Ser como Zaqueu


Boa noite!

Hoje peguei três livros para ler e ao abrir aleatoriamente as páginas, os três tinham capítulos que falavam um pouco da história de Zaqueu.
Por isso escolhi um dos textos que analiza muito bem a pressa que Zaqueu teve de conhecer Jesus.
Jesus também teve pressa ao tomar a iniciativa de convidar-se a entrar na casa de Zaqueu.
Jesus quer entrar em nossa casa, em nosso coração. Ele tem pressa para transformar pessoas e famílias.
Adriana do Anjos-Devoção e Fé

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* Jesus entrou em Jericó e atravessava a cidade. Aconteceu que um homem chamado Zaqueu, um dos chefes dos cobradores de impostos, e rico, queria ver quem era Jesus, mas não conseguia por causa da multidão e porque era pequeno. Então correu adiante e subiu num sicômoro para ver Jesus, que devia passar por ali. Quando chegou àquele lugar, Jesus olhou para cima e lhe disse: "Zaqueu, desce depressa, porque hoje preciso ficar na tua casa". ele desceu depressa e o recebeu com alegria. Vendo isto, todos murmuravam: "Foi hospedar-se na casa de um pecador!" Mas Zaqueu, de pé diante do Senhor, lhe disse: " Senhor, dou a metade dos meus bens aos pobres. E se extorqui alguma coisa de alguém, vou lhe restituir quatro vezes o seu preço". Jesus então disse: "Hoje entrou a Salvação nesta casa, porque este também é filho de Abraão. Porque o filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido".(Lucas 19, 1-10)

No episódio de Zaqueu, poderemos diagnosticar que a oferta de salvação por parte de Jesus é como que uma retribuição a seis gestos de libertação, profundos e simultâneos, por parte de Zaqueu. Vamos analisá-los?

1 - Zaqueu sobre na árvore (a perda do respeito humano)

Nessa atitude de despojamento, ele despe-se de sua importância, de sua riqueza, do status de sua autoridade e, como um menino -igual àqueles que estão aptos ao Reino- corre e sobre na árvore. Como se torna difícil, hoje, cada vez mais, as pessoas se despirem de seus atributos pessoais, de seus cargos, títulos e honrarias;

2 - Desce da árvore (a obediência)

Depois de todo o sacrifício de subir, não é fácil descer. Quaisquer circunstâncias da vida acostumam a pessoa: "Subir eu subi, agora para descer, vai ser quando eu quiser...".
Se houve despojamento ao subir, houve obediência ao descer: "Desça depressa, Zaqueu...". E ele, confiante, desceu depressa. E hoje, como as pessoas são refratárias à obediência...

3 - Recebe Jesus com alegria (a acolhida)

Quantas vezes Jesus quer visitar nossa casa e não é bem recebido... ou se recebido, é com cara feia, sem alegria...
Zaqueu desceu da árvore e recebeu a Jesus com aquela alegria dos que, pela graça de Deus, têm o coração aberto. Nas casas com grades dos grandes condomínios fechados, nos corações cerrados, nas mãos que não se abrem, como é difícil acolher...

4 - Chamou Jesus de "Senhor" (a humildade e a fé)

É uma mudança muito rápida para um homem que tinha na posição social, no prestígio político e na riqueza, o centro de suas preocupações. Zaqueu liberta-se de tudo ao humilhar-se perante Jesus. Se ele é meu Senhor, eu sou seu servo...
Entronizando Jesus como seu Kyrios (o dono) ele o entroniza em seu coração e em sua vida. Com isso ele muda de dono. Rejeitou as coisas materiais para abraçar a Jesus; numa época em que vale mais quem é arrogante e altaneiro, quase não existem mais pessoas simples, capazes de, humildes, chamarem Jesus de Senhor...

5 - Partilhou (a generosidade)

Cônscio de que possuía bens demais, o publicano chegou à conclusão de que, para seguir Jesus, aquilo tudo era inútil, e resolve dar a metade do que tem aos pobres, necessitados e excluídos. ao se libertar de tanta riqueza, Zaqueu lembra-se talvez das antigas Escrituras, quando o rei Salomão, orando ao Senhor, pede que não lhe desse nada além do essencial para a sobrevivência, para que não venha ele, saciado, a renegar o seu Deus (cf. Pv 30, 8s). Hoje, quando tantos vivem para si, há fome e indigência como nunca, simplesmente porque as pessoas não sabem mais partilhar.

6 - Restitui o que foi indevidamente acumulado (o cair em si)

Não contente em dar a metade do que era seu, Zaqueu sabe que, para a libertação ser integral e eficaz, é preciso haver o ressarcimento daquilo que foi iniquamente acumulado. Sabedor que boa parte de sua fortuna fora feita através de cobranças indevidas, a maior, ele decide restituir com correção o que fora criminosamente recolhido. É a plenificação da conversão através do gesto reparador. Converter-se e arrepender-se do mal praticado, só, não basta. É necessária a restituição, a indenização. Esse gesto, tão difícil de ser assumido, a força libertadora de Jesus suscitou nesse pobre publicano pecador.

Os bens materiais têm grande valor, porém esse valor é relativo. Zaqueu descobriu que, libertando-se do império das coisas materiais, passava a pertencer a outro mundo, a ambicionar coisas de maior valor, perenes, inalienáveis.

A história de Zaqueu é uma história de pressa. Ele estava com pressa de ver a Jesus; tanto assim que correu e subiu na árvore para vê-lo. Jesus, igualmente teve pressa em reintegrá-lo. Logo ao chegar, põe os olhos nele e já anuncia a preferência de hospedar-se em sua casa, em detrimento de outras, teoricamente, mais dignas.

Fonte: O Recado (Carmem Sílvia Galvão)

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