Novembro, mês das almas do Purgatório


Data de publicação
01/11/2021

O mês de novembro começou com duas importantes festas litúrgicas: a dos santos e a dos mortos.

No dia 1º de novembro, a Igreja celebrou a festa de Todos os Santos. Aquele sobre o qual canta o Apocalipse: «Vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, que se encontrava diante do trono e do Cordeiro, vestida com túnicas brancas e com as palmas das mãos. Eles clamaram em alta voz, dizendo: ‘Salve o nosso Deus’ ”(Apocalipse 7, 9-10). É a Igreja triunfante do Paraíso. A Igreja dos santos, nossos modelos e intercessores.

E no dia 2 de novembro, a Igreja comemora os fiéis falecidos, de quem São Paulo diz: “Não queremos que vocês, irmãos, ignorem aqueles que dormem, para que não sofram como os outros, que não têm esperança” ( 1.Tes.4,13). É a Igreja purgativa, formada por almas que sofrem no Purgatório à espera de poder entrar no Paraíso. A fé nos ensina que a libertação de seus sofrimentos está, pela oração, em nossas mãos.

A Igreja triunfante do Paraíso e a sofredora do Purgatório unem-se à Igreja militante, composta pelos cristãos que vivem na Terra, e entre as três formam uma única Igreja: o Corpo Místico de Cristo, a comunhão dos santos.

Cada uma dessas três igrejas, a triunfante, a purgativa e a militante, não é feita apenas de almas, mas constitui uma sociedade autêntica, um Corpo Místico integrado em um Corpo Místico maior que compreende as três igrejas.
 
As almas do Paraíso não só são imensamente felizes porque conhecem Deus face a face, mas também porque se conhecem e se amam ardentemente; cada um desfruta da felicidade e glória dos outros, bem como da sua. Na sociedade celestial o amor reina soberano.

As almas do Purgatório não se relacionam apenas com os fiéis da Terra, mas vivem em sociedade, se conhecem e se amam e se ajudam como irmãs. Nossos entes queridos não vivem isolados no Purgatório; eles têm relações familiares entre si. Segundo os teólogos, o Purgatório é o reino da caridade fraterna.

Da mesma forma, a Igreja militante da qual fazemos parte não é formada por almas isoladas. É uma sociedade composta por todos aqueles que foram incorporados a Cristo pelo batismo e professam a fé católica. Mas, embora todas as almas do Paraíso e do Purgatório façam parte da comunhão dos santos, na Igreja militante apenas os fiéis que estão na graça participam plenamente da comunhão dos santos. Só eles podem ajudar uns aos outros espiritualmente e comunicar os méritos, satisfações e frutos da oração.
 
Embora os pecadores façam parte da Igreja militante, eles não podem participar dessa troca de méritos, satisfações e orações porque estão privados da graça de Deus, ao contrário dos justos que, como Abel e o Bom Ladrão, nem mesmo são membros da A Igreja militante, porque ainda não foi fundada, merecia a graça do Paraíso e pertence à Igreja triunfante. É por isso que São Gregório diz que a comunhão dos santos tem sua origem em Abel e abrange todos os justos, desde Abel até o último dos eleitos no fim dos tempos.

Por isso, a situação mais difícil dentro da comunhão dos santos é a dos membros da Igreja militante, que devem lutar muito pela sua salvação. Porque quem está no Purgatório tem, apesar de seus sofrimentos, a certeza de que alcançará a felicidade eterna no Paraíso, enquanto na Terra ninguém tem essa certeza até o momento revelador da morte. Embora a vida eterna seja oferecida a todos, desde que coloquem em prática a lei do Senhor, nem todos a aceitam, nem todos se esforçam para observá-la, nem todos confiam em Deus para fazê-lo. Deus é quem nos salva, mas desde que façamos a nossa parte. Sem a sua ajuda, não há força humana para nos salvar.

A vida, então, é uma luta para conquistar a coroa prometida a quem luta e vence com a ajuda de Deus. Somos soldados que apesar do feridas, suor e lama com o qual estamos cobertos, queremos continuar a lutar para conquistar a coroa que foi prometido a nós (2 Tim . 4,8). Por isso, no mês de novembro pedimos uma ajuda especial aos santos e aos mortos, aos quais renovamos as nossas orações.

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