Solenidade de Todos os Santos
O santo não sobe sozinho a escada do céu
31º Domingo do Tempo Comum - Ano A
Evangelho de Mateus 5,1-12
Naquele tempo, 1vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2e Jesus começou a ensiná-los: 3“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. 4Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. 5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. 11Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós por causa de mim. 12Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.
REFLEXÃO
O Evangelho de hoje nos apresenta o caminho perene da santidade: as bem-aventuranças. Elas são o melhor programa para viver a santidade, pois representam aquilo que o próprio Mestre viveu. As bem-aventuranças não são um convite à passividade ou acomodação dos pobres e dos sofredores. Longe disso. Muitos mártires continuam morrendo em defesa da vida dos empobrecidos e explorados. A motivação primeira à busca e vivência da santidade é o próprio Deus, porque ele é o santo por excelência. A santidade de Deus convida todos os seres humanos a serem santos. Ao nos criar, Deus colocou em nosso coração o desejo de santidade.
(Dia a Dia com o Evangelho 2026 - PAULUS)[1]
Coleta
Deus eterno e todo-poderoso, que nos permitis celebrar os méritos de todos os vossos santos numa única festa, concedei-nos, por intercessores tão numerosos, a desejada abundância da vossa misericórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
O santo não sobe sozinho a escada do céu
O Evangelho das bem-aventuranças é o programa dos que querem ser santos e é a vivência dos que o são. Ninguém é santo por sua própria força. Toda santidade vem de Deus. Com a encarnação de Jesus, a humanidade se embebeu da santidade divina. Cabe a cada um tirar as consequências e produzir os frutos. Podemos dar ao capítulo das bem-aventuranças o título ‘O Caminho da Felicidade’, ou também ‘O Caminho da Santidade’, porque a santidade é a plenitude da felicidade.
Santo é o pobre de espírito, isto é, aquele que não se julga autossuficiente, mas se considera um necessitado de Deus, por isso vive com o coração aberto e voltado para o Senhor. Santa é a criatura que pacifica os instintos e sentimentos e coloca-os a serviço de sua caminhada pessoal e comunitária, por isso tem o coração aberto para o próximo, sempre pronto a compreender, a dar, a perdoar. A mansidão é dinâmica. Santo é quem participa de tal modo da vida que está em torno, que canta com os alegres e chora com os tristes e se compadece (= sofre junto) com os que sofrem.
Não há lugar nem momento neste mundo sem sofrimento: há a fome e a sede, há a injustiça e o insulto, há a perseguição e a falsidade, as doenças e as angústias, há o trabalho cansativo e difícil da construção da paz. O santo não se fecha sobre a própria felicidade, não sobe sozinho as escadas do céu. A força que os santos têm hoje de ajudar-nos, eles a adquiriram aqui entre nós, participando de nossas limitações e necessidades, derramando e enxugando lágrimas, corrigindo injustiças e espalhando amor, para que o Reino de Deus pudesse acontecer no dia a dia.
FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.[2]
Fontes:
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