Em 12 de outubro, a Igreja no Brasil celebra Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nossa Padroeira. Sua devoção nasceu em 1717, quando três pescadores encontraram uma pequena imagem de Maria nas águas do rio Paraíba do Sul. Desde então, a Mãe Aparecida acompanha a oração, a esperança e a vida de gerações de brasileiros.
Dos primeiros encontros para rezar o Terço nas casas dos pescadores às romarias ao Santuário Nacional, essa história reúne gratidão, pedidos de intercessão e o desejo de encontrar Jesus na companhia de sua Mãe. Conhecer suas origens nos ajuda a viver a devoção com fé e a transmiti-la às novas gerações.
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| Nossa Senhora Aparecida, representada com o manto azul e a coroa, símbolos familiares de sua devoção. Foto: Jaqueline Moia. Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0. |
O significado do título Nossa Senhora Aparecida
Nossa Senhora da Conceição Aparecida é um título da Virgem Maria, a Mãe de Jesus. O nome reúne a referência à Imaculada Conceição e a lembrança de uma imagem encontrada nas águas do rio Paraíba do Sul.
A fé na Imaculada Conceição reconhece que Maria foi preservada do pecado original, desde o primeiro instante de sua concepção, pela graça de Deus e em vista dos méritos de Jesus Cristo. O Catecismo da Igreja Católica apresenta esse ensinamento nos números 490–493.
O nome Aparecida está ligado ao encontro da imagem no rio. A devoção que nasceu naquele lugar cresceu entre as famílias e chegou a todo o Brasil, tornando-se uma das expressões mais conhecidas do amor do povo à Mãe de Deus.
Como a imagem foi encontrada em 1717?
A história começou em outubro de 1717, na região de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso procuravam peixes para uma refeição oferecida por ocasião da passagem do conde de Assumar, Dom Pedro de Almeida e Portugal, governador da capitania de São Paulo e Minas de Ouro.
Segundo os relatos históricos divulgados pelo Santuário Nacional, depois de tentativas sem resultado, João Alves lançou a rede e recolheu o corpo de uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição. Mais adiante, em outro lançamento, encontrou a cabeça da mesma imagem.
Após recolherem as duas partes, os pescadores continuaram o trabalho e conseguiram uma pesca abundante. Esse acontecimento foi acolhido como uma graça obtida pela intercessão de Maria e ficou conhecido na tradição como a pesca milagrosa.
O relato do encontro foi registrado no Livro do Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá. Os documentos situam o acontecimento em outubro de 1717; a celebração litúrgica de 12 de outubro foi estabelecida posteriormente.
Das casas dos pescadores à primeira igreja
A imagem foi acolhida nas casas da família dos pescadores. Os moradores da região se reuniam para rezar o Terço e cantar as ladainhas, especialmente aos sábados. Assim, a devoção nasceu em um ambiente de oração familiar e se difundiu entre os vizinhos.
Em 1732, Felipe Pedroso entregou a imagem a seu filho, Atanásio Pedroso, que construiu um oratório aberto aos devotos. O crescimento da procura levou à organização de um lugar maior para a oração.
O padre José Alves Vilela, vigário de Guaratinguetá, apresentou ao bispo do Rio de Janeiro um relatório sobre a devoção e as graças atribuídas à intercessão de Nossa Senhora. Em 1743, recebeu a aprovação do culto e a autorização para construir uma igreja.
A primeira igreja foi inaugurada em 26 de julho de 1745, festa de Sant’Ana, no Morro dos Coqueiros. A partir desse templo, cresceram as romarias e o povoado que daria origem à cidade de Aparecida.
Relatos de graças que acompanham a devoção
Além da pesca abundante, a tradição de Aparecida transmite outros relatos de graças, divulgados pelo Santuário e conservados na memória dos devotos:
- As velas: durante uma oração diante da imagem, duas velas teriam se apagado e voltado a acender antes de alguém reacendê-las.
- A menina cega: a tradição conta que uma criança recuperou a visão ao chegar a Aparecida com sua mãe.
- As correntes de Zacarias: um dos relatos mais conhecidos narra que as correntes de um homem escravizado se romperam enquanto ele recorria à proteção de Nossa Senhora.
Essas narrativas fazem parte da história devocional da Padroeira. O relato de Zacarias, em particular, convida os fiéis a refletir sobre a liberdade e a dignidade humana. Ao recordar as graças recebidas, somos chamados também a reconhecer e socorrer quem sofre.
A pequena imagem de terracota e a Mãe negra
A imagem original é uma pequena escultura de terracota, isto é, barro modelado e cozido, com características da arte sacra do século XVII. Sua autoria é tradicionalmente atribuída ao frei Agostinho de Jesus, a partir de comparações de estilo, conforme explicações divulgadas pelo A12.
