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Descobertas relíquias dos três primeiros mártires católicos coreanos


Santa Missa de beatificação de Paul Yun Ji-Chung e 123 companheiros na Porta de Gwanghwamun (Seul, 16 de agosto de 2014). 

“É a vontade de Deus que nos permite venerar os restos mortais destes primeiros mártires e imitar a sua espiritualidade. A descoberta de suas relíquias contrapõe-se às tendências da sociedade contemporânea, que há muito tempo, dá prioridade ao dinheiro e ao individualismo, que ocupou o lugar de Deus e da solidariedade. Que o exemplo destes nossos mártires possa renovar o homem e os tempos de hoje”, disse o bispo de Jeonju, Dom John Kim Son-tae.

Vatican News

Foram descobertas e identificadas em Jeonju, na Coreia do Sul, as relíquias dos três primeiros mártires católicos coreanos: Paul Yun Ji-chung, James Kwon Sang-yeon e Francis Yun Ji-heon.
Vítimas da perseguição anticristã perpetrada pela dinastia Joseon, estes primeiros mártires morreram após atrozes tormentos, entre 1791 e 1801.

Suas relíquias, as mais antigas do país, foram descobertas no último mês de março durante as obras de restruturação de um lugar católico, no condado de Wanju. Seus restos mortais foram submetidos a testes de DNA e depois catalogados.

O bispo de Jeonju, Dom John Kim Son-tae, afirmou que “esta descoberta é um acontecimento notável e monumental, porque a nossa Igreja, que se desenvolveu graças ao sangue dos mártires, finalmente encontrou os restos mortais dos pioneiros da nossa história".

“É a vontade de Deus - acrescentou o prelado - que nos permite venerar os restos mortais destes primeiros mártires e imitar a sua espiritualidade. A descoberta de suas relíquias contrapõe-se às tendências da sociedade contemporânea, que há muito tempo, dá prioridade ao dinheiro e ao individualismo, que ocupou o lugar de Deus e da solidariedade. Que o exemplo destes nossos mártires possa renovar o homem e os tempos de hoje”.

Paul Yun Ji-chung e James Kwon Sang-yeon, ambos de origens nobres, morreram por violar os ritos confucionistas que prevaleciam naquela época no país. Presos e submetidos a horríveis torturas, nunca renegaram à sua fé.

O governador, que emanou a sua pena de morte, escreveu que “embora seus corpos estivessem cobertos de sangue, eles nem reclamavam. Pelo contrário, não renunciaram à sua fé e diziam ser uma grande honra morrer por Deus. Em 8 de dezembro de 1791, Paul e James, de 32 e 40 anos, foram decapitados ao invocar os nomes de Jesus e Maria”.

O mesmo destino coube ao irmão mais novo de Paul, Francis Yun Ji-heon: obrigado a fugir, após o martírio do irmão, continuou a levar o Evangelho a muitas pessoas. Foi preso em 1801 e, apesar das terríveis violências, não renunciou a Cristo. De fato, afirmou: “Não posso desistir dos ensinamentos da Igreja, que tanto amei, a ponto de penetrarem nos meus ossos e fazerem parte do meu próprio corpo. Morrerei por eles milhares de vezes, se necessário. Não tenho medo da lei nacional, porque acredito, com firmeza, na doutrina do céu e do inferno". Com o corpo todo dilacerado, Francis foi martirizado em 24 de outubro de 1801, aos 37 anos.

Paul, James e Francis, junto com outros 121 mártires coreanos, foram beatificados pelo Papa Francisco em 2014, durante sua Viagem apostólica à Coreia do Sul.

Em sua homilia proferida em Seul, em 16 de agosto, o Pontífice disse: “A vitória dos mártires e seu testemunho do amor de Deus continuam a produzir frutos, ainda hoje, na Coreia, incrementados pelo seu sacrifício na Igreja. A celebração da Beatificação de Paul e seus Companheiros (…) convida os católicos coreanos a recordar as grandes proezas, que Deus realizou nesta terra, e a custodiar o tesouro da fé e caridade, que lhes foi confiado pelos seus antepassados​​”.

Vatican News Service - IP

04 setembro 2021

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