Os efeitos da Confissão sacramental em nós

Fratello - World Day of the Poor
Antoine Mekary | ALETEIA

Vanderlei de Lima - Igor Precinoti - publicado em 19/12/21

Por que jamais se deve deixar de lado – mas, ao contrário, buscar sempre mais – esse canal da misericórdia divina

Falar de Confissão sacramental é abordar um sacramento instituído por Cristo em sua Igreja a fim de perdoar os pecados cometidos depois do Batismo.

Antes do mais, faz-se necessário entender o que é um sacramento. Do ponto de vista etimológico, vem do latim sacramentum e significa aquilo mediante o qual algo se torna sagrado. Na definição da fé, “os sacramentos são sinais sensíveis e eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, mediante os quais nos é concedida a vida divina” (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. S. Paulo: Loyola, 2005, n. 224).

As palavras do Compêndio, assim como de toda definição sucinta, requerem um breve comentário: sinais sensíveis (água, no Batismo, por exemplo) e eficazes (realizam o que significam). Desse modo, no Batismo, enquanto a água é derramada no corpo, lava-se a alma do pecado original e atual se houver (cf. Tertuliano. Sobre a ressurreição da carne 8, Patrologia Latina 2,852) da graça (da dádiva ou do dom gratuito de Deus). Essa graça vem a nós pelos sacramentos que Cristo – o grande Sacramento do Pai – instituiu e confiou à administração de Sua Igreja (cf. Mt 16,18).

Pois bem, um desses sacramentos é o da Confissão. Ele existe para perdoar os pecados cometidos, devido à fraqueza humana, depois do Santo Batismo e foi instituído pelo próprio Senhor Jesus quando deu aos discípulos o Espírito Santo (cf. Jo 20,22-23). São essenciais nesse Sacramento dois elementos: 1) os atos realizados pelo ser humano que se converte sob a ação do Espírito Santo e 2) a absolvição ou o perdão realizado pelo sacerdote (padre ou bispo), em nome da Santíssima Trindade, que dá ao penitente a satisfação ou a penitência pelo pecado cometido e agora perdoado.

Quem vai se confessar deve realizar os seguintes atos: antes de tudo, um Exame de Consciência, ou seja, relembrar os pecados cometidos e se julgar oportuno anotá-los em um papel; ter Contrição, arrependimento do que fez com o firme propósito de não mais errar; realizar a Confissão, contar ao sacerdote os pecados cometidos por meio de pensamentos, palavras, atos e omissões e cumprir a Satisfação ou a penitência dada pelo padre a fim de reparar o dano causado pelo pecado.

É necessário confessar com detalhes todos os pecados graves lembrados no Exame de Consciência, ou seja, aqueles nos quais – dizendo em linguagem simples e clara – há matéria grave e mesmo assim a pessoa quer fazer, sabe e faz o pecado. A Confissão sacramental é o único meio ordinário de apagar esses pecados mortais, por isso há de ser feita por todos os que chegaram ao uso da razão sempre que estiverem em pecado grave antes da Comunhão ou ao menos (não no máximo) uma vez por ano.

Certo é que, embora não seja estritamente necessário, deve o fiel confessar também os pecados leves (corriqueiros, diríamos), pois isso o ajuda a formar uma reta consciência contra as más tendências e o leva à cura interior dada por Cristo à medida que a pessoa se abre ao Seu amor misericordioso. O confessionário é o único tribunal no qual o réu sai, invariavelmente, perdoado pelo Divino Juiz.

É evidente que de tão grande ministério o sacerdote deve guardar estrito segredo, mesmo ante as autoridades policiais ou judiciais. Aliás, já tivemos diversos casos, na história, de sacerdotes presos ou assassinados por se recusarem a contar aquilo que ouviram em Confissão.

Os efeitos da Confissão sacramental em nós são os seguintes: o perdão dos pecados e, por conseguinte, a reconciliação com Deus; a reconciliação com a Igreja; a recuperação do estado de graça; o cancelamento da pena de condenação ao inferno merecido por aqueles pecados graves; a paz na consciência; a serenidade do espírito e o fortalecimento interior para os embates da vida, especialmente contra o mal.

Que Deus nos dê a graça de jamais deixarmos de lado – mas, ao contrário, de buscarmos sempre mais – esse canal da misericórdia divina.

Fonte: Aleteia
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