O amor é o cumprimento da lei
30º Domingo do Tempo Comum - Ano A
Evangelho de Mateus 22,34-40
Naquele tempo, 34os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo 35e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: 36“Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” 37Jesus respondeu: “‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento!’ 38Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. 40Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos”.
REFLEXÃO
O “Código da Aliança”, do qual é tirado o texto da primeira leitura, contém as leis básicas para que Israel possa existir como povo santo, justo e solidário. Para esse povo, o estrangeiro, a viúva e o órfão são símbolo dos pobres, os quais merecem a preocupação da sociedade e, principalmente, das autoridades. Quem os despreza está longe de Deus, pois Deus está com eles. / Para Paulo, a comunidade de Tessalônica tornou-se “modelo” de acolhimento para outras comunidades e centro de irradiação da Palavra de Deus. O apóstolo anima os cristãos a confiar cada vez mais na Palavra divina, mesmo em meio às inúmeras provações. / Um doutor da Lei lança a pergunta a Jesus: Qual é o mandamento mais importante? Jesus responde que o primeiro mandamento (amar a Deus) está unido ao segundo (amar o próximo). Trata-se dos dois amores da vida; amando um, estaremos amando o outro. A melhor forma de mostrar que amamos a Deus é amando o próximo.
Pistas para reflexão da Liturgia Diária do Dia.
(Dia a Dia com o Evangelho 2026 - PAULUS)[1]
Coleta
Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e, para merecermos alcançar o que prometeis, fazei-nos amar o que ordenais. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
O amor é o cumprimento da lei
Por que a pergunta do fariseu era uma armadilha? A pergunta não era nova. Todos os rabinos procuravam respondê-la para seus discípulos. Tratava-se de resumir em uma norma tudo o que significava bom comportamento. Os rabinos haviam compilado uma lista de 613 preceitos. Deles, 248 eram ‘positivos’ (mandavam fazer alguma coisa); e 365 eram ‘negativos’ (proibiam fazer alguma coisa). Além disso, muitos obrigavam gravemente, outros obrigavam levemente. Era a esses preceitos que Jesus se referia, quando repreendeu os fariseus com as duras palavras: “Amarram pesadas cargas e as põem nas costas do povo e vocês nem com o dedo querem tocá-las” (Mt 23,4).
Jesus responde com palavras da Escritura, de textos que os fariseus sabiam de cor. A primeira frase é do Deuteronômio 6,5; e a segunda é do Levítico 19,18. Com elas, Jesus resume todas as leis e todos os ensinamentos. Mais tarde, o Apóstolo Paulo dirá: “Todos os preceitos se resumem nesta palavra: amarás o próximo como a ti mesmo. O amor é o cumprimento da lei” (Rm 13,9-10).
Jesus não disse palavras novas na sua resposta. Aproximou duas frases que todos sabiam de cor e com isso confirmou que é irrepreensível aquele que tem vivas as dimensões para Deus, para o próximo e para dentro de si mesmo. No equilíbrio dinâmico dessas dimensões, resumem-se todos os ensinamentos, tanto os divinos (profetas) quanto os humanos (legislação). A armadilha da pergunta consistia na provável omissão de algum preceito importante, que facilitasse a acusação de desleixo, ignorância ou ensinamento errado, que possibilitaria chamá-lo de ‘falso mestre’.
FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.[2]
Fontes:
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