Em 22 de outubro, a Igreja celebra São João Paulo II, o Papa que marcou gerações com seu anúncio de Jesus Cristo, sua proximidade com os jovens e sua confiança na intercessão de Nossa Senhora. Sua vida atravessou a guerra, perdas familiares e a enfermidade, deixando um testemunho de perseverança na fé e de serviço à Igreja.[1] [2]
Recordar sua história é acolher um convite que continua a tocar nossos corações: entregar a vida ao Senhor e permitir que o Evangelho transforme nossas escolhas, nossos relacionamentos e nossa maneira de cuidar do próximo.
Por que São João Paulo II é celebrado em 22 de outubro?
A data recorda a missa de início de seu pontificado, celebrada em 22 de outubro de 1978. Karol Wojtyła havia sido eleito Papa seis dias antes, em 16 de outubro. Por isso, sua memória litúrgica está ligada ao começo solene de seu ministério como sucessor de São Pedro.[2] [3]
Naquela celebração, ele dirigiu ao mundo palavras que se tornariam uma das expressões mais conhecidas de sua missão:
“Não, não tenhais medo! Antes, procurai abrir, melhor, escancarar as portas a Cristo!”
São João Paulo II — homilia de 22 de outubro de 1978.[4]
O apelo nascia da confiança em Jesus, que conhece o coração humano e oferece palavras de vida eterna. Podemos acolhê-lo também hoje, apresentando ao Senhor nossos medos e buscando sua direção nas decisões de cada dia.[4]
Karol Wojtyła: infância, perdas e vocação
Karol Józef Wojtyła nasceu em 18 de maio de 1920, em Wadowice, na Polônia. Perdeu a mãe, Emília, em 1929; o irmão Edmund, em 1932; e o pai, Karol, em 1941. Ainda jovem, conheceu de perto a dor da ausência de pessoas muito amadas.[2]
Durante a ocupação nazista, trabalhou em uma pedreira e depois em uma fábrica química. Em 1942, começou sua preparação para o sacerdócio no seminário clandestino de Cracóvia. Foi ordenado sacerdote em 1º de novembro de 1946.[3]
Conhecer esse caminho pode nos ajudar a rezar por quem enfrenta o luto, a incerteza ou condições difíceis de trabalho. A vocação de cada pessoa se desenvolve em uma história concreta, na qual também precisamos de amparo, discernimento e coragem para responder a Deus.
De sacerdote na Polônia a sucessor de São Pedro
Em 1958, foi nomeado bispo auxiliar de Cracóvia. Tornou-se arcebispo em 1964 e cardeal em 1967. Participou do Concílio Vaticano II, levando àquela assembleia sua experiência pastoral. Em 16 de outubro de 1978, foi eleito Papa e assumiu o nome de João Paulo II. Foi o primeiro pontífice polonês e o primeiro não italiano em mais de quatro séculos.[3]
Seu pontificado se estendeu até 2005. Realizou 104 viagens apostólicas internacionais, aproximando-se de comunidades de diferentes povos e culturas. Essas visitas tornaram sua presença familiar a milhões de católicos e deram expressão concreta à missão de anunciar o Evangelho pelo mundo.[1] [3]
O Papa dos jovens e as Jornadas Mundiais da Juventude
A relação de João Paulo II com a juventude deixou uma marca especial na vida da Igreja. Por sua iniciativa, surgiram, em 1985, as Jornadas Mundiais da Juventude. Ele desejava que esses encontros ajudassem os jovens a conhecer Cristo e a se tornarem evangelizadores de outros jovens.[5]
Na vigília da Jornada de Toronto, em 2002, o próprio Papa explicou essa intenção. O encontro com Jesus deveria continuar na vida cotidiana, amadurecendo em testemunho e missão.[5]
Seu legado nos convida a acompanhar os jovens com atenção: escutar suas perguntas, rezar por suas escolhas e oferecer oportunidades reais de participação na comunidade. Uma palavra de incentivo, um convite para servir e a presença de alguém disposto a ouvir podem ajudar muito nessa caminhada.
A defesa da vida, o cuidado com a família e a formação na fé
Na encíclica Evangelium vitae, publicada em 25 de março de 1995, João Paulo II reafirmou o valor da vida humana e a necessidade de protegê-la desde a concepção até a morte natural. Seu ensinamento associa essa defesa ao acolhimento e à solidariedade, especialmente diante da fragilidade, da pobreza, da velhice e da doença.[6]
As famílias também receberam atenção constante. Na homilia de sua canonização, o Papa Francisco o recordou como o “Papa da família”, destacando sua dedicação a essa missão.[7]
Outro marco foi a publicação do Catecismo da Igreja Católica, em 1992, apresentado por meio da constituição apostólica Fidei depositum. A obra oferece uma exposição organizada da fé, da vida sacramental, da moral cristã e da oração, servindo à formação dos fiéis.[8]
“Totus tuus”: uma vida confiada a Nossa Senhora
A devoção mariana de João Paulo II se expressava no lema Totus tuus, que significa “Todo teu”. Inspirado na espiritualidade de São Luís Maria Grignion de Montfort, ele confiava a Nossa Senhora sua vida e seu ministério, buscando uma união cada vez mais profunda com Jesus.[9]
Em 16 de outubro de 2002, publicou a carta apostólica Rosarium Virginis Mariae. Nela, apresentou o Rosário como caminho de contemplação de Cristo na companhia de Maria e propôs os mistérios luminosos, voltados a acontecimentos de sua vida pública.[9]
Ao rezar o Terço, podemos seguir esse caminho: meditar os acontecimentos do Evangelho, apresentar nossas intenções e pedir a graça de colocar em prática aquilo que contemplamos. Nossa Senhora nos acompanha como Mãe e nos ensina a escutar seu Filho.