A peça apresenta uma tonalidade escura e é reconhecida pelos devotos como a imagem da Mãe negra Aparecida. Sua aparência e as transformações pelas quais passou são parte de uma história que inclui o encontro no rio, a veneração nas casas e os cuidados de conservação.
Na reflexão devocional, a imagem negra recorda a proximidade de Maria com os pobres e com o povo que sofreu a escravidão. Seu acolhimento materno nos convida a respeitar a dignidade de cada pessoa e a cultivar a fraternidade.
O manto azul e a coroa, acrescentados na história da veneração à imagem, tornaram-se elementos familiares de sua representação. As mãos unidas em oração nos ajudam a recordar a confiança de Maria em Deus.
A coroação de Nossa Senhora Aparecida em 1904
Em 8 de setembro de 1904, a imagem foi solenemente coroada, com autorização do Papa São Pio X. A celebração aconteceu diante do templo hoje conhecido como Basílica Histórica e reuniu bispos, sacerdotes e numerosos fiéis.
Na coroação foi utilizada a coroa oferecida pela Princesa Isabel. O gesto expressou o reconhecimento e a gratidão dos devotos pela presença materna de Nossa Senhora na caminhada do povo.
A coroação marcou a história da devoção e antecedeu o reconhecimento de Nossa Senhora da Conceição Aparecida como Padroeira do Brasil.
Quando Nossa Senhora Aparecida se tornou Padroeira do Brasil?
Em 16 de julho de 1930, o Papa Pio XI assinou o documento que declarou Nossa Senhora da Conceição Aparecida Padroeira principal do Brasil.
A proclamação solene foi celebrada em 31 de maio de 1931, no Rio de Janeiro, então capital federal. A imagem foi levada de Aparecida para a grande homenagem, que reuniu os fiéis em oração pela nação.
Por esse patronato, a Igreja no Brasil confia à intercessão de Maria a vida de seu povo. Rezar à Padroeira é também apresentar a Deus as necessidades das famílias, dos trabalhadores, dos enfermos e de todas as pessoas que precisam de amparo.
Por que celebramos Nossa Senhora Aparecida em 12 de outubro?
O dia 12 de outubro é dedicado, no Brasil, à solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. A data litúrgica reúne o povo para agradecer a Deus e pedir a intercessão da Padroeira.
O mês de outubro está ligado à memória do encontro da imagem em 1717. Ao longo da história, a celebração passou por diferentes datas até se consolidar em 12 de outubro.
A Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980, declarou o dia 12 de outubro feriado nacional, consagrado a Nossa Senhora Aparecida. Para os católicos, a data oferece uma ocasião especial de participar da Santa Missa, rezar em família e praticar a caridade.
Da Basílica Histórica ao Santuário Nacional
Com o aumento das romarias, a primeira igreja precisou ser substituída por um templo maior. A igreja hoje chamada Basílica Histórica ou Basílica Velha foi inaugurada em 24 de junho de 1888.
Em 1894, chegaram a Aparecida os Missionários Redentoristas, que passaram a atuar no atendimento dos romeiros e na evangelização. Sua presença permanece ligada à missão pastoral do Santuário.
A construção da Basílica Nova começou em 11 de novembro de 1955. Em 4 de julho de 1980, durante sua primeira visita ao Brasil, São João Paulo II consagrou o novo templo.
A imagem original foi transferida da Basílica Histórica para a Basílica Nova em 3 de outubro de 1982. Em 1984, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil reconheceu oficialmente a Basílica como Santuário Nacional.
O Santuário acolhe romeiros que chegam para participar da Eucaristia, buscar a reconciliação, agradecer e apresentar suas necessidades. A oração diante da imagem se integra a essa vida de fé e à escuta da Palavra de Deus.
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| Vista da Basílica Nova, sede do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em registro de 2008. Foto: Denis Rizzoli. Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0. |
O atentado de 1978 e a restauração da imagem
Em 16 de maio de 1978, a imagem original sofreu um atentado na Basílica Histórica e se fragmentou. O acontecimento comoveu os devotos e exigiu um cuidadoso trabalho de restauração.
Os fragmentos foram encaminhados ao Museu de Arte de São Paulo — MASP. A artista e restauradora Maria Helena Chartuni recebeu a responsabilidade de reconstituir a peça, trabalho ao qual se dedicou durante 33 dias.
A imagem restaurada retornou a Aparecida em 19 de agosto de 1978. Seu restauro preservou uma peça que atravessa séculos de história e acompanha a oração de tantas gerações.
Aparecida e os Papas: fé, discipulado e missão
A visita de São João Paulo II, em 1980, marcou a história da Basílica Nova. Em 2007, Bento XVI esteve em Aparecida e presidiu a Missa de abertura da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe.
