedido ao Papa Francisco tenha origem na Ucrânia. Mas foi ali também que começou a tradição da consagração de uma nação a Maria, como lembrou em um comunicado o arcebispo-mor Sviatoslav Shevchuk, que governa a Igreja Greco-Católica Ucraniana.

O povo do Rus de Kiev foi consagrado à proteção da Bem-Aventurada Virgem Maria pelo príncipe Yaroslav, o Sábio. O Cardeal Myroslav Ivan Liubachivsky renovou esta consagração em 1995 em Zarvanytsia, um dos locais de peregrinação mais visitados pelos católicos gregos. As suas origens remontam à Idade Média bem como a tradição de uma profunda devoção à Mãe de Deus na região. Sua popularidade aumentou imediatamente após a queda do comunismo e o interesse que despertou nos últimos anos é um sinal da "grande importância espiritual" que o local tem para todos os fiéis da Igreja Greco-Católica Ucraniana.

Outro ato de consagração da Ucrânia sob a proteção da Bem-Aventurada Virgem Maria ocorreu no domingo, 6 de abril de 2014, em todas as igrejas da Igreja Greco-Católica Ucraniana na Ucrânia e nos assentamentos. Em 23 de outubro de 2016, Sua Beatitude Shevchuk em Fátima realizou o ato de consagração da Ucrânia ao Imaculado Coração da Bem-Aventurada Virgem Maria.

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