Igreja celebra hoje São Juan Diego, o vidente da Virgem de Guadalupe (9 de dezembro)


REDAÇÃO CENTRAL, 09 Dez. 19 / 05:00 am (ACI).- “Amado Juan Diego, a ‘águia que fala’! Ensina-nos o caminho que conduz para a Virgem Morena de Tepeyac, para que Ela nos receba no íntimo do seu coração, dado que é a Mãe amorosa e misericordiosa que nos orienta para o Deus verdadeiro”, disse João Paulo II na canonização de São Juan Diego, o vidente da Virgem de Guadalupe, cuja festa é celebrada neste 9 de dezembro.

Segundo a tradição, São Juan Diego nasceu em 1474 em Cuauhtitlán, então reino de Texcoco, pertencente ao grupo étnico de chichimecas, e hoje território do México. Seu nome era Cuauhtlatoatzin, que na sua língua materna significava “águia que fala” ou “aquele que fala como uma águia”.

Sendo adulto e pai, sentiu-se atraído pela doutrina dos sacerdotes franciscanos que chegaram ao México em 1524 e foi batizado com sua esposa Maria Lucia. Os dois se casaram como cristãos, mas, tempo depois sua esposa faleceu.

Em 9 de dezembro de 1531, apareceu a ele em um lugar chamado Tepeyac, a Virgem Maria, que se apresentou como “a perfeita sempre Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus”. A Virgem encomendou que, em seu nome, solicitasse ao Bispo, o franciscano Juan de Zumárraga, a construção de uma igreja no local da aparição.

O Bispo não aceitou a ideia e a Virgem lhe pediu para insistir. No dia seguinte, Juan Diego voltou a encontrar o Prelado, que o examinou na doutrina cristã e pediu provas concretas da aparição.

No dia 12 de dezembro, a Virgem lhe apareceu novamente e o consolou, convidando-o a subir ao topo da colina de Tepeyac para colher flores e trazê-las para ela. Apesar da temporada de inverno e da aridez do local, São Juan Diego encontrou flores muito bonitas e colocou-as em sua “tilma”, um tipo de manta típico da região. A Virgem, em seguida, ordenou-lhe que apresentasse essas flores ao Bispo.

Estando na frente do prelado, o santo abriu sua “tilma” e deixou cair as flores. No tecido, apareceu a imagem da Virgem de Guadalupe, que desde então se tornou o coração espiritual da Igreja no México e uma das maiores devoções marianas que permanece com força até hoje.

São Juan Diego, com a permissão do Bispo, foi morar em uma casa pobre ao lado do templo da “Senhora do Céu”. Limpava a capela e acolhia os peregrinos que visitavam o local, onde hoje se encontra um grande templo.

O leigo São Juan Diego foi para a Casa do Pai em 1548 e gozou de tanta estima que seus contemporâneos costumavam dizer: “Que Deus te faça como Juan Diego”. Ele foi beatificado por João Paulo II em 1990 e canonizado pelo Papa peregrino em 2002.

Fonte: ACI digital



Por que a canonização de São Juan Diego, vidente da Virgem de Guadalupe, foi importante?

Por David Ramos

Imagem de São Juan Diego na antiga capela de índios, na Villa de Guadalupe, na Cidade do México. Foto: Fiorella Garrido / ACI Prensa.

Cidade do México, 09 Dez. 19 / 11:00 am (ACI).- Neste dia 9 de dezembro, a Igreja celebra a festa de São Juan Diego Cuauhtlatoatzin – “a águia que fala” –, o índio vidente da Virgem de Guadalupe; mas nem todos conhecem a importância da canonização do primeiro santo indígena da América Latina.

São João Paulo II canonizou Juan Diego em 31 de julho de 2002, na Basílica de Guadalupe, na Cidade do México, e destacou naquela ocasião que, “ao acolher a mensagem cristã, sem renunciar à sua identidade indígena, Juan Diego descobriu a profunda verdade da nova humanidade, em que todos são chamados a ser filhos de Deus em Cristo”.

Em diálogo com a ACI Prensa – agência em espanhol do Grupo ACI –, em 2018, Pe. Eduardo Chávez, um dos maiores especialistas na aparição de Nossa Senhora de Guadalupe e postulador da causa de canonização de São Juan Diego, destacou que com este ato foi confirmado “o milagre de Guadalupe em sua grande extensão e transcendência. É um fato histórico que transcende o tempo e o espaço”.

O sacerdote mexicano, também diretor do Instituto Superior de Estudos de Guadalupe, destacou que, embora no México, desde o século XVI, a santidade de Juan Diego tenha sido assumida como um fato, porque "foi o intercessor da Virgem e foi seu mensageiro", o processo da canonização "ajudou muito a encontrar, recopilar e ver a convergência de tantas fontes e documentos históricos".

"Alguns já eram conhecidos, outros foram encontrados", assinalou.

Pe. Chávez lembrou que, na primeira parte da causa da canonização, “deve-se analisar a fama de santidade imemorial, coisa que Juan Diego tinha e, obviamente, observa-se nestes documentos onde é chamado de ‘homem santíssimo’, onde foi desenhado com auréola no século XVI”.

Na segunda parte do processo, assinalou, é necessário "comprovar um milagre".

Esse milagre, disse, foi o de "um jovem que quis se suicidar e pulou de uma altura de 10 metros, quebrando a cabeça no chão".

"Em quatro dias, esse jovem se curou perfeitamente, porque a mãe pediu a Juan Diego", assinalou.

Finalmente, disse, o Papa "determina canonizá-lo, depois de toda essa pesquisa e análise, e de toda a parte teológica, vida e virtudes de Juan Diego, e a comprovação de um milagre".

Para Pe. Chávez, aqui está o mais importante da canonização, pois quando o Santo Padre “canoniza alguém, neste caso Juan Diego, vai implícito o dogma da infalibilidade do Papa”.

Com a canonização, “o Papa diz ao mundo inteiro que esta pessoa está no céu, que é uma ponte de unidade entre Deus e os seres humanos, é um intercessor. E é um modelo de santidade”.

O vidente de Guadalupe "representa cada um de nós" e com sua canonização "confirma-se que o encontro de Deus através de Nossa Senhora de Guadalupe diante do índio Juan Diego (...) é totalmente certo", afirmou.

Fonte: ACI digital

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