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Alemanha caminha para o cisma e o papa deveria agir, diz teólogo americano


Padre Thomas Weinandy. Foto: Captura de tela Youtube

DENVER, 10 mai. 21 / 04:30 pm (ACI).- O teólogo norte-americano Thomas Weinandy disse ser "tolice" negar que o "Caminho Sinodal" alemão esteja buscando mudanças que seriam cismáticas. O padre capuchinho fez o comentário dias depois que o bispo de Limburg, dom Georg Bätzing, presidente da conferência episcopal Alemã, afirmar que os católicos alemães não são cismáticos nem buscam se “desprender de Roma” em entrevista a ACI Stampa, serviço em italiano do grupo ACI.

"Bem, se o Caminho Sinodal Alemão não está caminhando para o cisma, então enganou muita gente", disse Weinandy, ex-membro da Comissão Teológica Internacional do Vaticano.

"É óbvio que o Caminho Sinodal Alemão está propondo mudanças no ensinamento da Igreja que seriam cismáticas. Isto não pode ser negado, é tolice afirmar o contrário".

Em sua entrevista bispo Bätzing se referiu à jornada de bênçãos em todo o país marcada para hoje, 10 de maio, na Alemanha como forma de protesto ao "não" do Vaticano às bênçãos para uniões do mesmo sexo. O evento, organizado por padres católicos e agentes de pastoral, levou o nome de "Segnungsgottesdiensten für Liebende", ou "serviços de bênção para os que se amam".

Bätzing disse na entrevista que a questão das bênçãos foi um dos muitos tópicos abordados pelo fórum sobre moralidade sexual do Caminho Sinodal. "Pares homossexuais e casais que não podem e não querem se casar na Igreja, mas que mesmo assim desejam a bênção da Igreja, fazem parte de nossa sociedade e da Igreja", disse o bispo.

"Na Alemanha e em outras partes da Igreja Universal há muito se discute sobre como desenvolver o magistério com argumentos sólidos - com base nas verdades fundamentais da fé e da moral, no progresso da reflexão teológica e em um espírito de abertura aos últimos resultados das ciências humanas e às situações de vida das pessoas de hoje", referiu Bätzing.

Weinandy, que já foi diretor executivo do Secretariado Episcopal dos Estados Unidos para a Doutrina, acusa Bätzing de contradição.

"Por um lado, o bispo Bätzing afirma que deseja ‘esenvolver o Magistério com argumentos sólidos’. Por outro, o que ele propõe como base para sólidos argumentos de desenvolvimento são teológica e magistralmente inconsistentes e contraditórios", disse o sacerdote.

"As verdades fundamentais da fé e da moral não são compatíveis com o que o Caminho Sinodal Alemão propõe, por exemplo, com a bênção da união homossexual. Qualquer reflexão teológica proponha outra coisa está equivocada". 

O padre capuchinho acrescentou que "os últimos resultados das ciências humanas", alegados por Bätzing, são "muitas vezes uma mera tentativa de aprovar o zeitgeist da época".

Ele também sugeriu que a frase "situações de vida das pessoas de hoje" não tem sentido algum.

"Sempre existiram pessoas que cometeram fornicação, ou que vivem em situações de adultério, ou que se envolvem em atos homossexuais. A diferença é que muitos hoje, inclusive bispos como Bätzing, desejam abençoar esses atos sexuais como se não fossem mais pecaminosos. Eles são e sempre serão pecaminosos", disse o padre capuchinho à Catholic News Agency, agência em inglês do grupo ACI, no último 8 de maio.

"Assim, enquanto o bispo Bätzing emprega frases com aparência de grande sabedoria e erudição, elas são meramente vazias, e muitas vezes enganosas", acrescentou.  

A Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) publicou um "Responsum ad dubium" no dia 15 de março respondendo à pergunta, "a Igreja tem o poder de dar a bênção às uniões de pessoas do mesmo sexo"? A CDF respondeu que não.

A declaração da Santa Sé suscitou protestos no mundo católico, especialmente de língua alemã. Vários bispos expressaram apoio às bênçãos de uniões do mesmo sexo, enquanto as igrejas exibiam bandeiras do movimento LGBT. Um grupo de mais de 200 professores de teologia assinaram uma declaração criticando o Vaticano.

Na entrevista de 6 de maio, o bispo alemão de 60 anos disse que não havia "respostas fáceis" sobre o tema das uniões entre pessoas do mesmo sexo. Ele fez um comentário semelhante em março, em resposta à rejeição do Vaticano de bênçãos para casais do mesmo sexo.

"Enquanto o bispo Bätzing diz não haver respostas fáceis, já sabemos que respostas ele e o Caminho Sinodal Alemão estão suscitando. Portanto, dizer que não há respostas fáceis é desonesto".

O teólogo sugeriu também que no passado, quando os argumentos teológicos estavam se tornando menos convincentes, isto indicava a necessidade de uma maior evangelização. 

"O fato que as pessoas acham os argumentos difíceis de aceitar é uma coisa, que os argumentos não sejam mais válidos é outra. O fato que nossa cultura secular não aceite estes argumentos não anula a verdade dos ensinamentos da Igreja ou dos argumentos apresentados em Seu nome".

"Muitas vezes me parece que as primeiras pessoas na Alemanha que precisam ser evangelizadas são alguns de seus bispos. Eles precisam fazer um ato de fé no que a Igreja acredita e ensina, e, ao fazê-lo ver a Boa Nova que é”, acrescentou.

"Padres e bispos incrédulos não são a solução para o secularismo atual que permeia a cultura ocidental de hoje, eles são o problema”, disse o sacerdote americano.

Em 2017, Weinandy renunciou ao cargo de consultor do Comitê de Doutrina da USCCB, após publicar uma carta ao Papa Francisco dizendo que seu pontificado “deu àqueles que têm opiniões teológicas e pastorais prejudiciais a licença e a confiança para vir à luz e expor suas trevas anteriormente escondidas”.

"O Caminho Sinodal Alemão está tentando legitimar o fracasso da Igreja alemã ao evangelizar seus concidadãos. Este fracasso só manifesta que a própria Igreja alemã está precisando de evangelização", diz Weinandy.

"O Caminho Sinodal Alemão sabe o que está fazendo, e fará sua vontade mesmo que isso resulte em cisma. O próprio pontífice fomentou tal atmosfera em que poderiam surgir cismas", afirma o teólogo.

"Embora ele e a CDF tenham falado de seu descontentamento pelo que ocorre no Caminho Sinodal Alemão, estamos para ver se o Papa realmente agirá de forma decisiva nesta situação".

"O que o atual pontífice faz ou não faz é o que revela seu verdadeiro pensamento, não o que ele diz”, referiu.

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