O atentado e o testemunho do perdão
Em 13 de maio de 1981, João Paulo II foi gravemente ferido em um atentado na Praça São Pedro. No dia 17 de maio, ainda hospitalizado, declarou que rezava por quem o havia ferido e que o perdoara sinceramente.[1] [10]
Em dezembro de 1983, visitou Ali Ağca na prisão de Rebibbia e conversou com ele. O encontro permaneceu como um testemunho público de reconciliação.[11]
Ao recordar esse gesto, podemos pedir a Deus ajuda para lidar com nossas próprias feridas. O caminho do perdão pode exigir tempo, oração e apoio de pessoas de confiança. A graça do Senhor nos sustenta para buscar a paz e dar passos possíveis.
São João Paulo II e a Divina Misericórdia
A mensagem da Divina Misericórdia ocupa um lugar importante em seu pontificado. Em 30 de abril de 2000, João Paulo II canonizou Santa Faustina Kowalska e anunciou que o segundo Domingo da Páscoa receberia, em toda a Igreja, o nome de Domingo da Divina Misericórdia.[12]
Naquela homilia, ressaltou que acolher a misericórdia de Deus nos chama a agir com misericórdia. Esse compromisso passa pelo perdão, pela partilha e pelo cuidado com as necessidades materiais e espirituais do próximo.[12]
Podemos viver essa mensagem ao procurar o sacramento da Reconciliação, visitar alguém que está sozinho, ajudar uma família em dificuldade e rezar por quem sofre. São gestos pelos quais a fé encontra expressão no amor.
São João Paulo II e seu carinho pelo Brasil
O Brasil recebeu João Paulo II em viagens apostólicas nos anos de 1980, 1991 e 1997. Na última dessas visitas, esteve no Rio de Janeiro por ocasião do II Encontro Mundial das Famílias.[11]
Uma lembrança especialmente querida é sua presença em Aparecida, em 4 de julho de 1980. Na oração pronunciada na dedicação da Basílica Nacional, confiou a Nossa Senhora o povo brasileiro, a Igreja no país e suas necessidades, trabalhos e alegrias.[13]
Ao recordar sua passagem por nossa terra, podemos renovar essa intenção: rezar pelo Brasil, por nossas famílias e comunidades, pedindo que a fé se traduza em honestidade, fraternidade e cuidado com os mais necessitados.
A enfermidade, a morte e a canonização
Nos últimos anos, a doença de Parkinson e outras limitações físicas tornaram mais difícil o exercício de seu ministério. Sua perseverança nesse período sensibilizou pessoas em todo o mundo.[2]
João Paulo II faleceu no Vaticano em 2 de abril de 2005, aos 84 anos, na véspera do Domingo da Divina Misericórdia. Foi beatificado por Bento XVI, em 1º de maio de 2011, e canonizado pelo Papa Francisco, em 27 de abril de 2014, juntamente com São João XXIII.[1] [7]
Sua memória nos leva também a olhar com mais atenção para os enfermos e idosos que estão perto de nós. A companhia, a escuta paciente e a ajuda nas necessidades diárias são maneiras de reconhecer sua dignidade e fazê-los sentir que continuam amados.
Como viver o dia de São João Paulo II?
Podemos reservar um momento para participar da Santa Missa, quando possível, ler o Evangelho e rezar pela Igreja. Rezar o Terço pelas famílias e pelos jovens, procurar a Confissão e oferecer uma ajuda concreta a alguém são boas maneiras de acolher os frutos desta celebração.
Vale também retomar um de seus ensinamentos e perguntar, em oração, como vivê-lo hoje. Talvez seja hora de dedicar mais tempo à família, acompanhar uma pessoa enferma ou voltar a uma prática de fé que ficou esquecida.
Oração a São João Paulo II
Prece devocional composta para este artigo.
Amém.
São João Paulo II, rogai por nós!
Que sua intercessão nos ajude a acolher Cristo em nossa vida e a responder ao seu amor com generosidade. Confiemos ao Senhor o que trazemos no coração e peçamos a graça de servi-lo nas pessoas que Ele coloca em nosso caminho.
Leia também:
- Nossa Senhora do Rosário: história, significado e oração para 7 de outubro
- Santa Faustina Kowalska: vida, oração e confiança na Divina Misericórdia
- Domingo da Divina Misericórdia — O Amor que vence o pecado
Fontes consultadas
- Vatican News — São João Paulo II, papa: Santo do dia, 22 de outubro.
- Dicastério para as Causas dos Santos — Giovanni Paolo II: biografia, memória litúrgica e causa de canonização. Em italiano.
- Santa Sé — Perfil biográfico de João Paulo II (1920–2005).
- São João Paulo II — Homilia no início do pontificado, 22 de outubro de 1978.
- São João Paulo II — Discurso na vigília da XVII Jornada Mundial da Juventude, Toronto, 27 de julho de 2002.
- São João Paulo II — Encíclica Evangelium vitae, 25 de março de 1995, especialmente nn. 87–94 e 101.
- Papa Francisco — Homilia na canonização de João XXIII e João Paulo II, 27 de abril de 2014.
- São João Paulo II — Constituição apostólica Fidei depositum, 11 de outubro de 1992.
- São João Paulo II — Carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, 16 de outubro de 2002, especialmente nn. 2–3, 15 e 19–21.
- São João Paulo II — Regina Caeli, 17 de maio de 1981: declaração de perdão após o atentado.
- Santa Sé — Alguns dados significativos do pontificado de João Paulo II: cronologia.
- São João Paulo II — Homilia na canonização de Santa Faustina Kowalska, 30 de abril de 2000.
- São João Paulo II — Oração na dedicação da Basílica Nacional a Nossa Senhora Aparecida, 4 de julho de 1980.


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