Desse encontro nasceu o Documento de Aparecida, importante referência para a formação de discípulos missionários de Jesus Cristo na América Latina.
Em 24 de julho de 2013, o Papa Francisco celebrou no Santuário durante sua visita ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude. Na homilia, incentivou os fiéis a conservar a esperança, acolher as surpresas de Deus e viver com alegria.
Francisco também recordou a relação entre a fé dos romeiros e os trabalhos da Conferência de 2007. Aparecida nos chama a levar para a vida e para a missão aquilo que recebemos no encontro com Cristo.
Uma devoção que nos conduz a Jesus
A devoção à Padroeira tem seu centro em Jesus Cristo. Maria nos acompanha como Mãe e nos ensina a acolher a Palavra, confiar em Deus e servir.
O Catecismo da Igreja Católica, nos números 969–971, apresenta a intercessão materna de Maria e a veneração que a Igreja lhe dedica. Esse amor à Mãe de Deus favorece a adoração de Deus e nos ajuda a seguir seu Filho.
Nas bodas de Caná, Maria orienta os servidores a fazerem aquilo que Jesus lhes disser (cf. Jo 2,5). Podemos acolher essa orientação em nossas famílias e comunidades, procurando escutar o Evangelho e viver seus ensinamentos.
Quem apresenta uma intenção a Nossa Senhora pode também dar um passo concreto de amor: reconciliar-se com alguém, amparar uma pessoa enferma, ajudar quem tem fome ou ouvir com atenção quem está sozinho.
Como celebrar e cultivar a devoção à Padroeira?
A preparação para a festa é acompanhada pela Novena da Padroeira, de 3 a 11 de outubro, no Santuário Nacional. Em paróquias, comunidades e famílias, os fiéis também se reúnem para rezar e renovar sua confiança em Deus.
No dia 12 de outubro, procuremos participar da Santa Missa e reservar um momento para a oração em família. Podemos apresentar à intercessão de Nossa Senhora as crianças, os idosos, os enfermos e as pessoas que enfrentam dificuldades.
Durante todo o ano, o Terço, a meditação do Evangelho e os gestos de caridade ajudam a cultivar essa devoção. Uma imagem no lar pode nos recordar o compromisso de rezar e de acolher uns aos outros com amor.
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Oração tradicional a Nossa Senhora Aparecida
O portal A12 informa que a oração iniciada com “Ó incomparável Senhora da Conceição Aparecida” está presente no Manual do Devoto desde 1904. Podemos rezá-la apresentando à Mãe de Deus nossas intenções e agradecimentos:
Nossa Senhora da Conceição Aparecida, rogai por nós!
Prece tradicional, em versão portuguesa, divulgada pelo A12 e pelo portal católico Paroquias.org.
Que Nossa Senhora Aparecida nos ajude a conservar a esperança e a seguir Jesus com fidelidade. Sob seu cuidado materno, confiemos ao Senhor nossas famílias, nossas comunidades e todo o Brasil.
Leia também:
Fontes consultadas
- Santuário Nacional — história do encontro da imagem, primeiros oratórios, aprovação do culto e primeira igreja.
- A12 — os três pescadores e os registros históricos de suas famílias.
- Academia Marial de Aparecida — documentos sobre o encontro da imagem e a pesca abundante.
- A12 — relato tradicional do milagre das correntes de Zacarias.
- Rádio Aparecida/A12 — a imagem de terracota e sua tonalidade escura.
- Santuário Nacional — coroação da imagem em 8 de setembro de 1904.
- Vatican News — decreto do patronato de 1930 e proclamação solene de 1931.
- Academia Marial de Aparecida — história da devoção, Basílica Nova e reconhecimento como Santuário Nacional.
- Jornal Santuário/A12 — Basílica Histórica, inauguração de 1888 e consagração da Basílica Nova em 1980.
- Santuário Nacional — história do século XX, atentado, restauro e transferência da imagem em 1982.
- Santuário Nacional — Maria Helena Chartuni e a restauração da imagem.
- Presidência da República — Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980: feriado de 12 de outubro.
- Bento XVI — homilia de abertura da V Conferência Geral do Episcopado, 13 de maio de 2007.
- Papa Francisco — homilia no Santuário de Aparecida, 24 de julho de 2013.
- Catecismo da Igreja Católica — nn. 490–493: Imaculada Conceição.
- Catecismo da Igreja Católica — nn. 969–971: intercessão de Maria e veneração à Mãe de Deus.
- Santuário Nacional — Novena da Padroeira, de 3 a 11 de outubro.
- A12 — oração tradicional presente no Manual do Devoto desde 1904.
- Paroquias.org — versão tradicional da oração “Ó incomparável Senhora da Conceição Aparecida”.










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